IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

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Biografias – Gente da Vila
Rio, 5/11/2011
 

Almerinda da Silva Soares

ALMERINDA DA SILVA SOARES, filha de Maria e Manoel, é muito conhecida em nossa Igreja, sobretudo por ser a matriarca de uma importante e querida família de Vila Isabel: foi esposa do saudoso Elyas Soares; mãe da Alice Dornellas, da Marly Soares Pereira e do Paulo Soares; sogra do João Wesley, do Mayron Pereira e da Beth Mello Soares; avó de Wesley Júnior, Luiz Otávio, Mayron Júnior, Maíse, Márcio e Paula, todos membros de Vila Isabel. Ela é bisavó de Rafael, Leonardo, Felipe, Carolina e Beatriz. O sexto neto está a caminho. Em sua família há sete médicos: seu filho Paulo, três netos e respectivas esposas são médicos e a neta Paulinha está quase ao fim de seu curso de Medicina.

O pai Manoel era um católico não praticante e a mãe Maria uma metodista “de ber-ço”. Ela foi uma das sócias fundadoras, em 1902, de nossa Sociedade de Mulheres.

“Meu avô Felipe Gonçalves trabalhava na Fábrica de Tecido Confiança no Andaraí. Até a fábrica falir, ele e a família eram membros ativos da Igreja Metodista de Vila Isabel. Ele foi para a Igreja depois que se casou com a minha avó, que também se chamava Maria. Com a falência da fábrica, ele pegou a indenização e comprou um sítio em Rea-lengo que, na época, era um bairro bem rural. A família começou, então, a frequentar e trabalhar na Metodista de Realengo”, conta Almerinda. “Quando mocinha, eu, minha mãe e minha irmã mais velha trabalhamos no Exército da Salvação, onde eu aprendi muito”.

No sítio do avô funcionava nos domingos à tarde uma Escola Dominical Missio-nária. No domingo de manhã e à noite a família ia à Igreja de Realengo e à tarde dirigia a Escola Dominical no sítio. O trabalho progrediu e o avô doou à Igreja de Realengo dois lotes que ficavam na entrada do sítio, bem perto da porteira, para que ali fosse erguida uma nova igreja metodista. Abriu também, dentro do sítio uma rua que fazia uma ligação direta com a Igreja Metodista de Realengo. Mais tarde essa rua ganhou o seu nome, Rua Felipe Gonçalves, e a Igreja construída no sítio é hoje a Metodista de Tapiranga. “Além do domingo, meu avô pregava num trabalho missionário no bairro de Campo Grande às 6ªs-feiras à noite. Eu e minha irmã mais velha, a Tereza, íamos sempre com ele”.

Maria, a mãe, depois de casada com o Manoel, foi morar no bairro de Bento Ribei-ro, onde tinha um armarinho, e onde Almerinda nasceu. Era a filha do meio, entre a Te-reza e a Ivete. Com a morte prematura do pai, a família retornou para Realengo, para morar com os avós. “Como meu pai morreu quando eu era ainda muito criança, tenho pouquíssimas lembranças dele. Na verdade, foi o meu avô Felipe que foi meu pai. Tenho muitas saudades dele. Um homem muito bom, amoroso, generoso e muito cristão. Meu avô faleceu muito prematuramente. Eu tinha 12 anos de idade. Foi uma perda terrível para mim e para toda a família. Quando minha avó morreu a família tinha crescido bastante: eram 14 filhos e 42 netos”.

O Elyas Soares e sua família eram moradores de Vila Isabel e membros da Igreja da Vila. Quando a mãe do Elyas ficou viúva, com seis filhos, entre eles Henrique Soares, ela vendeu a casa em Vila Isabel e comprou um sítio em Realengo. Passaram a frequentar e trabalhar na Igreja de Realengo. “Foi assim que nós nos conhecemos. Ele era muito social, gostava de festas, passeios. Gostava muito de cantar”.

Depois de apenas 1 mês de namoro o Elyas ficou muito doente do pulmão e foi passar algum tempo na casa da família da Almerinda, acompanhado pela mãe dele. Depois de 2 anos de namoro se casaram. Ela tinha 15 anos e o Elyas 21. “Casar com pouca idade era comum naquele tempo. A minha irmã Ivete se casou com 14 anos. A Ivete é a mãe da Marlene, minha sobrinha querida, viúva do Pastor Arlindo Mendes”.

Depois de casados moraram no sítio da família da Almerinda. Depois se mudaram para o bairro do Engenho de Dentro, participando ativamente da Metodista de Realengo. “Foi quando morávamos no Engenho de Dentro que a Alice nasceu. E teve uma história muito curiosa. O Elyas tinha ido num congresso de jovens e eu comecei a sentir as contrações pro bebê nascer. Mas eu me recusava a dar à luz sem que o Elyas estivesse presente, ao meu lado. Ele chegou encima da hora. Alice e Marly nasceram em casa com parteira. Só o Paulo Roberto nasceu no hospital. O Paulo Roberto foi uma gravidez tardia. Quando a Alice e o Wesley se casaram, Paulo Roberto tinha nascido há pouco tempo. Quando meu primeiro neto, o Wesley Jr., nasceu, o Paulo Roberto tinha pouco mais de 2 anos.”

Quando Alice ainda era bem pequena Elyas e Almerinda mudaram-se para o bairro de Vila Isabel, onde Alice foi batizada pelo Rev. Gonçalves, e começaram a participar da Igreja da Vila. Algum tempo depois mudaram-se para o bairro de Cascadura e começaram a participar daquela Igreja. “Foi em Cascadura que nasceram a Marly e o Paulo Roberto. Quando saímos de Cascadura só o Paulo era solteiro, e tinha entre 16 a 18 anos de idade. Voltamos para Vila Isabel e nunca mais saímos daqui”.

Em Realengo, depois de casada, Almerinda era professora da Escola Dominical. Em Vila Isabel sempre participava de todas as programações, mas não exerceu cargos. Sentia-se muito tímida. “Infelizmente não consegui estudar além da 3ª série do ensino fundamental. Minha mãe e Tereza tinham de ir trabalhar fora para manter a família e cabia a mim tomar conta da Ivete, a irmã mais nova, e cuidar da casa. Mas havia um grande biblioteca no sítio deixada lá por um dos pastores da Igreja de Realengo e eu me tornei uma amiga dos livros; uma leitora voraz. Li de tudo, li sobre tudo. Se eu não pude ir à escola, Deus me abençoou com aquela porção de livros, e eu não desperdicei a bênção. Aprendi em casa com os livros o que não tive oportunidade de aprender na escola”.

As filhas Alice e Marly, casadas e com filhos, eram professoras e trabalhavam mui-to. Almerinda era a avó de tempo integral, como antes era mãe de tempo integral. “Antigamente era muito difícil uma mulher trabalhar fora. O trabalho da mulher casada eram os filhos, o marido e a casa. Mas minha vida foi muito abençoada. O marido, as filhas, o filho, os netos, os bisnetos, os genros, a nora, as igrejas por onde passei, os amigos e amigas, meus pais, meus avós, minhas irmãs, todos foram bênçãos de Deus na minha vida”.

Há uns 20 anos passou a sofrer de um problema no joelho. Isso foi lhe impondo uma limitação crescente. Hoje para locomover-se precisa da cadeira de rodas. “Não foi fácil aceitar a cadeira de rodas; eu sentia muita vergonha. Sempre fui uma mulher ágil e independente... Mas se esse era o preço a ser pago para sair da cama, andar com minha família e participar da minha igreja, o que eu podia fazer? Confiar no cuidado da minha família e ser grata a Deus.”

O Elyas Soares faleceu em agosto de 2005. “Foi o companheiro de uma vida toda. Juntos formamos uma família maravilhosa: 3 filhos, 6 netos e 5 bisnetos. E o 6º bisneto, filho do Cláudio e Maise, já está a caminho. Deus é maravilhoso! Tem sido muito bondoso comigo”.

Almerinda, que completa 94 anos em setembro próximo, hoje mora com o filho Paulo Roberto e a nora Elizabeth Soares e, apesar das limitações físicas, é uma mulher lúcida, generosa e firme nas promessas do Senhor Jesus.

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