IGREJA METODISTA DE VILA ISABEL
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Biografias – Personagens da História do Metodismo Brasileiro
Rio, 26/4/2007
 

John James Ranson

JOHN JAMES RANSON (1854-1934)

Isnard Rocha,
no livro “Pioneiros e Bandeirantes do Metodismo no Brasil, 1967

Nasceu em 1854, em Rutherford County, Tennessee, e faleceu a 18 de outubro de 1934, em Nasville, Tennessee — U. S . A .

Trabalhou no Brasil de 2 de fevereiro de 1876, data de sua chegada a nossa terra, até 4 de agosto de 1886, quando retornou definitivamente para a sua pátria, depois de ter realizado excelente obra, no período do pioneirismo da Igreja Metodista, no Brasil.

Kennedy dedica quase três páginas de sua obra para falar do trabalho de Ranson, mas depois disto, no seu livro, o nome de Ranson continua a aparecer até a página 47, quando encerra a sua atividade como missionário no Brasil.

A Igreja Metodista deve muito a esse homem de Deus que, pelo espaço de dez anos e meio realizou uma obra cujos resultados permanecem até nossos dias. Vejamos, em síntese, algumas de suas principais realizações no tempo do Brasil Império e em várias localidades de nosso país.

No seu primeiro ano, em nossa terra, permaneceu em Campinas, onde lecionou inglês e grego, no Colégio Internacional, fundado pela Igreja Presbiteriana e também dedicou-se ao aprendizado de nossa língua. Diz o nosso historiador que, "em pouco tempo conseguiu falar o idioma do país com correção e facilidade."

Kennedy ainda registra: "Logo no segundo ano, o Rev. Ranson, procurando saber melhores pontos para o estabelecimento do seu trabalho, viajou pelo Rio Grande do Sul."

Dessa viagem nos conta algo interessante o nosso querido irmão, Rev. Eduardo Mena Barreto Jayme, historiador gaúcho, no seu livro "História do Metodismo no Rio Grande do Sul:
"Dois anos mais tarde, em 1877, o missionário John James Ranson, ministro da Igreja Metodista Episcopal do Sul, visitava também o Rio Grande do Sul, encontrando seguros vestígios deixados pelo trabalho do seu antecessor. Procurou então se avistar com o Sr. Corrêa, tão bem impressionado estava com o que já, fora realizado. Ambos encontraram-se na cidade de Montevidéu."

Depois continua a sua narrativa:
"O Dr. Ranson era homem de talento, de vigor e decisão. O ilustre missionário, na sua rápida passagem pelos nossos pampas, deixou seu nome registrado na história do Metodismo."

"Voltando daquele Estado, o Rev. Ranson fixou residência no Rio de Janeiro, arrendando por dois anos uma boa casa, sita à rua do Catete n.° 175, hoje reformada. Nessa casa, aos 13 de janeiro de 1878, começou a dirigir cultos na língua inglesa e a 27 do mesmo mês, em português."

Vamos citar aqui mais uma referência importante de nosso historiador sobre o trabalho de Ranson, no Rio:
"Nesse tempo, a Corte Imperial tinha uma população de uns 300 mil habitantes, e, em geral, o povo dava pouca importância à religião, tornando-se talvez indiferente à pregação do Rev. Ranson. No entanto, os padres da Igreja Romana, muito zelosos do Romanismo e muito menos cuidadosos da espiritualidade do seu povo, quais gaviões, não deixaram o esforço desse jovem ministro passar sem reparo e tenaz resistência. Começaram logo a taxá-lo de incrédulo ou ateu. O Rev. Ranson convidou esses padres, redatores do "Apóstolo" (órgão oficial da Igreja Romana) , a assistirem aos cultos, para verificarem que os metodistas não eram ateus, nem desprezadores das leis do Brasil como eles pensavam."

Aí no Rio organizou ele a primeira Igreja Metodista e também organizou uma escola dominical, que chegou, no seu primeiro ano, a ter no rol cerca de cinqüenta alunos matriculados.

No dia 9 de março de 1879 recebeu os dois primeiros membros e, no mês de julho, recebeu mais quatro pessoas, membros da família Pacheco.

No Natal desse ano de 1879 casou-se com Annie Newman, filha do Rev. Newman, missionário que trabalhava no Brasil desde 1867. Mas, nos meados do ano seguinte viu partir para a eternidade a jovem esposa, vitimada pela terrível febre amarela. Nesse mesmo fim de ano voltou aos Estados Unidos, a fim de descansar e também para sentir a cicatrização da ferida que lhe ficara no coração pelo falecimento da esposa.

A Junta de Missões providenciou recursos necessários para que ele, no ano de 1880, no período do verão, pudesse visitar várias conferências anuais perante as quais falou, informando à Igreja-Mãe do trabalho que se fazia no Brasil. E o nosso historiador faz este relato importante:
"Pode-se dizer que esta excursão do Rev. Ranson, nos Estados Unidos, foi a chave de ouro com que ele fechou o seu primeiro lustro de trabalhos, em prol da Missão Brasileira."

No seu segundo lustro de ação, em nossa terra, teve a oportunidade de realizar trabalhos importantes como nos conta Kennedy: "Despontou o ano de 1882 e o trabalho, apesar de muitos embaraços, continuou a avançar."

"O superintendente da Missão Brasileira, Rev. Ransom, era o único representante metodista que poderia pregar em português. Ele havia inaugurado culto evangélico à rua São Clemente, n.° 39, bairro do Botafogo, onde não existia nenhum crente metodista."

"No último semestre de 1882, o Rev. Ranson dirigiu uma campanha evangelizadora na cidade de Piracicaba e, ali, um considerável número de pessoas tornaram-se candidatos à comunhão da Igreja, as quais, logo no ano seguinte, fizeram sua pública profissão de fé."

No dia 2 de setembro de 1884 o Rev. Ranson casou-se novamente, nos Estados Unidos, e depois voltou para continuar a sua obra no Brasil.

Kennedy nos conta ainda alguns trabalhos importantes realizados por esse obreiro incansável, tais como:
"Outro trabalho feito nessa época pelo Rev. Ranson foi à redação e publicação no Rio dos periódicos da Escola Dominical, intitulados "A Escola Dominical" e "Nossa Gente Pequena", os quais foram de grande proveito para as nossas igrejas. "

Ainda antes de terminar o ano de 1884, foi aberto um trabalho em Juiz de Fora, Minas Gerais, e para lá mudou-se o Rev. Ranson, residindo nessa cidade e realizando excelente trabalho metodista até agosto de 1886.

Convém lembrar ainda que no dia 1.° de Janeiro de 1886, surgiu o jornal "Methodista Catholico" que se tornou oórgão oficial da Igreja e, no ano seguinte, recebeu o nome de "Expositor Cristo", o qual conserva até os nossos dias. Ransom foi o seu fundador.

Na Conferência Missionária, realizada em 1886, desligou-se do trabalho do Brasil e, no dia 4 de agosto, voltou à pátria, na companhia de sua segunda esposa e filhinho. Nos Estados Unidos viveu e trabalhou por muitos anos, vindo a falecer a 18 de outubro de 1934, com a idade de 84 anos.

E aqui está o último registro que fazemos, citando o nosso historiador, sobre esse homem de Deus:
"Sempre foi lastimada a sua retirada do Brasil, mas o que nós perdemos outros ganharam e é de crer que as nossas autoridades que determinam a sua volta para o campo do Norte, resolveram tudo no temor do nosso Divino Mestre. O que é certo é que o Dr. Ranson nunca perdeu o seu amor para com o trabalho do Senhor no Brasil."

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