IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Evangelho
Rio, 12/2/2008
 

O Evangelho é: Boa Nova, Metanóia e Novo Nascimento.

Bispo Paulo Lockmann


 

1) A necessidade que o mundo tem do Evangelho.
Vivemos tempos difíceis: em tempos de Natal e Ano Novo, nossas estradas apresentaram o maior índice de acidentes com mortos dos últimos 20 anos. Violência, sofrimento, luto e muito choro. Do ponto de vista familiar e ministerial, só tenho motivos para me alegrar. Entre o Natal e o Ano Novo preguei sete vezes, vivi momentos abençoados. No domingo 23 de dezembro, participei da inauguração do novo espaço da Igreja Metodista Central de Teresópolis; foi muita bênção. No sábado 29 de dezembro, participei da inauguração do novo templo de Porciúncula, espaço para mais de 1000 pessoas.

Em ambos os casos, fui muito quebrantado pelo que vivi, pela fé do Rev. Carlos Alberto Tavares Alves, sua equipe pastoral e igreja, pela fé e sonho do Rev. Ricardo Fróes de Cnop, sua equipe pastoral e igreja.

Mesmo vivendo isso, me sinto solidário, e com o coração apertado ao ver depoimentos dos que nesta época sofreram a perda dos queridos. O depoimento do Dr. Lídio Toledo diante da violência contra seu filho e nora, a doação do Dom Luís em greve de fome por resistir a um projeto no qual o povo faminto e sedento não foi incluído.

Enfim, as notícias diárias só nos fazem ver quão desesperadamente este mundo carece da mensagem de boa nova, de amor, de paz, de justiça, de metanóia (mudança de mente) e de um novo nascimento. Por essa razão, vamos radicalizar, intensificar nossa pregação e discipulado cristão neste biênio 2008/2009.

2) O Evangelho que é a Boa Nova.
O Evangelho é o novo de Deus que brotou da raiz de Jessé (cf. Is 11.1). É a nova aliança, o novo testamento (cf. 2Co 3.4-6). Na natureza mesmo do Evangelho está uma sucessão de novidades. Primeiro que a virgem concebeu; o nascimento virginal mais do que um milagre, mistério ou doutrina, foi um resgate, ou não somos sabedores que uma pobre jovem, mãe solteira, seria como o eram muitas mulheres, ontem e hoje, condenada. José, movido por Deus, é usado para fazer o resgate, novo, inesperado, mas misericordioso e real (cf. Mt 1.18-25).

O Evangelho é novidade, porque cancela o direito da vingança, “do olho por olho, dente por dente” ou “amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”, mas ensinou Jesus: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5.44).
Num mundo marcado pela violência e morte, todos precisam de perdão e amor incondicional que o Evangelho propõe, pois traz a novidade e faz a diferença.

O Evangelho é novidade porque numa sociedade machista e patriarcalista, Jesus faz o resgate da mulher; vejam a mulher acusada de adultério (cf. Jo 8.1-10), a samaritana (cf. Jo 4.1ss). Ele quebra completamente as regras e ensino religioso de seu tempo, trazendo resgate à condição da mulher, assim como o fez com as crianças (cf. Mc 10.13-16).

Muitos outros exemplos poderíamos citar, mas sabemos dessas verdades que fazem do Evangelho uma boa notícia, uma boa nova, a qual pede compromisso; que faça de nossas igrejas locais lugar onde as pessoas olhem e digam: “Olhem como eles se amam.”

3) O Evangelho é "metanóia" (mudança de mente).
Quando dizemos que o Evangelho é metanóia, falamos da palavra que é traduzida para o português por arrependimento, o qual gera a conversão, mudança de direção na vida de quem é alcançado pela boa notícia do Evangelho de Jesus Cristo. Esclarecendo, metanóia que é traduzida por arrependimento, significa literalmente mudança de mente.
Estamos presenciando o rumo que está tomando o mundo presente. Analistas prevêem que a guerra no Iraque dure pelo menos mais 10 anos, com custo de mais de 1.000.000.000 de dólares! A metade desse dinheiro seria suficiente para criar condições estruturais para acabar com a fome do mundo. No Brasil, embora tivéssemos melhorado os índices de alimentação dos empobrecidos, ainda temos os piores índices da América Latina em relação a saúde e educação.

Assim, nossos líderes, nosso mundo, nosso Brasil, e mesmo a Igreja Evangélica, precisam de arrependimento, mudança de mente, conversão. A pergunta notória é: “A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.” (Is 6.8).
Para isso precisa haver unção e poder de Deus na Igreja, nos mensageiros. “... mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (At 1.8). Estamos cansados dos analistas infrutíferos que, sentados nas arquibancadas, emitem juízos e condenação sobre todos.

Nosso horizonte nacional, especialmente Brasília, está cheio deles, em todos os segmentos da sociedade se fazem presentes. Apontam erros que não cometeram porque não fizeram nada, e soluções impraticáveis, porque não conhecem o povo, aliás, não gostam do povo, nem do cheiro, que dirá se convivessem com ele. Mas dos recursos que vêm do povo eles não abrem mão. São estes que desejam dar rumo à nação e até mesmo à Igreja.

O Evangelho está cheio de provas daqueles religiosos e autoridades judaicas que só condenavam e chamavam de impuros e pecadores; estes foram diante de Jesus os primeiros a se arrependerem e tomarem o rumo do discipulado, enquanto os religiosos e doutores que os acusavam permaneceram na prática das velhas obras condenadas por Jesus. Vejamos dois exemplos: Primeiro a parábola do Fariseu e do Publicano: “Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.” (Lc 18.9-14). O outro exemplo é o do jovem rico, muito religioso, possivelmente um erudito para o seu tempo, pois tivera oportunidade de estudar, e gozava de prestígio. Mas, confrontado por Jesus, fez a opção por sua riqueza, e não por Jesus e os pobres. O Evangelho pede entrega, pede renúncia, pede mudança de direção para cada um de nós, nossa autoridade para pregar começa por nossa fidelidade e coerência com a mensagem do Evangelho.

Nossa sociedade necessita urgentemente deste arrependimento, que é resultado do anúncio do Evangelho. Na unção e poder do Espírito, o confronto dos pecadores e nossas instituições nacionais é urgente, para que possa haver mudança de rumo, mudança de vida, sim, conversão.


4) O Evangelho é Novo Nascimento.
Aqui o apelo do Evangelho vai mais fundo, pede mudança de natureza. Mas é sempre apropriado recordar o diálogo de Nicodemos com Jesus, pois ali é introduzido o conceito do novo nascimento. Nicodemos se aproxima e reconhece que os sinais realizados por Jesus eram prova da presença de Jesus, e Jesus lhe responde: “... se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus.” (Jo 3.3). Fica claro na continuação do diálogo que não se trata de nascimento natural, mas espiritual: “... o que é nascido da carne é carne, o que é do Espírito é espírito”. (Jo 3.16). Ou seja, o Espírito dá ao arrependido e convertido uma nova vida, uma nova maneira de pensar e ver o mundo, e um interesse pelas coisas de Deus, e começa assim a formação de um cárter cristão.
João Wesley dá testemunho em seu diário de pessoas que foram santificadas imediatamente após o novo nascimento, mas também fala de outros tantos em que a santificação veio através de um longo processo de discipulado.

O apóstolo Paulo trabalha exaustivamente o conceito deste novo nascimento e de uma nova vida em Cristo: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (2Co 5.17). Podemos dizer que a grande motivação de suas cartas é ajudar as igrejas da Ásia Menor e Grécia a fundamentarem e formarem um caráter cristão; essa era a razão de ser do seu ministério, do discipulado: “... o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo” (Cl 1.28).

Nós estamos nesta grande missão, quando falamos de nossa meta missionária, nossa visão de espalhar a santidade bíblica por toda terra, não é de ter o número de um milhão de pessoas; nunca foi, mas de DISCIPULOS E DISCÍPULAS, pessoas cujas vidas foram transformadas pelo poder do Evangelho e estão sendo discipuladas para uma vida de santidade. Como todos sabem, condenei as igrejas supermercado, onde as pessoas chegam, pegam para seu gasto “valores” espirituais, e vão embora sem conversão ou compromisso; ou a igreja rodoviária, onde muitos chegam, não se conhecem e depois partem, sem que se saiba de onde vieram nem para onde vão Não há comunhão e solidariedade entre estas igrejas.

Assim, não queremos pessoas apenas afetadas emocionalmente por Jesus, cujas vidas não apresentam sinais de um real novo nascimento, mas, sim, pessoas arrependidas, nascidas de novo e transformadas pelo poder do Evangelho em discípulos e discípulas de Jesus.

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