IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Vida Cristã
Rio, 10/3/2008
 

Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem (Mc 16.17)

Bispo Paulo Lockmann


 

1)"Por que buscais entre os mortos ao que vive?"(Lc 24.5)

As mulheres que foram ao sepulcro levar aromas que haviam preparado, para minimizar o cheiro da morte, ficaram surpresas. Sim, a morte e o corpo inerte eram resultado lógico, e a única conseqüência prevista, por quem vira Jesus ser crucificado e morto. Ainda que houvesse a promessa de que Jesus haveria de ressuscitar: "...dizendo: É necessário que o Filho do Homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas; seja morto e, no terceiro dia, ressuscite.” (Lc 9.22).

Hoje, a ressurreição de Jesus, penhor de nossa ressurreição, está incorporado ao Credo Apostólico; repetimos com freqüência: "creio na ressurreição do corpo e na vida eterna, amém".

O centro da nossa fé, que é a expiação dos pecados de toda a humanidade, através da morte de Jesus na cruz, se faz acompanhar pela aprovação sobrenatural de Deus, ressuscitando Jesus dentre os mortos. Crer nisso nos faz cristãos; é natural que desde esta base de fé, outros tantos elementos se agregam. Mas a questão decisiva é, a base da nossa fé se constitui de vários elementos fundantes que são sobrenaturais. Como a encarnação, o nascimento virginal de Jesus (nasceu da virgem Maria), sua morte e ressurreição. No entanto, hoje, nós ou queremos depender de tudo de manifestações sobrenaturais de Deus, ou queremos em acordo com a ciência racionalizar tudo, minimizando o sobrenatural e tornar tudo em fenômenos naturais.

Esta pastoral visa a trazer equilíbrio. Afirmamos que nem tudo na ação missionária da Igreja dependerá da ação do ser humano, e, sim, de milagres de Deus, intervindo para confirmar o seu poder. Por outro lado, não dá para cruzar os braços e esperar que Deus de maneira sobrenatural irá resolver o que nós devemos e podemos fazer. Se um irmão pobre teve sua casa arrasada pelas enchentes, Deus não vai mandar anjos do céu consertar esta casa, mas é algo que a Igreja em mutirão poderá fazer. Este é apenas um pequeno exemplo.

2) "Estes sinais hão de acompanhar os que crêem."
Jesus previu que sua Igreja iria se impor através de sinais incontestáveis do poder de Deus. Seu próprio ministério se fez acompanhar dos sinais sobrenaturais; todos sabemos que o Evangelho de João se estrutura sobre a linguagem de sinais (milagres); "Com este, deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galiléia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.” (Jo 2.11). Nos demais Evangelhos, há um milagre que ilustra isso de modo fundamental: é a cura do paralítico em Cafarnaum: "Mas, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados — disse ao paralítico: Eu te ordeno: Levanta-te, toma o teu leito e vai para casa. Imediatamente, se levantou diante deles e, tomando o leito em que permanecera deitado, voltou para casa, glorificando a Deus. Todos ficaram atônitos, davam glória a Deus e, possuídos de temor, diziam: Hoje, vimos prodígios.” (Lc 5.24-26). Em Atos dos Apóstolos, Pedro, pregando em casa de Cornélio, diz: "Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (At 10.38).
O ministério de Jesus se evidenciou com gestos simples, ensinos cheios de sabedoria, mas, como vimos, sinais incontestáveis do poder de Deus, que impactavam o povo. Jesus, sabedor da importância dos sinais sobrenaturais, previu que se a Igreja cresse veria em seu ministério estes sinais se multiplicando.

Podemos dizer que esta profecia de Jesus se realizou na vida e no ministério da Igreja Primitiva, nascida no dia de Pentecostes. No resumo que se faz logo após a conversão das 3.000 pessoas no dia de Pentecostes, é dito: "...e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos Apóstolos." (At 2.43). Após a cura do coxo da porta formosa, Pedro e João são levados presos ao Sinédrio , após interrogá-los, as autoridades judaicas, concluem dizendo: "Que faremos com estes homens? Pois, na verdade, é manifesto a todos os habitantes de Jerusalém que um sinal notório foi feito por eles, e não o podemos negar;.” (At 4.16).

Sabemos que este sinal, a cura do coxo, se tornou argumento de defesa em favor de Pedro e João. Ou seja, não dava para negar que Deus estava com eles.

O ministério de Paulo foi marcado por vários sinais; ele mesmo, escrevendo aos Romanos, diz: "Porque não ousarei discorrer sobre coisa alguma, senão sobre aquelas que Cristo fez por meu intermédio, para conduzir os gentios à obediência, por palavra e por obras, por força de sinais e prodígios, pelo poder do Espírito Santo; de maneira que, desde Jerusalém e circunvizinhanças até ao Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo.” (Rm 15.18-19).

O Rev. João Wesley relata, em seu diário, dezenas de vezes, nas quais Deus, em sua misericórdia , o curou, levantando-o do leito para ir pregar nos lugares mais distantes.

3) E hoje, onde foram parar os sinais?
Mais que todos nesta Região, eu sou quem mais circula pelas igrejas no nosso Estado, o que não é algo excepcional , já que é o meu dever visitar as igrejas. Com isso, posso apreciar e ouvir testemunhos de milagres. Desde a salvação e transformação de um homem mau e perdido, até curas, as mais diversas . No entanto, encontro ainda muita timidez na oração por enfermos; para muitos, parece ainda que a ênfase na cura e na libertação são "doutrinas" não metodistas. Grave engano! Quando nos artigos de religião afirmamos a suficiência das Escrituras para a salvação, estamos afirmando nossa fé num Deus que atua sobrenaturalmente, inclusive para cura.

Lendo a biografia de Rev. John Lake, onde diferentes autores o identificam como homem usado por Deus, no inicio do século XX como o homem que Deus usou para restaurar o ministério de cura no interior da Igreja. Um dos momentos significativos foi quando movido por Deus, foi para a África do Sul (1908-1913); durante cinco anos, seu ministério avivalista, centrado na salvação e cura divina, suscitou a fundação de 600 novas igrejas, em diferentes denominações evangélicas. Ele mesmo fora curado de reumatismo que deformara seu corpo. Foi com fé a uma reunião de oração e cura divina de um dos líderes desse avivamento, chamado John Alexander Dowie; saiu curado e convicto que Deus ainda cura, e contrário ao movimento fundamentalista, que afirmava ter milagres cessado no século I da era cristã.

Vejamos o que John Lake fala de seu ministério.
"Era uma quinta-feira, às duas horas da tarde. Eu estava a caminho de uma reunião na Igreja Metodista, quando uma mulher me viu e me chamou para orar pelo pai dela, que sofrera um acidente dez anos antes, ferindo seu joelho e ombro, a ponto de surgir um tumor imenso, impedindo-o de andar, devido à dor. Ao me avistar de sua casa, ela falou ao pai que gostaria de chamar para orar por ele, o qual recusou, dizendo não crer nesse tipo de coisa. Apesar disso, a filha fez sinal e me chamou. Entrei na casa, sem saber da atitude do homem. Sr. Mitchell, eu disse: "Não tenho tempo para conversar." Tirei meu sobretudo e chapéu, e ajoelhei-me para orar. Coloquei, então, minhas mãos sobre o joelho dele e em seguida senti que ele fora curado. "Sr. Mitchell, estenda sua perna." Ele o fez. "Agora levante e ande!" Enquanto andava pela sala, ele dizia e repetia: "Não posso entender, não posso entender." Em seguida, oramos pelo ombro, que recuperou os movimentos. Então perguntei: "O que o senhor não pode entender?" "Não entendo como DEUS me curou. Nem sou cristão." Ao que perguntei. "O senhor está dizendo que nunca rendeu seu coração a JESUS?" "Sim", ele respondeu. "Nunca o fiz!" Então orei pelo pai e pela filha e por uma outra senhora presente, e todos eles se entregaram ao senhor Jesus Cristo. Muitas pessoas são curadas antes de se converterem, às vezes, quando ainda nem conhece ou mesmo crêem no poder de DEUS. Tive um vizinho que estava morrendo. Alguns cristãos diziam que ele precisava aceitar Jesus senão iria para o inferno. Sempre achei que isso é uma tática de pressão que Jesus nunca usou. Jesus foi sempre gentil e misericordioso com o povo, especialmente com quem estava caído e humilhado. Jesus curava sem colocar pré-requisito. Depois da cura, a resposta de gratidão de muitos foi [...] o abrir o coração a Jesus."

Esse depoimento de John Lake sobre a cura de um homem incrédulo nos fornece elementos ainda hoje para ministrarmos cura aos enfermos. Finalizando, sabemos que Jesus não curou todos os enfermos, e isso é verdade ainda hoje. Mas a única maneira de saber se DEUS vai curar alguém é orando com insistência com unção com óleo (cf. Tg 5.14) e com fé, com veemência e paixão, tantas vezes quantas a pessoa deseje. Afinal, estaremos cumprindo uma ordem de Jesus: "... e, à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus. Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai.” (Mt 10.7-8).

Que esta Páscoa, que remotamente recorda a libertação da escravidão do Egito, através de sinais e prodígios, e na seqüência da história da salvação, recorde a morte e a ressurreição do Filho de DEUS, Jesus Cristo, também com poder. Sim, esta Páscoa seja tempo de dar lugar ao poder de DEUS na vida e na missão da Igreja.

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