IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 15/11/2007
 

Cinco maneiras de dizer uma verdade

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Intervenção da biblista e pastora metodista brasileira no início da marcha de protesto contra o G8, em Rostock, no dia 2 de junho.

Companheiros e Companheiras do mundo em Rostock!
Aprendemos com as lutas que existem cinco maneiras de dizer a verdade. Faço aqui a memória dos escritos revolucionários de Bertold Brecht.

A grande verdade de nossa época é que todo o mundo vive em estado de barbárie para as grandes maiorias dos povos e para o planeta. O capitalismo globalizado se mantém pela força da guerra, da exploração e da humilhação... tudo! Toda força, toda violência, todo o cinismo e toda repressão para a manutenção das relações capitalistas de propriedade dos meios de produção e do metabolismo selvagem do lucro que garante o luxo de minorias mundiais.

O modelo civilizatório ocidental capitalista, alicerçado na exploração de seres humanos por outros seres humanos e na intensa exploração da natureza por uma restrita elite mundial, se sustenta e se reproduz em sistemáticas guerras de ocupação e intervenção, na idolatria do consumo e é o responsável pelo aquecimento global e pela miséria no mundo.

É preciso - e por isso estamos aqui - ter:

1) a coragem de dizer a verdade, embora ela se encontre escamoteada nos números mentirosos dos senhores e senhoras do G8;

2) a inteligência de reconhecer a verdade mesmo que ela se mostre sempre disfarçada pelos falsos discursos de governantes e capitalistas e seus jogos de democracia burguesa;

3) a capacidade crítica e organizativa de manejar a verdade como uma arma - defensiva e ofensiva- criando as formas solidárias e internacionalistas de luta;

4) a capacidade de construção solidária de novas formas de poder a partir dos pobres, dos trabalhadores e trabalhadoras... É preciso escolher nas mãos de quem a verdade terá a força de enfrentamento e destruição do “Kapital”;

5) a astúcia, a ousadia, a força de divulgar esta verdade nascida no chão da luta dos povos contra o “Kapital”... Divulgar como exercício cotidiano da luta contra o G8, a globalização capitalista e as democracias de mentira e a construção de um outro mundo possível.

De modo especial, nós, militantes cristãos - homens e mulheres, assumimos o compromisso com o nosso povo e com vocês de:

1. denunciar as relações históricas e atuais do cristianismo hegemônico com o capitalismo;

2. denunciar o cristianismo aprisionado pelos interesses das elites mundiais em troca de favores que dão suporte à acumulação e concentração de riqueza, que legitimam as formas sistemáticas de exploração do trabalho humano e da natureza;

3. renegamos e denunciamos toda adoração do capital, toda religião do consumo e todo fundamentalismo ocidental que se esconde e se alimenta dos espaços teológicos e comunitários cristãos;

4. negamos todo e qualquer uso da fé cristã e da Bíblia como justificação para a guerra, para a destruição de outras religiões e modos de vida;

5. afirmamo-nos como uma religião entre outras, um povo de fé entre outros povos de fé e chamamos tod@s @s crist@os a que lutem pela justiça, amem a misericórdia e andem humildemente com o seu Deus (Miquéias 6,8).

É muito difícil não se curvar diante dos poderosos! Nós não nos curvamos! Pode ser muito vantajoso continuar enganando os fracos! Nós não nos vendemos! Não nos deixamos enganar por liberdades e autonomismos, biopoder e espontaneismos... Nós queremos mais! Queremos um outro mundo possível, fruto de uma ruptura revolucionária e de destruição da ordem de dominação capitalista.

A verdade que nos junta aqui não é um conceito, nem um episódio de um verão europeu! Nem restos de um passado! Nossa verdade é fruto da análise, do estudo e da autocrítica. Nossa verdade é fruto da nossa consciência de classe. Nossa verdade não está pronta fora de nós... Mas é o resultado crítico e criativo de nossa capacidade de luta e de organização.

Muitos e por muito tempo se contentaram em interpretar o mundo, reformar o capitalismo e adiar a revolta dos povos. Companheiros e companheiras, nossa tarefa é transformar o mundo! Nossa verdade é a luta pela terra, pela água, pela semente! Na África, na América Latina, na Ásia... e aqui também! Nossa verdade é a luta de camponeses e camponesas, indígenas e quilombolas contra as grandes empresas multinacionais.

Nossa verdade é o trabalho de base, de formação política e de educação popular, que fazemos no dia a dia de nossas organizações. Nossa verdade está no chão das fábricas e das escolas.

Nossa verdade está na luta por direitos de imigrantes, nossa verdade está nas ruas contra as guerras imperialistas de Bush e as recusas confortáveis dos europeus; nossa verdade está na recusa de continuar entregando para minorias do primeiro mundo nosso grão, nossa floresta, nossa energia, nossa água...

Nossa verdade está no fortalecimento dos movimentos sociais Sul-Sul e na criação de estratégias de enfrentamento internacionalista com os movimentos sociais no norte.

E termino repetindo com Brecht:

"Desconfia do mais trivial, na aparência singelo. E examina, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceite o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar." (Brecht)


OBS: Texto originalmente publico na ALNotícias em 4 de Junho de 2007 (endereço: http://www.alcnoticias.org/articulo.asp?artCode=6095&lanCode=3)


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