IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

Boulevard Vinte e Oito de Setembro, 400
Vila Isabel - Rio de Janeiro - RJ
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Biografias – Gente da Vila
Rio, 7/5/2007
 

Itiberê Deslandes

ITIBERÊ DESLANDES

Por Josil Deslandes


Tendo como cenário a bela e histórica Ouro Preto, interior das Minas,
e como protagonistas Antônio Luiz Deslandes e Honorina de Oliveira
Deslandes, entrou em cartaz no dia 28 de setembro de 1887 Itiberê
Deslandes, que durante 78 anos foi sucesso de bilheteria por sua
participação nesse conhecido filme chamado vida.

Em um lar cristão, cercado de conceitos e ações que tentamos ainda
manter, nascia esse servo que cresceu e viveu à luz da dedicação
plena a tudo que lha cabia fazer, quer no trabalho, em casa ou na
igreja.

Freqüentador assíduo dos bancos escolares, passou pelo Colégio
Alfredo Gomes, pelo Granbery, em Juiz de Fora, formando-se em
Escrituração Mercantil e Contabilidade na Academia de Comércio do
Rio de Janeiro. No Bennett cursou Educação Religiosa e Teologia.
Porém o maior aprendizado que passou a todos que com ele conviveram,
sem dúvida, foi a honestidade.

Esse mineiro, de passos lentos porém firmes e atitudes bem pensadas,
muito cedo começou a trabalhar como funcionário do Estado de Minas
Gerais, no departamento de Fazenda, onde alcançou a Superintendência.

Batizado na Igreja Metodista de Leopoldina, Minas, pelo Rev. J.L.
Kennedy, em 1892, veio para o Rio de Janeiro logo após, em 1894, com
toda a família, tendo na ocasião se filiado à Igreja Presbiteriana
da Rua Silva Jardim, da qual era pastor o seu irmão Rev. Euclides
Deslandes.

Em 06 de setembro de 1911, juntamente com Zulmira Pereira Deslandes,
inicia a próxima sessão de sua vida: o casamento. Foram 14 filhos,
dos quais sete ainda vivem hoje.

Casamento pra cá, casamento pra lá, chegamos hoje à 5ª geração de
metodistas e, sem dúvida, muito nos orgulha o fato de estar, na Vila,
dando continuidade a esse trabalho que já dura um século e esperamos
que continue por muito tempo. Tendo nos seus pais as diretrizes da fé
e do amor em Cristo, fez a sua profissão de fé na Igreja Presbiteriana
e, em seguida, transferiu-se para a Igreja Metodista de Vila Isabel em
21 de maio de 1922, igreja que não mais deixou: ele a ela e
vice-versa.

Foram 43 anos de dedicação à igreja e a seus membros, com atenção,
educação, respeito e, temos consciência com pequena dose de teimosia
em alguns momentos.

Um fato interessante foi a execução do Edifício Educacional, que
substituiu o antigo salão. O projeto estava sendo executado e, segundo
informações, pequenas modificações foram feitas no decorrer da obra.
É evidente que, pelo parágrafo anterior, alguma coisa tinha que
acontecer. E aconteceu.

Por discordar das modificações e, em represália, resolveu não entrar
?nunca mais? naquele prédio; porém, um dia, sábia senhora de
nossa igreja pediu-lhe algumas informações, tentando solucionar um
problema que não sabemos qual era. Conversando, de palavra em palavra,
foi levando-o do pátio para a parte interna do salão social e, quando
ele percebeu, já havia entrado no prédio. Não havia mais jeito. O
problema fora solucionado, para alívio de muitos, incluindo ele, tenho
certeza.

Ocupou cargos variados, podendo-se destacar o de Superintendente da
Escola Dominical por 30 anos consecutivos, Presidente da Junta de
Ecônomos por 35 anos. Auxiliar na celebração da Santa Ceia por 38
anos, preparava ele mesmo o pão e o vinho na sala utilizada até hoje
para esse fim, que era anteriormente um banheiro.

Já enfermo, desempenhava as funções de arquivista regional e de
membro do Conselho Diretor do IMAG, do qual foi presidente. Foi também
tesoureiro da Associação da Igreja Metodista e também da Mesa
Regional; aliás, seu falecimento ocorreu no dia em que preparava os
relatórios que deveria apresentar ao Concílio Regional (12 de julho
de 1967).

Não só os cargos e as participações apresentadas fizeram o seu
currículo. De sua dedicação às metas de nossa igreja, teve
participação intensa no ponto de pregação de Maria da Graça, nos
cultos ao ar-livre, na Praça Barão de Drumond, na visitação aos
hospitais e aos membros que se ausentavam dos trabalhos da igreja. A
igreja da Penha e o LAMAG também tiveram sua contribuição em suas
respectivas fundações.

Dentre tantas funções, uma o envolveu bastante, inclusive a meu pai.
Foi o 1º de maio. Ambos trabalhavam muito. Antes do evento, em sua
casa, na confecção de barracas para o Ana Gonzaga e, após a
conclusão, colocavam-nas sobre um caminhão, transportavam e as
montavam no pátio do IMAG. Essa era a alegria de Itiberê Deslandes:
viver e servir.

Sempre dedicando a maior parte de seu tempo à Vila, não media
esforços, inclusive financeiros, para que pudesse vê-la sempre limpa,
bonita, impecável e repleta de fiéis. Às vezes, sua dedicação à
igreja chegava a ser maior do que à sua casa. Falta às reuniões só
acontecia por motivo de doença ou por estar a serviço da igreja em
outros locais. Fora isto, lá estava o Itiberê.

Conta a história que, certa ocasião, durante a ornamentação da
igreja, a senhora responsável precisou sair rapidamente e pediu ao
zelador que fechasse a porta de passagem para o templo e não abrisse
para ninguém. Logo depois, chegou Itiberê e, precisando entrar na
sala fechada para apanhar alguma coisa guardada, foi informado que não
poderia entrar.

Não teve problema, sentou e ficou aguardando a abertura da porta, o que
só aconteceu muito tempo depois. Na sua visão de respeito e
responsabilidade, entendeu que, por estar cumprindo uma ordem, o
zelador realmente não poderia abrir aporta antes do regresso da
ornamentadora.

Exemplo de sua responsabilidade foi deixar tudo em ordem no momento de
partir: cheques assinados, livros em dia, chaves de arquivos, armários
e portas devidamente identificadas.

Freqüentava, além dos cultos e da Escola Dominical, as reuniões das
crianças, dos juvenis, dos jovens, dos homens e das mulheres, naquele
tempo chamada de ?senhoras?.

Pontual, sempre chegava antes do início e era sempre o último a sair.

Habilidoso, esse mineiro desenhava, entendia de carpintaria, pintura,
instalações hidráulicas elétricas, pisos, além de ajudar na
ornamentação do templo, às vezes, e das árvores de Natal.

Herdou o rigor dos velhos chefes das Minas Gerais e assim soube seguir
um roteiro na vida, um roteiro verdadeiramente cristão.

Em tudo foi conservador, no vestir, no falar; no administrar, era
seguro, previdente e austero.

Coincidentemente ou não, a data de 28 de setembro, como podemos
observar, foi, sem dúvida, um encontro memorável. Nos deu Itiberê e,
à ele, um Boulevard de felicidades.

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