IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 24/4/2008
 

O avivamento metodista dos cultos de acampamento iniciados em 1800 nos EUA e as manifestações espirituais (Paul Eugene Buyers)

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Foi no ano de 1800 que apareceram os cultos de acampamento. As zonas eram grandes, levando-se de duas a cinco semanas para percorrê-las. Os cultos de acampamento se realizavam em toda a regido de Tennessee e Kentucky, logo no princípio. Mais tarde os crentes em outras partes os adotaram, até que o costume se generalizou em todos os lugares do país. Ainda hoje se realizam cultos de acampamento, mas com muito mais conforto e luxo.

Os presbiterianos uniram-se aos metodistas nestas reuniões. Muitas almas nelas se convertiam. O avivamento que começou no ano de 1800, produziu os cultos de acampamento e é natural que eles servissem para propagar e estender o próprio avivamento. Foi neste período de oito ou dez anos que o povo daquela região foi realmente evangelizado.

O avivamento generalizou-se por toda a parte do país.

Houve, tanto na Inglaterra como na América, agitações e perturbações físicas que acompanhavam as manifestações espirituais. Tanto os incrédulos como os crentes ficavam sujeitos a essas perturbações físicas. As desordens físicas se manifestavam, às vezes, sob a forma de agitações do corpo todo, ou só da cabeça e do pescoço. Às vezes a pessoa corria e falava. Às vezes caia como se estivesse morta. Esses mesmos fenômenos se davam nos cultos de João Wesley, ainda que ele não concordasse com eles. Igualmente na América, os pregadores não desejavam que tais cenas se verificassem. Verificavam-se, porém, freqüentemente. É notável. que tais agitações não deixassem defeitos físicos nas pessoas atacadas por elas.

Certa pessoa que testemunhou essas cenas, descreve-as assim:

"Quando afetava só a cabeça, era agitada para a frente e para trás ou de um lado para outro com tanta rapidez que o semblante não podia ser reconhecido. Quando afetava o corpo todo, vi que a pessoa ficava num lugar, enquanto o corpo se dobrava para a frente e para trás, até a cabeça tocar no chão. De todas as classes, santos e pecadores, fortes e fracos, foram atacados. Havia ataques de rir, mas só entre os crentes. Ouviam-se gargalhadas fortes, mas não excitavam outros a rir. A pessoa ficava solenemente arrebatada e o seu riso excitava solenidade nos crentes e nos incrédulos. Realmente não se pode descrever o que acontecia! Havia casos em que a pessoa afetada queria correr, para fugir de tal excitação, mas geralmente não podia correr muito, pois caia logo ao chão muito agitada. Conheci um jovem médico, de boa família, que veio de grande distancia para testemunhar essas coisas estranhas. Ele e uma moça já tinham entre si combinações de cuidar um do outro, se por acaso qualquer dos dois caísse. Finalmente o médico sentiu uma coisa estranha e saiu da congregação para correr para a floresta. Mas não correu muito: caiu ao chão e ali ficou até submeter-se ao Senhor. Depois se tornou membro zeloso da Igreja. Tais casos aconteciam freqüentemente" (McTyeire, p. 493).

Quem sabe se Deus não permitiu esses fenômenos físicos para impressionar um povo de dura cerviz, pois havia muita incredulidade, perversidade e dureza de coração entre o povo daquela época.

McKendree era o homem para essa época e para essa região. Não somente sabia promover cultos de avivamento, mas também guiar e disciplinar os novos crentes. Organizaram-se comissões com autoridade para nomear os pregadores para cultos de acampamento e para formular regulamentos que conservassem boa ordem entre o povo, nessas ocasiões.

McKendree pregava as doutrinas, metodistas e administrava a disciplina com firmeza, mantendo as classes, os ágapes e a itinerância e seus colegas pregaram as doutrinas da redenção universal, da salvação de graça, presente e completa, da justificação pela fé, da regeneração pelo Espírito Santo, do gozo da salvação, que é o fruto do Espírito, e da importância de aceitar a salvação imediatamente. Os pregadores e os superintendentes distritais seguiam com rigor o sistema da itinerância. Os presbiterianos que tomavam parte nos cultos do acampamento, não seguiam com tanto rigor o seu sistema e houve divisão entre eles. Uma nova Igreja Presbiteriana organizou-se com o nome de Cumberland Persbiterian Church, com tendência, na sua doutrina, para o arminianismo.

O trabalho prosperou e Asbury procurou visitar essa zona anualmente para realizar as Conferências anuais. Em 1802 o que era um distrito se dividiu em três, a saber: o distrito de Holston, com João Watson como superintendente; o distrito de Cumberland, com João Page como superintendente; e o distrito de Kentucky, com Guilherme McKendree como superintendente.

A visita do bispo Asbury, nessa época, fez-se com grande sacrifício e sofrimentos para ele, que estava doente. Escrevendo no seu Diário acerca da bondade de McKendree no cuidado que teve com ele e com o trabalho dele, disse:

"O irmão McKendree me fez uma tenda com o seu cobertor e com o de João Watson e assim evitou que eu ficasse indefluxado, enquanto eu dormia duas horas sob o meu próprio cobertor. O irmão McKendree colocou sua capa sobre o galho de uma árvore e, abrigando-se debaixo dela, ele e seu colega dormiram também. Creio que não devo tentar outra viagem pelas florestas, sem levar uma tenda comigo". Pouco adiante acrescenta: "Tenho estado doente há vinte e três dias. Oh! que história triste eu poderia narrar! Meu caro McKendree teve de ajudar-me a montar a cavalo e a desmontar, como eu fosse uma criança. Minha doença foi causada, creia, pelo fato que tive de dormir ao relento, sem cobertor" (McTyeire, p. 495).

No ano seguinte, em 1803, a Conferência achou por bem criar mais um distrito ao nordeste do rio Ohio, tendo Guilherme Burke como superintendente. De ano a ano havia progresso e se ocupava novo território. Também novos obreiros apareciam e, entre
os que se destacaram mais, pode mencionar-se: Samuel Parker, que trabalhou no estado de Mississippi; Pedro Cartwright, que trabalhou nos estados de Kentucky e Illinois; Tomaz Lasley, que trabalhou com Axley no estado de Loisiana. Para se apreciar mais
como o trabalho era feito, citaremos um trecho de James Gwin:

"O irmão McKendree, logo depois de nomeado para o trabalho do Oeste, formulou plano de levar o Evangelho a todos os recantos. Empregou todos os pregadores locais e exortadores que podia achar, para visitarem os lugares não ocupados. E foram e, com eles, o Senhor. As boas novas de salvação dentro em pouco se ouviam em todas as povoações. Como eu comecei, nessa época, a falar em público, ele me mandou para uma ,povoação nova. Ali preguei até a reunião da Conferência. Então fui recebido em experiência. A ordem que recebemos, eu e Jesse Walker, que foi admitido à experiência na mesma ocasião, foi: "Estender o trabalho". Jesse Walker começou a formar zonas de percursos para Oeste e para o Norte, até chegar ao rio Ohio, e o irmão McKendree elaborou plano para levar o Evangelho ao Oeste dos rios Ohio e Mississippi. E, como Luisiana fosse adquirida pelo nosso governo, enviou ele os irmãos Walker e Luiz Garrett, para abrirem trabalho naquela região e foram bem sucedidos em levantar ali o estandarte da cruz" (McTyeire, p. 497).

O trabalho ia de vento em popa. Nunca houve na história do Metodismo da América do Norte tanto progresso em qualquer região em tão pouco tempo como houve nesta, onde McKendree trabalhou por oito anos. Na ocasião da Conferência do Oeste, que se realizou em 20 de setembro de 1806, o bispo Asbury relatou: "Houve um aumento de 1.400 nesta Conferência e a nomeação de cinqüenta e cinco pregadores. Todos ficaram contentes. Os irmãos estavam em necessidade, portanto vendi o relógio, a capa e a camisa". O bispo Asbury cuidava dos seus pregadores. A última coisa que preocupou seu espírito, antes de partir para a eternidade, foi levantar fundos para suprir grandes necessidades de heróicos pregadores.

McKendree enviava os pregadores para novos campos e logo se achava no meio deles, ajudando-os na realização dos cultos de acampamento. Deixemos James Gwin narrar os fatos que se deram numa das viagens de McKendree:

"Em 1807 eu e os irmãos McKendree e Goddard visitamos a povoação de Illinois. Atravessamos o rio Ohio, entramos na floresta e viajamos até a noite. Não conseguindo chegar a qualquer habitação, acampamos. O irmão McKendree fez-nos um pouco de chá, deitamo-nos sob a copa duma árvore amiga e passamos agradavelmente a noite. Partimos cedo, no dia seguinte, apressamos a marcha e chegamos ao meio da planície, onde passamos a noite seguinte. Na terceira noite, chegamos à povoação. Ficamos ali um dia e, depois, atravessando o rio Kaskaskia, passamos a quarta noite com o velho irmão Scott. Em sua casa nos encontramos com Jesse Walker, que tinha fundado uma zona de trabalho e marcado e planejado três cultos de acampamento para nós. Depois de descansar alguns dias fomos para o lugar marcado para o primeiro culto de acampamento. Viajando vinte quilômetros, chegamos ao rio Mississippi. Não achando meio para atravessá-lo com os nossos cavalos, mandamo-los para trás e, com a bagagem aos ombros, fomos a pé até ao lugar do culto de acampamento. Encontramos o irmão Travis no caminho. Quarenta pessoas converteram-se nessa reunião.

“Desse culto de acampamento voltamos e, atravessando o rio, chegamos a casa do juiz .... que nos hospedou e mandou nossa bagagem, numa carroça para a casa do irmão Garrettson, no lugar chamado Three Springs, onde havíamos de realizar o segundo culto de acampamento. Aqui chegamos sexta-feira. O lugar era bonito, no meio da floresta, mas cercado de pequenas planícies. Uma multidão de gente tinha chegado, porque se haviam espalhado por toda parte notícias do nosso primeiro culto de acampamento naquele lugar, o que provocou muito entusiasmo entre o povo. Alguns apoiavam estes cultos e outros não nos apoiavam. Certo major juntou um grupo de pessoas desordeiras para nos atacar e expulsar. No sábado, enquanto eu pregava, o major e seus companheiros apareceram a cavalo e estacaram no meio da congregação, o que produziu confusão e alarme. Parei de pregar e os convidei a se retirarem. Afastaram-se um pouco e beberam cachaça. O major disse que tinha ouvido falar que os metodistas; perturbavam o sossego do povo por toda parte onde andavam, que pregavam contra corridas de cavalos, jogos de baralho e outros esportes. Às três horas da tarde, quando eu e o irmão Goddard cantávamos um hino, o poder do Espírito Santo desceu sobre a congregação. Um homem, com expressões de horror no rosto, veio a mim e perguntou: "É o senhor que toma conta do rol?" "Perguntei-lhe a que rol se referia. "Aquele rol", respondeu ele, "no qual a gente que vai para o céu, escreve o nome". Julguei que se referisse a lista dos membros de classe e encaminhei-o para o irmão Walker. Virando-se para o irmão Walker, disse: "Escreve aí meu nome, faça o favor". Depois caiu ao chão. Alguns tentaram fugir mas caíram ao chão e alguns fugiram e escaparam. Conseguimos juntar todos os que caíram ao chão, num lugar, ao por do sol, e então o homem que pedira que seu nome fosse escrito no rol, se levantou e fugiu como se fosse uma fera. Olhando ao redor de mim, tive a impressão de um campo de batalha, depois duma peleja. Toda a noite a luta continuou. A vitória estava do lado do Senhor. Muitos foram convertidos e, ao nascer do sol, do dia seguinte, houve gritos de júbilo no acampamento. Foi o dia do Senhor mais lindo que já vi. Pouco depois, o homem que fugira, voltou, molhado pelo orvalho da noite, mostrando sinais de loucura. Às onze horas o irmão McKendree administrou a santa ceia e, enquanto explicava a sua origem, natureza e objetivo, alguns do grupo do major ficaram tocados e produziram cena comovente. Depois da comunhão o irmão McKendree pregou. Todos os homens principais daquela região estavam presentes e todos os que, morando distantes, puderam vir, lá estavam. Eis o texto do sermao: "Vinde, pois, arrazoemos". Talvez ninguém tratasse do assunto melhor ou com melhor resultado. Seus argumentos sobre a expiação, o grande plano de salvação e o amor de Deus eram claros e fortes, pronunciados com tanta compaixão, que a congregação ficou em pé e de todos os lados avançava na direção do pregador. Enquanto pregava, referiu-se ingenuamente à conduta do major e observou: "Nós somos americanos, alguns de nós lutamos pela nossa liberdade e chegamos até aqui para mostrar ao povo o caminho, para o céu". Isto comoveu o major que se tornou amigo nosso e o é até agora.

“Este foi um dia notável. A obra geralizou-se, o lugar tornou-se terrível e muitos se converteram. Entre os convertidos estava o louco. A sua história é singular. Morava ele no lugar chamado American Bottom, possuía grande propriedade e era ateu Contou-nos que poucas noites antes da nossa chegada sonhara que o dia do juízo estava próximo, que três homens vieram do oriente para avisar o povo e prepará-lo para esse dia, e assim, quando nos viu, ficou alarmado, acreditando que éramos os três homens e, querendo saber quem éramos, veio ao culto do acampamento. Tornou-se homem reformado e bom". (McTyeire, ps. 498-499).

No terceiro culto de acampamento mais de cem pessoas fizeram profissão de fé.

Para dar uma idéia mais clara a respeito do trabalho feito por McKendree e seus colegas, citaremos um trecho dele mesmo:

"Com exceção de quatro domingos, tenho assistido a reuniões públicas, todas as semanas, desde fevereiro. Neste prazo viajei seis mil setecentos e cinqüenta quilômetros, através de florestas, até ao estado de Illinois e, na volta, passei a maior parte do tempo numa região infestada de malária, contudo, graças a Deus, a saúde e as forças me foram conservadas" (McTyeire, p. 499).

Essa viagem durou dois meses e foi o começo da evangelização ao oeste do rio Mississippi. Os colegas de McKendree cooperaram com ele nos seus planos e na administração, porque sabia dirigir e fazer o trabalho. Tal homem com tais colegas não podiam fracassar.

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(*) Texto extraído das páginas 211 a 218 do livro História do Metodismo, de Paul Eugene Buyers, publicado pela saudosa Imprensa Metodista em 1945.


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