IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 11/11/2007
 

Ato Profético e diálogo (Wilson Bonfim Filho)

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(Extraído do blog Diálogos Proféticos. Endereço: http://wilsonbonfim.blogspot.com/2007_10_01_archive.html)


Toda reunião da Igreja poderia e deveria se tornar um ato profético.

Segundo Aurélio ato é “O que se está fazendo; ação” ou ainda “Cerimônia, solenidade”. Todo ato da Igreja carrega um significante de ação, e dá significado às ações. O fato do ser humano ser simbólico, exige que todos os atos se revistam de grande importância na questão profética da Igreja.

"(...)Sabemos que as Regiões da Igreja possuem características próprias, mas tais dimensões locais não devem sobrepor-se à dimensão geral. Que o interno colabore no reforço da identidade nacional em sua simbologia e na mobilização requerida para os temas que desafiam a Igreja" (Plano Nacional 2007, pág. 49).

Ao proclamar a verdade diante de uma realidade que é dinâmica e que muda a cada momento precisamos, a Igreja, se posiciona diante de tal situação no Rio de Janeiro no Brasil e no mundo. Nosso momento atual é tão crítico como os dias de Wesley e

"(...)Dessa forma, a Igreja Missionária, portadora da boa-nova, tem, como conseqüência, o papel público de denúncia profética. Há que se cultivar a coragem do testemunho, pois importa antes "obedecer a Deus que aos homens" (At 5.29)" (Plano Nacional 2007, pág. 21).

A Igreja Metodista não somente critica o sistema mundo, mas também se identifica com a cultura. O Rio de Janeiro é um lugar cosmopolita no melhor estilo grego. Como no passado alguns estilos musicais e litúrgicos agradavam as pessoas de sua época, hoje novos estilos agradam aos mais novos e assim o ciclo da vida se completa e atradição se fortalece e se perpetua através de novos símbolos.

Temos carnaval, samba, funk ,etc e como Igreja necessitamos resgatar estes valores para a vida em um processo de redenção da cultura.

"Não podemos viver em uma igreja enclausurada ensimesmada na sua cultura própria mas (...) Faz parte da missão a necessidade de a igreja local estar aberta a expressões culturais autênticas de nosso povo. Nossas comunidades vivem rodeadas por movimentos, seitas, práticas religiosas estranhas" (Plano Nacional, pág. 39)

Mas existiria sinal de redenção cultural maior do que o de Cristo? Seu modelo encarnacional demonstra o quanto ele se tornou como um de nós. Mas lembremos que

"(...) A Igreja fica ameaçada de assalto pela iniciativa particular e pelo carisma inteiramente individualizado, próprio da cultura atual. Essa é uma das ameaças mais profundas à Igreja que mantém sua continuidade histórica com os apóstolos" (Plano nacional, pág. 36).

Mas como poderemos subsistir enquanto Igreja,se estivermos separados reféns de nossas próprias perspectivas e teologias? Quando estive na Rússia fazendo preleções dois anos, atrás em conferências de missões, um líder da Aliança Evangélica Russa me procurou e afirmou amar os brasileiros.Perguntando porque, e ele me respondeu que a maior igreja na Rússia em Moscou era Brasileira. Eu alegre e estupefato perguntei qual seria tal igreja , ele me disse convicto "Igreja Universal, você conhece?"

Meus conceitos ecumênicos e pluralistas tem sido muito chacoalhados neste meu convívio global. Como podemos sermos "um" em meio a pluralidade cristã evangélica ou mesmo protestante ou ainda mais no meio metodista?

Como sermos fundamentados na bíblia e cristãos ao mesmo tempo genuínamente radicais como Jesus, sem sermos fundamentalistas no sentido pejorativo da palavra, e sermos “moderados em tudo”?

Há dias em que acordo um pouco “fundamentalista” quase com vontade de destruir o mundo ímpio, em outros levanto mais “tolerante, amável e pluralista” tentando ser discípulo do médico amado e viver "curando e sendo curado". Eu mesmo confesso que não sei, como cristão incompleto que sou (linguagem freireana) e consciente de minha "incompletude" busco ser "fraco com os fracos" e "forte com os fortes".

Entretanto ainda estamos longe da militância ideal equilibrada amorosa de que necessitamos. Até mesmo porque alguns dos chamados "inimigos" a quem, entendo ,devemos amar são muito astutos. Às vezes me sinto meio adoecido em meio de aparente crise maníaca associada com paranóia de perseguição, ou mesmo parte de teoria conspiratória, mas quer gostemos ou não existe de fato uma "guerra espiritual" como bem afirmou o apóstolo dos “outros” Paulo Coelho em uma de suas declarações à imprensa secular.

Confesso ainda não ter encontrado a fórmula completa do verdadeiro amor ágape. Como receber os outros pecadores diferentes de mim, sem os perigos dos preconceitos,e da discriminação mas ter a coragem de Cristo de dizer vai e não peques mais? Porque reconheço ser apenas um pecador que conheci e tive acesso ao perdão. Tendo este acesso me sinto comprometido em espalhar estas boas notícias. Viajando de comunidade em comunidade , de favela em favela a proclamar o “ano aceitável do Senhor” e “Espalhar a santidade bíblica sobre toda Terra”.

Tento manter diálogo com os cristãos(ãs) que, apesar de serem mais radicais ou mais liberais de que eu ,ainda me parecem mais próximas de mim do que outras religiões ou outras correntes de pensamento.Tento ver como poderíamos chegar a um denominador comum se possível for em assuntos difíceis se me permitem parafrasear Paulo o apóstolo.

Por isto um ato profético visa reunir aqueles e aquelas que vêm de seus lugares , culturas e realidades em celebração própria para exportá-los, anima-los promovendo a unidade, denunciando as injustiças e proclamando o “ano aceitável do Senhor” e “Espalhar a santidade bíblica sobre toda Terra”porque,

"(...) A responsabilidade missionária profética contribui para ajudar as igrejas locais e instituições a também cumprir, em outra dimensão e de outros modos, a mesma tarefa" (Plano Nacional Missionário, pág. 62).

Como John Wesley contumava dizer "no essencial unidade, no não essencial liberdade e em tudo amor".

Pra mim difícil ficou é de encontrar este tal de "essencial".

Wilson
Pescador de Pessoas

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