IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 24/4/2008
 

1789: O Metodismo é levado para a Nova Inglaterra, uma das 13 colônias inglesas nas Américas (Paul Eugene Buyers)

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O METODISMO LEVADO PARA A NOVA INGLATERRA

A zona mais adiantada entre as treze colônias originais foi a mais difícil de evangelizar que os pioneiros metodistas encontraram — a Nova Inglaterra. O Metodismo já tinha penetrado os estados do sul e os do centro, porém os estados da Nova Inglaterra não haviam sido conquistados. Missionários já tinham sido enviados para a Nova Escócia, Canadá e Antigua, mas a Nova Inglaterra ainda estava fora do programa dos metodistas. Finalmente chegou o tempo de iniciar a evangelização dos calvinistas e congregacionalistas da Nova Inglaterra.

Apareceu um homem que se sentia chamado para levar a mensagem de Deus àquele povo. Por muito tempo tinha pensado nessa missão. Ficou satisfeito, quando o bispo Asbury o nomeou para aquele campo, na ocasião da Conferência realizada em Nova York, em maio de 1789. Jesse Lee foi nomeado para Stanford. Era a única nomeação para toda a nova Inglaterra.

Jesse Lee era forte, robusto, inteligente e jeitoso para o trabalho. Bem sabia ele que o campo era duro e difícil, mas tinha a convicção de que tinha sido chamado para aquele trabalho.

Três grandes empecilhos tinha de enfrentar na conquista daquela terra: 1) era homem do sul e como os nortistas consideravam se mais adiantados do que os sulistas, não queriam aceitar instrução do povo do sul; 2) era arminiano na teologia e não havia outra doutrina mais odiada pelos calvinistas, descendentes dos puritanos do Mayflower, do que essa; e, 3) finalmente, Lee não era homem de grande cultura e, portanto, não podia ensinar aquele povo coisa alguma.

Além dessas três dificuldades, havia uma complicação na vida do povo da Nova Inglaterra. A terra tinha sido dividida em paróquias e os habitantes tinham de pagar imposto para sustentar os párocos. O clero dominava a política tanto na vida civil, como na religiosa. Qualquer inovação entre o povo que afetasse esses interesses seria combatida por ele.

Jesse Lee tinha, pois, uma tarefa gigantesca diante de si. Levou consigo a sua biblioteca que consistia da Bíblia, da Disciplina e do hinário. Conhecia bem Fletcher's Checks e podia discutir com habilidade os "Cinco Pontos" do Calvinismo. A situação de Lee era semelhante a de Davi, quando enfrentou o gigante Golias.

Podia defender a sua doutrina e pregar com facilidade, porém a coisa mais difícil que encontrava era a falta de hospitalidade por parte do povo. Raras vezes recebia convites para hospedar-se em casas particulares e, quando recebia, era tratado com frieza. Por exemplo, uma vez foi convidado para passar a noite num lar. Quando entrou na casa, ninguém lhe ofereceu uma cadeira; quando chegou a hora de assistir ao culto, ninguém queria ir; quando voltou do culto, quase ninguém conversou com ele; o chefe da casa realizou o culto doméstico, mas ele não recebeu convite para participar dele; e no dia seguinte a família dormiu até tarde, tendo ele de partir cedo, sem comer coisa alguma.

Não podia achar lugar para pregar em muitas cidades e vilas, senão debaixo de árvores. Uma vez ou outra arranjava uma escola, celeiro ou palácio do governo, onde podia pregar. Chegando a Norwalk, pediu licença para pregar numa casa particular, mas foi-lhe recusada; pediu permissão para pregar numa casa desocupada, mas também não foi atendido. Tomando posição debaixo de uma árvore, uma macieira, à beira da estrada, pregou a vinte pessoas.

"Depois de cantar um hino e fazer oração", diz ele, "preguei sobre o texto: "É-vos necessário nascer de novo". Senti-me feliz por ter achado um lugar tão bom e apropriado. Depois de pregar, falei ao povo que pretendia estar com ele mais uma vez no prazo de duas semanas e, se alguém abrisse a sua casa, teria prazer em pregar nela; mas se não quisesse fazer isto, pregaria naquele mesmo lugar".

Por três meses recebeu mau acolhimento, mas não desanimou. Sentia no coração que Deus estava com ele e que a causa dele havia de triunfar.

Pregou em Stratfield e, depois do sermão, convidou as pessoas interessadas para ficarem no lugar por alguns minutos. Vinte pessoas ficaram. Realizou uma espécie de reunião de classe. Descobriu três senhoras em condições para formar uma classe. Foi a primeira classe organizada na Nova Inglaterra, pois havia ali pelo menos três pessoas que estavam "prontas a tomar a sua Cruz e ter os seus nomes injuriados pelo amor de Jesus Cristo".

Em Hatford teve permissão para pregar no palácio do governo e o povo ficou comovido pela pregação Quando voltou a esse lugar, encontrou muitas pessoas interessadas. Cobrou ânimo e entoou louvores a Deus. Visitou uma vila no estado de Connecticut, onde residia um ferreiro inteligente, mas que, para proteger a sua família de heresia metodista, proibira que sua família assistisse às pregações de Lee. Tinha um filho com doze anos de idade, a quem não permitia que assistisse aos cultos metodistas. Mas o menino ficou tão impressionado com as coisas que ouvia acerca do povo metodista que nunca mais se esqueceu delas. E, no correr do tempo, se tornou metodista, sucessor de Lee e, finalmente, o historiador do Metodismo. É o dr. Natã Bangs.

Em Farington teve de defender a doutrina da perseverança final. Sendo hospedado em casa de um senhor W., enquanto a esposa preparava o jantar, os dois discutiam o assunto. A discussão continuou até terminar a refeição. O hospedeiro ficou muito contrariado com a posição de Lee e não quis dar-lhe indicação de um caminho que ele desejava saber. Chegou a afirmar:
- "Se Davi tivesse morrido no ato de adultério e Pedro enquanto jurava, teriam sido salvos".
- "Então", disse Lee, "depois da conversão um homem é obrigado a ser salvo: não pode perder-se".
- "Sim", disse ele, "é obrigado a ser salvo, quer queira, quer não, porque é impossível perder ele a salvação". "Ele afirmou que preferiria ouvir-me blasfemar de Deus em casa, antes que falar em Deus, e que uma vez dado seu amor a alguém pode depois retirá-lo.
Eu lhe disse que Deus nunca retira seu amor, mas que nós poderíamos rejeitá-lo". (McTyeire, p. 424).

Depois de pregar em Fairfield, numa noite fria, em 24 de dezembro, ele exclamou: "Hoje, à noite, graças a Deus, fui convidado por uma viúva para passar a noite na casa dela. É o primeiro convite que recebi desde que cheguei a este lugar, há sete semanas. Ó Deus, envia mais obreiros para esta parte da tua vinha! Gosto de quebrar terra nova e de buscar as almas perdidas da Nova Inglaterra, ainda que seja trabalho duro, mas, estando Cristo comigo, as coisas difíceis se tornam fáceis, e os caminhos escabrosos são convertidos em estradas reais" (McTyeire, p. 424).

Conseguiu organizar a segunda classe em 28 de dezembro de 1789, como ele escreve: "Preguei em Reading e o Senhor me ajudou a falar. Senti que Deus estava no meio do povo. Um ou dois ajoelharam-se comigo, quando orávamos. O leão começa a rugir bem alto nesse lugar: é o sinal verdadeiro de que vai perder alguns dos seus súditos. Organizei uma sociedade de dois para começar. Um homem, que há pouco recebeu o testemunho de que está no favor de Deus, deu este passo e uma mulher, que se converteu há pouco, o acompanhou" (McTyeire, p. 424). Em 28 de janeiro de 1790 se organizou a terceira classe em Limestone. Depois de sete meses de trabalho duro, conseguiu fundar três classes com oito membros.

Relatou tudo que tinha feito ao bispo Asbury e pediu mais trabalhadores. Teve o grato prazer de saber que o bispo ia mandar mais três pregadores para a Nova Inglaterra. Quando recebeu esta noticia, estava realizando uma Conferência trimensal numa capela que ainda não estava terminada, que foi a segunda capela começada nessa região.

Deixando as zonas que acabava de organizar, fez uma viagem longa, visitando os estados de Nova Hampshire, Vermont, Massachusetts e Connecticutt. Visitou as cidades de Lynn, Newburyport e Portsmouth, no estado de Massachusetts, mas o fim principal que trazia em vista era implantar o Metodismo na cidade de Boston.

Mas Boston não se interessou por receber coisa alguma do Metodismo e seu Arminianismo. A tarefa mais difícil e dura que Lee enfrentava na Nova Inglaterra, era conseguir apoio para firmar pé. Boston foi o lugar mais duro que se encontrou para introduzir o Metodismo na Nova Inglaterra. A primeira visita durou uma semana. Procurou em toda a parte da cidade conseguir um lugar para pregar, porém todas as portas estavam fechadas para ele. Finalmente, tomando uma mesa emprestada, levando-a para a praça colocando-a debaixo de um olmeiro e subindo nela, começou a cantar um hino. Juntaram-se algumas quarenta pessoas e, antes de terminar o culto, havia mais de três mil. No domingo seguinte, fez a mesma coisa, mas não conseguiu quebrar o gelo. Era um povo duro e satisfeito consigo mesmo.

Mais tarde voltou a Boston, porém não conseguiu nada. Voltou pela terceira vez, passou quatro semanas procurando um lugar onde pudesse abrir o trabalho, com o mesmo resultado. Todas as casas estavam fechadas para ele. O inverno estava se aproximando e a praça publica começara a ficar deserta; o povo procurava a lareira das suas casas, mas deixava o pregador itinerante lá fora, com o frio e a neve. Foi nessa hora triste e perplexa que recebeu de um cavalheiro de Lynn um convite para assistir a um culto na sua casa. Foi um raio de luz nas trevas. Apresentou-se na casa do amigo e foi cordialmente recebido. Pregou o primeiro sermão de metodista nessa cidade e, antes de terminar o inverno, conseguiu organizar ali, em 20 de fevereiro de 1791, a primeira sociedade com oito membros.

Lynn passou a servir como centro da sua propaganda. Não se esqueceu contudo, de Boston. Levou quase dois anos para conseguir abrir trabalho naquela cidade.

Jesse Lee escreveu no seu Diário:

"Aos 13 de julho de 1792, organizamos uma sociedade com algumas pessoas e ela logo começou a aumentar em número. Encontramos dificuldades extraordinárias aqui, no começo, por falta de uma casa apropriada para cultos. Começamos depois, em casas particulares, mas, mesmo assim, não podíamos manter-nos nelas por muito tempo. A sociedade metodista queria por fim, adquirir uma casa de oração, porém, sendo os membros pobres e em pequeno número, não podiam fazer nesse sentido, muita coisa. Três meses mais tarde, todavia, foi lançada a pedra fundamental da primeira capela de Lynn" (McTyeire, p. 428).

Jesse Lee e seus colegas se espalharam em diversas direções. O trabalho prosperou, apesar de grandes oposições. Onde os pregadores encontravam mais oposição era como via de regra nos lugares onde tinha maior número de ouvintes. Lee tentou abrir trabalho em New Haven, a sede da Universidade de Yale. Os professores e alunos ouviram-no com reverência, mas trataram-no com muita frieza.

A primeira Conferência anual realizou-se na cidade de Lynn, em agosto de 1792. Havia oito pregadores, além do Asbury, que lhe presidiu. Foi ocasião de grande regozijo da parte de Jesse Lee. A Nova Inglaterra estava cedendo à evangelização. Criaram-se novas zonas com a ocupação de novas regiões. A província de Maine foi invadida e, em 1798, realizou-se ali uma Conferência na zona de Readfield. O estado de Maine é o que fica mais ao norte do país e naquela época não era estado, mas província do estado de Massachusetts. Entre os homens mais notáveis levados a Cristo na Nova Inglaterra não se pode deixar de mencionar o homem que se tornou um dos bispos mais conspícuos do Metodismo, Josué Soule.

Josué Soule nasceu em Bristol, estado de Maine, em 1º de agosto de 1781. Seu pai descendia dos Pilgrim Fathers que vieram para a América no famoso navio chamado Mayflower. Seu pai era capitão de navio e abandonou a vida marítima na ocasião da guerra da Independência norte-americana, quando perdeu seu navio. Mudou-se para o interior do estado de Maine, onde fixou a residência num sitio que comprou. O lugar onde morava se chamava Sandy River. Josué Soule, o pai do bispo Soule, e sua esposa eram calvinistas extremados. Gozavam de uma cultura excepcional para aquela época. Seu filho, Josué, foi temente a Deus desde o berço. Aprendeu a ler quando era menino e não se lembrava do tempo em que não sabia ler. Menino inteligente, aproveitou da leitura da Bíblia e da de outros livros que se encontravam na biblioteca de sua casa. O Capitão Soule morava a uns dois quilômetros da casa de um vizinho que era metodista, em cuja casa se realizavam cultos de pregação, quando os pregadores metodistas passavam por ali. Foi aqui que o jovem Josué veio a conhecer os metodistas e a sua doutrina. Havia alguma coisa no ensino dos pregadores de que ele gostava. Não podia aceitar o Calvinismo com os seus decretos e a predestinação, mas no Metodismo encontrava alguma coisa que se harmonizava com a sua razão e com a sua experiência religiosa. O primeiro pregador metodista que ouviu, foi Jesse Lee, em 1798. Depois ouviu seus sucessores, Tomaz Cope, Filipe Wagger e outros.

Uma manhã se levantou cedo e se retirou para um lugar deserto, para orar. Foi nessa ocasião que recebeu o testemunho do Espírito e ficou cheio de paz e alegria. O sol nascia naquela hora e enchia de luz o ambiente. O moço sentiu-se num mundo novo. Podia dizer como Jacó dos tempos antigos:

"Tenho visto a Deus face a face e a minha vida foi preservada". Nasceu-lhe o sol. Começou realmente a viver. Queria fazer a sua profissão de fé e entrar na Sociedade Metodista. Mas não quis dar este passo antes de consultar sobre ele seus pais. O pai ficou acabrunhado e procurou dissuadi-lo de professar sua fé. A mãe chorou e lamentou o fato de ter ele ouvido os metodistas. Não querendo ele contrariar demais a seus pais, pôs-se a refletir muito antes de tomar qualquer decisão a respeito. Mas chegou à conclusão que devia filiar-se aos metodistas e explicou assim aos seus pais o seu propósito: "Antes de dar o passo final, falei com meus pais em particular e expliquei-lhes a questão toda com muito respeito e com muitas lágrimas lhes contei minhas convicções. Além disso, pedi-lhes que mencionassem qualquer ocasião em que eu lhes havia desobedecido. Mas então sentia que era meu dever solene unir-me à Igreja Metodista e receber a sua aprovação e consentimento para isso traria para mim mais felicidade que qualquer outra coisa no mundo" (McTyeire, p. 430).

“Os pais fizeram todo o possível para persuadi-lo a não dar tal passo. "Custou-me alguma coisa, diz ele, tornar-me metodista. Eu me tornei metodista com a certeza de que seria expulso da casa paterna. Duas vezes em minha vida tive de enfrentar oposição. Duas vezes minha fé e minha decisão foram postas à prova, mas eu resolvi ambos os casos no temor de Deus e com referência a minha responsabilidade perante o tribunal de Deus" (McTyeire, p. 430).

Fez a sua profissão de fé e não foi expulso do lar. Os pais o toleraram e não falaram mais no assunto. Assistia aos cultos e cumpria seu dever no lar como filho leal e obediente. Um dia convidou seu pai para assistir à pregação de um notável pregador. O pai não quis aceitar o convite, alegando que já tinha ouvido um ou dois pregadores metodistas e que todos eram iguais: os entusiastas, para ele não sabiam pregar. O filho respondeu: "Julga a sua lei alguém, sem primeiro ouvi-lo. Calou esta expressão na mente do pai e ele mais tarde resolveu acompanhar o filho e assistir à pregação. O resultado foi que o pai ficou gostando do pregador Stebbins e o convidou a passar a noite em sua casa. Passaram muitas horas, até alta noite, discutindo os "Cinco pontos", quando o Capitão Soule reconheceu a sua derrota. No dia seguinte, quando Stebbins partiu, o Capitão Soule o convidou para, na volta, não semente passar a noite com ele, mas tam bem pregar em sua casa. Dentro de poucos meses o pai, a mãe, dois irmãos e duas irmãs de Soule se uniram à Igreja Metodista. Não levou muito tempo para que o jovem Josué Soule se sentisse chamado para pregar. Não sofreu conflito espiritual na sua chamada.

Falou acerca da sua chamada assim: "O Senhor me chamou para pregar e eu fui". Em junho de 1799 foi admitido como pregador itinerante e nomeado para a zona de Portland, no Maine. Quatro anos mais tarde foi nomeado superintendente distrital e nessa qualidade serviu quatro anos.

Em oito ou nove anos adquiriu, na itinerância, uma experiência que o habilitou a ocupar qualquer cargo na Igreja Metodista. Foi delegado à Conferência geral que se realizou na cidade de Baltimore, em maio de 1808. Soule amava a Igreja Metodista pela sua teologia simples, pela sua salmodia e seu ritual singelos e, acima de tudo, pelo seu elevado padrão de piedade experimental e prática. Era homem de grande capacidade intelectual, líder seguro, pregador eloqüente e cristão heróico. Morreu em Nashville, Tennesee, em 6 de março de 1867, com mais de oitenta e quatro anos de idade e está sepultado no terreno de Vanderbilt University, em Nashville, no Tennessee.

O trabalho de Jesse Lee na Nova Inglaterra foi difícil, mas produziu bons frutos. Homens como Josué Soule, Hedding, Mudge, Merritt, Sabin, Bangs, Broadhead, Hunt e Fisk e muitos outros, que dedicaram seu tempo e seus talentos ao serviço do Mestre na Nova Inglaterra e em outras partes, justificam o sacrifício que Jesse Lee e seus colegas fizeram para conquistar aquela terra.

Wilbur Fisk, do estado de Vermont, era homem culto e bem educado. Pelos seus esforços a Igreja Metodista foi estimulada interessar-se mais na obra educativa. Era eloqüente no púlpito e sábio em seus conselhos. Morreu com quarenta e seis anos de idade, no apogeu da sua carreira. É admirável ver quanto conseguiu em tão pouco tempo. Não gozava de boa saúde, contudo trabalhou muito, recebendo pequena remuneração monetária.

Elias Hedding combateu um bom combate e sofreu como bom soldado de Jesus, Cristo. Nos primeiros dez anos do seu ministério viajou muito pelo Canadá, Nova York, Vermont, New Hampshire, Massachusetts, Rhode Island, Connecticutt e Long Isltnd Sound. Fez o seu trabalho sem remuneração. Passou anos viajando, sem lar, hospedando-se nas casas em que achava acolhida. Angustiava-se porque o que os pobres lhe davam, privava seus filhos do necessário. Seu ordenado era uma bagatela: recebia menos de mil e quinhentos cruzeiros por ano. Mas, apesar de todas as dificuldades e privações, o seu trabalho prosperou.

Ainda que o Metodismo não tenha silo apreciado no princípio na Nova Inglaterra, era a coisa de que mais ela precisava, porque a fé evangélica se achava em declínio naquela região. O Unitarismo e Racionalismo estavam se alastrando entre o povo e o Metodismo serviu para neutralizar a sua influência. O formalismo nos cultos recebeu a infusão de uma nova vida. A idéia de que o preparo intelectual era o suficiente para se seguir o ministério, ficou um pouco alterada. O Metodismo levou nova vida para o povo.
O trabalho de Jesse Lee foi frutífero na Nova Inglaterra. Jesse Lee, nos anos de 1797, 1798 e 1799 viajou com o bispo Asbury. Em 1797, estando ausente por motivos de enfermidade o bispo Asbury, Jessé Lee presidiu a Conferência em Wilbrahaw. Na sua visita à Nova Inglaterra, em 1808, Jesse Lee encontrou seis distritos com 8.861 membros. Passou quarenta e três dias no estado de Maine, pregando muitas vezes e visitando diversos lugares.

Um dos segredos do bom êxito de Lee era a habilidade que tinha para lidar com os outros. Possuía grande senso de humor. Conta-se a história do seu contacto com dois advogados jovens. Como os pregadores metodistas eram considerados ignorantes e fanáticos, queriam divertir-se com ele. Lee estava em viagem entre a cidade de Boston e Lynn, quando foi alcançado pelos dois advogados. Seguiam os três a cavalo, Lee no meio. O cavaleiro do lado direito perguntou-lhe:
— "Creio que o senhor é pregador, não e?"
— "Sim, eu geralmente sou considerado pregador."
— "O senhor prega freqüentemente, suponho eu".
— "Prego todos os dias; freqüentemente, duas ou mais vezes por dia".
— "Como é que o senhor acha tempo para estudar, quando prega tantas vezes?" perguntou o jovem advogado do lado esquerdo.
— "Estudo, quando ando, e leio quando estou descansando".
— "Mas escreve o senhor os seus sermões?"
— "Raras vezes".
— "Pregando de improviso, não erra nas suas pregações?!"
— "Sim, às vezes".
— "Como é que procede? Não procura corrigir os erros ?"
— "Depende da natureza do engano", - replicou Lee.
"Estava pregando outro dia, quando citei o texto: "E todos os mentirosos (liars), sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre", mas, por engano, eu disse: "Todos os advogados (lawyers), sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre".

O advogado do lado esquerdo perguntou:
— "Que fez então? Não corrigiu?"
— "Não", disse Lee calmamente. "Estava tão perto a verdade que julguei desnecessário corrigir".

— "Ufa!" retorquiu o jovem do lado direito. "Não sei se há muita diferença em ser o senhor um bobo ou um tolo".
— "Nem um, nem outro", respondeu calmamente o pregador, olhando de um lado para outro. “Creio que estou exatamente entre os dois" (Luccock, ps. 227-228).

Em 1809 Lee foi escolhido pelo governo para servir como Capelão do Congresso dos Estados. Ficou no lugar até 1815, quando pediu demissão do cargo. Morreu em setembro de 1816, com cinqüenta e oito anos de idade e foi sepultado no cemitério do Mount Olivet, em Baltimore.

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(*) Texto extraído das páginas 195 a 206 do livro História do Metodismo, de Paul Eugene Buyers, publicado pela saudosa Imprensa Metodista em 1945.


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