IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

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Biografias – Gente da Vila
Rio, 5/11/2011
 

Henrique Coutinho de Oliveira

Henrique Coutinho de Oliveira, nascido no bairro carioca do Riachuelo, é filho de Zuleika e João, católicos não praticantes, e irmão mais novo da Myriam.

Como os pais, Henrique era católico não praticante, indo à igreja apenas nas datas especiais e quando fez a Primeira Comunhão. Mas diariamente, tal como ensinado por D. Zuleika, orava o Pai Nosso antes de dormir. Mas orava mecanicamente.

Em 1964 foi passar as férias de julho em Muriqui, RJ, onde os pais tinham uma casa de praia. O grupo com quem o jovem Henrique se enturmou e ficava batendo papo às vezes se reunia bem defronte da casa onde a Eny Lourenço passava férias com a família. Numa dessas vezes o Henrique viu a Eny meio de longe e falou: “Tem gente nova no pedaço!” Interessou-se pela Eny e a convidou para ir ao clube na noite de sábado, o último dia das férias. Ela aceitou e lá conversaram longamente. No dia seguinte voltaram par ao Rio. Marcaram um encontro no domingo à tarde na porta da Igreja Metodista de Vila Isabel. Eny se identificou como Metodista, o que para Henrique não fez diferença. “Eu não sabia o que era um metodista. Nunca tinha ouvido aquela palavra na vida!” Foi assim que Henrique e Eny começaram a namorar e que ele passou a vir à Igreja da Vila em ocasiões especiais.

Henrique e Eny namoraram por 1 ano e 3 meses antes de se tornarem noivos. Na primeira Páscoa após o noivado Henrique ganhou uma Bíblia de presente da Eny.

Principalmente depois de noivos, Henrique vinha apanhar a Eny na porta da Igreja depois dos cultos, depois de jogar futebol no domingo de manhã com os velhos amigos do bairro do Cachambi, onde morou dos 6 aos 19 anos.

Henrique e Eny casaram-se em 10 de dezembro de 1966 aqui na Igreja Metodista de Vila Isabel e vieram morar em Vila Isabel, na Rua Torres Homens, de onde só saíram quando compraram uma casa no bairro de Lins de Vasconcelos e se mudaram para lá. Foi quando os pais da Eny, Benedito e Hermengarda, foram residir com eles no Lins, onde viveram até partirem para o Senhor Jesus.

Deixou o futebol com os amigos no domingo pela manhã, pois a Eny impôs uma condição para se casarem: “Ela disse que depois de casada não aceitava ir mais sozinha à Igreja. Eu
aceitei, pois gostava muito da Eny e realmente a queria como minha companheira e espo-sa. Combinamos que eu iria ao culto da manhã com ela. Sinceramente eu me sentia alegre por ver minha esposa alegre por eu estar na Igreja ao lado dela. Fiz isso por ela. Priorizei nossas idas à igreja por amor a Eny”, conta Henrique.

O saudoso Carlos Vale Rego logo se aproximou e convidou o Henrique para vir ao futebol dos jovens da Igreja. O Josias Gonçalves também reforçou o convite e a aproximação. E logo chegaram outros jovens como o Valmy Guanaes, Sérgio Roque, Ícaro Pontual, Gerson Gonçalves, o Nelson Peixoto Jr (o Peixotinho), o José Jorge, etc. Henrique aceitou, gostou do grupo, se enturmou e não demorou tornou-se o responsável pelo time dos “veteranos”.

A esposa Eny achou que era hora do próximo passo: desafiou o Henrique a frequentar a Escola Dominical que acontecia depois do culto matutino. “Por eu ser muito tímido e ter alguma dificuldade de falar em público e me expor, eu não quis. Mas depois de muita insistência da Eny e certamente de muita oração dela, acabei aceitando. Havia uma condição para eu participar: a Eny não poderia falar na classe. Sei lá, acho que se ela falasse iam me constranger a falar também, e tinha essa coisa de uma mulher que fala e o marido que não fala... a Eny aceitou e assim eu fui com ela para o culto dominical matutino e depois para a classe da Escola Dominical. Por causa da minha condição pra participar, Eny ficou praticamente um ano inteiro sem falar na classe. Após explicar a situação ao professor, ela pediu a ele para não fazer pergunta a ela. Imagino o quanto deva ser difícil uma coisa dessas para uma mulher participativa. Mas assim como eu vinha à igreja por amor a ela, ela também por amor entendeu as minhas limitações e assim me ganhou pra Cristo”.

Henrique, ao lado da esposa Eny, começou a participar da classe de casais da Escola Dominical, liderada pelo saudoso General Celso Daltro Santos. Havia uma grande amizade entre o grupo da classe, com reuniões nas casas uns dos outros e animados almoços comunitários. A classe era tão concorrida que por causa grande do número de alunos(as), tiveram que aumentar o espaço físico onde ela se reunia, emendando uma sala na outra. A grande sala é onde hoje se reúne a classe Redenção da Escola Dominical, cujo professor é o Ricardo Wesley. Durante algumas noites da semana o grupo dos Alcoólicos Anônimos também se reúne nessa sala. “Eu confesso que tinha dificuldades para ler a Bíblia, não gostava de ler a Bíblia. Foi justamente a participação na classe da Escola Dominical e também algumas situações difíceis que enfrentei que me ajudaram a ler a Bíblia e a ouvir a voz de Deus que vinha dela.”

Depois de 15 anos de casado e de participação ativa na igreja, Henrique sentiu que era hora de assumir o compromisso formal com o Senhor e Salvador Jesus e com a Igreja. E essa decisão aconteceu durante um Concílio Local para eleição dos então ecônomos (o pessoal que ajudava na administração da Igreja Local) para a Junta de Ecônomos, mais tarde substituída pelo Ministério da Ação Administrativa (MAAD). “O Sr. Sebastião, já falecido, ficou espantado ao saber que eu não podia ser indicado e ser eleito porque eu ainda não era membro da Igreja. Encorajado pela Eny e por muitos amigos, e também tocado em meu coração por Deus, fui para a classe de preparo de membros da Igreja e 6 meses depois fui batizado e tornei-me membro da Igreja Metodista de Vila Isabel. Isso aconteceu em 31 de agosto de 1981. Como se vê, minha conversão não foi de uma hora para outra. Foi um processo. Mas certamente fui ganho para Jesus sobretudo pelo amor e testemunho da minha esposa Eny”, testemunha Henrique.

O filho Enrique, o Rico, chegou à vida do casal quando eles tinham 6 anos de casados. Hoje o Enrique está casado com a Gerlandes e deram ao casal a única neta até agora, a Sara, nascida em 6 de janeiro de 2010.
Henrique foi o responsável pelo surgimento do Reforço Escolar e do futebol do Ministério da Ação Social com crianças e adolescentes da comunidade do Morro dos Macacos. “Havia uma turma que jogava futebol na quadra de esportes da Igreja por muitos anos. Mesmo depois que os filhos nasceram, a gente levava os filhos para aquelas noitadas de futebol. Bastava os adultos pararem de jogar um pouquinho que a quadra era “invadida” pelos nosso filhos. Eles brincavam ali um pouquinho com a bola. Tivemos a idéia de separar uma noite para deixar os filhos e demais crianças jogarem. A gente chegaria uma hora antes e as crianças brincariam. E eu fiquei responsável por esse momento. Começaram aparecer outras crianças da comunidade querendo jogar também. Claro, incluí as crianças também no futebol. Ao mesmo tempo eu comecei a trabalhar no Ministério da Ação Social da Igreja e acabamos criando um dia para jogarmos futebol só com as crianças da comunidade. Chamei a Lúcia Assis para ajudar falando de Jesus para essas crianças. Depois da Lúcia, ajudaram também o Ivar Aranha, a Liliam Pimenta e o Marcelo Assis Corrêa. Criamos a regra que pra jogar era preciso estar matriculado na escola formal e ter boas notas. Mas percebemos que os garotos repetiam de ano. 1, 2, 3 ou mais vezes. Mui-tos abandonavam a escola. Era necessário que fizéssemos alguma coisa!”

O Henrique, o grupo de apoio religioso ao futebol com as crianças da comunidade e o Ministério da Ação Social sentiram necessidade de montar um grupo de apoio escolar para as crianças. “Essa iniciativa foi a “semente” do Ministério do Reforço Escolar em nossa Igreja. Primeiro tínhamos 4 alunos, depois passou para 8 e depois chegamos a 50 alunos de todas as idades e de todas as séries escolares. Devemos muito à jovem Valéria Costa da Silva, à Maria José Paim (uma voluntária da comunidade que não era evangélica), e às gêmeas Maria Thereza Teixeira Castro e Maria Izabel de Castro Mataruna. Começamos a usar as salas do nosso edifício educacional que não eram utilizadas para nada. O Professor Erasmo Silva Santos olhava até então pro nosso edifício educacional e dizia que era um “elefante branco”, ou seja, que gastamos tantas energias e recursos para construir um prédio grande e bonito como esse e que não tinha utilidade nenhuma. Numa reunião da equipe do apoio escolar com os pais das crianças que atendíamos, a Valéria Costa sentiu as dificuldades dos pais das crianças e criou o curso de alfabetização de adultos da nossa Igreja. A Dináh Lourenço Almeida apoiou o projeto, e logo também estavam trabalhando a minha esposa Eny, a Marly Soares Pereira e as gêmeas Maria Thereza e Maria Izabel.”

Henrique esteve na coordenação do Ministério de Ação Social de nossa Igreja por mais de 10 anos. Só saiu quando precisou passar por uma cirurgia cardíaca. Com a saída do nosso irmão Henrique, o projeto do Reforço Escolar, até então ligado ao Ministério da Ação Social, ficou bem cuidado nas mãos da Heloísa Stopatto Alves e atualmente com a Elizabeth Soares, a Beth. Ao todo, o Henrique trabalha em nossa Igreja com crianças da comunidade há mais de 40 anos. Até hoje é membro do Ministério da Ação Social.

Henrique nasceu de novo em 2004. Sofreu um infarto silencioso e foi operado no dia 25 de junho de 2004 no Hospital Cardiológico das Laranjeiras. Durante a cirurgia teve um outro infarto. Sobreviveu, mas seu quadro de saúde era extremamente grave. “Foram 15 dias no CTI. Só sobrevivi por causa da dedicação da equipe médica e, acima de tudo, pela graça de Deus. A equipe disse pra Eny: ‘Fizemos tudo que era possível fazer; agora só Deus!’. A Eny durante esse tempo todo dizia: ‘Deus está no controle!”. Ao dar notícia aos amigos testemunhava: “Deus está agindo. Henrique saiu da morte para o estado gravíssimo. Uma melhora bem pequenina, com certeza, mas já é resposta de Deus às nossas orações’. Cada melhora que eu tinha a Eny comemorava e agradecia a Deus. Foi assim até que eu estivesse a salvo. Deus me salvou. Nasci de novo!”

A Deus toda honra e glória pela vida do Henrique, um querido irmão

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