IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Bíblia
Rio, 24/10/2007
 

Bíblia: palavra que é e dá vida (Maria Clara Lucchetti Bingemer)

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Em setembro a Igreja Católica comemora o mês da Bíblia. Neste mês, todas as
comunidades estarão refletindo, rezando, se reunindo e meditando sobre a Escritura que
para nós é sagrada e normativa porque contém a própria Palavra de Deus revelada ao seu
povo.

O homem é um ser histórico . Vive no tempo e no espaço e sabe que nada acontece por
acaso. Da mesma maneira acontece para o povo de Israel, assim como para todo aquele ou aquela que tem a graça da fé. Tudo acontece perpassado por um SENTIDO maior que é o próprio Deus e que deixa suas pegadas e sinais no meio dessa mesma história.
Assim é a história que está registrada na Bíblia. Nela vamos confrontar-nos com a
experiência do povo da Bíblia , que é lição de vida para nós. E vamos também interpretar,
com a ajuda da Bíblia, tudo que Deus vem fazendo em nossas vidas e que vai nos
"salvando", ou seja, nos libertando daquilo que nos impede de chegarmos mais perto dele.

Afirmar que Deus está presente na história e que é o Sentido maior dessa mesma história é afirmar que é coerente, justo e necessário comprometer-se na história, lutar pela justiça, a paz e a liberdade. O povo de Israel percebeu isso . Percebeu a presença de Deus no meio de acontecimentos como a guerra, a vitória e a derrota, a passagem do Mar Vermelho e a libertação do Egito e o exílio. Ou melhor, onde outros só viam a guerra, a vitória, a derrota, um acaso ou uma fatalidade, o povo de Israel via a presença de seu Deus à frente e por dentro de todos estes fatos.

É a história da Aliança desse Deus com um povo (o povo de Israel) e com uma comunidade (a comunidade do Novo Testamento) que é o conteúdo da Sagrada Escritura, este conjunto de livros que são a norma paradigmática da fé cristã.

A Bíblia é o livro da vida e da verdade. E a verdade bíblica é uma verdade verificada na
experiência. O que forma o texto bíblico é um tecido de experiências religiosas, expressas
de formas diferentes e narradas e interpretadas sob a perspectiva da fé daqueles e daquelas que experimentam Deus presente em suas vidas.

Deus, portanto, é o principal autor da Bíblia. E ele inspira os autores humanos que
escreveram os textos. Podemos e devemos, portanto, afirmar que a Bíblia é um texto
inspirado. Outros textos e obras (a poesia, a pintura, a literatura, etc.) também o são.
Porém, a inspiração dos autores bíblicos tem um nível qualitativo de diferença da
inspiração do artista. O espírito que habita o autor bíblico e que o move a escrever é o
Espírito Santo, ou seja, o próprio Deus. Não se trata somente de uma inspiração estética,
mas de uma inspiração carregada pelo peso da Revelação de Deus que vai levar aquele
autor a escrever o que Ele (Deus) quer e fala. Assim, tais textos foram entregues à Igreja.

E por eles conhecemos a Palavra de Deus e sua revelação para nós. Se é inspirada por Deus, a Bíblia também não pode errar. Se ela é um conjunto de livros inspirados pelo Espírito Santo, cujo autor é o próprio Deus e onde os autores humanos receberam a inspiração do que escreveram do próprio Deus; se esses livros foram aceitos e acolhidos pela comunidade de fé; é claro que estes livros não podem induzir-nos a erro, a enganos.
Mas o que significa que a Bíblia não pode errar? Não podemos esquecer que os livros da
Escritura - apesar de serem inspirados por Deus - são escritos por autores humanos,
condicionados e limitados pela cultura, língua, ciências.

Na época em que foram escritos, a humanidade se encontrava numa era pré-técnica e portanto, ainda se assustava com coisas como trovão, etc., não encontrando explicações científicas para aquilo. É por isto que vemos na Bíblia narrativas onde os elementos da Natureza ainda são vistos como inspiradores do temor de Deus, etc.e várias outras coisas que hoje nós já superamos.

Ora, Deus ao se revelar, não está preocupado em dar-nos aulas de geografia, astronomia, ou outras ciências afins. Pelo contrário, desde o começo Ele vai deixando bem claro que somos nós, seres humanos, que devemos empregar nossa inteligência e nosso trabalho para descobrir estas coisas que trarão benefícios à humanidade. Mas Deus deseja, ardentemente, salvar-nos. Tudo que ele revela é dirigido à nossa salvação e a nada mais. Portanto, na Escritura, só é pretendido por Deus e ensinado o que se refere à religião, ao ser de Deus e suas intenções de salvação com relação aos homens.

Na Bíblia, então, e na nossa fé também, verdade e salvação se identificam. A verdade
verdadeira salva. E a salvação é a verdade verdadeira do e para o homem. É tudo isto que
Deus entregou à Igreja e a Igreja cuida com tanto carinho . Deus quer - e a Igreja,
obediente a Ele, também quer - que possamos estar seguros de encontrar nos Livros
Sagrados a Verdade que nos salvará . Mas quer também que não sejamos ingênuos nem
tomemos ao pé da letra todas as palavras que ali estão. Deus quer - e a Igreja também - que saibamos que a nossa época é diferente daquela em que viveram os autores bíblicos e que o núcleo da Revelação tem que ser vivido na nossa época, com toda fidelidade possível, mas também com a preocupação de ser comunicável ao mundo de hoje.

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