IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 22/11/2007
 

Jesus: De menino a Salvador (Marcelo Carneiro)

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É possível escrever uma narrativa a respeito de Jesus a partir da Bíblia e da História? Eu penso que sim. E gostaria de sugerir uma biografia de Jesus nessas bases. Sem mexer em nossa fé, mas com algumas informações históricas, importantes para entendermos melhor o que significou sua vinda. Vamos fazer uma breve trajetória aqui:

O nascimento e a infância
Mesmo tendo um nascimento virginal, é necessário afirmar: com o nome de nascimento Yeshua, Jesus nasceu como qualquer outra criança. Dependeu da mãe, mamou até certa idade, aprendeu a andar, a falar (o aramaico, a língua da família), brincou, se machucou e fez “coisas de criança”. Como qualquer outra criança judia, foi circuncidado ao oitavo dia, cresceu ouvindo histórias da Bíblia, se fascinou ao saber que vinha da linhagem de Davi (o grande guerreiro) e aprendeu a recitar a Bíblia de cor e orar a Deus. Ia anualmente a Jerusalém para participar das festas com a família, e deve ter ficado impressionado com o tamanho do templo de Herodes. Nesse tempo, Jesus ouviu muitas histórias com seus irmãos e irmãs mais novos sobre a expectativa de um Messias (em grego, Cristo), que viria para libertar o povo da opressão, assim como Moisés tinha sido usado para libertar o povo do Egito.

Ao chegar aos 13 anos, Jesus foi levado à sinagoga e iniciou sua aprendizagem de judeu piedoso. Talvez tenha aprendido a ler – e quem sabe escrever – ali, aos pés de um sábio da sinagoga (ainda não se chamavam rabinos). Ao lado do pai, José (Yussef), Jesus foi trabalhar como construtor (não apenas carpinteiro, como se afirma). A pequena aldeia de Nazaré ficava a 6 quilômetros de Séforis, uma cidade importante que era muito grande. Ali tinha uma bela sinagoga, mas também havia construções pagãs, que devem ter ofendido a Jesus e seu pai, judeus que viviam sob a orientação da Torá. Ao mesmo tempo, ele via a brutalidade dos soldados romanos e a reclamação dos judeus dominados, que pagavam altos impostos e não tinham liberdade política, apenas religiosa.

O início do ministério
Depois de alguns anos trabalhando com seu pai, que morreu antes de Jesus completar 30 anos, Ele foi ao encontro de uma pessoa especial. Foi passar um tempo com João, o batizador, que vivia no deserto, próximo ao Jordão, e conviveu com o grupo dos essênios. João pregava a vinda do Reino de Deus, que iria julgar a todos, grandes e pequenos, pobres e ricos. Diante da mensagem de João, Jesus se sentiu desafiado a tomar uma posição. Toda a instrução que recebera, as histórias que sua mãe tinha contado, as coisas que tinha visto e, o mais importante, o testemunho de Deus em sua vida deram a Ele uma certeza: era a hora de sair de casa, de cumprir a vontade de Deus. Ali, depois de ser batizado, Jesus recebeu diretamente de Deus a declaração: “Tu és meu Filho Amado”. E entendeu que era o Cristo levantado para libertar e salvar o povo. Assim começou o ministério dele, na Galiléia, pois voltou para lá. Foi primeiro a Nazaré para anunciar que tinha chegado o tempo do Reino de Deus. Mas as pessoas não o aceitaram. E, mesmo vendo alguns milagres, não acreditaram que Ele poderia ser o Messias. Por isso, o rejeitaram. Jesus saiu de lá e foi com sua mãe para Cafarnaum, uma cidade marítima maior que Nazaré, mas não tão grande como Séforis. Ali não havia templos idólatras, mas tinha muito comércio. E muita gente ia e vinha.

Foi na cidade de Cafarnaum que Jesus chamou pessoas para seguirem seu projeto de vida. Seus primeiros discípulos foram pescadores, depois outros foram chamados, e muitas pessoas começaram a acompanhar Jesus, porque tudo o que fazia (curas, milagres, ensino) mostrava que se tratava de alguém especial. Mas um grupo não concordou com isso e começou a questioná-lo: eram os mestres da Lei, que chamamos de Fariseus. Esses, com os Escribas, que interpretavam a Torá, acusaram Jesus de blasfêmia, de mentiroso, e tentaram o tempo todo fazê-lo cair em contradição. Mas ele tinha uma boa educação e, o mais importante, a unção do Espírito que lhe conferia sabedoria e direção.

A viagem definitiva para Jerusalém
Depois de alguns anos andando com o povo, criando uma comunidade de justiça e igualdade, onde todos tinham tudo em comum (não foi a Igreja de Jerusalém que criou essa proposta), Jesus decidiu que era hora de ir a Jerusalém. Ele tinha pregado muito ao redor do Lago de Genesaré (que nós conhecemos como “mar da Galiléia”), mas sabia que o centro do poder não estava ali, mas em Jerusalém. E que aqueles que mandavam lá estavam em comum acordo com o poder romano.

Jesus foi para lá com seus discípulos, uma última vez (não uma única), agora para cumprir sua missão até o fim: anunciar na cidade santa a chegada do Reino de Deus. Ao chegar lá, foi aclamado. Mas com subornos e mentiras seus adversários levantaram suspeitas contra Ele. Depois de expulsar os cambistas do Templo, Jesus não agiu com violência, mas continuou sua pregação de amor e da vinda futura do Reino. Um de seus discípulos, Judas, não se conformou com essa mensagem e vendeu a informação sobre o paradeiro do Mestre. Judas achando que, ao ser confrontado, Jesus iria reagir com força destronando os poderosos de Jerusalém e expulsando os invasores romanos.
Para a surpresa de Judas, Jesus não resistiu. Se entregou pacificamente e mandou Simão, a Pedra, abaixar as armas. Não só Judas, mas todos os seus discípulos fugiram, com medo, decepcionados e confusos. Afinal, não era ele o Cristo? Não suportando a situação, Judas se enforcou. Os outros ficaram escondidos.

Era a semana de Páscoa, e um julgamento naquela época seria quase impensável. Mesmo assim, os sacerdotes foram ao Sinédrio e exigiram o julgamento. Não podendo executar Jesus (era proibido pela lei romana), levaram-no ao prefeito da Judéia, Pôncio Pilatos. Depois de interrogado, torturado e desprezado totalmente, Jesus foi vítima de um teatro bizarro. Colocado diante do povo, como se eles pudessem realmente decidir alguma coisa, foi preterido por outro preso, Barrabás. Este foi solto, e Jesus, condenado à morte. A execução romana na época, especialmente sob a direção de Pôncio Pilatos, era a cruz. O condenado era crucificado totalmente nu e ficava pendurado até morrer. Caso suportasse muito tempo, tinhas as pernas quebradas para não poder erguer o corpo. E assim morria sufocado.

A morte e a ressurreição
Jesus foi crucificado fora da cidade, num monte chamado Calvário, ao lado de dois outros condenados. Depois de várias horas na cruz e de perdoar aqueles que o tinham crucificado, gritou: “Está consumado!”. Um grito de aflição e alívio; de esperança e entrega. Tinha cumprido sua missão. Depois entregou-se à morte, ali na cruz.
Tirado da cruz graças ao pedido de um judeu importante, José de Arimatéia (os executados apodreciam na cruz), Jesus foi enterrado como um rico, numa grande sepultura, mas como morreu perto do sábado (sexta à noite), não recebeu o bálsamo que era comum usar nos mortos. No primeiro dia da semana de manhã (o domingo), Maria Madalena e Maria, mãe de Jesus, foram até o túmulo, que tinha ficado guardado por soldados. Mas ao chegar lá, estava vazio! Nem soldados, nem corpo, apenas seres angelicais que anunciaram: “Ele ressuscitou”.

Ao saberem da ressurreição, as mulheres procuraram os discípulos do Mestre, que ainda estavam escondidos. E quando todos estavam juntos, o próprio Jesus apareceu entre eles. Então os discípulos reconheceram: “É o Cristo!” Ao morrer, Jesus quebrou a cadeia de morte que tinha entrado no mundo com o pecado, pois morreu sem pecado. Mesmo sendo totalmente humano, ele não pecou, e sua parte divina o ressuscitou. Já não era o homem limitado, mas o ser glorioso, com o corpo da ressurreição. Depois de muitos dias com os discípulos, Jesus foi aos céus. E, pela fé, todos os que crêem que Ele é o Cristo, o libertador e salvador, também participam da expectativa da ressurreição.
Jesus nasceu menino, mas Deus o fez Senhor e Cristo de todas as pessoas.

(*)Supervisor da área de Bíblia da Coordenação dos Núcleos, Professor de Novo Testamento na Faculdade de Teologia da UniBennett, pastor da Igreja do Lins.

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