IGREJA METODISTA DE VILA ISABEL
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Biografias – Bispos(as) Metodistas
Rio, 30/4/2007
 

César Dacorso Filho, o primeiro metodista brasileiro eleito bispo

BISPO CÉSAR DACORSO FILHO

Por Isnard Rocha (extraído do seu livro PIONEIROS E BANDEIRANTES DO METODISMO NO BRASIL)

Faleceu em dia 15 de fevereiro de 1966, na cidade do Rio de Janeiro, em sua residência, o Bispo Emérito César Dacorso Filho.

Há 32 anos era ele, consagrado bispo, no templo da Igreja Metodista Central de Porto Alegre. Era o domingo, 15 de janeiro de 1934. O bispo J. W. Tarboux presidia à solenidade de consagração. Acolitavam-no os dois mais antigos missionários da Igreja Metodista — J. L. Kennedy e H. C. Tucker — que, juntamente com o bispo Tarboux, formavam o trio da primeira conferência anual, organizada em 1886. Quarenta e oito anos eram passados desde aquele acontecimento ímpar de sua história: a consagração do primeiro bispo brasileiro!
Ao lado desses três velhos pastores estavam, também, os superintendentes distritais dos três mais antigos distritos do Metodismo Brasileiro — do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Porto Alegre — e ainda os dois diretores das duas Faculdades de Teologia — a do Granbery e a do Porto Alegre College — e também o pastor da igreja local, J. I. Cerilhanes.

A história da vida do bispo César Dacorso Filho é a história de uma existência de 74 anos consagrada ao serviço do Reino de Deus nas terras do Brasil. É a história de um homem que deu à Igreja Metodista do Brasil um ministério de 43 anos, dos quais 40 no ministério ativo — sendo 20 no episcopado e 20 no trabalho pastoral.

Quando o VII Concílio Geral, reunido na cidade do Rio de Janeiro, no Colégio Bennett, na oitava sessão, realizada no dia 19 de julho de 1955, reelegia, pela quinta vez consecutiva César Dacorso Filho como bispo da Igreja Metodista do Brasil, ele se levantou para agradecer a sua reeleição e "renunciou irrevogavelmente ao mandato episcopal." O Concílio, por unanimidade de votos, colocando-se de pé, o elege o 1.° Bispo Emérito Nacional. E o secretário do concílio faz o seguinte registro: "Novamente com a palavra, o bispo César Dacorso Filho alega ser contrário à provisão canônica que, permite a eleição de Bispos Eméritos, agradece e declara não poder aceitar a homenagem." Pedro Ernesto de Rezende propõe que o concílio não aceite a renúncia do bispo Dacorso e o reeleja, em outro escrutínio Bispo Emérito, dados os seus inestimáveis serviços à Igreja, à qual deu a sua inteligência, sua mocidade, sua vida e pede licença para lembrar que o bispo César Dacorso Filho não pode recusar a distinção de Bispo Emérito, por tratar-se de um dispositivo canônico." "O bispo César Dacorso Filho acolhe o pedido unânime do plenário e dá o seu assentimento a ficar como Bispo Emérito." "O concílio recebe com aplausos a sua resolução."

A partir desse momento encerra as suas atividades de seu longo episcopado. De 1934 a 1946, durante três quadriênios, superintendeu sozinho as três regiões existentes na Igreja Metodista do Brasil. E, depois de 1946, quando são eleitos dois novos bispos, permaneceu ainda por mais dois períodos servindo na antiga região eclesiástica do Norte.

Foi incansável nas suas viagens, de Norte a Sul do Brasil, conhecendo pessoalmente todas as igrejas locais das regiões e presidindo a concílios distritais, regionais e gerais, para não falar em outras reuniões ligadas à sua posição de bispo da Igreja Metodista do Brasil. Foi membro da diretoria da Sociedade Bíblica do Brasil e um de seus fundadores. Mesmo depois de aposentado ainda prestou relevantes serviços numa secretaria regional da Sociedade Bíblica do Brasil, na capital gaúcha. E só deixou esse trabalho por motivo de sua saúde, voltando novamente para o Rio de Janeiro.

A Faculdade de Teologia do Granbery, da qual fora um de seus professores, quando de seu pastorado na Igreja Central de Juiz de Fora, conferiu-lhe o título de "Doutor Honoris Causa", em solenidade pública, realizada no Salão Nobre do Instituto Granbery, logo depois de sua eleição ao episcopado.

Durante o seu episcopado escreveu muito. É raro um número do órgão oficial, em cada ano, que não traga alguma informação de sua "Superintendência Episcopal." Atendia prontamente à sua imensa correspondência pessoal e também à do episcopado. Nunca teve alguém para o secretariar nestes misteres. Era firme na presidência dos concílios e nas decisões que tomava, na qualidade de bispo.

Queremos lembrar aqui um episódio contado por um antigo missionário de nossa Igreja: por ocasião do 20.° Concílio Regional do Centro, reunido na cidade de Poços de Caldas, no mês de janeiro de 1950, num dos cultos matutinos, dirigido pelo Dr. W. B. Lee, contou ele o seguinte fato, ligado à vida de César Dacorso Filho, que na ocasião era bispo visitante aquele concílio presidido pelo bispo C. B. Dawsey. Disse o velho pregador:
"Quando o bispo W. R. Lambuth era o bispo designado para o Brasil numa de suas visitas a Juiz de Fora, pregava na igreja local e ele, W. B. Lee, o interpretava. O salão de cultos estava repleto de gente e muitos estudantes da antiga Escola Bíblica do Granbery estavam ali, nos bancos dianteiros. Estava no púlpito o Dr. J. E. Tavares . Enquanto o coro cantava um hino, o bispo Lambuth apontando para um dos estudantes, numa das primeiras filas da frente, perguntou ao Dr. Tavares:
"— Quem é aquele moço que está assentado ali e como se chama ele?" — E o Dr. Lee, ouvindo a pergunta, apressou-se a responder:
"— Aquele moço, bispo, será o primeiro bispo brasileiro da Igreja Metodista, no Brasil. Ele se chama César Dacorso Filho e é um dos nossos brilhantes estudantes no seminário."
E, nesta altura, o Dr. W. B. Lee, olhando firme para o bispo César Dacorso Filho, ali presente naquela agradável manhã, na cidade balneária mineira, acrescentou:
"— E a minha profecia se cumpriu no concílio geral de 1934, quando este homem se elegeu bispo de nossa Igreja."

César Dacorso Filho, nasceu na cidade de Santa Maria, Estado do Rio Grande do Sul. Seus pais foram César Dacorso e Constantina Dacorso.

Passou a sua infância e parte de sua mocidade em Santa Maria, e ainda bem jovem seguiu para a cidade de Juiz de Fora, na qualidade de aspirante ao ministério de nossa Igreja. Ali fez os seus estudos de humanidades e depois teológicos, terminando-os em 1915. Nesse mesmo ano apresentou-se à Conferência Anual, que se reunira na cidade de Piracicaba, Estado de São Paulo, sob a presidência do bispo Dr. E. D. Mouzon. Seu nome aparece entre os três candidatos da classe do 1.° ano e nessa Conferência, como em várias seguintes, foi eleito secretário de estatísticas, cuidando de um dos trabalhos mais cansativos e de grande responsabilidade. Fez esse trabalho até 1919, durante cinco anos seguidos. Em 1920 foi secretário da Conferência para, em 1921, novamente cuidar das estatísticas. E os anos de 1922 a 1924 foi redator do anuário da Conferência Anual.

Casou-se com Dona Maria José Dacorso e desse casamento vieram os seguintes filhos: Tertulo Mareio, Italo Porcio, Giscalo Floro, Clelia Tulla (falecida), Proculo Galba, Sulla Brilla, Vera Livia e Ceres Ophelia. Todos se casaram, menos a caçula. Mais de 20 netos vieram alegrar a vida do casal Dacorso.

Sua primeira nomeação, depois de recebido pela Conferência Anual, foi para o Instituto Central do Povo, na qualidade de ajudante. No ano seguinte continuou no mesmo posto. Nessa conferência de 1916 foi eleito diácono, ao lado de três outros companheiros, pois todos eram pregadores locais. Não foram ordenados porque não havia bispo presente. Os trabalhos da conferência anual foram presididos por J. E. Tavares. No ano de 1917 ainda a conferência não contou com a presença de um bispo. A situação mundial não permitia que os bispos viajassem de um lado para o outro, porque os oceanos estavam minados por submarinos.

Em 1917 seu campo de trabalho era outro. Foi nomeado para as igrejas de Anta, Santa Tereza e de Chacarinha, residindo em Anta. No ano seguinte o bispo Dr. J. M. Moore veio presidir a Conferência e assim sete obreiros foram ordenados diáconos e entre eles estava César Dacorso Filho. Nesse ano continuou no mesmo campo, mas em 1919 foi transferido para Petrópolis. Esta igreja hospedava a Conferência Anual quando César Dacorso Filho foi nomeado para ela. Na Conferência seguinte, presidida pelo mesmo bispo Moore, César Dacorso Filho foi ordenado presbítero. Foram seus companheiros de ordenação Osório Caire e Jalmar Bowden. Osório faleceu em 1931, mas o Dr. Bowden é hoje ministro aposentado e é o bibliotecário de nossa Faculdade de Teologia. César Dacorso Filho continuou no mesmo campo em 1921. Mas no ano seguinte foi eleito presbítero presidente e designado para o distrito de Belo Horizonte e servindo como pastor da igreja Central da capital de Minas Gerais. Era seu ajudante Pedro Sant'Anna e, ainda redatoriava a revista da Escola Dominical, trabalho este que fez durante alguns anos.

Serviu no distrito de Belo Horizonte até a Conferência de 1926, mas na igreja Central ficou até a Conferência de 1929. Depois foi trabalhar em Juiz de Fora, fazendo muito bom pastorado na igreja Central dessa cidade. Aí é que fomos conhecê-lo mais de perto, na qualidade de pastor de uma grande igreja e amigo dos seminaristas. Trabalhou na igreja Central até o Concílio de 1932, realizado em julho, na igreja de São João, no Instituto Central do Povo.

César Dacorso Filho foi nomeado, nessa ocasião, para as igrejas de Carangola, de Faria Lemos e de São João do Rio Preto, e também como presbítero presidente do distrito de Manhuaçu. Não permaneceu por muito tempo nesse campo porque o II Concílio Geral, realizado em Porto Alegre, o elegeu o primeiro bispo brasileiro, no terceiro escrutínio, recebendo 20 dos 36 sufrágios. Isto se deu na sessão décima nona, realizada no dia 13 de janeiro de 1934. No exemplar de "Atas e Documentos" desse Concílio lemos: "Em primeiro escrutínio o bispo J. W. Tarboux é reeleito por unanimidade, tendo votado todos os delegados. Procede-se imediatamente à eleição do outro bispo, porquanto a comissão de episcopado havia proposto a eleição de dois bispos. César Dacorso Filho é eleito no terceiro escrutínio. Verificada a eleição de César Dacorso Filho, há expressivas manifestações de fraternidade cristã. Canta-se a doxologia e ainda o hino 306. O bispo Tarboux convida o bispo César Dacorso Filho a tomar assento na plataforma e agradece ao Concílio por tê-lo conservado no episcopado e, logo passa a presidência da sessão ao novo colega”.

Dali para a frente todas as demais sessões foram presididas pelo novo bispo, que havia presidido ainda a quatro sessões anteriores à sua eleição, a convite do bispo presidente.

No dia 15 de janeiro de 1934, no culto solene, realizado no templo da Igreja Metodista Central é ele consagrado bispo da Igreja Metodista do Brasil. Começa aqui o episcopado de César Dacorso Filho. São anos de grande atividade e o homem se entrega ao trabalho da Igreja de corpo e alma.

Depois de aposentado ainda presta serviços relevantes à Igreja, na Sociedade Bíblica do Brasil e também no pastorado em sua região, na cidade do Rio de Janeiro, onde residiu até o final de sua carreira.

Por ocasião do IX Concílio Geral, realizado no Colégio Bennett no Rio de Janeiro, em julho de 1965, foi ele alvo de significativa homenagem por parte do concílio, através de sua comissão de diplomacia, a qual realizou, na noite de 20 de julho, uma bonita festa. Foi essa a última vez que ouvimos a sua voz, aquela mesma voz que, durante 20 anos presidira aos Concílios da Igreja Metodista do Brasil, e ainda com aquele mesmo timbre e firmeza que caracterizaram a sua personalidade de homem cristão e de trabalho.

Em fevereiro de 1967 o colega Nelson de Godoy Costa publicou a biografia do Bispo César sob o título: "César Dacorso Filho, Príncipe da Igreja Metodista do Brasil” (*). Livro de 389 páginas, de leitura agradável e repleto de informes sobre a vida de nosso grande bispo.


(*) Muito brevemene o livro César Dacorso Filho, Príncipe da Igreja Metodista do Brasil, escrito por Nelson de Godoy Costa, poderá ser lido e copiado integralmente no site da nossa Igreja Metodista de Vila Isabel (Rio, 30 de abril de 2007).

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