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Rio, 15/11/2007
 

Sobre saberes e valores (Ricardo Lengruber Lobosco)

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Nos últimos anos, a escola tem sofrido uma pressão instigante, mas, por vezes, injusta e descabida. Com a emergência das novas tecnologias de informação, sobretudo a internet, professores e alunos têm experimentado novos desafios, especialmente o de acompanhar a velocidade com que as informações são produzidas, sem, forçosamente, que essa dinâmica tenha relação com princípios ou valores de natureza ética.
Está claro que a escola anda vagarosamente, se comparada ao ritmo frenético da sociedade de consumo, e, mais claro ainda, que jovens têm maior intimidade com as máquinas que os adultos, dentre os quais, destacam-se professores e professoras. Mas é importante fazer justiça: acionar botões e softwares não significa, necessariamente, competência, sobretudo, se pensarmos em competência acadêmica.

Muito se diz sobre o descompasso existente entre as propostas colocadas pela escola e as demandas reais do mundo contemporâneo. De um lado, a tradição firmada no que já existe e que deve ser, mimeticamente, repetido; de outro, a exigência de uma sociedade sedenta por novidades. Entre os extremos, pessoas: alunos e professores. A escola, lamentavelmente, tem dificuldades profundas com mudança; tem receios imensos com a ousadia. A sociedade hodierna, por seu turno, exige ineditismo todos os dias; daí sua superficialidade. Ambas, porém, carecem de pensar mais seriamente sobre valores.
Um exemplo claro disso é a desenvolvida habilidade dos jovens com os computadores e a atrofiada exigência escolar com relação a esses novos recursos no cotidiano acadêmico. De um lado, a rapidez e perspicácia jovem com os botões e ferramentas virtuais; de outro, a morosidade de uma escola que ainda pensa sobre papel.
Mas uma ressalva importante deve ser feita. Por uma lacuna deixada pela escola – que não se “ligou” nas novas tecnologias e suas potencialidades – e pela responsabilidade da exigência contemporânea por novidades – ainda que superficiais e improdutivas – a relação íntima de jovens, computadores e internet não resulta em pesquisa e aprendizado relevantes. Ao contrário, redundam em mesmices, cópias e, muitas vezes, fraudes.

Qual é o professor que nunca se deparou com cópias inteiras de textos disponíveis na rede? Qual é o docente que nunca se perguntou o que fazer com belos trabalhos escolares, formatados com a beleza das novas ferramentas, mas desprovidos de qualquer lampejo de criatividade e rigor acadêmicos?

Pois bem, o que se desenha é, mais ou menos, o seguinte: jovens hábeis com mouse e teclado; computadores com acesso a um mundo cada vez mais vasto de informações; professores nem sempre competentes com tais ferramentas; trabalhos escolares sem pertinência pedagógica e com discutível valor acadêmico. De uma vastidão de opções, resultam pesquisas, trabalhos, textos e tarefas escolares de valor absolutamente questionável!

Creio que a responsabilidade sobre tal discrepância tenha dois sentidos. De uma ponta, está a inabilidade da escola com a produção de conhecimento. Mas isso não é de hoje. Mesmo nos tempos em que livros e bibliotecas imperavam na hora das pesquisas, a cópia e a repetição de idéias já acontecia. Quem não se lembra de ter visitado uma biblioteca buscando por um assunto e recebeu como orientação um ou dois livros marcados em determinadas páginas onde se encontravam as informações desejadas? Lembro-me, até, de uma biblioteca em que o acesso às prateleiras de livros era vedado aos alunos. Havia funcionários para isso! O que se faz hoje, com a internet, é semelhante. Busca-se por um assunto, recorta-se e cola. Pronto, o “trabalho” está pronto!
Por outro lado, há uma responsabilidade que não deve ser desprezada. A referente às demandas esperadas de todos e por todos com relação a sua produtividade. Mais importante do que a relevância é a quantidade do que se produz e a velocidade com que se realiza. O que resulta em mediocridade e superficialidade. Se isso não é necessariamente responsabilidade da escola, é preciso que essa rompa com esse círculo vicioso e espere mais de seus alunos, do que simplesmente tarefas a serem cumpridas.

O que vejo é bem claro. Temos acesso a tecnologia de informação mais barata e mais eficiente do que em qualquer outro momento da história. Temos condições de pensar os programas escolares e ousar com relação a metodologias como em poucos outros momentos da legislação educacional brasileira. Mas ainda repetimos os erros de sempre, tornando a escola mais um compromisso da vida social de cada indivíduo que se encerrará com um canudo de papel e uma festa com fotografias. Talvez fosse o tempo de coadunar a inteligência jovem “antenada” com as novas tecnologias com exigências de aprendizado e construção de conhecimento verdadeiramente novo que fossem mais pertinentes com aquilo que produz solidariedade, ética e justiça.

Se a escola não conseguir, ao final de seu trabalho, produzir conhecimento que ajude a sociedade contemporânea a ser melhor do que está, ela terá fracassado e será co-responsável pelos descaminhos que temos testemunhado. Não bastam habilidade com computadores e saúde produzida em academias, o que realmente fará nosso mundo mais digno será competência acadêmica que transborde em valores éticos e que consiga nos abrir os olhos para enxergarmos a nós mesmos e aos que nos cercam.

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