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BÝblia
Rio, 24/10/2007
 

BÝblia: livro da vida e da morte (Maria Clara Lucchetti Bingemer)

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Outra vez setembro, outra vez as atenções da Igreja voltadas para a Bíblia. Este livro onde está consignado o segredo da vida e da morte vivido pelo povo de Israel não deixa de continuar nos surpreendendo e nos intrigando.

Desde muito cedo, o povo de Israel aprendeu que a relação com seu Deus era inseparável da relação com a vida. A lei desse Deus era uma lei de vida e dispor-se a cumpri-la era tornar-se para sempre aliado da vida. Assim fala o texto de Dt 26, 15 ss, que é paradigmático para o povo e diz bem do que se trata e em que implica a relação com Deus. 15 Veja: hoje eu estou colocando diante de você a vida e a felicidade, a morte e a desgraça.16 Se você obedecer aos mandamentos de Javé seu Deus, que hoje lhe ordeno, amando a Javé seu Deus, andando em seus caminhos e observando os seus mandamentos, estatutos e normas, você viverá e se multiplicará. Javé seu Deus o abençoará na terra onde você está entrando para tomar posse dela. 17 Todavia, se o seu coração se desviar e você não obedecer, se você se deixar seduzir e adorar e servir a outros deuses, 18 eu hoje lhe declaro: é certo que vocês perecerão! Vocês não prolongarão seus dias sobre a terra, onde estão entrando, ao atravessar o Jordão, para dela tomar posse. 19 Hoje eu tomo o céu e a terra como testemunhas contra vocês: eu lhe propus a vida ou a morte, a bênção ou a maldição. Escolha, portanto, a vida, para que você e seus descendentes possam viver, 20 amando a Javé seu Deus, obedecendo-lhe e apegando-se a ele, porque ele é a sua vida e o prolongamento de seus dias. Desse modo você poderá habitar sobre a terra que Javé jurou dar a seus antepassados Abraão, Isaac e Jacó».

Desde muito cedo, portanto, o povo de Israel compreenderá sua identidade em estreita relação com o amor de seu Deus que é um amor vivo e que dá vida. A oração com que o israelita justo e piedoso comporá sua profissão de fé fundamental já tem como pórtico de entrada o amor desse Deus que é aquilo que vai permitir o conhecimento, o amor e a perenidade da Lei. O amor de Deus é o que abre os ouvidos do povo e de cada um de seus filhos, que repetem várias vezes ao dia: "Escuta, Israel! O Senhor nosso Deus é o Único Senhor . Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de todo o teu ser, de todas as tuas forças." (Dt 6,4-5). Deus, o Deus de Israel, é um Deus que ama e quer ser amado com a totalidade da humanidade do ser humano. É, portanto, o Deus que se pode e se deve não apenas temer, mas amar, o que sem dúvida nunca se tinha ousado afirmar antes do Deuteronômio. Este amor se exprime pelo compromisso total da pessoa, evocado pela tríplice formulação: "de todo o coração, de todo o ser , de todas as forças". Em muitas outras passagens se encontrará esse amor exigido, afirmado e reafirmado, nem sempre com a formulação tríplice, mas dupla (10,12; 30,6: todo o teu coração, todo o teu ser.).

Ainda em outras passagens desse livro tão fundamental para a compreensão da experiência do povo, encontram-se outras palavras diferentes de amar indicando a relação do povo com seu Deus. São elas: buscar a Deus (4,29); servir a Deus( 10,12); praticar e guardar os mandamentos (26,16); escutar o Senhor (30,2); voltar ao Senhor (30,2.10). O autor bíblico evoca assim com esses diferentes verbos as infinitas formas concretas que o amor a Deus pode e deve tomar, assim como o amor de Deus pelo povo que Ele escolheu e pelos que Lhe são caros. O amor de Deus é algo dinâmico e radical, perpetuamente em movimento e que coloca aquele ou aquela que a ele adere nesse movimento infinito e sem retorno. É o movimento da vida. Trata-se de algo que nunca se terá adquirido de uma vez por todas, mas que há que constantemente buscar, praticar, escutar para obedecer e ao qual há que voltar se por acaso dele aconteceu algum distanciamento. Algo que exige todo o coração, todo o ser, toda a força, sem deixar nenhuma das dimensões da pessoa excluída ou menos insistente e fortemente convocada. Se algo se pode dizer, então, do povo de Israel, é que - não deixando nem por um momento de ser o povo da Lei - é o povo do amor. E é esse amor que vai configurar a vida do povo, seu caminho e seu projeto de existência. O amor de Deus será o critério pelo qual se medirá a estatura das pessoas e do próprio povo. Como vê então a Bíblia, livro da Vida, a questão da morte? A morte acontece quando o Senhor Deus retira sua presença amorosa do meio das pessoas , dos lugares, dos acontecimentos. Então as plantas murcham e só servem para ser lançadas ao fogo, a vida fenece e seca como terra seca e árida. A morte encontra então seu campo propício e do povo antes aguerrido e esperançoso faz um monte de ossos secos que vão necessitar da palavra aguda do profeta inspirada pelo sopro do Espírito para voltar a viver.

Por isso a Bíblia deve ser tomada e lida com atitude de respeito e abertura. Respeito pela vida que traz em suas páginas. Abertura à revelação divina que é de vida e não de morte, mesmo quando parece que a morte tem a última palavra.

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