IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 15/11/2007
 

O Corpo de Cristo nas BRs do nosso Brasil

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Nas margens da BR-116, em Correia Pinto (Santa Catarina), o que existe?Entre tantas coisas que ninguém sabe, existe um Acampamento de Sem-Terra, com homens, mulheres e crianças na luta pelo direito humano de ter chão para viver e trabalhar. Existe a vontade de um outro modelo agrário e agrícola que garanta soberania alimentar e dignidade para o povo brasileiro.

Existe neste acampamento uma escola - como em todos os acampamentos de reforma agrária deste país! E existe um jovem professor de ensino fundamental que assumiu o compromisso de educar e dividir outras tarefas de sobrevivência com a comunidade acampada. O professor de ensino fundamental se ocupava com outros companheiros da busca de lenha, pinhão e água no rigoroso inverno às margens da BR 116 em Santa Catarina.Este professor se chama Paulo César e tem 20 anos e foi violentamente torturado por capangas da suposta propriedade de Celso Rosa (a área se encontra em litígio e o processo ainda não foi decidido no STF) quando buscava víveres.

Nas margens da BR 116 existe povo sem-terra com escola, com frio e com fome.Existe mais um vagaroso processo de reforma agrária que se arrasta sujeitando o povo sem-terra a um dia-a-dia dramático de sobrevivência e resistência.

Existe um jovem professor chamado Paulo César que tem 20 anos e teve sua orelha arrancada a canivete pela lei dos mais fortes que também habita as margens da BR-116.Não existe uma só BR neste país que não conheça histórias assim: populações no caminho, populações acampadas, organizadas na espera, organizadas na luta. As beiras de BR vão virando bairros, cidades, vilas aonde as pessoas vêm os dias passar, aonde penduram suas fotos, amam seus amores, têm filhos e filhas, inventam espaços de escola, passam frio e multiplicam a lenha e o pinhão como milagre cotidiano de continuar.

A maioria dos governantes, políticos, administradores e moradores vira a cara para indígenas, sem-terra, andarilhos e migrantes que habitam as BRs e seus quintais. Mas existem pessoas como Paulo César que com 20 anos ou mais decidem assumir os riscos e viver a luta com o povo acampado.São jovens assim, professores itinerantes com uma paixão enorme pela vida e com a mochila do risco que vão ampliando a luta, tornando o dia-a-dia suportável, criando alternativas de resistência, aprendendo com os pobres a possuir a terra em mutirão.

Paulo César, do acampamento de Correia Pinto, foi torturado e ferido de modo brutal. Que muitos outros irmãos e irmãs estejam por perto para cuidar dele e de sua gente.Nós? Tomamos sua paixão e sua mochila do risco (que tantos abandonam por aí!) e exigimos justiça! Reforma agrária! Dignidade!

... E que os canteiros de flores e verduras se afastem das BRs: eis um sonho brasileiro, pequeno e enorme como qualquer desejo que organiza a luta.


OBS: Texto publicado no site da Adital em 12 de junho de 2006.

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