IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 12/2/2008
 

Obedientes à visão celestial (At 26:19)

Bispo Paulo Lockmann


 


“Pelo que, ó Rei Agripa, não fui desobediente a visão celestial” (At 26.19)

1) A importância de receber visão e direção de Deus.
Nós vivemos em um mundo onde as diferentes instituições tentam ganhar nossa atenção e adesão. Desde criança somos assediados com tais propostas, há toda uma linha de produtos direcionados, Turma da Mônica, ou mesmo alimentos para o mercado infantil, com a juventude a mesma coisa, cada um intenta com imagem e linguagem, prêmios, ganhar nossa adesão e fidelidade. Na edição deste mês da revista Enfoque Gospel, nos apresenta uma nova “Igreja” que chegou no Brasil vinda de Porto Rico, estranha, o líder diz que é uma divindade, o símbolo é o 666, e em pouco mais de 3 anos já tem 14 templos no Brasil.

Como cristãos precisamos ter clareza onde estamos e para onde vamos. Nosso Plano Nacional para 2007-2011, põe perante a Igreja uma visão e direção, e nela o discipulado formador de uma caráter e de uma disciplina cristã de todo povo metodista, especialmente fazendo de cada metodista um evangelista um discipulador, nosso alvo não é ter membros, mas discípulos e discípulas. Para fazer isto uma realidade e não letra morta no Plano, o Colégio Episcopal lançou nos Concílios a Pastoral orientadora, que é o livro de estudo para o biênio, Testemunhar a Graça e Fazer Discípulos. Esta é uma visão de Deus, dada ao Colégio Episcopal da Igreja, e nós não podemos ser desobedientes a visão de Deus, dada através das autoridades da igreja.

Deixe-me refletir brevemente sobre momentos bíblicos onde a visão de Deus é dada.

2) A importância da visão celestial.
Na vida de Abrão, seu caminho, foi por diversas vezes revelado por Deus, tornando-se o meio pelo qual ele não desistiu da promessa: “Disse o Senhor a Abrão: Ergue os olhos e olha desde onde estas para o norte e para o sul...” (Jr 13.14). Muitos outros momentos teve Abrão, com Deus, quando Deus lhe mostrou, o que fazer e por onde ir, e até no momento dramático, quando ia sacrificar seu filho, ali, por obedecer e confiar, recebeu socorro, livramento e direção: “...estendendo a mão...tomou o cutelo para imolar seu filho. Mas do céu lhe bradou o Anjo do Senhor: Abrão, Abrão....agora sei que temos a Deus, ...Tendo Abrão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro...”(Gn 22.10-13).
O texto citado na abertura desta pastoral narra todo processo da ida de Paulo a Jerusalém, sua prisão e diversas defesas, as quais ele já recebera visão de Deus que sofreria mas abençoaria e a sua vida seria preservada: “E agora , constrangido em meu espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que ali me acontecerá, senão que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e tribulações.” (At 20.22-23). “Tendo eu voltado para Jerusalém, enquanto orava no templo, sobreveio-me um êxtase, e vi aquele que falava comigo: Apressa-te, e sai logo de Jerusalém, porque não receberão o teu testemunho a meu respeito. Eu disse: Senhor, eles bem sabem que eu encerrava em prisão e, nas sinagogas, acoitava os que criam em ti.” (At 22.17-19). “Na noite seguinte, o Senhor, pondo-se ao lado dele, disse: Coragem! Pois do modo por que deste testemunho a meu respeito em Jerusalém, assim importa que também o faças em Roma.” (At 23.11). Estes textos nos mostram a razão pela qual Paulo é reconhecido como o maior dos Apóstolos, nunca foi desobediente a visão celestial, antes a buscava diligentemente. Hoje, não entendemos porque muitas vezes colhemos tão poucos frutos na obra do Senhor, uma das coisas é que preterimos a busca da visão de Deus, para implementar a nossa visão.

Finalizando esta parte, qual a visão deixada por Jesus à Igreja: “Eu porém vos digo: Erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa.” Esta é a visão, os campos ainda branquejando para a ceifa, o coração da maioria do povo está sedento pelo Evangelho, não faço um apelo que não haja resposta, basta buscar a unção de Deus, e pregar a Palavra que o povo atende. Pastor/a metodista é direção de Deus ao coração do Bispo, e ao seu coração, não encerre nenhuma palavra sem apelo, isto não é sugestão do Bispo, é ordem recebida de Deus. Em nome de Jesus, obedeça e cumpra isto.

Como Jesus quis que atendêssemos a visão? Dando no final do Evangelho a ordenança que é a grande comissão: “Ide pois e fazei discípulos de todas as nações...” (Mt 28.19)

3) A visão celestial pede mudança.
Não é possível sairmos do nosso ritmo, governo de vida e rumo a ser seguido conforme a visão de Deus, sem mudança. Abrão teve que sair de sua terra de sua parentela e mudar-se, o que gerou muitas outras mudanças. A visão de Deus mudou a sua vida, tornando-o pai de nações e exemplo de fé.

Nossa índole resistir a mudanças, toda a natureza está em constante mutação. Nosso corpo, a cada minuto, se transforma, se degrada, imperceptível, mas a ciência prova que isso ocorre. A natureza muda em ciclos: verão, outono, inverno, primavera. São estações com características diferentes, e um verão nunca é exatamente igual ao outro.
Resistir às mudanças é estagnar, e, em certa medida, morrer antes do tempo. Óbvio que nem toda mudança é para melhor; cabe a nós avaliarmos e caminharmos em uma dinâmica que produza mudanças para melhor, na nossa vida pessoal, na sociedade,na Igreja.

Na Igreja Metodista, os concílios são responsáveis por mudanças nas ênfases missionárias e no funcionamento da Igreja para atender às exigências da missão. Nós cremos que o Espírito Santo dirige e orienta as decisões de mudança; quando não são do Espírito, costumam não prevalecer, acabam sendo mudadas.

Como vimos a Bíblia é um testemunho de várias mudanças orientadas por Deus. Deus mudou seus planos, diversas vezes, em relação a Israel. Moisés foi um dos maiores interlocutores de Deus para produzir essas mudanças: “Porém, Moisés suplicou ao SENHOR, seu Deus, e disse: Por que se acende, SENHOR, a tua ira contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande fortaleza e poderosa mão? ... Então, se arrependeu o SENHOR do mal que dissera havia de fazer ao povo.” (Ex 32.11,14).
João Wesley é um exemplo, em nossa história, de alguém que, movido pelo Espírito Santo, abriu mão de suas convicções pessoais em favor de mudanças no movimento metodista e no seu próprio ministério; deixemos que ele mesmo conte: “Quinta-feira, 29 de março de 1739 – Parti de Londres e, encontrei o Sr. Whitefield. A princípio, quase não podia reconciliar-me com esse modo esquisito de pregar nos campos, conforme o Sr. Whitefield me deu exemplo no domingo, pois, tendo eu sido toda a minha vida, e isso até agora, tão agarrado a todos os pontos que eram considerados de acordo com a decência e a ordem, – tais eram os meus preconceitos – considerava pecado um pecador salvar-se fora da igreja.”

“Domingo, 10 de outubro de 1756 – Preguei a grande multidão em Moorfields, sobre: “Por que morrerás, ó casa de Israel?” É a pregação ao ar livre que produz bons resultados; para bons resultados, não há substituto.” (1)

4) A visão que Deus nos tem dado também pede mudança.
O sonho de nos tornarmos uma grande Igreja no Brasil, especialmente em nossa 1ª Região Eclesiástica, enfrenta uma infinidade de rejeições; sólidos paradigmas estão no caminho desse sonho. Um deles diz: “O importante não é a quantidade, mas a qualidade”. Essa frase traz em si a absurda idéia que há incompatibilidade entre quantidade e qualidade. Outro paradigma é que as Igrejas do Protestantismo de Missão não crescerão mais, pois têm uma teologia e uma linguagem que não apelam às massas. Crescimento da Igreja Evangélica é um fenômeno pentecostal e neopentecostal. Essa é uma simples constatação de um momento histórico, que é verdadeiro, ou seja, o século XX foi o século da explosão de Pentecostalismo. Tal equívoco se torna mais grosseiro, pois transforma um fenômeno histórico em instrumento normativo e único para análise do crescimento da Igreja Cristã. Trata-se de um reducionismo. Seria como se nós, baseados no crescimento do Metodismo nos E.U.A., no século XIX, fosse definitivo para garantir que só o Metodismo, no futuro, cresceria nos E.U.A.! Ou seja, condições históricas podem ser facilitadoras ou limitadoras do crescimento de determinada Igreja, e condições espirituais e funcionais da Igreja podem também promover ou impedir o crescimento da Igreja. Mas condições históricas existem para serem mudadas, o que de fato já ocorreu, o Metodismo é prova disto.

Hoje, nós, metodistas, podemos crer que sem renunciar a nossa herança bíblico-doutrinária, ou melhor, sem nos transformarmos em pentecostais (denominacionalmente falando), podemos crescer e nos transformarmos numa grande Igreja, numérica e missionariamente falando. Basta crermos nisso, buscarmos o Espírito Santo que, em essência, é o que concede poder para testemunhar: “...mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (At 1.8). “Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça.” (At 4.33).

Estabelecemos, também, junto a isto um planejamento estratégico compatível com a nossa realidade.

Assim, precisamos é enfatizar que Deus nos chamou para fazermos diferença, transformar nossas vidas, transformar nosso bairro, transformar nossas cidades e o nosso Brasil. Para isso, devemos crer que é possível; afinal Deus deseja isso: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações...” (Mt 28.19). “Muitos, porém, dos que ouviram a palavra a aceitaram, subindo o número de homens a quase cinco mil.” (At 4.4).
Deixem-me lembrar a todos: Jesus está vivo e, pelo Espírito, movendo-se e abençoando a sua Igreja, fazendo-a frutificar sempre que encontrar quem creia nisso. É necessário quebrar nossos paradigmas impeditivos do crescimento. Não ter medo de fracassar na primeira, segunda, ... tentativa. Afinal, “fracasso não é um acontecimento, mas o juízo que fazemos do acontecimento”.

Assim a mudança aponta para orar pela meta de um milhão de discípulos e discípulas, e começar a intensificar nossa ação pastoral na direção da ênfase em tornarmo-nos uma Igreja de discípulos/as.

Pregue isto, viva isto, organize sua Igreja em grupos pequenos, você será abençoado por obedecer a visão celestial.

CITAÇÕES:
1 - Wesley, João – Trechos do Diário de João Wesley – Ed. Junta geral de Educação Cristã, São Paulo, 1965, P 28, 29.

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