IGREJA METODISTA DE VILA ISABEL
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Biografias – Personagens da História do Metodismo Brasileiro
Rio, 26/4/2007
 

Justus H. Nelson, missionário metodista pioneiro no norte do Brasil

JUSTUS H. NELSON

Isnard Rocha,
no livro “Pioneiros e Bandeirantes do Metodismo no Brasil, 1967

A Igreja Metodista Episcopal, o ramo do norte (a Igreja Metodista Unida durante a Guerra da Secessão dividiu-se em duas, a Episcopal, no norte do país, e a Episcopal do Sul, sendo reunidas novamente na Igreja Metodista Unida na década de 60 do século XX), nos Estados Unidos, abriu um trabalho no Brasil, também no norte de nosso país, e, durante quase meio século, manteve uma igreja organizada, em Belém do Pará, realizando uma obra pioneira de grande valor.

Na auto-biografia de José Celestino de Andrade, publicada no "Expositor Cristão" de 22 de setembro de 1892, encontramos a declaração daquele obreiro de nossa Igreja que o dia 15 de julho de 1883 é a data da organização da Igreja Metodista do Belém e que ele mesmo havia sido um dos recepcionados à comunhão dessa igreja, por batismo
e profissão de fé, nessa data.

Lamentamos que Justus H. Nelson não tivesse continuado o seu trabalho em nossa terra, operando durante tantos anos, numa região distante daqueles que trabalhavam na zona central e também no sul do Brasil, fazendo a mesma obra, embora enviados por conferências diferentes de duas Igrejas que haviam sofrido uma separação e assim o trabalho era feito pelos dois ramos, o do Norte e o do Sul.

No ano de 1880 o Rev. William Taylor veio ao Brasil e trouxe em sua companhia o jovem pregador, recém-nomeado para servir em nossa terra, como ele mesmo conta, como veremos mais adiante. Estabelecendo-se em Belém do Pará, ali residiu cerca de 48 anos, realizando um trabalho de grande alcance evangélico e também social, não só na Capital do Pará como em outras cidades de várias províncias do Norte do Brasil.

O trabalho, embora sob a direção de uma conferência anual dos Estados Unidos era, no entanto, feito pelo obreiro quase que exclusivamente à sua própria custa, como veremos mais para a frente, numa declaração feita por ele mesmo, em carta que foi publicada parte dela em nosso órgão oficial, num escrito de um nosso colega. Vejamos esta informação importante.

No Expositor Cristão de 2 de junho de 1960, o colega, Rev. Duncan A. Reily, publicou uma carta em que o Rev. Justus H. Nelson dá informações a respeito de sua própria pessoa também sobre o trabalho realizado em Belém do Pará. Por um trecho desse escrito podemos saber de que modo desempenhava o seu ministério nessa capital. Diz ele, citado pelo nosso colega Reily:
"Durante estes 45 anos tenho ganho o meu sustento, principalmente ensinando inglês, alemão e português e mais algumas matérias. Entrementes tenho recebido pequenas somas dos fundos Missionários para despesas correntes pelos quais sempre fui grato; embora nunca tenha pedido nenhum dólar."

No mesmo jornal de nossa Igreja, nos anos do século XIX, Justus Nelson escreveu alguns artigos e, por meio deles, ficamos sabendo que tivera grandes lutas na cidade de Belém. Vamos citar aqui apenas um caso. O "Methodista Catholico" de 15 de janeiro de 1887 noticiou um casamento entre sobrinho e tia, que o Rev. Justus H. Nelson se prontificara a realizá-lo, visto o padre pedir aos noivos uma soma vultosa em dinheiro para fazê-lo. Mas o Bispo sabendo que o pastor metodista estava pronto a realizar esse casamento, mediante uma dispensa do Presidente da Província, prontificou-se a celebrá-lo de graça, uma vez que os noivos se submetessem à cúria romana. O Redator do órgão oficial estranhou a atitude de um pastor metodista, prontificando-se a realizar um casamento entre parentes assim próximos. Mas, no número de 1.° de março desse mesmo ano, o jornal publicava uma declaração do Rev. Justus H. Nelson na qual dizia ter mudado de opinião sobre o assunto e, por isso mesmo, sentia-se feliz por não ter realizado o tal casamento que agora ele também julgava iníquo.

Além do colega citado, que escreveu sobre o trabalho desse missionário, escreveu também sobre o mesmo homem, o Dr. Evaristo José Rodrigues. Vamos transcrever aqui um trecho do artigo do colega D. A. Reily, citando o Dr. Evaristo, a respeito do obreiro de Belém. No texto em questão há o seguinte depoimento do Rev. Justus Nelson:

"Sou formado pela Faculdade de Teologia da Universidade de Boston, classe de 1879. Durante o meu curso teológico servi como pastor suplente em pequenas igrejas nos arredores da cidade. Na sessão da primavera da então Conferência de Providence (mais tarde chamada Conferência do Sul da Nova Inglaterra) em 1880 fui admitido à Conferência em experiência e ordenado presbítero sob a "Regra Missionária" e fui nomeado para o Pará, Brasil, pelo Bispo Bowman. Embarquei para o Pará em junho do mesmo ano e tenho estado lá trabalhando desde aquela data até 8 de novembro de 1925, quando disse "Adeus" ao trabalho no referido país."

"Logo depois de chegar ao Brasil, pedi a minha transferência à Conferência Anual de Wisconsin, sendo que sou natural de Wisconsin e recebi a minha educação colegial na Universidade de Lawrence. Sendo um dos missionários do Rev. William Taylor, e, havendo algum desentendimento depois de minha ida para o Brasil, levou mais ou menos um ano e meio para o meu nome ser transferido da Conferência de Providence à de Wisconsin. Pouco tempo depois (mas esqueci a data) fui recebido em plena conexão na Conferência de Wisconsin."

Depois vem este parágrafo importante, em que Nelson continua a falar:

"Em 1889 tirei as primeiras férias e gastei 5 ou 6 meses nos EUA. Aproveitei a oportunidade para escrever para a Junta dos Bispos, pedindo que o trabalho no Brasil fosse organizado de acordo com um novo parágrafo da Disciplina. Meu pedido foi logo deferido; o trabalho foi organizado como o "Distrito do Brasil da Conferência Anual de Providence", e eu fui nomeado Presbítero Presidente do Distrito. Permaneci como Presbítero Presidente até que o trabalho fosse incorporado na Missão da América do Sul, e feito uma parte do Distrito do Uruguai se não me falha a memória. Quando a Conferência Anual do Leste da América do Sul foi organizada meu nome foi colocado no rol da Conferência e tem permanecido lá sempre; tenho sido nomeado anualmente pelos respectivos Bispos como pregador a cargo em Pará (a maioria de tempo, Pará e Manaus)."

E depois diz ele o que escrevemos no início destes informes a respeito de como ganhou a sua vida no Brasil. Ele trabalhou também como enfermeiro, pois havia feito um curso prático de enfermagem mesmo no Brasil. Seu plano era o de ficar no Brasil até 1930, quando completaria o seu cinqüentenário de trabalho em nossa terra, mas as condições financeiras advindas pela crise que assolou o Vale do Amazonas não permitiram que o obreiro continuasse no trabalho nas bases em que realizava a obra em nossa terra, e assim deixou o Brasil retornando à Pátria.

Com a saída desse obreiro a obra metodista no Norte do Brasil cessou, e os membros da Igreja do Belém se filiaram a várias igrejas evangélicas da cidade e o Metodismo encerrou a sua obra ali.

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