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Rio, 15/11/2007
 

Polícia procura: massa de manobra. Mulheres se afirmam: fermento na massa!

ZZ Outros Colaboradores ZZ


 

A que compararei o reino de Deus? É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha até ficar tudo levedado. ( Lucas 13, 20 e 21).

A mulher toma o pequeno punhado de fermento na palma da mão e o esfrega prazerosamente na farinha. Mexe. Mexe. Dissolve. Aguarda. Quanto mais o fermento desaparece mais continua acontecendo. A farinha esfregada de fermento se oferece em massa: tudo levedado! A massa adivinha a fome na forma do pão.

Na tarde de 21 de março, terça-feira, o delegado Rosales (da polícia de Camaquã, Rio Grande do Sul) e seis agentes policiais arrebentaram o portão e a porta da casa da Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais em Passo Fundo com o objetivo de identificar e incriminar as lideranças da ação do 8 de março feminista e camponês contra o agronegócio da celulose. Quem elas são? Onde elas estão?

Sinceramente, delegado? Elas estão em toda e qualquer vila do sul do Brasil. É só entrar em qualquer cidade, qualquer bairro, qualquer associação, qualquer linha, qualquer comunidade quem vem fazendo a caminhada camponesa... e ela vai estar lá. Elas vão estar lá.

Elas são 2 mil, delegado! Fora as comadres que ficaram em casa cuidando os guris e as gurias: 6 mil! Fora as irmãs e cunhadas que ficaram por conta dos animais e da roça: 8 mil! Fora as que estavam com consulta marcada no médico, ou tinham que acompanhar um parente, ou que tinham que ir tirar documento: 10 mil! Fora as que estavam parindo naqueles dias, as que estavam com operação marcada, as que estavam de luto, as que estavam com problema na família e as que perderam a hora do ônibus: 12 mil! Tem as que ficaram na farmacinha, as que tinham que dar catequese e não podiam faltar, as que tinham filha casando e as que receberam visita: 15 mil!

Elas são tantas, delegado! Elas são uma classe: são mulheres camponesas organizadas. Entre elas o que vale é a educação popular e o trabalho de base. É o fermento que se perde na farinha mas faz o pão crescer. Se você procura pelo fermento... não encontra mais. Sumiu. Se desmanchou na organicidade do pão. Por isto não vale à pena continuar arrebentando a porta da casa das mulheres... porque são milhares de mulheres! Milhares de casas! Milhares de portas!

Ninguém deu ordem pra ninguém. Ninguém manobrou ninguém. Quem foi... foi por que quis, porque estudou, foi porque entendeu que se fazia necessária uma ação forte e decisiva que abrisse definitivamente a real discussão dos interesses e os perigos da indústria de celulose no Rio Grande do Sul, no Brasil e no mundo. Tem gente que acha que mulher – de modo especial camponesa- não consegue agir por conta própria. Não pode ter conta no banco. Não pode ter crédito. Não entende de economia. Não pode dirigir o sindicato ou o movimento. Não sabe discutir com o gerente do banco, com o governo ou com a polícia. Quem pensa assim não sabe e não conhece a luta camponesa e feminista no Brasil e no mundo que se expressa através das mulheres da Via Campesina. Elas são muitas. Elas serão muito mais!

As auto-ridades policiais, jurídicas e governamentais ainda não entenderam – ou não podem entender – que existem ações coletivas que expressam um processo contínuo e profundo de estudo, de avaliação, de construção de práticas que fazem dos movimentos sociais não somente anexos de políticas públicas mas expressão dos interesses da classe trabalhadora e camponesa quer se expresse como manifestação, ocupação, greve ou desobediência civil ou outras formas que forem necessárias.

As mulheres camponesas denunciam o governo Riggoto pela imposição do modelo da agroindústria do deserto verde que imobiliza a reforma agrária no estado e inviabiliza a efetivação de um modelo agrário e agrícola sustentável, voltado para o desenvolvimento regional e gerador de soberania alimentar.

A ação policial que procura individualizar responsabilidades tem como objetivo negar a legitimidade da luta coletiva contra interesses de minorias econômicas que se fazem representar nos governos, nas polícias e no jurídico. Neste momento se faz necessário que os movimentos e pastorais populares que entendem e vivem a parábola de Jesus manifestem o seu apoio ao movimento de mulheres camponesas e manifestem seu repúdio em mmc-rs@via-rs.net .

OBS: Texto publicado no site do CEBI em 27 de março de 2006.

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