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Biografias – Leigos e Leigas Metodistas
Rio, 21/4/2007
 

Lúcio Marçal, membro fundador da Igreja Metodista Central de Nilópolis

LÚCIO MARÇAL - Membro fundador da Igreja Metodista Central de Nilópolis

(Por Raquel Aguiar, da Igreja Metodista de Nilópolis)

"Lúcio Marçal com sua fé em Deus e sua lucidez (a ponto de contar é sua história e a história da Igreja de Nilópolis com datas, nomes e riquezas de detalhes) é um patrimônio vivo da Igreja Metodista de Nilópolis", afirma o Pr Nélio do Espírito Santo. E é um pouco da história desse irmão que vamos partilhar nesta página de História Viva do Avante.

Lúcio nasceu num 4 de março de 1906, filho de D. Cacilda e Sr. Romeu Francisco Marçal, família simples que morava na rua Dr Campos da Paz, no bairro do Rio Cumprido, Rio. "bem perto do morro São Carlos", recorda. Quando Sr. Romeu e D. Cacilda aceitaram o Evangelho na Igreja Metodista do Catete e se alistaram nas colunas do metodismo, o pequeno Lúcio não passava dos 3 anos de idade. Afirma com alegria que o pai era servo consagrado. Ele se recorda pouco da mãe, que veio a falecer no ano de 1917. Mas tem uma lembrança muito carinhosa da 2ª esposa de seu pai, D. Carmem Virgínia, que foi para ele também uma Mãe. O casamento foi em 1918.

Pra ir do Rio Cumprido ao Catete, a família tinha de tomar um bonde até o Largo da Carioca e dali tomar outro bonde até o Catete. Os pais só andavam de 2ª classe, pois a passagem era bem mais barata que a da 1ª classe: um tostão. "Mesmo quando ele andava com os pastores, esses tinham de se conformar, pois ele só ia de 2ª classe", diz. O pai era operário e a vida era de gente simples. Lúcio não gosta de usar o termo "pobre" pra referir-se a quem segue a Jesus: "Quem tem Jesus como Senhor e Salvador não pode dizer que é pobre! Pois apesar das dificuldades e tribulações, Deus sempre lhe é fiel em acudir e em abençoá-lo". De fato, a vida era de gente simples, que nem sempre tinha o dinheiro pra pagar mesmo as passagens de 2ª classe no bonde para ir à Igreja no Catete.

Nas ocasiões em que não dava pra família ir ao Catete, ela freqüentava as igrejas evangélicas próximas. Uma vez durante um culto na 1ª Igreja Batista que ficava na rua de Santana, o pastor referiu-se depreciativamente aos metodistas nos seguintes termos: "Os metodistas pinguam água na cabeça e dizem que estão batizados; estão batizados nada!" Sr Romeu disse para D. Carmem naquele momento: "Carmem, nossa Igreja não é aqui. Temos de freqüentar a qualquer custo nossa Igreja no Catete." A família se levantou com o propósito tomado. Propósito que não foi fácil cumprir, pois no dia em que o dinheiro faltava pro bonde, seu Romeu dava a mão à D. Carmem e ao adolescente Lúcio iam à pé pra Igreja no Catete. Seu Lúcio recorda com determinação: "Era uma distância muito grande, mas meu pai me punha enganchado no seu pescoço e cortava caminho pelo túnel do Rio Cumprido, descia a rua Itaperu, subia a rua 2, descia e saia na rua do Catete antes da rua Santo Amaro..."

O irmão Lúcio Marçal conta que em alguns domingos do mês de maio notou a ausência de algumas famílias que moraram para os lados de Anchieta e Engenheiro Neiva, hoje Nilópolis. "Meu pai resolveu visitar a família. Mas como antigamente não havia feriado, só dia santo (pois como todos sabemos o catolicismo sempre dominou o país deste aquela história da primeira missa), a visita teve de ser num domingo à tarde. No dia 13 de junho de 1926 foi o domingo da visita. Fomos na casa do irmão Virgulino Prudêncio Nunes, de sua esposa e um filho adotado. Eu me recordo como se fosse hoje, eles moravam num barraquinho de pau-à-pique, de taquara rachada com barro, cobertura de sapê e chão batido. Não demorou muito chegou também o seu Avelino e família e um outro irmão que morava em Mesquita. Conversa vaim, conversa vem a criançada começa a brigar. Meu pai matutou dali e daqui e disparou: "Esse criançada não pode ficar sem as instruções do Evangelho. Podíamos ter aqui uma boa Escola Dominical."

Sr Lúcio conta que os irmãos se animaram e o Sr. Virgulino logo cedeu a sala de chão batido para funcionar a Escola Dominical e deu a idéia de que os bancos fossem alguns caixotes que embalavam 2 latas de querosene vindos lá da América do Norte. "A conversa ia se animando e todo mundo pensando que a tal da Escola Dominical fosse mais pra frente, mas meu pai mais uma vez decidiu: '- vamos começar agora mesmo!'" , acrescenta Sr. Lúcio. O povo, graças a Deus ficoumais animado que assustado. "Então vamos!, todos concordaram. "Cantamos o hino 'Vinde Meninos", três pessoas oraram e meu próprio pai explanou um techo da Bíblia para todos os presentes, mas principalmente para as crianças. Foi uma coisa muito linda e abençoada. E o trabalho, domingo após domingo, foi crescendo. Mais e mais gente ia aparecendo, participando da Escola Dominical e se convertendo a Jesus. Não demorou muito, sentiram necessidade de melhorar o barraco. Foi construida uma pequena sala que virou anos mais tarde esta nossa mesma Igreja de Nilópolis com seus atuais 305 membros. Fazíamos muitos cultos nos domicílios. Muitas vezes esses cultos viravam ponto de pregação que viravam escolas Dominicais que viravam congregações que viravam Igrejas. Aquele trabalho gerou as igrejas Central de Nova Iguaçu, Edson Passos, Paracambi, Ricardo de Albuquerque, Paulo de Tarso (Nilópolis), Olinda (Anchieta). Tinha uma congregação em Caramujos, pra baixo de Paracambi, mas não sei o que foi feito desse trabalho. A Igreja de Nilópolis tem ainda as congregações de Cabuís (com mais de 100 membros) e Cosmorama..."

Lúcio Marçal cresceu respirando e amando o Evangelho! Fez sua pública profissão de fé na Igreja do Catete no seguinte ao da morte de sua mãe, em 1918. Essa é a maior de todas as suas alegrias: ter aceitado e professado sua fé em Jesus! Trabalhou no ofício de serralheiro e ferreiro. Casou-se num 17 de agosto de 1928 com D. Maria do Nascimento, e desse relacionamento nasceram os filhos Mário e Moisés. D. Maria faleceu no ano de 1935. O Mário morreu aos 13 anos de idade.

Sr Lúcio casou-se novamente com D. Eurídice. Era um 17 de setembro de 1936. Dessa segunda união nasceu uma bela estirpe de cristãos metodistas. São 4 filhos (Romeu, Lúcio, Silas e Roberto), 3 filhas (Eunice, Cacilda e Carmem), 13 netas, 10 netos, 12 bisnetas e 1 bisneto. A maior parte da família congrega na Igreja Central de Nilópolis. Em 1º de maio de 1963 ele fica viúvo pela segunda vez. E em 1968, o Moisés, filho do primeiro casamento, faleceu num acidente de automóvel próximo de Barra Mansa na noite da véspera do Natal de 1968. Ele havia se casado e vinha com um grupo de Santo André, SP, para passar o Natal com o pai e para participar da festa de Natal na Igreja de Nilópolis. Com ele, na hora do acidente morreram duas coristas. Uma semana depois morreu uma outra corista internada em estado grave.

Suas tristezas acabam se resumindo na morte da mãe Cacilda, do pai Rubem, da madrasta Carmem, dos filhos Mário e Moisés, e das esposas Maria e Eurídice. Reclamações? Dos pastores que passaram por Nilópolis, guarda boas recordações (inclusive do atual). Mas na qualidade de alguém que gosta muito de cantar e louvar ao Senhor tem uma reclamação: diz que não gosta "desses ritmos novos" que vêm surgindo nos últimos anos dentro da Igreja. Gosta imensamente de louvar a Deus com o nosso velho e bom Hinário Evangélico. "Quantas pessoas conheci que ouviram nossos hinos serem entoados e não puderam resistir à melodia e à voz de Deus, tendo de entrar no templo e irem ao altar, desejosas de um encontro pessoal com Jesus".

No último aniversário da Igreja celebrado sempre no aniversário daquela escola Dominical na casa do Sr Virgulino (apesar da data da autonomia e emancipação ser de fato em 10 de setembro de 1933!), o Pr. Nélio convidou Sr Lúcio a partilhar um pouco da nossa história, e ele contou nossa história mais uma vez, com riqueza de nomes, datas, situações e muitos outros detalhes de quem viveu os acontecimento e é História Viva.

Irmão Lúcio, louvamos a Deus por sua vida e ministério. Alegra-nos que a poucos meses de completar seus 90 anos de idade, esteja tão lúcido e crente, com uma memória formidável em termos de vida e de igreja, e firme na fé, alegre na esperança e arraigado no poder de Deus.

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