IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Biografias – Pastores(as) Metodistas
Rio, 21/4/2007
 

Hught Clarence Tucker

Tributo a H. C. Tucker.

Arsênio F. de Novaes Netto

Apresentar o perfil biográfico do dr. Hugh Clarence Tucker é tarefa de extrema responsabilidade. Falar de Tucker é falar da disseminação da Bíblia Sagrada em solo brasileiro. É falar do Protestantismo no Brasil. É falar da própria história da Igreja Metodista. É falar do primeiro trabalho social da Igreja Metodista no Brasil. É falar do Colégio Bennett e do Instituto Granbery, este último criado para formar pastores para a Igreja e professores para as escolas metodistas.

Tucker nasceu no dia 4 de outubro de 1857 e gastou a maior parte de sua operosa vida no Brasil. Um dos homens fortes da Igreja Metodista, gozava da confiança da Junta de Missões e do bispo John Cowper Granbery, o primeiro bispo metodista a vir ao Brasil (1886), de quem era genro. Representava a Junta de Missões em reuniões mundiais e no Brasil e era uma das figuras mais importantes do movimento ecumênico no mundo.
No dia 16 de setembro de 1886, Tucker, juntamente com James L. Kennedy e John William Tarboux, fundou a Conferência Anual Brasileira. No ano seguinte, com quase dois anos à frente de uma igreja onde congregava-se a colônia norte-americana, no Rio de Janeiro, aceitou o convite e foi nomeado secretário da Sociedade Bíblica Americana, com escritório nesta cidade. Sua incumbência: divulgar a Bíblia Sagrada, pois, às vésperas da Proclamação da República, o campo, em breve, estaria aberto às missões protestantes.

Semeador da Palavra
Em suas peregrinações, como semeador da Palavra, enfrentou dificuldades enormes. Viu suas Bíblias serem queimadas em praça pública e chegou a ser preso e ameaçado de morte. Em várias oportunidades, foi expulso dos hotéis e das próprias cidades que visitara. Nada, no entanto, o detinha, pois tinha clareza de seu chamado de criar condições para um despertamento espiritual e intelectual das massas.

Como a tradução da Bíblia para o português, feita nos Estados Unidos, não era de seu agrado, nomeou comissão revisora composta por quatro norte-americanos e três brasileiros (Eduardo Carlos Pereira, Antônio Trajano e Hypólito de Oliveira Campos). Perfeccionista, Tucker ainda contou com o apoio de Machado de Assis e de Rui Barbosa, pois, “havia alguns trechos que não estavam bem. Só mesmo um escritor seria capaz de dar vida àquelas palavras” (entrevista concedida por Tucker para Diretrizes – Um Semanário a Serviço da Liberdade. Rio, 20/4/1944).

Tucker, naturalmente, aproveitou-se da admiração que “essa gente” nutria pelo modelo norte-americano para conquistar novos espaços. Conheceu vários e ilustres republicanos e gostava de repetir que se relacionava muito bem “com todos os presidentes da República. Fui amigo de Prudente de Morais. Fui amigo de Saldanha Marinho, do Visconde Nogueira da Gama, do Barão Homem de Melo”. Das mãos de Oswaldo Aranha recebeu o distintivo de Oficial da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul. No entanto, como gostava de afirmar, “o povo também é meu amigo. Os meus melhores e mais caros amigos são gente do povo”.

Em 1892, alguns homens extraordinários reuniram-se com Tucker em seu escritório. Sentados em caixas de Bíblias, fundaram ali mesmo a Associação Cristã de Moços. Até 1934, Tucker percorreu várias vezes praticamente todos os Estados. Seu sonho era ver os brasileiros lendo a Palavra de Deus. Durante esses anos foram distribuídos milhares de exemplares das Escrituras, em português, italiano, alemão, polonês, inglês e árabe. Por esse trabalho notável, a Sociedade Bíblica Americana, em 1934, concedeu-lhe o título de “Secretário Emérito”, por seus 47 anos de dedicação à causa bíblica no Brasil.
Em 1900, no alvorecer do século XX mais precisamente no dia 31 de julho, Lander, presidente do Granbery (reitor, na atual nominação), conseguia o apoio de Tucker para a realização de um sonho ainda não alcançado, mas que se mantém vivo no coração dos granberyenses. A diretoria aprovou a idéia de chamar grande reunião em Juiz de Fora e a consagração da pedra angular da futura Universidade Metodista no Brasil, no dia 1º do Século XX, e autorizou o tesoureiro a preparar o material para tal cerimônia.

Um cristão ecumênico
Nos dias 25 a 28 de julho de 1903, teve lugar em São Paulo, reunião constituinte da Aliança Evangélica Brasileira. Foram eleitos Hugh Clarence Tucker, missionário metodista, presidente, e F. P. Soren, batista, secretário.

Servir ao próximo era sua preocupação primeira. Atuou como secretário Geral da Junta Geral de Ação Social, por 16 anos (4 mandatos). No Rio de Janeiro, onde vivia, Tucker, com seu dinamismo e determinação, desenvolveu importantes atividades nessa área da Igreja Metodista.

O destaque fica por conta do Instituto Central do Povo, o primeiro centro social organizado no Brasil, em 1906, destinado a atender os habitantes da favela da Saúde e Gamboa. No local, funcionou primeiramente uma creche. Muito embora haja controvérsia sobre o assunto, nos arquivos do Instituto Central do Povo, consta ser esta a primeira creche popular existente no Estado do Rio.

A proposta do ICP era, realmente, ambiciosa e pioneira, ao concentrar em suas dependências, escola dominical e atividades cúlticas, consultório médico e dentário, farmácia e laboratório, cursos profissionalizantes, Departamentos de Surdos-Mudos, cujas classes eram dirigidas por professores “habilitadíssimos”, atendimento jurídico e muito mais. Pela forma de pensar e pela maneira decidida com que Tucker trabalhava a promoção humana integral, sugere que sua proposta não era assistencialista.

Entre 1903 e 1908, a febre amarela assolava o país. Tucker, sua esposa e seu primeiro filho, também foram atacados pela febre. Preocupado, juntamente com sua esposa, com essa verdadeira tragédia e tendo lido sobre o trabalho do dr. Walter Reed no saneamento de Cuba, Tucker pôs o dr. Oswaldo Cruz em contato com Reed e outros nos Estados Unidos, e serviu de intermediário durante a campanha de saneamento que livrou o Rio de Janeiro desse flagelo.

Mesmo após Oswaldo Cruz ter vencido a grande batalha, a luta da família Tucker contra a febre amarela continuava. Infelizmente, o primeiro e o único filho homem da família não resistiu ao inimigo e morreu. Tudo indica que essa tragédia levou Tucker a se dedicar, de maneira incansável, para melhorar as condições sanitárias do Rio.

Trabalhou em campanhas públicas contra a tuberculose, a lepra e doenças venéreas. Foi nomeado representante no Brasil da Missão Americana entre os leprosos. Ademais, participou da fundação do Hospital dos Estrangeiros e, depois do Hospital Evangélico, no Rio de Janeiro de quem foi presidente (1904-1908).

Introduziu no Brasil o primeiro “playground” para crianças, na cidade do Rio de Janeiro, inaugurado a 12 de outubro de 1911. Ao ato estiveram presentes figuras as mais proeminentes da cidade. Com muita ousadia, em 1922, no 1º Congresso de Proteção à Infância, Tucker compareceu e falou sobre a importância da Educação Física na Pré-Escola. No segundo Congresso, voltou a ter uma participação ainda mais importante ao discorrer sobre um tema até hoje bastante complexo: a educação sexual.

Conquanto estivesse sempre pronto a ultrapassar as barreiras do denominacionalismo, Tucker, com sua lealdade às causas metodistas, desempenhou papel importante no processo de autonomia da Igreja Metodista no Brasil.

No dia 3 de setembro de 1930, foi chamado para presidir os trabalhos do I Concílio da Igreja Metodista do Brasil, realizado no templo da Igreja Metodista Central de São Paulo. Na oportunidade, J. W. Tarboux foi eleito bispo. Na noite do dia 13 de janeiro de 1934, Tucker e Kennedy são convidados pelo bispo Tarboux para auxiliarem-no no ofício religioso de consagração do bispo César Dacorso Filho.

Em 1942, a Igreja Metodista aceita o convite que lhe foi formulado pelo Conselho Mundial de Igrejas. O secretário-executivo da Junta Geral de Ação Social, H. C. Tucker, assina o documento de aceitação do convite, juntamente com o bispo César.

Depois de ter voltado a residir nos Estados Unidos, Tucker fez algumas visitas ao Brasil. Na última delas, em novembro de 1949, foi homenageado pela Sociedade Bíblica do Brasil, pelo Instituto Central do Povo, pelo Colégio Bennett e por outras instituições da cidade do Rio de Janeiro.

Finalmente, no dia 5 de novembro de 1956, a Rádio Nacional, no “Reporter Esso”, divulgava uma notícia lamentável: “Faleceu ontem [dia 4] nos Estados Unidos da América, o Rev. Hugh C. Tucker, um dos fundadores da Igreja Metodista do Brasil.”

Muito embora a limitação do relato, Tucker, testemunha ocular de alguns dos momentos culminantes da História do Brasil e da Igreja Metodista, pelo muito que realizou, pode ser considerado, sem sombra de dúvida, um dos maiores vultos do século 20!

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