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Pastor e ministério pastoral
Rio, 22/11/2007
 

Líder-Servo: um paradoxo? (Anselmo F. Amaral)

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O conceito liderança serva é um paradigma perdido no tempo pela Igreja. Por isso, a Igreja precisa resgatar esse modelo, e seus líderes, entenderem o que se espera deles, por causa da demanda do nosso tempo em crise de liderança.

Em uma entrevista, um executivo afirmou que liderança serva e negócios eram conceitos antagônicos. “Não é possível ser servo e fazer negócios ou servir seus funcionários e liderá-los ao mesmo tempo”, afirmou. Discordei e indiquei algumas empresas que contrariam a opinião dele, entre elas a Southwest Airlines dos Estados Unidos.

O modelo de liderança, desenvolvido pelo presidente daquela companhia, desconhece essa contradição. Pelo contrário, sua empresa é uma das melhores para se trabalhar e com o menor turn-over nos Estados Unidos.

A dificuldade de conciliar estes dois pólos – líder e servo – é resultado da cosmovisão das pessoas. Muitos pensam que líder-servo é alguém disponível, o tempo todo, para fazer as tarefas para seus liderados. Outros pensam que líder-servo é alguém sem iniciativa, visão e pulso para liderar. Líderes como Jesus, João Wesley, Gandhi, Martin Luther King Junior e Madre Tereza são exemplos de que é possível ser líder-servo e ser empreendedor ao mesmo tempo.

Entretanto, é importante ressaltar que existem servos que não são líderes e líderes que não são servos. Quando se juntam características de servo com qualidades de líder em uma mesma pessoa, resolvemos o paradoxo e temos o líder-servo.

O que é, então, liderança serva? Qual o foco do líder-servo? Em que ele se diferencia dos demais modelos?

Explorando o significado

Liderança serva pode ser definida como “um processo pelo qual o líder-servo enfatiza o servir aos outros, investindo em seu desenvolvimento para o benefício e resoluções de tarefas e metas para um bem comum” (Amaral 2007). Pensando como cristãos, encontramos o início do processo na pessoa de Jesus.

Liderança serva é, portanto, o modelo de liderança que veio do céu. Jesus trouxe, até nós, este modelo de convivência partilhado na Trindade e entre os anjos. O único ser celestial que destoou na prática deste modelo foi Lúcifer. Sua busca por uma posição de privilégio o levou, com uma legião de anjos, à queda. Por isso, líderes competindo por melhores posições entre si, disseminando inveja e complexos pessoais, buscando sucesso, porém, comprometendo o Evangelho, refletem um modelo contrário ao enfatizado por Jesus. A conversa, no encontro entre Jesus e a mãe de Tiago e João, buscando privilégio para seus filhos, ilustra essa tese (Mt 20.17-28).

A narrativa desse encontro mostra três citações: “não sabeis o que pedis” (v. 22) e “mas não será assim entre vós” e “aquele que, entre vós, quiser tornar-se grande, seja o vosso servo”(v. 26). Lamentavelmente, muitos líderes evangélicos hoje ainda não aprenderam esta lição. Invejam os que progridem e desejam lugares de honra.

Com Jesus não foi assim. Ele sabia que o modelo proposto por Satanás na tentação (Mt 4.1-11) não correspondia ao que Ele aprendera nos céus, tampouco com o modelo que haveria de ensinar na Terra. Qual é o foco desse modelo?

O foco do líder-servo

O foco do líder-servo é o foco em outros, em vez de em si mesmo. Ele agrada a Deus e serve às pessoas. Isto parece óbvio, porém, muitas vezes, por trás do interesse de ajudar pessoas existe, no íntimo do líder, um interesse egoísta. Robert Greenleaf diz: “Líder-servo é servo primeiramente. Ele começa com um sentimento natural de quem quer servir e servir primeiramente. Então, consciente de seu lugar, ele aspira liderar. Esta pessoa é diferente daquela que quer ser líder primeiramente, talvez pela aspiração ao poder ou por adquirir possessões materiais” (1977). Assim, servir aos outros e servir a si mesmo é um conflito que líderes cristãos precisam resolver. É curioso notar que no Evangelho de Lucas, a primeira discussão, após a instituição da ceia, foi a busca de quem haveria de ser o maior entre eles (Lc 22.24-30). Isso nos mostra que posição e poder são buscas da natureza humana, mas não deveria ser assim entre os discípulos.

Neste sentido, líder-servo sempre encontra oportunidades para servir às pessoas. No momento histórico em que vivemos, ele usa sua habilidade de liderar como instrumento exemplar para restaurar a credibilidade nos líderes públicos e para recuperar a imagem manchada por escândalos visíveis em líderes evangélicos oportunistas frente aos meios de comunicação.

Por isso, líder-servo e caráter andam juntos. E sua busca por integridade torna-se um dos valores centrais para ele. O conceito de integridade vem do latim “integrate”, que significa “colocar junto, inteireza moral, retidão em todo lugar”. Assim, a pessoa íntegra é a mesma em casa, na igreja, no trabalho e com os amigos.

Líder-servo e as pessoas

Líderes-servos tratam pessoas peculiarmente, resultando em maior benefício para elas e para a imagem do líder. Eles cumprem tarefas e priorizam as pessoas, sabem que elas são mais importantes do que as tarefas que eles realizam. O líder-servo se diferencia do líder tradicional em sua essência. Ele encontra sua realização no sucesso compartilhado e é altamente colaborador e interdependente. Em suma, ele é motivado pelo interesse de elevar os outros a uma escala ascendente de dignidade. Por outro lado, o líder tradicional é, essencialmente, motivado por interesse pessoal de conquista. Ele é altamente competidor e independente.

Finalmente, líderes-servos valorizam as pessoas. Na figura do pastor, ele valoriza seus liderados como verdadeiras ovelhas. O pastor que se conhecia, na cultura antiga, ajudava suas ovelhas a encontrar água, se livrar dos piolhos, curar suas feridas, inclusive, socorrer no parto dos seus cordeirinhos, durante o dia, e na proteção contra os lobos, durante a noite.

Ovelhas conheciam a voz do pastor e seu toque. Jamais eram confundidas. O encontro entre estas partes – ovelha e pastor – produzia uma sinergia, escassa nos dias de hoje. Lynn Anderson se refere àqueles pastores saudosamente: “Pastores tinham cheiro de ovelhas” (1997). Era o cheiro de quem se sacrifica pelos seus liderados; se empenha por encontrar a ovelha perdida; e se esmera por ver desenvolvido o mesmo modelo de liderança nos seus liderados.

Obras Citadas:

Amaral, Anselmo F.
2007 A Servant Leadership Model for the Church of Brazil. “Dissertação. Wilmore,
KY: Asbury Theological Seminary. Pp 13.

Anderson, Lynn.
1997 They Smell like Sheep: Spiritual Leadership for the 21st Century. West
Monroe, Lousiana. Howard Publishing Co. Pp 5.

Tompson, Frank Charles
Bíblia de Referência Thompson. Edição Contemporânea. Editora Vida.

Greenleaf, Robert K.
1977 Servant Leadership: A Journey Into the Nature of Legitimate Power and Greatness. New York : Paulist Press, 1977. Pp 13.

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