IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

Boulevard Vinte e Oito de Setembro, 400
Vila Isabel - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20551–031     Tel.: 2576–7832


Igreja da Vila

Aniversariantes

Metodismo

Missão

Artigos e Publicações

Galeria de Fotos

Links


Metodismo
Rio, 12/4/2008
 

Ajudantes leigos e clérigos de João Wesley (Paul Eugene Buyers)

ZZ Outros Colaboradores ZZ


 

Índice dos tópicos desse texto:

1 - Alguns ajudantes leigos:
a) João Nelson (1707-1774)
b) João Haime (1710-1784)
c) Cristofer Hopper (1722-1802)
d) Roberto Carr Breckenbury (1758-1818)
e) Tomaz Walch
f) Tomaz Olivers (1725-1799)
g) Guilherme Carvosso (1750-1835)

2 - Mulheres que merecem destaque especial
h) Maria Bosanquet (1739-1814)
i) Ann Cutler
j) Hester Ann Rodgers
k) Elizabeth Walbridge - "A Filha do Leiteiro"

3 - Alguns ajudantes clérigos:
a) Guilherme Grimshaw (1708-1763)
b) João Fletcher (Jean Guilherme de La Fletcher) (17291785)
c) Tomas Coke (1747-1814)

OS AJUDANTES LEIGOS E CLÉRIGOS.

O espírito metodista naturalmente criou obreiros. João Nelson, um dos primeiros ajudantes leigos, disse: "Não posso comer o meu bocado sozinho". Uma pessoa convertida instintivamente quer contar a sua experiência a outras. Assim iam aparecendo os obreiros de acordo com o desenvolvimento do trabalho. Sabemos dos preceitos de Wesley no princípio acerca do uso de leigos na pregação do Evangelho. Mas, homem prático e de bom senso que era, se convenceu de que podia empregar os leigos na seara do Senhor. Desse modo começou a utilizar-se dos leigos na obra do Senhor numa escala maior do que em qualquer outra época na história da Igreja.

I) Alguns ajudantes leigos.

a) João Nelson (1707-1774).
Um dos primeiros leigos que entrou nas fileiras metodistas foi João Nelson. Era pedreiro de profissão. Foi considerado um dos melhores pedreiros do seu tempo. Depois da sua conversão se recusou trabalhar nos domingos, mas, em vez de perder serviço, parece que isso concorreu para aumentá-lo. Queriam que trabalhasse, no domingo, num grande edifício do governo, em Londres — o prédio de Exchequer. Mas recusou e sua franqueza e sua perícia no trabalho atraíram homens de todas as camadas da sociedade para vê-lo. Não foi despedido do serviço, antes o respeitaram e o serviço dele foi procurado ainda mais. O presidente do parlamento, olhando para ele no seu trabalho, ficou encantado com a sua habilidade e lamentou o fato de que tudo neste mundo passa.

João Nelson nunca fora homem imoral, mas não gozava paz em sua alma e sentia o horror das trevas espirituais. Wesley foi mensageiro de luz e paz para ele: "Eu fui como um passarinho fora do seu ninho até que Wesley veio pregar pela primeira vez em Moorfield. Oh, aquela foi uma manhã bendita para a minha alma! Quando ele subiu ao estrado, passou a mão pelo cabelo e virou o rosto para o lugar onde eu estava, pareceu-me que fitou seus olhos em mim. O seu rosto me causou medo e, mesmo antes de falar, fez o meu coração bater como um pêndulo de relógio; quando falou, julguei que todo o seu discurso foi dirigido a mim. Quando terminou, eu disse: Este homem pode dizer-me os segredos do meu coração; mas não parou ai; mostrou-me o remédio, isto é, o sangue de Jesus" (Townsend et al, Vol. I, p. 313).

João Nelson tornou-se uma das jóias entre os pregadores metodistas. Trabalhou em Bristol entre os seus irmãos e o trabalho ali prosperou. Exortava o povo com muito proveito, mas, quando refletia sobre o papel do pregador, dizia: "Antes eu desejaria ser enforcado numa árvore do que pregar". Mas o povo que o ouvia não pensava assim, pois as suas exortações sempre eram proveitosas. Ficou surpreendido consigo mesmo e escreveu para Wesley, pedindo que o aconselhasse. Dizia ele: "Como prosseguirei no trabalho que Deus começara por meio de um instrumento tão rude como eu me julgo?" Wesley desceu logo a Bristol. Nelson diz a respeito: "Ele sentou-se à lareira na mesma atitude que.eu sonhara quatro meses antes e falou as mesmas palavras que eu sonhara que proferiria". Wesley achou tanto o pregador como a congregação de Bristol levantados sem qualquer ato ou conhecimento dele e, enquanto o contemplava e ouvia, sentiu que a questão da pregação de leigos fora resolvida para todo o sempre" (Fitchett, Vol. I, p. 237).

Depois de João Nelson trabalhar nas congregações em Bristol, Leeds, Manchester, Sheffeild e York, Wesley o convidou para entrar na itinerância. Aceitou. Viajou com Wesley e participou com ele das fadigas e dos perigos da vida itinerante. Fizeram uma viagem a Cornwall, e Nelson, descrevendo a experiência, disse: "Wesley e eu nos deitamos no chão: ele teve minha capa para travesseiro e eu tive o livro "Burkett's Notes on lhe New Testament". Depois de ficar lá umas três semanas, uma manhã, cerca de três horas da madrugada, Wesley se virou e, descobrindo que eu estava acordado, me bateu no lado e disse: ‘Irmão Nelson, tenhamos bom ânimo, eu tenho ainda um lado inteiro, porque a pele esta esfolada só dum lado’. Geralmente pregamos nos campos, indo de um para outro lado, e era raro que alguém se lembrasse de convidar-nos para comer ou beber. Quando voltamos, Wesley parou, apeou do cavalo e começou a apanhar amoras silvestres, dizendo: ‘Irmão Nelson, devemos ser gratos a Deus por haver muitas amoras silvestres, porque este é um dos melhores lugares para ficar com fome, mas o pior que já vi para achar comida. Pensa o povo que nos podemos viver da pregação?" (Townsend et al, Vol. I, p. 313-314).

João Nelson pregava com poder e convicção. Não poupava os vícios e pecados de ninguém: ricos e pobres eram igualmente denunciados. Sendo leigo, sofreu mais do que Wesley com os motins. Pregava, sustentando-se pelo seu trabalho de pedreiro. Passou necessidades algumas vezes e sofreu grandes perseguições. Bem cedo na sua carreira foi ilegalmente convocado para o serviço militar. No exercito não deixou de pregar, quando achava oportunidade. Nas suas pregações não poupava ninguém. Por causa disto um oficial profano o lançou na prisão e o ameaçou de castigo. Nelson, homem forte e robusto, sentiu tentação de reagir, como ele disse: "Isso provocou uma grande tentação em mim, ao pensar que um homem mau e ignorante me tratasse desta maneira, quando eu bem podia facilmente atar as mãos e os pés dele. Descobri em mim os ossos do "homem velho", mas o Senhor levantou seu estandarte dentro de mim, senão eu teria quebrado seu pescoço e teria pisado seu corpo".

Depois de algum tempo no exército, por influência de Lady Huntingdon conseguiu baixa do serviço militar (1744). Voltou para seu ofício de pedreiro e pregador leigo.

Havia poucos pregadores leigos perseguidos tanto como Nelson. Alguns pensavam que se pudessem acabar com ele e João Wesley, o movimento metodista acabaria. Mas Nelson tinha jeito para enfrentar os motins. Conta-se que ele, um dia estava pregando em Manchester Cross, quando alguém jogou uma pedra que lhe cortou o rosto. Mas ele não deixou de pregar e cantar, embora com sangue a correr pelas faces. Em outra ocasião, em Nottingham, um sargento que chefiava um grupo amotinado, perseguindo-o, ficou tão impressionado com ele que não pode deixar de escutá-lo e acreditar que ele era um mensageiro de Deus. Com lágrimas nos olhos, lhe pediu perdão.

Uma vez foi lançado em prisão suja e nojenta. Diz a respeito: "Minha alma ficou tão cheia do amor de Deus que a prisão se tornou um paraíso para mim. Desejei que os meus inimigos fossem tão felizes como eu na prisão". (Townsend et al. Vol. I, p. 315).

João Nelson trabalhou trinta e três anos, mostrando-se, no seu comportamento, um cavalheiro inglês, no seu trato, magnanimidade e, no seu exemplo, heroísmo, bom senso, piedade e sacrifício.

Voltando da casa de um amigo, ficou doente e, em poucas horas, morreu. Como disse Whitefield, não foi necessário que ele, que tinha falado pela causa de Cristo em vida, dissesse qualquer coisa na hora da morte.


b) João Haime. (1710-1784).
É notável que alguns dos auxiliares de Wesley tivessem sido soldados. Wesley apreciava os soldados metodistas, porque eram homens disciplinados, sabiam dar ordens, mas também sabiam obedecer às ordens recebidas.

Os pregadores leigos que foram soldados sabiam organizar e dirigir o trabalho das sociedades. Também conheciam os incômodos, fadigas e privações da vida. Na itinerância podiam facilmente ajustar-se ao trabalho e sentir prazer nele.

Wesley elaborou quarenta e uma biografias de auxiliares e mais de uma quarta parte deles haviam sido soldados. Isso mostra que apreciava esta classe de homens como seus ajudantes.

João Haime foi soldado intrépido. Serviu por algum tempo na França, em 1743. Esteve numa batalha mais de sete horas sem perturbação. É notável que o grupo de soldados metodistas mostrou mais coragem e valentia do que qualquer outro em todo o exército. Haime não semente pregava aos soldados, mas também organizava sociedades entre eles. E, para ter mais tempo para pregar, ajustava alguém para substituí-lo enquanto pregava. Os capelães ficaram contrariados com ele, mas não deixou de evangelizar seus colegas. O comandante o apoiava no seu trabalho, pois sabia que os metodistas eram os seus melhores soldados.

Haime chegou a afirmar que teve três inimigos a combater: o exército francês, o exército inglês e o exército do diabo. Havia mais seis soldados que o ajudavam e ainda um grupo de trezentos metodistas.

Na batalha de Fontenoy estes seis pregadores e trezentos metodistas se salientaram na batalha pela sua coragem e bravura. Um dos pregadores, chamado Clementino, foi ferido no braço e recusou-se a deixar o campo, porque tinha mais um braço com que podia segurar a espada. Logo depois o segundo bravo foi quebrado por uma bala e ele exclamou: "Estou tão contente, como se estivesse à porta do paraíso". Um outro colega perdeu as duas pernas e morreu louvando a Deus. Mas Haime teve, antes de entrar na batalha, o pressentimento de que não morreria no conflito.


c) Cristofer Hopper (1722-1802).
Cristofer Hopper foi o leigo que mais fez para introduzir o Metodismo na Escócia. Na mocidade gostava de dançar, pescar, caçar, jogar baralho, assistir a rinha de galos e coisas semelhantes. Mas com tudo isso não era feliz. Sentia falta de alguma coisa que podia dar-lhe a paz.

João Wesley passou pela sua comunidade e as suas pregações deixaram o povo dali perturbado. Hopper ficou muito perturbado e começou a orar, ler a Bíblia, assistir aos cultos na igreja e reformar a vida. Mas não alcançou a paz por que a sua alma suspirava. Logo depois da visita de Wesley passou por aquele lugar um pregador leigo, Reeves, e por meio deste homem Hopper descobriu a luz divina. Converteu-se e tudo então se mudou. Achou paz, harmonia e prazer na vida.

Wesley nomeou-o guia de classe. Além de dirigir a classe, começou a exortar o povo. Seu irmão converteu-se e outros ficaram despertados. Começou a dirigir cultos de oração em diversos lugares e, antes de saber, já, era pregador. Tão contente ficou que disse: "Eu dei ao meu adorável Salvador a minha alma, meu corpo e meus bens e lamentei não ter mais para lhe dar".

Era bem instruído e trabalhava como diretor de uma escola. Ia de vila em vila, de casa em casa, "cantando, orando e pregando", seguido por uma multidão de gente despertada e interessada na salvação. Pregava em qualquer lugar, na rua, nos teatros, nos lugares onde realizavam rinhas de galos.

Foi perseguido. Jogaram terra, ovos podres e pedras nele; tocaram buzinas, repicaram sinos e fizeram barulho para atrapalhar as suas pregações.

Trabalhou muitos anos. Implantou o Metodismo no norte da Inglaterra, na Irlanda e na Escócia. Nos lugares onde trabalhou, até hoje o nome dele é lembrado. Na ausência de Wesley, presidiu a Conferência de 1780. Homem culto, sabia adaptar suas atitudes aos vários tipos psicológicos: para os valentões era um Boanerges; para os aflitos, um Barnabé. Não temia homem algum.

Centenas de pessoas foram convertidas por seu ministério; pregou cinqüenta e sete anos, quarenta deles como itinerante. Nunca foi acusado de mau, comportamento. Caracterizavam-no a prudência, o zelo, a eficiência e a integridade. Morreu com oitenta anos de idade e Wesley o reconheceu como "um irmão fiel e um bom soldado de Jesus Cristo".

d) Roberto Carr Breckenburg (1758-1818).
Roberto Carr Breckenbury nasceu em 1758, na herdade de Panton House, em Lincolnshire. Desde a mocidade revelou sentimentos religiosos. Educou-se na Universidade de Cambridge e pretendia ser vigário na Igreja Anglicana. Foi homem rico e magistrado. Sua casa chamou-se Raithby Hall e freqüentemente Wesley e outros pregadores se hospedavam nela.

A primeira vez que Wesley menciona o nome de Breckenbury é em 1776. "Fui com Breckenbury" diz ele, "a Horncastle e a Spikby. Quando este senhor esteve em Cambridge, ficou convencido de pecado, ainda que sem qualquer instrumento exterior, e logo depois foi justificado. Estudou em Hull e educou-se com um dos nossos pregadores. Após uma conversa longa com o pregador ficou claramente convencido de que era seu dever identificar-se com o povo chamado metodista. No princípio vacilou a respeito da pregação de leigos, mas depois de pensar melhor as coisas, se decidiu a pregar e recebeu grande bênção, tendo tido a satisfação de ver os frutos do seu trabalho" (Stevens, Vol. III, 251).

Dai em diante Wesley e ele ficaram bons amigos e o foram assim até o fim da vida. Breckenbury viajou com Wesley algumas vezes. Foi pregador leigo e, quando Wesley morreu, estava presente. Mas nunca entrou na itinerância: servil como suplente. Falava francês e visitou a França algumas vezes em prol do trabalho de evangelização daquele país. Construiu diversas capelas e escolas. Ajudou na construção de prédios e na obra missionária.

Por mais de quarenta anos trabalhou entre o povo chamado metodista, hospedando os pregadores e as Conferências. A sua esposa, depois da morte dele, continuou a fazer a mesma coisa, pois era uma senhora muito educada e boa crente. Breckenbury morreu em 11 de agosto de 1818, em paz com Deus e com os homens.


e) Tomaz Watch.
Tomaz Walch se criou no catolicismo. Os seus pais lhe ensinaram o "Pai Nosso", a "Ave Maria" na sua língua natal e o salmo 100 em latim. Seu irmão, que se destinou ao sacerdócio, lhe ensinou a gramática latina.

Walch, rapaz sério, ficou com grande apreensão, quanto à morte e à vida além-túmulo. Orava muito aos santos e aos anjos, mas pouco a Deus. Assistia à missa e confessava-se ao padre. Sentia o peso dos seus pecados e o padre o aconselhava a orar muito. Walch jejuava, orava e agonizava, procurando alívios dos seus pecados.

Quando tinha dezoito anos de idade, ouviu uma conversa entre seu irmão e um amigo protestante. Nessa palestra consultaram a Bíblia e "Nelson's Feasts and Fact" da Igreja Anglicana. O rapaz ficou muito impressionado com a discussão: Chegando em casa, lá para uma hora da madrugada, pôs-se de joelhos e orou a Deus somente. Nunca mais prestou culto aos santos e aos anjos, pois chegou a esta conclusão: "Porque só há um Deus e só há um mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem" (1Tm 2: 5). Resolveu, daí em diante, nunca mais deixar se levar a adorar anjos ou santos. Os pais ficaram inconsoláveis, porque não podiam dissuadi-lo da nova fé.

Sendo moço muito inteligente, sabia defender-se. Abjurou o catolicismo e passou para a Igreja Anglicana. Mas não desprezou os católicos, antes tinha compaixão deles. Ficou livre de muitas idéias supersticiosas, mas não achou paz para sua alma; sentia ainda o peso dos seus pecados. Tinha dó dos seus patrícios católicos: "Eu lhes dou testemunho de que tem zelo de Deus, porém não segundo o conhecimento. Muitos, dentre eles, amam a justiça, a misericórdia e a verdade; e, não obstante os seus erros no sentimento e, portanto, na prática, visto que, qual seja a majestade de Deus, tal será também a sua misericórdia, eles podem ser assim tratados. Mas eu confesso abertamente que agora, desde que Deus me iluminou a inteligência e me ensinou a verdade, tal como está em Jesus Cristo, se eu ainda permanecesse na Igreja de Roma, não poderia ter-me salvado”.

“A respeito de outros, nada digo; sei que todo homem levará o seu próprio fardo e dará conta de si mesmo a Deus. Perante o mesmo Mestre tanto eles como eu permaneceremos de pé ou cairemos para sempre. Mas o amor e a compaixão me constrangem a fazer minhas preces perante Deus a favor deles. Todas as almas são tuas, ó Senhor Deus; e to queres que todos venham ao conhecimento da verdade e se salvem. Rogo-te, ó Deus eterno, mostra a tua misericórdia a essas pobres almas que por tanto tempo foram enganadas pelo deus deste mundo, o Papa e seu clero. Jesus, que amas as almas e que es o amigo dos pecadores, envia-lhes a tua luz e a tua verdade para guiá-los” (Fichett, Vol. I, p.298-299).

Nesta época os itinerantes evangélicos chegaram à sua cidade Newmarket. Ficou contente em recebê-los e tornou-se membro de sua Sociedade Metodista. Aqui recebeu mais luz, porque não somente descobriu os seus pecados, mas também o remédio em Cristo. Os pregadores metodistas não discutiam questões doutrinárias, antes proclamavam as doutrinas acerca da salvação pessoal. Foi neste meio que achou descanso para sua alma no perdão dos seus pecados.

Eis o seu testemunho: "Tive a segurança divina de que Deus pelo amor de Cristo perdoou todos os meus pecados; de que o Espírito de Deus testemunhava com meu espírito de que eu era filho de Deus. Não pude deixar de chorar e derramar lágrimas de alegria e de amor" (Stevens, Vol. I, p. 290).

Tornou-se um dos homens mais santos das Sociedades Metodistas. Homem excepcionalmente inteligente, aprendeu a sua própria língua irlandesa, o latim, o grego e o hebraico. Tinha o costume de levantar-se às quatro horas da manhã para estudar o hebraico, a língua em que Deus conversou com os homens. Tornou-se mestre em hebraico e grego. Tinha memória excepcional. Podia dizer onde e quantas vezes certas palavras hebraicas se encontram no Velho Testamento. Sua memória servia-lhe de concordância da Bíblia. Estudou as Escrituras no original, com toda a dedicação da sua alma.

As seguintes palavras revelam o fervor do seu espírito: "De bom grado descansarei em Ti! Tenho sede da vida divina. Peço o Espírito de iluminação. Lança minha alma sobre Jesus Cristo, o Deus da glória e Redentor do mundo. Desejo ser semelhante a Ele, como seu amigo, servo e discípulo!" (Stevens, Vol. I, p. 292).

Walch chegou a uma experiência que satisfazia a sua alma e podia dizer: "Agora senti na verdade que a fé é a substância das coisas esperadas, a prova das coisas não vistas. Deus e as coisas do mundo invisível, dos quais eu apenas ouvia falar, agora me apareceram no seu verdadeiro aspecto como realidades substanciais. A fé me deu visão de Deus reconciliado e o Salvador todo suficiente. O reino de Deus entrou em mim. Eu tirava água das fontes da salvação, andando e falando com o Deus Todo-Poderoso todo o dia, tudo o que eu cria ser a vontade dEle, isso fazia de todo o coração Eu sabia amar sem fingimento aos que me odiavam e orar pelos que me maltratavam e perseguiam. Os mandamentos de Deus eram o meu prazer". (Fitchett, Vol. I, p. 297).

Entrou na itinerância e tornou-se um dos pregadores mais zelosos e abnegados. O seu ministério pode ser comparado ao de São Francisco de Assis. Entrou no ministério com hesitação e com humildade. Orou então: "Senhor Jesus, ponho a minha alma aos teus pés: quero ser enviado e dirigido por Ti. Tira o véu do mistério e mostra-me a verdade como está em Ti mesmo. Se Tu meu sol e a minha estrela, tanto de dia como de noite" (Stevens, vol. I, p. 292).

Dedicou-se ao ministério por nove anos. Andou a pé seis léguas para pregar o seu primeiro sermão num celeiro. Pregou muitos dias em Limerick e os interessados não quiseram deixar o culto enquanto não recebessem uma benção. Passou pelas cidades de Lainster e Connaught como uma chama de fogo. Muitas pessoas converteram-se. Entre os interessados havia um católico romano que tinha ajuntado algum dinheiro para o padre dizer missa pela sua alma depois de morto. Trouxe o dinheiro para Walch e pediu-lhe que o aceitasse e ficasse responsável para tirar a sua alma do purgatório. Mas Walch respondeu-lhe: "Nenhum homem pode perdoar os seus pecados; o dom de Deus não pode ser adquirido por dinheiro; somente o sangue de Cristo é que pode purificar do pecado".

O católico ficou admirado, tocado e pediu que orasse por ele. Ambos ajoelharam e Walch orou por ele na língua irlandesa. O que Patrício foi para conquistar o povo irlandes para o Cristianismo, foi Walch para disseminar o Metodismo entre esse povo.

Seu trabalho foi tão bem aceito pelo povo que os padres ficaram alarmados e começaram a persegui-lo. Foi preso diversas vezes e seus adversários prometiam deixá-lo ir em paz, se prometesse nunca mais voltar para pregar. Mas não queria fazer tal promessa e assim fechava a porta a si mesmo. Por isso se tornou vítima dos motins em muitos lugares.

Na cidade de Cork foi maltratado. Mas deixou ali uma influência que perdura até hoje. Os católicos chegaram a conhecê-lo bem. E apesar da oposição que os padres levantaram contra ele, muitas pessoas entre os católicos se converteram e tornaram-se metodistas.

Como era costume de Wesley transferir, uma vez ou outra, seus auxiliares para Londres, Walch foi transferido para aquela cidade, onde trabalhou com bom êxito.

Pregou aos irlandeses de Moorfield na língua irlandesa, com muito bom resultado. Era seu costume pregar duas vezes por dia em Londres. Pregou com ardor e animação e muitas almas se converteram.

Eis o testemunho de Wesley quanto a sua pregação: "onde aquele homem santo prega o Evangelho, quer em inglês, quer em irlandês, sua palavra é mais aguda do que uma espada de dois gumes. Não me lembro de ter conhecido algum outro homem que tenha ficado na terra tão poucos anos e ganho tantas almas, como ele".


f) Tomaz Olivers (1725-1799).
Tomaz Olivers é um dos caracteres mais interessantes do Metodismo. De grande pecador que era, tornou-se um grande santo. Podia discutir teologia e confundir os melhores teólogos do seu tempo. Escreveu alguns hinos que perdurarão enquanto a língua inglesa existir. Seu hino "Ao Deus de Abraão Louvai", é cantado também nas catedrais dos gentios e nas sinagogas dos judeus.

Tomaz Olivers nasceu na cidade de Treganon, em Galles, em 1725. Ficou órfão de pai e mãe antes de alcançar 5 anos de idade. Seus parentes cuidaram dele até alcançar 18 anos, sem descuidar da sua educação. Aprendeu o catecismo, alguns hinos e salmos e fazia oração de manhã e de noite. Assistia aos cultos duas vezes nos domingos. Mas declara que, apesar de tudo isto, a "sua mente carnal" logo se manifestou na sua vida. Aprendeu a blasfemar e tornou-se perito em inventar novos termos e epítetos, de blasfêmia. Sem pensar ou querer, tomava o nome de Deus em vão. Antes de alcançar 15 anos, era conhecido e considerado “o menino mais perdido da comunidade".

Com 18 anos se tornou aprendiz de sapateiro, mas não se aperfeiçoou nesse ofício por causa de seu desinteresse. Gostava de danças e passava noites inteiras na folia. Tornou-se tão pervertido e ruim que teve de fugir da sua cidade junto com alguns colegas da mesma qualidade. Apareceu na cidade de Shrewsburg, onde se divertiu com seus colegas, blasfemando e empregando termos torpes para perturbar o culto. Mas, mesmo nessa época, confessou que não tinha satisfação na vida e queria deixar os seus vícios. Amava, entretanto, mais os seus vícios do que a virtude. Estava na situação São Paulo: “quando queria fazer o bem, o mal estava presente".

Como tinha assistido aos cultos sem resultado, resolveu experimentar os "sacramentos". Tomou emprestado o livro "A Week's Preparation". Leu-o de joelhos, assistiu ao culto, comungou e viveu retamente por alguns 15 dias. Devolveu o livro e entregou-se de novo à vida dissoluta. Ficou doente e quase morreu. Resolveu reformar a sua vida, porque reconheceu que se tivesse morrido, teria ido para o inferno. Mas todas as suas boas resoluções falhavam. Foi arrastado mais uma vez para o turbilhão do pecado. A sua situação na cidade tornou-se precária, porque devia a diversas pessoas. Em companhia de um rapaz do mesmo estofo, visitou diversas cidades, deixando dívidas em cada uma delas. Finalmente Olivers chegou à cidade de Bristol, onde passou por algumas experiências duras.

Arranjou pensão em casa dum metodista apóstata. Morava na mesma casa um morávio, alto e forte, que gostava de discutir sobre a eleição e a predestinação. Olivers teve uma polêmica com ele sobre o assunto. Ambos ficaram zangados e queriam brigar, mas, como o morávio era mais forte, Olivers vingou-se lançando-lhe ao rosto todos os termos blasfemos e feios que sabia e isto foi o bastante. Todos da casa ficaram horrorizados com o seu vocabulário. O metodista ficou tão horrorizado com o rapaz que ameaçou expulsá-lo de casa.

O rapaz estava vencido pelo mal. Não tinha força para libertar-se dos vícios. Estava possesso de demônios. Que havia de fazer? Uma noite encontrou uma multidão de gente na rua e perguntou o que era. Disseram-lhe que a multidão ia ouvir a pregação de Whitefield. Resolveu ir também, mas chegou tarde demais. Na noite seguinte chegou três horas antes do culto. Whitefield pregou sobre o texto: "Ficaste sendo como um tição que se arrebata de incêndio" (Amós 4:11). Durante o sermão muitos ficaram abalados. Choraram. Olivers ficou confundido. O resultado foi que, quando Whitefield começou o sermão, Olivers era inimigo de Deus e o rapaz mais pervertido do mundo; mas, quando Whitefield o terminou, a sua vida já estava mudada para sempre. As palavras de Whitefield quebraram o coração duro do gaulês. As lágrimas corriam-lhe pelas faces e tinha vergonha de si mesmo. Seu coração odiava o mal que praticara. Chegou o dia em que odiava o mal e amava o bem de todo o coração. Que mudança! Foi um milagre a sua transformação. Não foi coisa gradual, mas instantânea; podia dizer com bastante razão: "Não é este um tição arrebatado do fogo?".

A família apóstata com que morava, ficou admirada com a mudança que se deu na vida do moço. Ele mudou completamente seus costumes. Orava e chorava grande parte do tempo. Passava horas inteiras ajoelhado em oração. Orou tanto que ficou aleijado das duas pernas por algum tempo.

No primeiro domingo depois da sua conversão, assistiu ao culto na catedral. Sobre isso ele escreveu: "No primeiro domingo depois do meu despertamento, fui à catedral às seis horas da manhã. Quando liam o "Te Deum", pareceu-me que não estava na terra, mas louvando a Deus perante o seu trono! Não há palavras que possam exprimir o gozo e o enlevo, o respeito e a reverência que eu sentia.”

O livro "Week's Preparation" e a Bíblia tornaram-se para ele mais preciosos do que rubis. Lia-os com lágrimas, especialmente aquelas partes deles que falam do amor e dos sofrimentos de Cristo. Quanto a oração secreta, por algum tempo passou quase continuamente de joelhos. (Stevens, Vol. III, p. 148).

A luta foi tremenda. O moço estava saindo do abismo do pecado, procurando terra firme. Podia dizer como o salmista: "Esperei com paciência pelo Senhor; Ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor por socorro. Também me tirou de uma cova de perdição, de um tremendal de lama e colocou os meus pés sobre uma rocha e firmou os meus passos. Pôs um novo cântico na minha boca, um hino de louvor a nosso Deus". (Salmo 40 : 1-3).

Estava salvo e queria viver retamente, mas havia muita coisa para corrigir, antes de sentir-se satisfeito consigo mesmo. Procurou salvar os seus colegas de vício. Queria filiar-se às Sociedades Metodistas, mas não queriam admiti-lo de pronto. Mudou para Bradford e passou dois anos nessa cidade e não deixou de assistir a todos os cultos metodistas, mesmo os cultos de pregações às cinco horas da manhã. Os membros da sociedade se convenceram da sua sinceridade e o admitiram como membro.

Agora a sua consciência se tornou muito sensível a qualquer falta. Antes não tinha escrúpulos de praticar o mal, mas agora tinha horror de pensar num ato indigno de um cristão.

Começou a exortar nas sociedades e tornou-se ativo na pregação do Evangelho. Mas sua consciência começou a incomodá-lo a respeito das suas dívidas, pois devia a todo o mundo. "Eu senti uma confusão, diz ele, uma tristeza, como se tivesse furtado todo o dinheiro que devia aos outros". Herdou algum dinheiro. Foi recebê-lo. Comprou um cavalo, pagou todos as dívidas que tinha na sua cidade natal. Todos ficaram admirados com a mudança que se realizara. Alguns julgaram que ele estava louco. Montou no seu cavalo e procurou de cidade em cidade todos aqueles a quem devia e pagou todas as suas dívidas.

Teve de vender até mesmo o cavalo, para satisfazer a seus credores. Tinha agora uma consciência tranqüila e uma reputação que correspondia com a sua profissão. Conquistou a confiança de todos e agora podia seguir a sua carreira desembaraçadamente.

Um homem desse tipo não podia escapar aos olhos de Wesley. Este o nomeou logo para uma viagem aos mineiros de Cornwall. Como não tinha cavalo, foi a pé, levando um alforje com alguns livros e roupa no ombro. Quando chegou ao povo de Cornwall, um dos mineiros prontificou-se a comprar para ele um cavalo, se ele o desejasse. Aceitou a oferta e comprou um potro. Ficou com esse cavalo mais de vinte e cinco anos e viajou nele mais de 160.000 quilômetros.

Como os demais itinerantes daquela época, teve de enfrentar os motins. Mas se mostrou corajoso e jeitoso para enfrentá-los. Ficou nas fileiras dos metodistas quarenta e cinco anos. Viajou pela Inglaterra, pela Irlanda e pela Escócia. Tomou parte nas discussões doutrinárias a respeito da predestinação e escreveu alguns livros que se tornaram célebres. Trabalhou na imprensa com Wesley. Faleceu a 7 de março de 1799 e foi enterrado no mesmo túmulo de Wesley, na City Road Capel de Londres.


g) Guilherme Carvosso (1750-1835).
Um dos homens mais úteis entre os metodistas do seu tempo foi Guilherme Carvosso. Por sessenta anos serviu como guia de classe numa Sociedade Metodista. Foi grande evangelista, mas não como pregador. Seu trabalho era pessoal. Tinha jeito -todo especial para lidar com os indivíduos. Estudou a Bíblia diligentemente e a sua própria experiência lhe serviu como o melhor comentário. Compreendeu perfeitamente a natureza da fé salvadora. Exemplificou, por sua vida, a doutrina da santificação. Foi, como disse são Paulo, "uma carta escrita e lida por todos os homens". Foi um dos guias de classe mais notáveis na história do Metodismo. Não quis ser outra coisa, porque julgou que não tinha dons de pregador. Enalteceu seu ofício como guia de classe.
Na pequena vila de Mansehole, no condado de Cornwall, em 1750, nasceu de pais pobres Guilherme Carvosso. Trabalhou como lavrador e pescador na sua mocidade.

Participou das coisas mais praticadas naquela época: da rinha de galo, lutas, jogo de baralho e profanação do dia do Senhor. Não tinha muita noção do Cristianismo. Converteu-se a Cristo por meio dos metodistas. Um dia sua irmã, que tinha ouvido a pregação dos metodistas numa vila distante, veio para contar em casa o que Cristo tinha feito por ela. Nessa visita ela orou com seus irmãos e os exortou a aceitarem a Cristo como seu Salvador. Ela persuadiu Guilherme a ir ouvir uma pregação dos metodistas numa casa particular. Ele foi. Ficou logo convencido do pecado. Passou algum tempo lutando com os seus vícios. Foi tentado a crer que o dia da graça para ele •já tinha passado, mas finalmente julgou que isso era tentação do diabo e resolveu lançar-se misericórdia de Deus. Assirm descreve ele a sua experiência: "Estou resolvido, fique salvo ou perdido e enquanto puder respirar, a jamais cessar de pedir misericórdia. No momento em que tomei por fim esta resolução, Cristo se manifestou a mim e Deus perdoou os meus pecados e libertou a minha alma._ O Espírito mesmo deu testemunho ao meu espírito de que era um filho de Deus". (Stevens, Vol. III, p. 219).

A sua conversão se deu em 7 de maio de 1771 e ele sempre se lembrava de comemorar esse dia da sua libertação. Filiou-se aos metodistas e tornou-se membro duma pequena classe, na sua vila. Entre os seus companheiros de classe estava Ricardo Wright, que se tornou pregador e missionário, quando Wesley o enviou para a América. O ambiente era muito favorável para seu desenvolvimento no conhecimento e na graça do Senhor Jesus. Logo começou a buscar "o amor perfeito que lança fora o medo". Ele queria um coração santificado de acordo com os ensinos das Escrituras. Por muito tempo buscou essa experiência. Mas um dia descobriu que, como fora justificado pela fé, teria de ser santificado, da mesma maneira, pela fé somente. Ele descreve essa experiência assim: "Então recebi o testemunho pleno do Espírito que o sangue de Jesus Cristo me purificou de todo o pecado". A sua vida e a sua morte confirmaram a realidade desta experiência.

Poucos anos depois da sua conversão foi nomeado -guia de classe. Continuou nessa qualidade por mais de sessenta anos. Mudou-se para seu sitio em Gluvior, onde passou o resto da sua vida. Era homem diligente em seus negócios. Alguns julgavam que morreria de fome no sitio, onde fixou a sua residência, porque a terra não era muito boa. Mas, pelo trabalho e pela boa administração, ganhou a vida e criou A família; no último quartel de vida deixou de trabalhar para dedicar-se exclusivamente ao serviço do Senhor. A sua propriedade dava suficiente para mantê-lo, enquanto trabalhava na seara do Senhor.

Os seus filhos tornaram-se crentes e o filho mais moço, Benjamim, entrou no ministério, na Austrália. Construiu uma capela com o auxilio dos seus irmãos na fé. O trabalho prosperou e a sociedade cresceu tanto que foi necessário demolir a capela e construir outra maior.

Em 1814 houve grande avivamento no condado de Cornwall. A pequena classe em Ponsanooth cresceu tanto que foi necessário construir uma igreja para acomodar mais de duzentos membros.

Guilherme Carvosso nessa época resolveu dedicar todo o seu tempo ao serviço do Senhor. Passava semanas e, às vezes, meses fora de casa, visitando o povo de casa em casa. Vivia entre o povo. Visitava os doentes e os confortava nas últimas horas. Milhares de peregrinos por este mundo foram estimulados por ele e encorajados a buscar a perfeição crista. Pelas suas conversações conseguia mais numa hora do que conseguiriam as pregações numa vida inteira. Famílias inteiras foram conquistadas por ele. Tinha dons e jeito para conversar sobre religião; era isso, para ele, a coisa mais natural, ele vivia no capitulo oito da carta aos romanos. Em 1818, quando tinha quase sessenta anos, escreveu o seguinte:

"Estou a dez semanas em viagens entre as igrejas. Passei as primeiras semanas em Camborne. Estive ali com todas as classes. Visitei Wall e fui grandemente abençoado entre os amigos dali. Depois de passar alguns dias com bons amigos em Breage, fui a Manehole, onde me alegrei, vendo a grande obra de Deus manifestada na convicção e conversão de pecadores. Era meu intento passar só uma semana nesse lugar, porém a obra do Senhor se manifestou entre eles e meus amigos não me deixaram partir. Como é meu costume, eu ia pregando de casa em casa, e creio que Deus nunca me abençoou tanto em meus esforços como nessa ocasião Em uma casa encontrei uma pobre penitente, a cujo coração quebrantado o Senhor revelou a sua misericórdia caímos de joelhos para dar gloria. a Deus pelo que Ele fez. E um irmão dessa moça, que estava presente, caiu de joelhos e começou a orar, pedindo a misericórdia de Deus. Antes de eu sair da casa, o Senhor libertou também a sua alma. Falando disso em outra casa, uma senhora abalada na fé sentiu-se tocada. No dia seguinte, quando eu a vi, estava pronto a voltar e entregar-se de novo a Deus. 'Houve também uma obra' gloriosa entre as crianças na Escola Dominical. Só aqueles que têm testemunhado tal avivamento podem apreciá-lo" (Steven. Vol. III, p. 281-282).

Alguém o comparou a São João, porque, na sua velhice, Carvosso ia de casa em casa, levando nos lábios conselhos de humildade e amor. Todo o condado de Cornwall sentiu a sua influência. Foi guia de classe, ecônomo, depositário dirigente de cultos de oração, mas não quis ser pregador Foi homem santo, simples, inteligente e amoroso e, por onde andava, deixava saudades. O trabalho prosperou na zona onde ele morava. Quando fez sua Profissão de fé, havia só duas zonas e sete pregadores em quase ' todo Cornwall, mas, quando faleceu, havia treze zonas, vinte e cinco pregadores itinerantes, trezentos pregadores locais e dezenove mil membros nas Sociedades. Guilherme Carvosso morreu triunfante na fé aos oitenta e cinco anos de idade, dos quais sessenta e quatro andara com Deus. Foi leigo que viveu uma vida apostólica, exemplificando virtudes cristas. Homens, leigos como ele, são as garantias de triunfo do cristianismo no mundo.

Já mencionamos alguns leigos para mostrar que contribuíram generosamente para o progresso do Metodismo no mundo. Ao lado dos leigos devemos mencionar os nomes de algumas mulheres que adornaram as Sociedades Metodistas. As mulheres não tinham permissão de pregar nas sociedades, naquela época, mas serviam na qualidade de guias de classe, dirigentes de cultos de oração, visitadoras aos doentes e professoras. Wesley julgava que havia mulheres que possuíam o dom de pregar. As páginas da história do Metodismo estão perfumadas pela piedade, devoção, sacrifício e amor das mulheres santas cujos nomes estão indelevelmente registradas nelas.

Já falamos em Susana Wesley, que pode ser chamada a mãe do Metodismo. Foi a influência dela sobre seus filhos que traçou o rumo que tomaram. João Wesley, vendo que Deus se utilizava de mulheres na conversão de pecadores, perguntou a si mesmo: "Quem sou eu para resistir a Deus?" Desde os dias de Cristo e dos apóstolos tem havido as Marias, as Madalenas, as Joanas e as Susanas que têm assistido à Igreja com os seus bens, e com sua dedicação E a mesma coisa se deu nessa época, na história do Metodismo.


h) Maria Bosanquet (1739-1814).
Maria Bosanquet nasceu de pais ricos, em 1739. Desde a meninice mostrou sentimentos religiosos. Ela perguntava a si mesma: "Que posso eu ser? Sei eu que sou pecadora e que tenho fé em Cristo?" Assim a sua mente logo se preocupou com a religião e pode responder a sua pergunta com alegria: "Eu sei, eu confio em Jesus, Deus me considera justa pelo que tem feito por mim e perdoou os meus pecados". Desde a mocidade teve uma idéia clara do Cristianismo.

A sua família gostava da alta sociedade e tinha de participar das etiquetas da sociedade de Bath e Londres. Ela, porém, não tinha prazer nessas coisas. Um dia ouviu uma conversa entre sua irmã e uma empregada metodista, o que a confirmou na fé. O que ela ouviu nessa conversa determinou a sua carreira na vida.

Tinha um namorado rico e de alta posição na sociedade. Os pais queriam que ela o aceitasse, mas o caráter dele era o de um marido que para ela nem lhe proporcionaria vida cristã ideal. Nessa época chegou a conhecer algumas senhoras metodistas inteligentes de Londres. O contacto que teve com essas mulheres a levou a abandonar a vida social e frívola para dedicar-se inteiramente a Cristo. Depois de tomar essa
resolução, experimentou a presença doce de Jesus e queria ser santa e dedicada ao seu adorável Salvador.

Por causa da sua fé e da sua concepção da vida cristã os pais ficaram contrariados com ela. O pai pediu-lhe que nunca falasse com seus irmãos sobre religião, ela porém, não quis prometer-lhe. Tendo atingido já a maioridade, o pai lhe deu a parte que lhe tocaria por herança a ela, e com pesar dos seus pais, retirou-se do lar.

Mudou-se para uma casa pouco distante. Ajustou uma empregada e resolveu cuidar de algumas viúvas pobres e desamparadas. Identificou-se com os metodistas e dedicou-se ao serviço dos órfãos e dos pobres, confirmando a doutrina da santificação e a doutrina da justificação pela fé que ela professava.

Tendo uma propriedade desocupada em Laytonstone, mudou-se para lá e abriu uma escola para os órfãos desamparados. Tornou-se aquele lugar um ponto de pregação dos itinerantes metodistas. Logo foi organizada uma sociedade de vinte e cinco membros e os pregadores sempre achavam ali um lugar de repouso. Wesley freqüentemente visitava Laytonstone. Em 1767, quando fazia ali uma visita, disse: "Oh! que casa de Deus se encontra aqui! Não somente pela decência e ordem, mas também pela vida e pelo poder da religião. Temo que haja poucas casas tais no reino da Inglaterra".

Mais tarde ela comprou uma grande propriedade em Cross Hall, em Yorkshire, e transferiu a sua instituição para lá. O trabalho aumentou e havia tantas pessoas que não havia lugar para acomodá-las. Wesley visitava Cross Hall como visitava Laytonstone e disse que seria modelo para o país.

Maria Bonsanquet entrou então na fase mais ativa e frutífera da sua vida. Era eloqüente, tornou-se guia de classe e diretora de uma grande instituição. As suas auxiliares foram miss Grosby e miss Tripp. Ela e suas auxiliares seguiam os conselhos de Wesley. Ele não lhe condenou o costume de pregar, considerando que tinha ela uma vocação toda especial. Ela sempre mostrou bom senso em todo o seu trabalho.

João Fletcher chegou a conhecê-la muitos anos antes de casar-se com ela. Mas não manifestou sua afeição por ela, porque não queria prejudicar o seu trabalho. Houve alterações nos planos dela; era chegado o dia para Fletcher externar-lhe os seus sentimentos. Foi correspondido. Casaram em novembro de 1781.

Foram muito felizes na sua vida conjugal. Durante os quatro anos de casados abriram novos pontos de pregação na paróquia de Madeley. Empregaram todas as suas economias no socorro dos pobres. A influência do casal estendeu-se por toda a paróquia e por outros lugares que visitaram.

Depois da morte do seu marido, ela continuou o trabalho em Madeley por mais vinte e nove anos. Sua casa foi um centro de grande atividade espiritual. Não somente hospedava os pregadores, mas ela mesma dirigia cultos. As suas palestras eram edificantes e bem freqüentadas. Todos os anos celebrava o aniversário do seu casamento. Em 12 de novembro de 1809, cinco anos antes da sua morte, ela disse: "Hoje faz vinte e oito anos que nesta mesma hora, dei minha mão e meu coração a João Guilherme de La Fletcher. Um período de proveito e de felicidade! Neste momento sinto uma afeição mais terna por ele do que naquela ocasião e pela fé coloco agora a minha mão sobre a mão dele". (Stevens, Vol. III, p. 226).

Faleceu a 9 de dezembro de 1814, deixando uma influência ainda hoje sensível nos arraiais metodistas.


i) Ann Cutler.
Ann Cutler foi notável pelo seu poder na oração. Trabalhou no distrito de Beadford, sob a aprovação de Wesley. Era uma moça prudente, dócil, diligente e religiosa. Dedicou a sua vida inteiramente a Deus. Se fosse da Igreja Romana, teria sido canonizada pela sua piedade. Deixou de pensar em casamento já no princípio da vida, para dedicar-se ao trabalho da Igreja.

É o seguinte o pacto que ela fez com Deus: “Sou tua, bendito Jesus, inteiramente tua! Não quero mais ninguém, quero só a ti. Dá-me força para evitar toda a aparência do mal. Conserva puro o meu olhar; as minhas palavras puras; uma virgem sempre casta para ti. Eu to prometo, com os joelhos em terra; se quiseres ser meu, eu quero ser tua e não reconhecer mais ninguém além de ti. Amém". (Stevens, Vol. III, p. 116).

Raras vezes falou em público; dedicou-se à oração em público e em particular. Levantava-se às quatro horas para orar por si mesma, pelas sociedades, pelos pastores e pela Igreja.

Bramwell, que publicou uma obra a seu respeito, disse: "Ela veio visitar-nos pm Drewsbury, onde a vida religiosa tinha sido e ainda era muito fraca. Dessa zona diversas pessoas se prejudicaram por causa de divisões. Ann Cutler reuniu-se conosco em oração contínua a Deus, pedindo um avivamento da sua obra. Diversas pessoas, que tinham preconceitos, ficaram comovidas e em agonia, clamaram por livramento. O trabalho continuou e mais de sessenta pessoas da cidade de Drewsbury foram santificadas e andaram naquela liberdade. Nossos ágapes de amor ficavam repletos e pessoas de todas as regiões próximas nos visitavam. Grande número encontrou o perdão e alcançou o amor perfeito. O trabalho estendeu-se até Gleetland.”

“Ann Cutler foi a Bristol e foi ali igualmente abençoada. Visitou a zona de Leeds e lá também houve despertamento. O Senhor abençoou o trabalho dela, e começou um grande avivamento, que se estendeu por toda a redondeza. Freqüentemente dez, vinte ou mais pessoas eram salvas em uma reunião. “

“Ela e mais algumas pessoas foram igualmente abençoadas nas regiões de Bradford e Otley. Aonde ela ia, o poder maravilhoso de Deus se manifestava como resultado das suas orações. Isso foi prova para nós de como Deus usa meios simples e instrumentos pequenos para realizar a sua obra gloriosa". (Stevens, Vol. III, p. 115).


j) Hester Ann Rodgers
As "Memórias" de Ann Rodgers têm exercido grande influência na Igreja Metodista, especialmente entre as pessoas do sexo feminino. Era esposa de um dos pregadores itinerantes. Viajou e trabalhou na Inglaterra e na Irlanda. A obra de evangelização de Hester Ann Rodgers foi tão abundante e frutífera como a do seu marido. A sua experiência religiosa caracteriza a dos metodistas mais espirituais. Professou a experiência da santificação ou do amor perfeito. Mantinha correspondência com João Wesley e João Fletcher, o santo do Metodismo. Uma vez, estando em sua companhia, ouvindo-a expressar-se sobre esta doutrina e tomando-a pela mão, este lhe disse: "Glória a Deus, minha irmã, porque dá, ainda um nobre testemunho do Senhor. Está arrependida de ter professado a salvação?" Ela respondeu: "Bendito seja Deus, não me arrependo". Ao retirar-se, da sua companhia, tomando-a pela mão e erguendo os olhos para o céu, disse: "O Todo Poderoso a abençoe". "Pareceu-me", ela escreve, "que Deus naquele mesmo instante respondeu e deixou cair na minha alma um raio de glória! Fiquei cheia de humildade e amor; sim, minha, alma toda transbordou duma doçura inexplicável”. (Stevens, Vol. III, p. 102). Tinha, por natureza, um gênio bom e sob a influência do Espírito de Deus, tornou-se toda bondade.

Era guia de três classes e, por isso, tinha de realizar três reuniões por semana. Às vezes pregava nessas ocasiões com grande proveito. Os resultados eram imediatos, Deus derramava seu Espírito sobre o povo.

Nos últimos anos de vida de João Wesley ela morava com sua família em City Road Chapel e generosamente cuidava de Wesley e sua casa.

Morreu em 1794, ainda jovem, com trinta e nove anos de idade. Sua morte foi comovente: depois de dar à luz seu quinto filho, faleceu. Seus últimos momentos e sua despedida de amigos e do esposo foram tocantes Morreu triunfante na fé. Uma das melhores apologias que Wesley apresentou de sua obra foi "os metodistas morrem bem'".


k) Elizabeth Walbridge —“A Filha do Leiteiro".
Mencionamos Elizabeth Walbridge, não porque tenha ocupado um lugar de destaque no mundo intelectual ou social, mas porque foi uma das pequeninas e obscuras filhas de Deus que souberam honrar seu lugar como empregada, /como filha obediente, como cristã que conhecia a Deus e como ganhadora de almas para Cristo.

Um capelão, impedido de embarcar, pregou um domingo numa capela. A moça, para mostrar seu vestido novo e para satisfazer a sua curiosidade, pediu licença a patroa para assistir ao culto. Foi-se cheia de si com o seu vestido novo. Um vestido luxuoso e enfeitado demais para sua posição.

O pregador tornou para seu texto I Pedro 5:5 "cingi-vos todos de humildade'”. Ela ficou envergonhada consigo mesma, ouvindo o pregador comparar o vestuário do corpo com o da alma. "Eu tremia enquanto ele falava, disse ela, e ao mesmo tempo sentia profunda atração às palavras que ele dizia. Ele me abriu a riqueza da graça divina, mostrando-me o processo pelo qual Deus salva o pecador. Fiquei impressionada com aquilo que eu tinha feito durante todos os dias de minha vida. Ele lembrou o exemplo humilde de Cristo meigo e manso; então senti quão pretensiosa era a minha vaidade e meu orgulho. Ele representou Cristo como sabedoria e eu sentia a minha ignorância; ele levantou Cristo Como justiça e eu estava convicta da minha culpa; ele demonstrou ser Cristo a satisfação e eu via a minha corrupção; ele o proclamava como redenção e eu me sentia escrava do pecado, presa de satanás. Daí concluiu ele com um ardente apelo aos pecadores, exortando-os a fugirem da ira vindoura, abandonando o amor aos adornos exteriores, revestindo-se de Jesus Cristo e adornando-se com a verdadeira humildade”.

“Daquela hora em diante não mais deixei de sentir o calor de minha alma e o perigo de um coração pecaminoso. Dentro de mim louvava a Deus pelo discurso, embora tivesse a minha mente num estado de grande confusão". (Richmond, p. 99-100).
A experiência desta moça revela o espírito do Metodismo que penetrava todas as camadas da sociedade e ganhava almas para Cristo. Essa moça ocupava uma posição humilde na sociedade, mas possuía um coração cheio de vaidade feminina. Ouvindo um sermão de um pregador metodista, caiu em si, arrependeu-se das suas vaidades e tornou-se crente fervorosa e exemplar. Cuidou de levar e de fato levou seus pais e seus irmãos a Cristo. Morreu triunfante na fé. Um de seus irmãos tornou-se pregador local e serviu nesse trabalho por quarenta anos, na ilha de Wight. Ao lado da casa em que ela morou fica uma capela metodista.

O folheto "A Filha do Leiteiro" — escrito pelo rev. Leigh Richmond, narrando a sua experiência, e alguns fatos na sua vida tem contribuído para converter e confortar milhares de pessoas. Já foi traduzido para mais de trinta línguas.


II) Alguns ajudantes clérigos.
Além dos ajudantes leigos, havia alguns ajudantes vindos do clero da Igreja Anglicana. Mas seu número era pequeno.

Na ocasião da primeira Conferência Metodista que se realizou em 25 de junho de 1744, em Foundry, Londres, havia quatro clérigos, não incluindo João e Carlos Wesley. Estes quatro eram João Hoges, Henrique Piers, Samuel Taylor e João Meriton, todos ministros da Igreja Anglicana e ordenados.

Além deles havia mais alguns que eram simpáticos ao movimento metodista e cooperavam com Wesley nas suas paróquias. Entre esses pode mencionar-se Benjamin Colley, Vinent Perronet, João Richardson, Beard Dickinson, James Creighton, Tomaz Vassey, Guilherme Grimshaw, João Fletcher e Tomaz Coke. Os três últimos prestaram serviços especiais a Wesley e ao movimento metodista.


a) Guilherme Grimshaw (1708-1763).
Guilherme Grimshaw foi nomeado vigário anglicano em Haworth, em Yorkshire (1742). Abriu sua igreja aos metodistas. Grimshaw foi nomeado superintendente da região de Haworth, tendo Nelson e Schofield como colegas. Alguns do clero procuraram persuadir ao bispo a não permitir que Grimshaw trabalhasse com os metodistas, mas sem resultado. Fora bom pregador e seus sermões produziam bom resultado. Era rigoroso na disciplina em sua paróquia e queria obrigar seus paroquianos a assistir aos cultos. Mas era homem caridoso e sempre se interessava pelos pobres. Esforçado, frugal e devotado, não deixou de ser bom cristão e bom pastor. Pregava nas suas viagens como itinerante, às vezes mais de trinta sermões por semana. Assistia às Conferências de três em três anos, quando eram realizadas em Leeds. Mostrava prazer especial em hospedar os pregadores metodistas. Sendo-lhe vedado convidar os pregadores metodistas para ocuparem o seu púlpito, construiu, perto da sua igreja, uma capela onde podiam pregar.

b) João Fletcher (Jean Guilherme de la Fletcher, 1729-1785).
João Fletcher nasceu em Nyon, na Suíça, em 1729. Era de uma família nobre de Savóia. Teve boa instrução. Estudou para o ministério, mas, por causa da teologia calvinista, não quis entrar no ministério da Suíça. Resolveu seguir a carreira de militar. Foi à Portugal, onde recebeu comissão de capitão para o Brasil, mas, por causa dum acidente, perdeu o navio e não pode seguir viagem.

Desapontado, resolveu ir à Holanda, onde queria entrar no serviço militar, porém a guerra cessou e não conseguiu serviço militar. Foi para a Inglaterra, onde conseguiu uma colocação como preceptor numa família inglesa. Ali teve boas relações com a família Hill e aprendeu a língua inglesa.

Homem religioso, ouviu falar nos metodistas e quis saber quem eram eles. Disseram-lhe que os metodistas eram pessoas que oravam dia e noite. "Então", disse, "hei de achá-los, se estiverem sobre a face da terra". Encontrou os metodistas e ficou gostando deles. Ordenou-se na Igreja Anglicana e logo se ofereceu para ajudar a Wesley no seu trabalho. Aceitou a sua nomeação para a paróquia anglicana de Madeley, onde passou o resto da sua vida. Encontrou o povo rude e quase sem religião e deixou a paróquia cheia de gente cristã.

Ajudou a João Wesley na administração dos sacramentos, na evangelização e na defesa das doutrinas, especialmente na obra que escreveu chamada "Flethcher's Checks". Como polemista, mostrou tolerância e espírito cristão, mas era um valoroso defensor da verdade.

Casou-se já velho e, depois de quatro anos de felicidade no seu lar, morreu de tuberculose. O nome de Fletcher é conhecido entre todos os metodistas. Por algum tempo serviu como reitor honorário do Seminário de Treveca, que estava sob a administração de Lady Huntingdon.

c) Tomaz Coke (1747-1814).
Tomaz Coke nasceu em Breco, País de Gaules, em 1747, de pais piedosos, bem colocados na sociedade. Tomaz era o único filho e recebeu boa educação na Universidade de Oxford. Estudou direito, mas depois resolveu entrar no ministério. Aceitou ordenação e nomeando para a paróquia de South Petherton, Somersetshire. Ficou ali por algum tempo, mas por causa do seu entusiasmo e de suas pregações evangélicas, foi privado de paróquia. Como já conhecia os metodistas por intermédio de um leigo, procurou Wesley para receber orientação. Wesley o recebeu como ajudante ou auxiliar.

O homem de que Wesley precisava aparecia agora em cena, enviado por Deus. Sobre este ponto escreveu Wesley: "Aqui achei um clérigo, o dr. Coke, recente cavalheiro, deputado do Colégio de Jesus, de Oxford, que viajou vinte milhas para conversar comigo. Conversei muito com ele e começou então entre nós uma comunhão que espero jamais acabará" (Townsend et al. Vol. I, p. 320).

Há muito o que falar de Tomaz Coke. Mas faremos isso noutro momento.


______________________________________________________
(*) Texto extraído das páginas 103 a 132 do livro História do Metodismo, de Paul Eugene Buyers, publicado pela saudosa Imprensa Metodista em 1945.

Voltar


 

Copyright 2006® todos os direitos reservados.