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Vida Cristã
Rio, 28/4/2008
 

Uma personagem, um papel histórico: Rute (Heloísa Helena Stopatto Alves)

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AUTOR E A ÉPOCA
Para alguns estudiosos, autor desconhecido e para outros, Samuel.
Data: Entre 1050 e 500 aC .

Os episódios relatados nos livro de Rute se passam durante o período de Juízes, sendo parte daqueles eventos que ocorrem entre a morte de Josué e a ascensão da influência de Samuel.

A IMPORTÂNCIA
Uma história tão comovente como essa certamente já teria sido passada adiante oralmente entre o povo de Israel, e a genealogia que a conclui indicaria uma conexão com os patriarcas, oferecendo assim uma resposta a todos aqueles que, em Israel, indagassem pelo passado familiar do seu rei.

E apesar de se passar no período dos juízes, o livro relata a genealogia de Davi no final, dando-nos a certeza que realmente foi escrito em período posterior aos juízes, quando Davi já tinha sua importância em Israel, pois se assim não fosse, não seria citado dessa forma (4.13-22).

O CONTEXTO: FOME, AFASTAMENTO DE DEUS E DERROTA
Durante o tempo dos juízes, no meio de todos aqueles ciclos de opressão, clamor a Deus e libertação, a família de Elimeleque e Noemi abandonou a cidade de Belém de Judá, por falta de sustento, por não ter o que comer.

Belém significa “Casa do Pão”. É uma situação lastimável quando não há pão, causada diretamente pela falta de chuvas, é um claro sintoma do afastamento de Deus em virtude do esfriamento e afastamento deliberado do Senhor (Lv 26.18-20; Dt 28.23,24). E aonde foram buscar alimento? Em Moabe, terra de um povo amaldiçoado, a quem Deus impôs regras mais severas do que à maioria dos outros gentios, no caso de quererem se aproximar dele (Dt 23.3-6).

Sabemos o que aconteceu ali. Uma família temente a Deus tenta sobreviver em condições adversas, mas perde toda possibilidade de continuidade, de manter viva a semente divina.

Insucesso não significa ausência de Deus. Observe-se que são pessoas de boa índole, todos são filhos de Abraão, moradores de Belém, filhos da promessa, povo que Deus amava, mas nem por isso deixaram de viver dias de muita dificuldade.

Insucesso jamais significou ausência de Deus! Ao contrário, sabemos que Ele tem o controle de tudo, e está conosco em todos os momentos, principalmente quando a situação não é tão favorável. As crises devem ser enfrentadas, e da mesma forma que Elimeleque e Noemi decidiram deixar Belém, muitas vezes somos chamados a decidir contrariamente à nossa vontade.

AMOR, SOLIDARIEDADE GERAM E PRODUZEM OUTRAS FORMAS DE AMOR E GENEROSIDADE
Uma época de crise pode, em muitos casos, se tornar uma grande oportunidade. Diz-se que na língua chinesa, a mesma palavra que significa crise também é utilizada para traduzir oportunidade. Pensemos que a crise da viuvez se tornou em uma oportunidade de, por um segundo casamento com Boaz, tornar-se Rute avó de Davi, mãe de Obede. O que há de extraordinário neste fato? Como Rute se torna um personagem importante na história judaica?

Comecemos do princípio. Provavelmente houve um tempo de tranqüilidade quando os filhos de Noemi se casaram, eles se instalaram na nova cidade, junto com os pais. Morre Elimeleque e seus filhos. De novo uma situação de sofrimento, de dificuldades econômicas: três viúvas - Noemi e suas noras Orfa e Rute.

Noemi prefere voltar a Belém, onde tem parentes que possam vir a cuidar dela, já que agora não tem mais o esposo. Incentiva para que as noras permaneçam com o seu povo. O texto de Rute 1: 16 é lindo e revela a plenitude de amor, generosidade, de escolha de Rute pelo povo de Noemi: “ o teu povo é o meu povo e o teu Deus é o meu Deus”.
Agora estamos diante de um fato novo: Rute se converte ao Deus de Noemi.

Retornando a Belém, Noemi pede que a chamem de um novo nome: Mara por causa da amargura que tem experimentado ( 1:20 ). Como irão se sustentar? As duas viúvas não tinham ninguém para buscar sustento por elas, nenhuma fonte de renda.

Numa cultura estranha, sentindo-se rejeitada e alvo de fortes sentimentos racistas, Rute bem que poderia ter-se isolado e passado os dias chorando sua sorte, sentindo falta de família, parentes e terra natal. “É isto que acontece quando se resolve seguir o Deus de Israel? Não foi isto que me prometeram!” Mas não! Rute levanta e assume a missão que está diante de si: cuidar de sua sogra. Não é exatamente o que muitos sonham em fazer quando pensam em um chamado de Deus! Supõe-se que Rute se indagou: “será que foi se para isto que saí da minha terra?”

O REMIDOR
Aparece em cena um outro personagem. Boaz, parente do marido, “pessoa valente e poderoso, da geração de Elimeleque”( 2:1).

No dicionário se encontra a noção do que é remido: o que se livrou de um compromisso e para isto precisa que haja um remidor. Rute, a moabita, se encontrará livre da exigência a seu povo pelo ato de solidariedade a Noemi e porque reconhece o Senhor como seu único Deus. Estes foram os seus passos de libertação.

A pessoa de Boaz é aquele que será remidor: que liberará Noemi e Rute de se sentirem excluídas da comunidade pela pobreza e peal opressão.

Rute pede a Noemi autorização para colher as sobras de espigas no campo de Boaz. Boaz a observa e a acolhe: “te juntarás aos de nossa casa, dei ordem aos moços para que não te toquem se tiver sede, beba do vaso, coma do pão, não colha somente a sobra ( 2: 8, 9, 14, 15).

Boaz surpreende Rute: ela sabe de sua condição “sou uma estrangeira “ ( 2:10). Porém, ele se explica: tomara conhecimento do ato de Rute para com Noemi ( 2:12).Este é um exemplo de que AMOR, SOLIDARIEDADE GERAM E PRODUZEM OUTRAS FORMAS DE AMOR E GENEROSIDADE. É também prova de uma crença sincera de Rute: O SENHOR É O SENHOR DE SUA VIDA. O exemplo de Noemi ajudou Rute a conhecer este amor.

O AFETO QUE PRODUZ O DESEJO DE SER COMPANHEIRA DE BOAZ
Noemi, mulher sábia, pelos relatos de Rute, percebe que Boaz, um remidor, é pessoa boa e sugere a Rute que mostre seu desejo a Boaz: “Então, ela veio de mansinho e lhe descobriu os pés e se deitou (3:7)”.

Mais um detalhe deste brilhante texto: o perfil feminino daquela época ainda é real hoje: o desejo e a gentileza andam sempre de mãos dadas.

Boaz não recusa o desejo de Rute, mas lhe diz de sua intenção de pedir autorização a outro remidor para que sua relação seja oficializada: ”Fica aqui esta noite e pela manhã...( 3: 14)”.

Boaz, pela manhã, sai em busca da autorização de um outro remidor. Conta-lhe de sua intenção. Através de suas palavras, do testemunho sobre a conduta de Rute, o remidor se sente seguro de autorizar a relação dos do (4:8-11), Num gesto simples – o de tirar os sapatos - o processo de aceitação de Rute à comunidade se faz real.


A REMISSÃO DO SENHOR
A remissão nesta história se assemelha à remissão do Senhor, da geração de Davi, neto de Rute:
• A dádiva do amor não se restringe a castas, a povos;
• O gesto de amor gera outras muitas expressões de amor;
• A quem quer receber a dádiva do amor importa que de fato creia que o Senhor é o Deus de sua vida.


REFERENCIAIS DE ESTUDO
O presente estudo foi fruto de reflexões pessoais sobre o livro de Rute na Bíblia Sagrada. Acrescentaram-se idéias de pensadores e estudiosos que apresentaram na Internet temas relativos à personagem. A pesquisa no GOOGLE seguiu as seguintes palavras: Rute e remidor.

Heloisa Helena Stopatto da Cruz Alves é membro da Igreja Metodista de Vila Isabel, Rio de Janeiro.

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