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Pentecostes
Rio, 23/4/2008
 

O Pentecostes e seus sinais (Atos 2.1-13)

Bispo Paulo Lockmann


 


Nos anos anteriores, viemos mostrando os aspectos histórico-teológicos do Pentecostes. Neste ano de 2008, preciso enfatizar aspectos mais práticos, os quais caracterizam a Igreja como Igreja de Cristo.

Considerando que freqüentemente se levantam discussões sobre a identidade da Igreja, discussão que sempre será interminável, visto que o lugar histórico é determinante nos destaques e valores que colocamos sobre a Igreja. Especialmente acerca do Pentecostes e do nascimento da Igreja, deteremo-nos apenas no que está óbvio no texto.


1) "Ao cumprir-se o dia de Pentecostes" (Atos 2.1)

A menção à festa da Colheita (cf. Ex 23.16) ou Pentecostes se incluía na seqüência de 7 semanas após a Páscoa (cf. Nm 28.26). Esta alusão nos remete a um momento histórico, tempo em que a espera pela colheita se encerra, e o povo celebra os primeiros feixes, pois vê fidelidade do Deus que cumpre suas promessas. “Relataram a Moisés e disseram: Fomos à terra a que nos enviaste; e, verdadeiramente, mana leite e mel; este é o fruto dela.” (cf. Nm 13.27). Assim como a natureza cumpre um processo natural para produzir seus frutos, nos propósitos e promessas de Deus, há também um ciclo histórico, ou nós participamos cooperando com nosso compromisso, ou retardando com nossa desobediência. Que grande responsabilidade está posta sobre nós – a Igreja!


2) "...estavam todos reunidos no mesmo lugar" (Atos 2.1)

A comunidade cristã se compunha de cerca de 120 irmãos. Vivia intimidada pela ameaça dos judeus, mas, embora tímida e reclusa, estava unida e unânime na busca das promessas de Deus (cf. Lc 24.49; At 1.8).

Se considerarmos a seqüência de Atos dos Apóstolos, o texto é claro: “...da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum. Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça, pois nenhum necessitado havia entre eles, porquanto os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondentes...” (At 4.32-34). Essa é uma Igreja que faz a diferença. Uma Igreja assim é que o povo procura. É notório que a Igreja primitiva caracterizou-se por isso – unidade, solidariedade e intrepidez no pregar o Evangelho. Nessa Igreja, o amor é evidente; é o diferencial que exala da Igreja para a sociedade.

João Wesley organizou a festa do amor, visando a fortalecer a comunhão e o apoio mútuo. Ele relata, em seu diário, momentos desses; vejamos um: "Hoje, também nós nos reunimos, Deus manifestou o seu poder, mas particularmente em nossa festa do amor. A simplicidade com que muitos falaram, declarando a maneira como Deus lhes tinha tocado, inflamou o coração de outros, e a chama se espalhou mais e mais, e, tendo ficado uma hora a mais do que o costume, estavam constrangidos por ter de separar-nos".

Hoje, é constrangedor para nós admitirmos que a divisão na Igreja, e os motivos são, em geral, os mesmos que Jesus enfrentou com os discípulos: "Suscitaram entre si uma discussão sobre qual deles parecia ser o maior" (Lc 22.24). Jesus prestes a ser preso e a preocupação de alguns dos discípulos era quem seria o maior, ou quem exerceria mais poder. Judas traiu por isso, Pedro negou também, por isso, querendo se projetar, se apresentou como maior que os companheiros e acabou negando Jesus. Dinheiro e poder continuam a ser a vergonha da Igreja Evangélica no Brasil, rompendo a comunhão, acabando com o amor entre os irmãos, enfraquecendo o amor e a intrepidez com que a Igreja deveria pregar o Evangelho.


3) "De repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados" (Atos 2.2)

O vento é um sinal bíblico da presença do Espírito Santo. No Antigo Testamento, ele é sinal de princípio de vida (cf. Gn 6.3) e o Ruah de Deus, o sopro (alento) de Deus; no Novo Testamento, Ele é o Pneumatos Agion (cf. At 2.4), o Espírito Santo, que é o sopro santo de Deus, ou vento santo de Deus. Fortalecedor, encorajador, mobilizador, esse era o vento do dia de Pentecostes, sim era dia do Espírito Santo; a promessa feita a Joel (cf. Jl 2.28) estava se realizando. Que experiência tremenda para a Igreja!

Outra característica do texto, e que marcou esse dia de Pentecostes, é ter o Espírito Santo enchido toda a casa onde estavam assentados. Ninguém ali foi só assistente, ou contemplador do que ocorria. Há pessoas que vão à Igreja para assistir ao culto; o Espírito vai operar, mas ele vai assistir; não tem expectativa de que o Espírito mova sua vida. O Espírito Santo que é dado em Pentecostes é inclusivo: ninguém pode ficar de fora, ele é impetuoso e arrebatador. No texto não diz que "todos ficaram cheios do Espírito Santo... menos a irmã fulana, pois não quis.". Infelizmente, hoje há quem não queira , foge de uma reunião de vigília, de consagração e busca de poder, tem medo de ser arrebatado pelo vento do Espírito e lançado em situações radicais da missão.

Eu quero dizer a todos vocês que minha oração mais freqüente é a seguinte: "Faz de novo, Senhor, enche-me com teu Espírito Santo, incendeia minha alma, faz de mim um ganhador de vidas para o teu reino, pelo poder do teu Espírito Santo". Um dos hinos que repetidas vezes canto em meu momento devocional é o de número 47 do HE:


4) "E apareceram distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles" (Atos 2.3)

Todos nos recordamos do profeta precursor, João Batista que profetizou acerca de Jesus, dizendo: “Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.” (Mt 3.11; Lc 3.16). E foi isso que aconteceu no dia de Pentecostes: línguas de fogo desceram sobre cada um deles, ou seja, toda a Igreja recebeu o batismo de fogo e o Espírito Santo. Ninguém ficou de fora; Deus não espera que isso ocorra jamais: “Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar”. (At 2.39).

Em todos os avivamentos na história da Igreja, ou na vida de homens de Deus que foram usados pelo Espírito Santo, há notória referência ao fogo do Espírito Santo. Nós, cristãos, somos inflamáveis, somos como combustível, se alguém cheio do Espírito Santo se acerca de nós, ou começa a pregar a nós, algo dentro de nós se acende: é o Espírito que está em nós, nossa natureza foi feita para ser colocada em chamas pelo Espírito Santo. Somos espiritualmente mais abençoados quando nos deixamos incendiar pelo Espírito.
João Wesley, indagado sobre como fazia para conquistar suas imensas multidões de ouvintes, respondeu: “Se o pregador queimar, outros aparecerão para ver o fogo” .
“Benjamim Franklin confessou que muitas vezes ia ouvir George Whitefield, porque podia vê-lo queimar diante dos seus olhos”, Deus previa isso já no Antigo testamento: “Eis que converterei em fogo as minhas palavras na tua boca” (Jr 5.14).

O grande pregador inglês Dr Martyn Loyd Jones dizia acerca da pregação: “A pregação é a teologia procedente de alguém que está em chamas”.

O general William Booth, fundador do Exército da Salvação, insistia com seu povo: “A tendência do fogo não abastecido é apagar-se, vigiem o fogo no altar do seu coração”.
A presença do fogo na vida do crente, no meio da congregação, é o que diferencia a igreja de um clube religioso. “Se quisermos ser uma força irresistível de Deus, onde Ele nos colocou, precisamos do batismo de fogo do Espírito. Se quisermos acordar nossa igreja adormecida”. Carecemos de um novo pentecostes de modo que desçam sobre nós as línguas de fogo, e despertem a nossa fé, nossa paixão pelas vidas sem Deus, isto o Pentecostes fez, a chama está disponível, basta buscarmos, querermos ardentemente. Ele virá com poder, com fogo, e dará uma grande colheita de vidas, afinal Pentecostes é fogo de Deus, mas é também colheita. Que tal 1.000.000 de discípulos (as)?

Deus seja contigo.

Bispo Paulo Lockmann


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