IGREJA METODISTA DE VILA ISABEL
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João Wesley
Rio, 1/11/2007
 

Itinerância, marca metodista

José Carlos Barbosa


 


Uma das principais características do Metodismo foi a itinerância de seus pregadores. Havia o circuito, que consistia em uma determinada paróquia (área geográfica) com aproximadamente 25 lugares de pregação. O pregador, responsável pelo circuito, tinha a obrigação de atender esta paróquia, pregando em cada lugar, no mínimo, uma vez por mês. John Wesley achava que as constantes viagens à cavalo eram extremamente saudáveis e impediam que seus pregadores metodistas se transformassem em pregadores molengas e acomodados. Numa carta endereçada a Francis Asbury, ele afirma estar alarmado com as alterações feitas no Metodismo norte-americano, que desprezou a itinerância.

Era o próprio Wesley quem cuidava da organização dos circuitos. Alguns deles eram amplos e exigiam muito trabalho dos pregadores. Não havia descanso. Mal acabavam de pregar num determinado local, já tinham que sair correndo para atender outra localidade. As viagens eram feitas à cavalo e ocorriam muitos acidentes. Uma das quedas de Wesley trouxe conseqüências mais graves. Em janeiro de 1774 ele estava se recuperando de um acidente ocorrido alguns anos antes e que na ocasião parecia não ter maior importância. Ele faz o seguinte relato:

“Faz 3 ou 4 anos que o cavalo tropeçou e me derrubou ao chão. Senti muita dor, mas logo me recuperei e não prestei mais atenção ao fato. Uns meses depois observei testiculum alterum altero duplo majorem esse [“um testículo era duas vezes maior que o outro”]. Consultei com um médico, que me disse que era um caso comum e que não significava enfermidade alguma. Um ano depois, em maio, o testículo havia crescido tanto como um ovo de galinha. Estando em Edimburgo, o Dr. Hamilton insistiu que eu buscasse a opinião dos Doutores Gregory e Monro. Eles imediatamente viram que era um hidrocele e me recomendaram que tão logo chegasse a Londres, buscasse uma cura radical, o que pensavam que poderia ser feita em uns 16 dias. Quando cheguei à Londres, consultei-me com o sr. Whaten. Ele me aconselhou: 1. que não pensasse numa cura radical porque ela não poderia ser feita sem contar com repouso de 15 a 16 dias. Ele não sabia se a operação poderia atrapalhar minha constituição física, da qual eu nunca me recuperaria. 2. Não fazer nada enquanto continuava sem dificuldade. Este conselho decidi tomar.

No mês passado, o inchaço foi acompanhado de um dor constante. Assim é que, hoje, o sr. Whaten realizou a operação e tirou mais de 11 onças (medida antiga que equivale a 28,691 gr) de um líquido amarelento e transparente. Com o líquido saiu, para sua grande surpresa, uma pedra do tamanho de uma pequena bala, o que supôs ser a causa do transtorno.”

Apesar da cirurgia para drenar a hidrocele, feita no começo de 1774, meses mais tarde a doença voltou a perturbá-lo, ao ponto de precisar de atenção regular a cada nove ou dez semanas.

Carlos Wesley e a itinerância

Depois de casado, Carlos continuou como pregador itinerante durante poucos anos. Em 1757 abandonou a itinerância e se estabeleceu em Bristol, até 1771. Depois, mudou-se para Londres, lá permanecendo o restante de sua vida. Na capital passou a dedicar mais tempo para as Sociedades da Metrópole, pregava freqüentemente na “City Road Chapel” e desenvolveu um excelente trabalho pastoral junto aos presos. Não apenas visitava e pregava o Evangelho como também escreveu inúmeros hinos para os presos cantarem.


ITINERÂNCIA É A PALAVRA DE ORDEM

No dia 4 de maio de 1784 John Wesley estava na Escócia. O assunto que lhe preocupa é a permanência dos pregadores num determinado lugar, por um período maior do que o recomendado. As regras a esse respeito sempre foram muito claras e objetivas, só que de vez em quando alguns circuitos promoviam alterações. Para resolver a questão ele reúne os pregadores metodistas e mostra que a permanência de um pregador durante um período maior que 15 dias, num só local, traz muitos prejuízos. Diz que não se pode ficar 6 ou 8 semanas num mesmo lugar porque o pregador já não tem mais nada que dizer e o povo desaparece. Assim, o pregador se esfria e fica na cama e o mesmo sucede com as pessoas. Se ele permanecer até 15 dias terá assunto para suas pregações e a população virá escutá-lo. Se passar deste período as coisas se complicam. A partir desta conversa foi elaborado um plano para aquele circuito, visando fazer um rodízio mais constante entre os pregadores.

Nos Estados Unidos, o modelo adotado era bem diferente. Mesmo com a insistência de John Wesley em fazer com que fosse observada a mesma prática, o Metodismo norte-americano já tinha adquirido uma certa autonomia e seguia suas próprias linhas. Na carta que escreve para Francis Asbury, em 30 de setembro de 1785, Wesley recomenda que sejam feitas algumas alterações. Diz ele: “Na próxima Conferência valeria a pena considerar profundamente se algum pregador deve permanecer em um só lugar por 3 anos consecutivos. Isto me alarma. É uma alteração drástica da disciplina metodista. Não temos esse costume na Inglaterra, Escócia ou Irlanda. Nós não permitimos a ninguém, exceto ao Assistente, que permaneça um segundo ano. Talvez eu mesmo tenha mais capacidade sobre o que pregar do que muitos dos nossos pregadores. Sem dúvida, estou seguro, que se tivesse que pregar três anos consecutivos num lugar, tanto as pessoas como eu mesmo chegaríamos a estar mortos como as pedras. Mais ainda, isto é contrário a toda economia do Metodismo. Deus sempre trabalhou entre nós por meio desta mudança constante de pregadores ...”

Na carta à Lady Maxwell, de 8 de agosto de 1788, ele admite que muitas pessoas, tanto na Escócia quanto na Inglaterra, prefeririam ter sempre o mesmo pregador. Só que ele não pode abandonar o plano de ação seguido desde o início. Diz ele que durante cinqüenta anos Deus abençoou o plano de itinerância. Conclui que não pode admitir alterações até a sua morte.


COMO RESOLVER A SITUAÇÃO

Em setembro de 1789 John Wesley escreveu uma carta “ao povo metodista” destacando que a itinerância pastoral era uma característica histórica do Metodismo e não deveria ser modificada. Ocorre que nas cidades de Dewsbury e Yorkshire as casas de pregação foram consignadas em nome de alguns procuradores, e estes, com o tempo, passaram a controlar a vida das igrejas, até, inclusive, rechaçando determinados pregadores. Seria uma réplica da nossa antiga Junta de Ecônomos, só que com maiores poderes. Wesley aponta duas alternativas para o problema, entrar na justiça para readquirir o controle da propriedade ou construir uma nova capela bem próxima da outra. Ele escolhe a segunda opção e diz que já conseguiu arrumar cinqüenta libras esterlinas para o projeto.

No texto “O caso de Birstall House”, escrito em 1783, ele aborda a mesma problemática. Diz que quando foi construída a primeira casa metodista, em Bristol, em 1739, por não estar bem informado sobre o assunto, fez o registro de acordo com o estilo presbiteriano. Whitefield alertou-lhe, dizendo que havia o risco dos procuradores tomarem conta da propriedade e se arvorarem no direito de escolher os pregadores. O mesmo problema ocorreu em Birstall, com John Nelson, que também seguiu o estilo presbiteriano, outorgando a um grupo de doze ou treze pessoas o poder quase absoluto sobre questões administrativas da congregação.

O grande inconveniente neste modelo, de concessão de amplos poderes aos procuradores/Junta de Econômos, comprometia a itinerância pastoral. Diz ele que este grupo pode decidir pela manutenção ou não do pregador. Se gostarem, farão de tudo para que fique. Se não gostarem, expulsá-lo-ão com facilidade. E em caso de desejarem a manutenção do pregador, será que ele vai ter autonomia para anunciar a verdade total e completa? Não há o risco do pregador se esforçar apenas para conquistar aqueles que mandam? Como é que o pregador vai ter coragem de expulsar determinado procurador que esteja atrapalhando a vida da comunidade?

Diante da colocação de que a abordagem deste problema poderia dar origem à graves conflitos no seio do Metodismo, Wesley argumenta que as lutas, animosidades e confusões já estão sendo produzidas pelos procuradores, que insistem no direito de nomear e despedir pregadores. Afirma que são eles que dificultam e destroem obstinadamente a obra de Deus. Ele os culpa com o sangue de todas as almas vitimadas pelo conflito. Sãos os procuradores que fazem o mal, brigam e lançam palavras amargas.

CORRIGINDO RUMOS

Enquanto viveu, Wesley conseguiu controlar o movimento metodista, impondo algumas diretrizes que julgava propícias para o seu bom funcionamento. Entretanto, sua supervisão só foi respeitada na Grã-Bretanha. Nos Estados Unidos, desde o início, há mostras de uma certa independência. Uma das inovações verificadas foi quanto à questão da itinerância pastoral. Na carta que escreve para Francis Asbury, em 30 de setembro de 1785, Wesley recomenda que sejam feitas algumas alterações no modelo metodista da ex-colônia. Diz ele: “Na próxima Conferência valeria a pena considerar profundamente se algum pregador deve permanecer em um só lugar por 3 anos consecutivos. Isto me alarma. É uma alternativa drástica da disciplina metodista. Não temos esse costume na Inglaterra, Escócia ou Irlanda. Nós não permitimos a ninguém, exceto ao assistente, que permaneça um segundo ano. Talvez eu tenha mais capacidade sobre o que pregar do que muitos dos nossos pregadores, entretanto, indubitavelmente, estou seguro de que se tivesse que pregar três anos consecutivos num lugar, tanto as pessoas como eu mesmo chegaríamos a estar mortos como as pedras. Mais ainda, isto é contrário a toda economia do Metodismo. Deus sempre trabalhou entre nós por meio desta mudança constante de pregadores ...”

No sermão “A vinha do Senhor”, baseado em Is 5,4, ele relaciona o sistema da itinerância entre as algumas ajudas espirituais concedidas prodigamente por Deus ao movimento metodista. Diz que para conseguir a união dos pregadores e a edificação de todos nasceu a itinerância, o traslado constante de pastores. A norma é que nenhum pregador permaneça no mesmo circuito mais de dois anos consecutivos, e alguns não mais de um ano.

Este modelo foi observado com precisão e rigor por John Wesley e alcançou bons resultados. Entretanto, nem todos concordavam com a sua aplicação. Invariavelmente, ocorria haver uma identificação mais profunda entre a comunidade e pregador e, então, surgia o questionamento do modelo. Apesar de todas as críticas, Wesley sempre se manteve inflexível. Para aqueles que diziam que o sistema representava um obstáculo ao crescimento do movimento ele retrucava dizendo que a experiência nos mais diferentes lugares provava o contrário, demonstrando ser muito mais positivo e benéfico para o povo metodista de determinada comunidade poder contar com diferentes pregadores.

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