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Rio, 24/4/2008
 

O Cristão e a Yoga (Pr. Marcelo Carneiro)

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OBS: Pesquisa realizada a partir do livro La Puerta de la Sabedoria – yogas contemplativos y curativos, taoístas y budistas, adaptados para los praticantes occidentales de la Via, John Blomfeld


1.1. A yoga taoísta:

O taoísmo é uma religião oriental deísta, pois afirma que o cosmos está repleto do mistério divino. Tudo está em Deus.

Os principais conceitos taoístas são:
• Não há dualidade – tudo veio de uma só matriz, a Mãe dos céus e da terra;
• Yin e Yang, as duas expressões provenientes da mesma fonte;
• Mudança perpétua, pois nada é imutável, e todas as coisas se completam;
• Mundo dos imortais e a volta à Fonte, como objetivo máximo de vida após à morte.

Existe uma Via a seguir. Uma forma de viver que conduza o praticante ao objetivo máximo. Esta Via é alcançada por:
• Regime alimentar moderado;
• Beber moderadamente, nunca se embriagar;
• Pouco sexo;
• Igual preocupação com a mente e o corpo;
• Local adequado para cultivar a espiritualidade.

A yoga é o meio pelo qual o praticante tem contato com o mundo dos imortais, e o princípio básico para o taoísta alcançar a Via.
É uma técnica de meditação/contemplação pela qual ele irá se soltar do mundo.

Se caracteriza por:
• Diversas posições para sentar, de acordo com o objetivo que se queira alcançar.
(exitem mais de 30 posições, como nas lutas marciais)
• Uma maneira específica de respirar, também havendo variações;
• Quietude da mente;
• Paciência com relação ao tempo.

Outros aspectos:
• Cria uma comunhão íntima com a natureza;
• Faz a pessoa aceitar as coisas como são, por serem parte de um todo;
• Há uma ligação entre a yoga e o I Ching, pois abre a mente da pessoa para as adivinhações e premonições;
• Pode levar o praticante a ter sonhos proféticos.

A yoga também serve como técnica curativa, que visa a “autocuração”, a cura do outro e a cura em grupos.

Análise: A yoga taoísta está diretamente relacionada a uma postura e uma aceitação da religião. Há uma invocação de espíritos no ritual de meditação, e são eles provavelmente que realizam as curas. Há aspectos interessantes na yoga, porém um princípio básico contraria as Escrituras, o auto aperfeiçoamento do ser humano, sendo ele próprio capaz de solucionar seus problemas. Nossa fé tem por fundamento exatamente o fato de que “todos pecaram” e carecem da graça divina para sair de seu estado decadente, o que se dá pela fé em Cristo Jesus. Assim sendo, em Cristo somos levados a uma posição de santificação e transformação.

1.2. Yoga budista:

Princípios gerais do Budismo:
Não dois – o mesmo que ausência de dualidade;
Ausência de dogmas. Por isso, não é necessário tornar-se budista para praticar a yoga;

Forma e vazio – conceito de difícil assimilação pelos ocidentais, posto que afirma haver uma essência maior que as coisas, onde tudo se está contido;

A mente única. Para o budismo, há uma mente transcendente, de onde todos compartilham as idéias;

Karma e renascomento – há um bom karma, quando todas as coisas se movem para que a pessoa seja altruísta e bondoso, e um mal karma, quando tudo conspira para que a pessoa seja egoísta e maldosa.

Há no budismo uma busca do bom – através da busca das nobres verdades:
1. A vida é inseparável do sofrimento;
2. O sofrimento tem uma causa – o desejo/versão imoderados;
3. O sofrimento pode ser mitigado pela cessação do desejo/aversão imoderados;
4. Sua cessação se alcança graças a coisas corretas, práticas corretas, opiniões corretas, etc..

No Budismo, não há o EU, visto serem todos parte de uma mente única. Esta dimensão é o Nirvana, onde estão os seres iluminados – não divindades – que orientam e iluminam os mortais não iluminados.

• O método do budista para chegar ao Nirvana:
• Moderação no comer;
• Não bebem bebidas alcoólicas, somente em refeições;
• Sexo com moderação. Não são adeptos do celibato, para que não alimentem o desejo carnal, mas também proíbem o sexo desordenado, mesmo dentro do matrimônio;
• Proíbe o uso de qualquer droga que possa tirar a consciência;
• Não obriga o budista a tornar-se monge, mas este deverá exercer uma profissão honesta.

De preferência, deve morar em locais em que haja contato com a natureza.

Objetivos do budista:
1. Aprender o modo de erradicar os desejos e aversões desordenadas;
2. Transmutar (não suprimir) todas as qualidades negativas, como as paixões e os enganos;
3. Estimular o fluxo da sabedoria intuitiva;
4. Reconhecer a santidade de todo o cosmo desde um pequeno inseto ou uma moita;
5. Expulsar o demônio do EU e cultivar a compaixão;
6. Dar alguns passos até essa plena auto-realização que conduz à liberdade e à iluminação.

Assim como na yoga taoísta, a yoga budista pode ter efeitos curativos, e é iniciada por invocações de mantras, que invocam forças, para conduzir o praticante à iluminação.

Análise: assim como no taoísmo, o budismo coloca o homem como auto- suficiente, o que contraria o princípio cristão. Além disso, o cristão não crê em Karma, visto que há redenção e Vida em Cristo, que pode mudar qualquer situação. Alguns princípios taoístas e budistas não diferem muito das regras gerais que os metodistas têm como premissa de conduta cristã. Por isso mesmo, apenas temos a forma de piedade não nos leva a uma situação muito diferente de um budista ou praticante do taoísmo. Mais uma vez, torna-se clara a necessidade de alimentarmos uma prática de fé viva, orientada pelas Escrituras, onde experiência, razão, criação e tradição estejam fundamentando a prática da comunidade.

Análise da yoga como técnica meditativa: Alguns aspectos da Yoga são bastante interessantes, pois o praticante irá desenvolver uma respiração e uma postura saudável, além de estimular uma disciplina pessoal em termos de alimentares e de vida. As invocações só são necessárias para os pacientes das religiões, e a prática da yoga meditativa em si não significa perigo para o cristão. No entanto, é desaconselhável para cristãos novos o estudo ou prática em grupos claramente orientados pelas vertentes taoístas ou budistas, pois certamente farão invocações a entidades espirituais, além de orientações que podem confundir as doutrinas cristãs.

Mesmo para os cristãos experientes, deve haver sabedoria e prudência quanto à adesão.

De um modo geral, a prática devocional e o jejum podem muito bem exercer este papel de reguladores da mente e do espírito.

Pr. Marcelo Carneiro, escrito por volta do ano 2000, quando era pastor coadjutor na Igreja Metodista de Vila Isabel.

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