IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 24/10/2007
 

As escrituras sagradas nos três monoteísmos (Mar ia Clara L ucchet ti B ingemer)

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O estudo das diversas religiões permite classificarem dois tipos fundamentais a
atitude do homem perante o Absoluto.

Nas religiões naturais, o homem descobre Deus como criador a partir dos seus
vestígios no universo. Responde a este conhecimento com uma reação espontânea.
Mas, nesse momento, toma consciência das suas diversas aspirações insatis feitas e
enfrenta o problema do mal e do sofrimento. O esboço de solução que encontra na sua
religião revela-se inadequado e obriga-o a uma nova busca.

As religiões vindas do Antigo Tes tamento reconhecem a Deus – além de sua Criação – igualmente a par tir da Sua intervenção na história, em que Ele escolhe um povo, o guia e o salva. O Judaísmo e o Islã encontram o sentido des ta história na "Palavra de Deus ", sob a forma de um Livro. O Cristianismo crê que es ta Palavra divina se realizou plenamente no Homem-Deus: Jesus Cristo.No entanto, as três assim chamadas Religiões do Livro trazem a exper ência de que o ser humano vê num Deus único a fonte da vida e de tudo que existe. E es ta exper iência foi cons ignada pelo Judaísmo na Torah, pelo Cristianismo na Bíblia judaica e cristã (AT e NT) e pelo Islã no Alcorão.

Mas por que Religiões do Livro? Por que o povo de Israel, a Igreja cristã e os povos árabes reunidos pela exper iência de Maomé sentiram que a escr ita ser ia o meio
adequado para guardar e registrar a experiência de seu Deus, que passaria a guiar
toda a sua vida? Parece ser porque sentiam que as palavras ouvidas no coração e
exper imentadas na fé eram palavras inspiradas e por tanto não podiam se perder.

Da inspiração nos dizem a Fisiologia e a Bíblia que tem a ver com o ar em nossos pulmões. Desse ar sem o qual não se vive, diz a Bíblia que é como o próprio Espírito de Deus, o qual leva e traz a vida, sem se saber de onde vem nem para onde vai. Sob a força da inspiração, os profetas dis seram com boca humana as palavras divinas, os hagiógrafos escreveram o que Deus desejava que escrevessem. É o mesmo Espírito que enche de inspiração o poeta para que pas seie pelas vias da beleza e diga o que vê e o que sente em ver sos e palavras. Inspirada igualmente é a profecia do profeta, que o possui e por vezes o derruba, mas ao mesmo tempo o exalta e enche de entusiasmo. É essa inspiração igualmente que inspirou os escr itores bíblicos do Antigo e Novo Testamentos, assim como a Maomé, na figura do anjo Gabr iel. Daí nasceu a escritura que a comunidade religiosa reconheceu como sagrada, isto é, como vinda de Deus nas palavras humanas.

Es sa palavra que se crê pronunciada por Deus e ouvida pelo ser humano na história, levando este mesmo ser humano, segundo o teólogo alemão Karl Rahner a ser definido como um ouvinte da palavra e palavra escr ita pelos hagiógrafos ou escritores sacros que recolhem as tradições orais que permanecem muito tempo sus tentando a identidade do Povo de Deus e finalmente as registram por escrito.

Palavra declarada canônica pela Igreja que seleciona daquilo que foi escrito o que
autenticamente pode encontrar sua fonte na inspiração divina e na inerrância concedida como graça ao ser humano e a declara normativa para tudo e por nada normatizada.. Muito especialmente a teologia das três religiões monoteístas – não em vão ou à toa chamadas Religiões do Livro – não são pensáveis ou inteligíveis sem essa Escritura que no Judaísmo e no Alcorão são a própria presença de Deus no meio do povo e no Cristianismo são o texto sagrado que narra a história das amorosas relações de Deus com esse povo.

É numa linguagem que a exper iência religiosa se ar ticula. Mais precisamente: o que é pres supos to é que a fé, enquanto experiência vivida é ins truída no interior de um conjunto de textos escritos que a pregação cristã traz de volta à palavra viva. E isso distingue essa fé de qualquer outra. Num certo sentido, pois, as Escrituras precedem a vida. Mas por outro lado a vida é o conteúdo das Escrituras. Eu posso nomear Deus na minha fé porque os textos da Escritura já o nomearam antes de mim.

Um texto escrito é como um elo numa corrente interpretativa: em princípio uma experiência da vida é levada à linguagem, se transforma em discurso; depois o discurso se diferencia em palavra e escritura. A escritura, por sua vez, é restituída à palavra viva por meio dos diversos atos do discur so que reatualiza o texto. A leitura e a pregação são essas reatualizações da escritura em palavra. Um texto é, desse ponto de vista, como uma par titura musical que pode ser executada e que recebe seu pleno sentido do leitor ou leitores que o lêem, o sentem e o experimentam.

Hoje como ontem, portanto, as religiões do Livro continuam vendo nessa Palavra revelada que tomou a forma da escrita o próprio Deus que continua se comunicando com a humanidade. E a escrita contida no Livro é a referência fundamental que mostra o verdadeiro sentido da vida que é o próprio Deus e que precisa ser vivido sob a inspiração traz ida e encontrada no Livro onde sua Palavra encontra nas letras o seu canal de expressão.

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