IGREJA METODISTA DE VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902


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Biografias – Personagens da História do Metodismo
Rio, 5/5/2008
 

Alexandre Kilham, o fundador em 1797 da Nova Igreja Metodista, a primeira dissidência da Igreja Metodista da Inglaterra

Paul Eugene Buyers (*)

Alexandre Kilham nasceu em 10 de julho de 1762, na cidade de Epworth. Seu pai era tecelão e educou seu filho em casa. Todos os da sua família eram metodistas. Seu filho Alexandre era o mais velho e gostava de ler um notável livro devocional daquele tempo: "O Descanso Eterno do Santo" (The Saint's Everlasting Rest). Durante a sua mocidade teve um companheiro bom que exercia influência salutar sobre ele. Quando chegou aos vinte anos de idade, experimentou mudança radical na sua vida. Sobre isso ele diz:
"Depois de eu lamentar e chorar por três ou quatro horas, veio uma mudança repentina a minha mente Eu não podia mais chorar, ainda que ganhasse o mundo todo. Senti grande amor por todos que me rodeavam — meu coração encheu-se de gozo inexprimível" (Towsend et al, Vol. I, p. 489).

Logo começou a contar de casa em casa, aos outros, o que o Senhor tinha feito por ele. Descobriu que tinha o dom da palavra. Em pouco tempo os pregadores insistiram com ele para que entrasse no ministério. Empregou-se com Brackenbury. Tornou-se companheiro de viagem de Brackenbury e o ajudou no mesmo sentido em que Bradford ajudava Wesley nas suas, viagens. Como era costume de Brackenbury fazer viagens de evangelização, visitou as ilhas do Canal com seu companheiro. Sofreram perigos e perseguições, mas implantaram o Metodismo naquelas ilhas. A associação com Brackenbury tornou-se muito proveitosa para o jovem Kilham. Aprendeu bastante daquele grande servo de Deus — homem culto, cristão e rico. Kilham ficou tomando conta da casa "Raithly Hall" em Lincolnshire, por um ano, enquanto o dono fazia uma viagem à Europa, em busca de saúde (1784). Kilham substituía, uma vez ou outra, pastores que ficavam doentes. Deste modo adquiriu experiência no ministério. Finalmente Wesley o nomeou pastor da zona de Grimsby e daí em diante recebeu nomeação de ano em ano até a morte de Wesley. Sofreu perseguições e privações como os demais pregadores daquela época. Dizem que seus, adversários colocaram, certa vez, meio quilo de pólvora em baixo do lugar onde Kilham tinha de ficar, numa pregação, e ligaram com a pólvora um rastilho comprido. Mas, quando chegou a hora de pregar, mudou de lugar, antes da explosão, e, assim, por um triz escapou a morte.

Kilham foi homem de idéias independentes. Sentia a influência do espírito de liberdade da época. Recusou batizar seu terceiro filho na Igreja Anglicana. Convenceu-se de que as sociedades metodistas deviam separar-se completamente da Igreja Anglicana. Havia muitos outros que sentiam a mesma coisa. Portanto, dois meses depois da morte de Wesley escreveu um folheto "O Sinal de Alarme de Hull", em que procurava justificar seu velho superintendente por ter administrado a santa ceia. Foi censurado pelos colegas perante a Conferência Anual por ter escrito o folheto. Mas não ficou calado. Escreveu novo folheto, assinado por "Áquila e Priscila". Neste folheto pugnava pelo direito de administrar a santa ceia. Empregou os argumentos mais fortes que tinham aparecido sobre o assunto. Pouco depois escreveu outro folheto sobre "O homem verdadeiro e livre" (True man and Free man) em que insistia "na união dos leigos com os pregadores na administração da zona e em que o delegado da zona devia representá-la na Conferência Anual". Alguns pregadores o censuravam por ter escrito tais coisas, mas outros o apoiavam.

Houve tentativas para harmonizar as divergências entre os pregadores. O próprio Kilham por algum tempo se mostrou disposto a harmonizar as idéias divergentes que havia entre ele e seus colegas. Mas finalmente se convenceu de que jamais conseguiria por meios suasórios aquilo por que pugnava. Escreveu então um livrinho em que expôs as suas idéias em termos claros. O título do livrinho era "O Progresso da Liberdade entre o Povo chamado Metodista". A isso acrescentava um "Esboço de uma Constituição", humildemente recomendado à consideração séria dos pregadores e do povo que estavam ligados a Wesley.

Esta obra provocou reação contra Kilham. Foi processado pela Conferência distrital e finalmente foi expulso da Igreja pela Conferência Anual.

As idéias ventiladas no livrinho serviram de base à constituição da Nova Igreja Metodista (The Methodist New Connexion Founded).

O historiador, dr. Jorge Eayrs, falando sobre isso, disse:
"Os princípios gerais foram incluídos mais tarde na constituição da Nova Igreja Metodista. Nessa obra ele se confessou autor de outros tratados e insistia em, apesar das concessões, alguma coisa ainda precisa ser feita não só para evitar que qualquer pregador proceda contrariamente aos interesses das sociedades, mas também para obrigar os pregadores a cooperar uns com os outros. Ele insistia: 1)|no pronunciamento da igreja, antes da admissão ou expulsão de membros, e também quanto à nomeação dos guias de classe; 2) em que os pregadores leigos deviam ser examinados e aprovados pelo conselho dos guias e pelas Conferências distritais; 3) em qualquer pregador, como candidato a itinerância, fosse aprovado pela Conferência trimensal; 4) em que fossem nomeados delegados leigos da Conferência trimensal à Conferência distrital e da Conferência distrital à Conferência Anual dos pregadores; 5) em que os leigos trabalhassem juntos com os pregadores em todos os negócios, tanto temporais como espirituais" (Townsend et al, Vol. p. 492).


Kilham foi processado e expulso em 28 de julho de 1796. Foi um processo penoso para todos. Ele ficou consolado, quando alguns perguntaram se era Kilham ou a Conferência que estava sendo processada, e triste, quando seus amigos pronunciaram a sentença contra ele. Não havia nada contra seu caráter, só contra suas idéias.


A expulsão de Kilham causou grande perturbação em diversas sociedades. Um plano de pacificação em que eram incluídas diversas das idéias de Kilham foi apresentado à Conferência Anual. A Conferência fez algumas concessões, mas não foram suficientes para satisfazer às pessoas interessadas. O rompimento era inevitável e mais de cinco mil membros se retiraram da Igreja Metodista Wesleyana. Com esses elementos se organizou a Nova Igreja Metodista.

A separação foi triste e custosa, mas as coisas chegaram a tal ponto que era a única medida a tomar. O movimento, que resultou dessa separação, começou com a propaganda de Kilham, em 1791, ano em que Wesley morreu.

Três pregadores acompanharam Kilham no ato da separação: Guilherme Thorn, Stephen Eversfield e Alexander Cusumin. Esses quatro pregadores reuniram-se com os delegados leigos que os acompanharam na separação da Capela de Ebenezer, na cidade de Leeds, para organizar a Nova Igreja Metodista, em 9 de agosto de 1797.

Nesta primeira Conferência Guilherme Thom foi eleito presidente e Kilham ficou sendo o secretário. Os lugares atingidos pela separação foram Nottingham, Meclesfield, Aluwick, Olham e mais algumas cidades. Na cidade de Huddersfield, onde os representantes se reuniram, foram eles taxados de jacobinos e soldados cercaram a casa onde estavam reunidos. Sofreram perseguições. Os pregadores eram poucos e seis as zonas. Os pregadores tinham de viajar muito e pregar diversas vezes por semana. Kilham viajava e pregava constantemente. Mas os pregadores ajudavam no trabalho e prestavam valiosos serviços. Christophers Heaps, da cidade de Leeds, foi um dos pregadores que prestou mais serviço, não somente ajudando com suas pregações, mas também hospedando os pregadores na sua casa. O desejo de Kilham era harmonizar as doutrinas arminianas com o sistema presbiteriano e com a itinerância.

Porque Kilham e outros celebravam a santa ceia numa sala especial, foram taxadas de "sacramentários" e davam-lhes vaia nas ruas.

A segunda Conferência Anual da Nova Igreja Metodista realizou-se na cidade de Scheffield, em 1798. Estavam presentes quatorze pregadores e dezessete leigos, representantes de dez zonas. A constituição foi adotada pela Conferência. Mas, antes de ser aprovada pela Conferência Anual, já fora aprovada pelas zonas.

Os pregadores trabalharam abundantemente e seus esforços não foram em vão. Kilham, que trabalhou em Scheffield, foi bem sucedido. O povo afluía às suas pregações, havendo mais de mil e quinhentas pessoas assistindo às reuniões em dias da semana. Sendo o chefe do movimento, a presença de Kilham era desejada em todos os lugares onde havia trabalho. Mas as viagens, perseguições e fadigas concorreram para lhe minar a saúde. Numa viagem que fez a cavalo, ao País de Gales, em novembro de 1798, ficou doente. Mas em dezembro estava trabalhando outra vez. Tinha mais zelo que saúde. Sofrendo de uma hemorragia pulmonar, causada por um resfriado violento, não pode continuar seu trabalho. Dentro de poucos dias faleceu, em um 12 de dezembro de 1798, com trinta e três anos de idade. Morreu jovem, porém conseguiu na Igreja certas reformas necessárias, ainda que fossem violentas e, talvez, prematuras. Foi, entretanto, mais evangelista do que reformador. Tinha paixão pelas almas. Na hora da morte disse: "Contar a todo mundo que Jesus é precioso."

Foi homem sincero e honesto. Ninguém duvidava da sua sinceridade. Aproveitava seu tempo, trabalhando dezoito horas por dia e pregando seis ou oito vezes por semana. Escrevia bem, estilo claro e vigoroso. Casou-se duas vezes. Sua primeira esposa viveu pouco tempo depois do casamento. A segunda sobreviveu ao marido e fundou escolas para crianças pobres na Inglaterra e na Irlanda e foi uma das primeiras missionárias na África.


OBS desta edição:
1) Em 1907 a Nova Igreja Metodista ao lado de duas outras Igrejas metodistas dissidentes (a Igreja Metodista Cristã da Bíblia e as Igrejas Metodistas Livres e Unidas juntaram-se para formarem na Inglaterra a Igreja Metodista Unida.

Depois da unificação dessas três igrejas ficavam ainda três para se fundirem numa, a saber, a Igreja Metodista Wesleyana, a Igreja Metodista Primitiva e a própria Igreja Metodista Unida. A primeira guerra mundial estorvou o movimento de unificação por alguns anos, mas em 1926, 1927 e 1929 medidas unificadoras foram tornadas pelas três Igrejas, as quais foram reconhecidas pelo governo inglês. Em 1932, no Albert Hall, em Londres, foi proclamada, a unificação de todas as Igrejas metodistas britânicas numa só Igreja, que tomou o nome de A IGREJA METODISTA UNIDA. Assim o povo que se chama metodista ficou unido mais uma vez, como o fundador desejava que sempre fosse.

2) Conheça a página de descendentes da família de Alexandre (no inglês, Alexander) Kilham. O endereço: http://www.kilham.org.uk/index.htm


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(*) Texto extraído das páginas 333 e 337 do livro História do Metodismo, de Paul Eugene Buyers, publicado pela saudosa Imprensa Metodista em 1945.


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