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Biografias – Irmãos e irmãs de outras igrejas
Rio, 21/4/2007
 

Norah Buyers, uma norte-americana de coração brasileiro

Norah Buyers
Uma norte-americana de coração brasileiro


Uma mulher que respira música e é apaixonada pelo Brasil. Assim podemos descrever a missionária e compositora norte-americana, Norah Buyers, 86 anos, viúva do reverendo James Watson Buyers. Autora de mais de mil canções, podemos diz que Norah Buyers é uma visionária. Percebendo que os hinos tocados no Brasil precisavam ter o coração brasileiro, ela idealizou o Hinário Nova Canção, produzido em parceria com o Instituto Metodista de Ensino Superior, especialmente para publicar músicas evangélicas escritas por compositores nacionais. “Logo depois que cheguei ao Brasil percebi que as canções usadas nas igrejas eram composições dos Estados Unidos. Então comecei a compor para o hinário brasileiro”, conta Norah Buyers.

A primeira edição do Hinário foi publicada em 1975. Trinta anos se passaram e seu legado musical continua sendo apreciado, o que alegra o coração dessa mulher de Deus. “Fico contente em saber que minha música ainda é cantada pelas igrejas”, declara.

Durante os 25 anos que morou no Brasil, Norah adotou o nome Luiza Cruz para assinar suas composições. “Luiza era o nome de minha mãe e Cruz, o sobrenome de minha primeira aluna no Instituto Samuel Graham”, explica Norah.

Na verdade, para ela, não era importante dizer que as músicas eram de sua autoria. Além disso, não queria que os brasileiros pensassem que os hinos eram produzidos por uma americana. “O que ela mais queria era servir a Deus”, conta a filha Noreen Buyers.

A fotógrafa e artista plástica Phylis Reily, que produziu fotos e a montagem da capa do Hinário Nova Canção, lembra-se de Norah como uma musicista extremamente dedicada. “Ela vivia para a música. Sempre procurou novos artistas e era uma grande promotora de talentos. Estava sempre pesquisando e procurando novidades. A música é um elemento de ensino e ela usava a linguagem do povo em suas canções e ensinava todos a cantar”, declara a viúva do professor Duncan Alexander Reily.

O pastor presbiteriano Celso Wolf comenta que esse era um atributo peculiar da missionária. “Suas músicas, de fato, eram bastante populares. Ela tinha essa preocupação”, diz o pastor que trabalhou com Norah no Centro áudio Visual Evangélico (Cave), em Campinas nos anos 60. O Cave era uma instituição interdenominacional que produzia material como discos, fita para gravação de programa de rádio e recursos diafilme para as igrejas brasileiras. Irmã Norah cuidava da música, tocava órgão, ajudava nas gravações e acompanhava o coral da instituição.

Celso Wolf, que também morou com a família Buyers durante um ano em São Paulo, guarda boas recordações de Norah. “Era uma mulher de fé. Durante a ocasião em que foi acometida pela poliomielite demonstrou uma confiança extraordinária em Deus. Além disso, era uma pessoa muito alegre e como todo artista parece que flutuava. Certa vez, acordamos por volta de meia-noite ouvindo uma música. Levantamos para conferir o que estava acontecendo e lá estava ela ao piano”, lembra sem conter o riso.


Brasil: uma chamada especial
A missionária norte-americana chegou ao Brasil em 1950 com o esposo James Watson Buyers, que foi pastor da Igreja Presbiteriana, diretor do Instituto Samuel Graham, em Jataí (GO) entre 1956 e 1962, onde também foi professor de inglês. No antigo Institutol Metodista de Ensino Superior, em São Paulo, James Watson Buyers lecionou na área de Comunicação.

A vinda para o Brasil foi uma chamada especial de Deus para o casal, que chegou ao país em 1950 com os filhos Robert e Larry. De início, a família se estabeleceu em Campinas (SP), onde aprendeu o português. Seis meses depois foi para Montes Claros (MG) e, em seguida, para Jataí, onde viveu por cerca de 10 anos. Foi lá que Norah contraiu poliomielite, o que causou a interrupção temporária de seu trabalho missionário no Brasil já que ela teve que voltar para os Estados Unidos para tratar a doença.

Durante a viagem para a América, ainda no avião, ela escreveu uma de seus mais belos hinos: Nas mãos de Deus, que retratava o momento de luta e de fé pelo qual passava. Recuperada da polio, Norah, o marido e os filhos retornaram ao Brasil, por volta de 1962, indo morar em São Paulo.

Mesmo vindo de uma cultura totalmente diferente, a família Buyers não teve dificuldades para adaptar-se ao Brasil. “Larry brincava com nossos vizinhos e aprendeu rapidamente o português quando ainda era criança”, recorda-se Norah.

Noreen Greenblat, a filha caçula nasceu em Campinas, e seu nascimento é considerado um milagre. “Além de ter sofrido com a poliomielite, minha mãe ficou dez anos sem menstruar e tinha 45 anos quando engravidou. Os médicos diziam que a gravidez era de risco. Graças a Deus nasci saudável. Deus queria usá-la por muitos anos”, conta Norinha como é conhecida no Brasil.

Desde 1975 Norah Buyers mora nos Estados Unidos e a última vez que visitou o Brasil em 2004. Mesmo tendo retornado para a América, ela ainda realizou mais um sonho brasileiro: a construção da Escola de Música Sacra, em Jataí, obra financiada com seus próprios recursos e com uma grande ajuda de seu cunhado John W. A. Buyers.

Outro projeto idealizado por ela em Jataí foi o abrigo para leprosos. “Minha mãe dizia: ‘como podemos ser cristãos e ignorar pessoas que vivem com essa dificuldade. Jesus vivia entre os leprosos’”, conta Noreen. A direção do abrigo está aos cuidados do padre Tiago, da paróquia católica da cidade.

Atualmente, Norah Buyers mora na Califórnia com o filho Larry. Aos 86 anos, ainda compõe, gosta muito de escrever cartas para os amigos e seus instrumentos de trabalho, o piano e o órgão, estão sempre perto dela. Entre as canções que compôs uma de suas preferidas é Queremos cantar um hino a ti Senhor, baseada no Salmo 8.

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