IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

Boulevard Vinte e Oito de Setembro, 400
Vila Isabel - Rio de Janeiro - RJ
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Biografias – Gente da Vila
Rio, 21/4/2007
 

Elyas da Silva Soares – um Herói da Fé

Elyas da Silva Soares – um Herói da Fé

João Wesley Dornellas

A Igreja Metodista de Vila Isabel – e por que não dizer o Metodismo Brasileiro? – acaba de perder Elyas da Silva Soares. Nascido em 26 de março de 1910, faleceu na terça-feira, dia 9 de agosto de 2005, de manhã bem cedo, com 95 anos, sendo sepultado no Cemitério da Saudade, em Paciência, na tarde do mesmo dia.

Apesar do pouco tempo disponível para anunciar o falecimento, o nosso salão social abrigou mais de 120 pessoas para participar da cerimônia de ação de graças por sua vida vitoriosa, que marcou a sua despedida. Foram momentos de muita emoção para todos os presentes, familiares, amigos e alguns pastores. A cerimônia foi dirigida pelo Rev. Ronan Boechat que contou com a ajuda dos pastores coadjutores Luciano Vergara e Rubem Almeida. Também estava presente o Rev. Messias Amaral dos Santos, nosso ex-pastor, primo em primeiro grau de Elyas, agora a última pessoa viva que faz parte da segunda geração dos fundadores de nossa igreja, em 1902.

Falaram o Rev. Ronan, o Rev. Messias, Sérgio Duarte, João Wesley Dornellas, este lendo uma oração escrita por William Barclay, que é reproduzida ao final deste texto, e sua filha Alice Soares Dornellas que releu a sugestiva mensagem daquele dia de No Cenáculo. Todos os que falaram exaltaram, cada um a seu modo mas todos muito inspirados, a pessoa de Elyas Soares, sua fé e confiança absolutas em Deus, sua fidelidade à Igreja, seu temperamento ponderado e, finalmente, seu exemplo de vida cristã.

Sérgio Duarte, ao qualificá-lo de “o guia-leigo”, exaltou seu trabalho, durante muitos e muitos anos, naquela função histórica do Metodismo, de principal ajudador e conselheiro dos pastores. Em sua fala, ele destacou o grande fato da vida de Elyas Soares. A exemplo de grandes vultos da Bíblia, como Enoque e o próprio profeta Elyas, cujo nome foi escolhido pelo pioneiro Antônio da Silva Soares, seu pai, em homenagem ao grande profeta, Sérgio destacou que “Elyas Soares sempre andou com Deus” e dEle deu testemunho cabal de sua fidelidade.

Por sua vez, o Rev. Messias relembrou o texto dos primeiros versículos do capítulo 21 de Apocalipse, que falam do novo Céu e da nova Terra, e especialmente da promessa de que “Deus habitará com eles, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda a lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas já passaram”. Foram palavras de muito amor e carinho, destacando a obra e o exemplo de Elyas Soares em sua longa e abençoada vida.
Muitos se deslocaram, para prestar a Elyas Soares as últimas homenagens e despedir-se do seu corpo mortal, até o longínquo Cemitério da Saudade, em Paciência, onde já se encontravam mais pessoas que souberam da notícia e vieram trazer à família a sua solidariedade e manifestar a sua tristeza. A cerimônia de despedida final de Elyas Soares foi ministrada pelo Rev. Ronan.

Elyas da Silva Soares, filho de Antônio da Silva Soares e de Rosa Soares, membros fundadores de nossa igreja de Vila Isabel, nasceu em 26 de março de 1910. Fez sua profissão de fé no dia 5 de julho de 1925. Era o nosso membro mais antigo, embora tenha passado muitos anos de sua vida religiosa em

Cascadura. Completou, portanto, 80 anos de membro da Igreja Metodista. Na foto abaixo, tirada durante o lançamento da Pedra Fundamental do nosso templo, em 1921, Elyas é o menino, com 11 anos, que está de chapéu à esquerda.

Casou-se com Almeirinda em 8 de junho de 1933 na igreja de Realengo. Dirigiram a cerimônia os Revs. Manoel Batista Leite, José Rodrigues Ferreira e Messias Cesário dos Santos, pastores, respectivamente, de Realengo, Vila Isabel e Petrópolis. O Rev. Messias era irmão de sua mãe Rosa. Seu casamento durou, portanto, mais de 72 anos. Toda sua descendência é metodista. Ela é composta de 3 filhos (Alice, Marli e Paulo Roberto, que se casaram com João Wesley, Mayron e Elisabeth, respectivamente. Teve 6 netos e dois bisnetos.

De tudo o que havia na Igreja, seu trabalho preferido foi a Escola Dominical, da qual foi superintendente e especialmente, por muitos anos, professor, tanto em Realengo, como em Cascadura e Vila Isabel. Foi ecônomo e guia-leigo, por eleição, no tempo em que só havia um em cada igreja. Foi delegado a muitos concílios regionais e a um Concílio Geral. Destacou-se no trabalho das sociedades, tendo sido presidente dos Jovens e dos Homens. Foi o último presidente da Federação dos Homens da Região do Norte, que se dividiu em duas, e o primeiro da Federação da 1ª Região Eclesiástica. Foi o idealizador e a força motriz do lançamento da revista dos homens, a “Homens em Marcha”.

Damos muitas graças a Deus por sua longa e proveitosa vida. Ao Senhor de tudo, o nosso louvor, a nossa adoração e o nosso agradecimento por ter permitido que tivéssemos convivido, durantes tantos anos, com um homem da estirpe de Elyas da Silva Soares, um verdadeiro Herói da Fé.


Oração para tempos de Angústia
(Oração de William Barclay, que faz parte do livro “Orações para o Homem Comum”, que foi lida no cerimônia fúnebre.)

Ó Deus, nosso Pai, nós sabemos que te afliges quando estamos angustiados; e em nossa tristeza vimos hoje a Ti para que nos dês o consolo que só tu podes dar. Dá-nos a segurança de que, em perfeita sabedoria, em perfeito amor e em perfeito poder, tu ages sempre para o nosso sumo bem.

Dá-nos a certeza de que a mão de um Pai nunca fará brotar uma lágrima inútil em seu filho. Faze-nos seguros de que teu amor aceitará mesmo aquilo que não chegamos a compreender. Ajuda-nos hoje a não pensar nas trevas da morte mas sim no esplendor da vida eterna, para sempre na tua presença e em Ti.

Ajuda-nos também a encarar a vida com graça e coragem; e a achar valor para recordar sempre que o melhor tributo que podemos render a um ser querido não é o das lágrimas mas o fato de que alguém mais se agregou a nuvem invisível de testemunhos que nos rodeia.

Consola-nos e sustem-nos, fortalece-nos e protege-nos, até que nós também cheguemos às verdes pastagens e às águas tranqüilas e voltemos a nos encontrar com aqueles a quem amamos e que perdemos por algum tempo. Por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.


AINDA FALANDO SOBRE ELYAS SOARES
(Texto de Sérgio Duarte)

Nós cristãos, estamos sujeitos aos sofrimentos desse mundo, como todas as pessoas que professam uma outra fé ou mesmo aqueles que não professam fé alguma. Mas para alguns poucos cristãos, existe um tipo de sofrimento que nenhuma outra pessoa conhece, ou se predispõe a conhecer. O sofrer por amor a Cristo.

Mesmo que um cristão comum, aceite todo o sofrimento como conseqüência do pecado da carne, o fato de alguém sofrer por causa da sua justiça e da sua fé, causa-lhe, inevitavelmente, uma profunda estranheza. Que uma pessoa sofra a conseqüência do seu pecado, é admissível. Mas o sofrimento por causa da justiça vai levá-la fatalmente a escandalizar-se com Cristo.

Contudo, em suas cabeças o problema se complica sobremaneira, porque ele bem sabe que os sofrimentos comuns não podem ser evitados, mas o sofrer por amor a Cristo se acaba totalmente no exato momento em que se nega o nome de Cristo.

É exatamente aí que se identificam os homens e mulheres dos quais este mundo não é digno. É exatamente aí que se estabelece quem realmente ama a Deus. É exatamente este o estreito caminho que Elyas Soares decidiu seguir.

Infelizmente nem todos entendem este grande mistério. Quem se achega ao Evangelho somente para resolver problemas particulares, não entende como alguém pode sofrer com alegria. Quem está“correndo atrás da bênção”, não pode aceitar que alguém se humilhe, para que Cristo seja exaltado. Quem veio exclusivamente para louvar, não faz idéia de como alguém que tendo a consciência limpa, pode aceitar orgulhosamente a culpa por causa de um simples nome. E o pior de tudo, nunca conseguirá entender que o juízo de Deus, começa na Sua própria casa.

Deus seja louvado pela vida, pela obra e pela dedicação de Elyas Soares, mas seja exaltado nas maiores alturas pela imensa e zelosa fé que infundiu em seu coração, a ponto do extremo sofrimento não ser nada mais que um motivo para que seus joelhos se dobrassem ainda mais diante do seu Senhor a quem tanto amou.

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