IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 8/11/2006
 

A UNIDADE DA IGREJA COMO PROPÓSITO DE DEUS

Bispo Paulo Lockmann


 

I - INTRODUÇÃO:
Um apelo à Unidade tem sido a postura do Colégio Episcopal e do Bispo da Primeira Região Eclesiástica. No entanto, sabemos que não é tão simples quanto parece, por isso cremos que devemos ter a coragem de encarar os problemas, e ao identificá-los, trabalhar em direção a resolvê-los.

Cabe, porém, considerar os aspectos bíblicos e teológicos da Unidade, com o fim de termos parâmetros bem definidos, o que significa realmente este conceito, e qual a direção que a Bíblia e a Teologia nos apontam ao tratarmos desse assunto.

Cabe ressaltar, ainda, que sem a Unidade, nós dificilmente chegaremos a algum lugar , já que cada grupo ruma em direção a diferentes alvos.

Acerca desse tema quero sublinhar, a título introdutório, algumas considerações feitas por um teólogo do século XVII, Rev. Richard Baxter, sobre a unidade:

"Com muita freqüência vemos homens avessos à unidade da Igreja e invejosos dela. Se os católicos romanos tendem a fazer da Igreja um ídolo, deverão os protestantes ir ao extremo oposto, negando-a, desconsiderando-a e causando divisões? Pois é pecado grave e comum fazer parte da religião como facção e limitar o amor e respeito a uma denominação, em vez de estendê-lo à Igreja universal. Da multidão dos que dizem que são da igreja católica, é raríssimo encontrar os que são de espírito católico.

"Os homens não tem um interesse nem respeito universal pela Igreja toda. Antes, eles em geral vêem a sua denominação particular como se ela fosse a Igreja completa. Luteranos, calvinistas e suas divisões subordinadas oram pela prosperidade dos seus respectivos grupos e se regozijam, dando graças quando as coisas vão bem com a sua denominação. Mas se outros sofrem, pouco se lhes dá, como se isso não trouxesse nenhuma perda para a Igreja.

"Sofremos pela igreja como pacificadores? Como é raro encontrar um homem que sofra e sangre pelas feridas da Igreja universal, e que as leve para o seu coração, tomando-as como suas próprias feridas e dores. Igualmente, quão poucos há que compreenderam verdadeira a condição das controvérsias sectárias entre vários grupos da Igreja, ou perceberam quantas delas não passam de palavras, e viram quantas causas reais existem para divisão! Só uns poucos, como Jonh Davenant, ou como o Bispo Joseph Hall - cuja obra intitulada O PACIFICADOR (The Peace-Maker) merece ser lavrada em nossos corações - compreenderam bem essas coisas. No entanto, é comum tais pessoas serem vistas suspeitosamente como hereges por seus esforços pela paz e unidade".

II - ACERCA DA UNIDADE...

1) UNIDADE COMO PROPÓSITO DE DEUS REVELADO NA CRIAÇÃO:

1.a) Como parte de si mesmo (Gn 1:26-27)
A idéia bíblica do homem como imagem de Deus traz em si o princípio de unidade e identidade. O homem só encontra sua identidade em união com Deus. Nesse sentido é que toda a criação precisa estar vinculada ao propósito inicial de Deus, e principalmente os homens e mulheres. Assim nós não existimos fora da unidade com Deus; a quebra desta unidade (pecado), torna-nos vulneráveis e frágeis, dando espaço à opressão e à injustiça, que é resultado dos projetos de vida fora do Senhor.

1.b) Como parte e administrador (mordomo) do mundo criado (Gn 1:28)
Nossa responsabilidade com o mundo criado é de cuidar dele, garantindo que seus recursos sirvam para o sustento e necessidade de todos os seres criados. Isto significa que há uma relação de unidade, identidade e dependência entre os seres criados, e diante de Deus somos tutores dessa harmonia. A criação depende de nós e nós dela, e ambos dependemos de Deus. A quebra desse equilíbrio gera o caos na criação. Fato que hoje estamos presenciando com a poluição ecológica, gerando morte e destruição em todos os seres criados. Tudo para satisfazer uns poucos que extrapolaram do propósito de Deus.

1.c) Como homem e mulher, um parte integrante do outro, sendo os dois uma só unidade (Gn 2:24)
Na relação homem e mulher fica claro o processo da unidade existente na criação. Nós e o Senhor, um só corpo, um só propósito. Nós e a criação um só universo criado interligado segundo o propósito de Deus que dá sustento e sentido a vida.

Do mesmo modo, homem e mulher, ambos diante de Deus encontram na relação a dois sua identidade, com a criação e com o criador. Assim não se pode afirmar a superioridade ou a dominação de um sobre o outro, mas sim em unidade e cooperação, reconstroem na relação a dois os ideais fraternos de Deus. Comunhão e igualdade são a conseqüência natural dessa vida em unidade. Pode-se falar de responsabilidades diferentes, mas os direitos diante de Deus e da criação são iguais. Garantir isto é dar prosseguimento à unidade primordial com Deus e a criação, no belo universo da relação homem e mulher.

2) UNIDADE COMO CARACTERÍSTICA DA RELAÇÃO ENTRE O FILHO - JESUS, E O PAI - DEUS (JO 1:1-2; JO 5:19)

2.a) Esta unidade é a que dá autoridade e direção a Jesus (Jo 5:20-30)
O Evangelho de João é extremamente rico nos discursos de Jesus, quando mostra a natureza do seu ministério, e sua dependência e unidade com o Pai.

A começar no prólogo, onde se diz: "No princípio era o verbo e o verbo era Deus, e o verbo estava com Deus", não temos distinção de natureza; o Pai e o Filho se confundem numa só unidade .

Tal unidade, segundo o texto de Jo 5:20, é vital, porque orienta e respalda a ação do Filho entre os homens e mulheres. Na mesma direção estão os resultados (obras) do ministério do Filho, ali se evidencia a presença do Pai, o que mostra a importância da Unidade entre os dois .

Qualquer servo de Deus precisa desta Unidade com o Pai e o Filho. Sem ela nos limitamos a fazer a obra por nós mesmos, sem a direção de Deus, e, então não temos resultados, pois esta união gera uma inspiração e força que se chama Espírito Santo em nós e entre nós. O Espírito Santo é quem mantém viva no meio de nós a unidade com o Pai e o Filho.

2.b) Através da Unidade com o Pai, Jesus manifesta a vontade de Deus (Jo 6:38 ).
No exercício da vontade, nós dirigimos a nossa vida, ou para os nossos projetos pessoais, ou para o projeto do Reino de Deus. Nele se afirma a soberania de Deus e garante-se o equilíbrio de toda a criação, tudo numa relação de unidade, garantindo-se a continuidade da vida em todos e para todos.

Jesus sublinha sua unidade com o Pai na submissão à vontade dEle como Pai e Senhor. A vontade de Deus torna-se o critério ou o fio onde se garante a continuidade do seu projeto iniciado desde a criação. Jesus entende isto claramente.

Hoje vivemos numa sociedade onde milhares vivem humilhados e oprimidos, por minorias insensíveis à vontade de Deus; assim a miséria de muitos é o resultado direto da quebra de unidade com a vontade de Deus. E a conseqüência é uma sociedade dividida, racialmente, economicamente, socialmente, etc... São divisões contrárias à vontade de Deus, e que têm como decorrência o enfraquecimento da vida conforme proposta por Deus.

2.c) A imagem da videira: A Unidade com o Pai produz a Unidade com os discípulos ( João 15.1-5).
O Evangelho de João é rico em imagens; múltiplas figuras são criadas, outras tomadas do Antigo Testamento. A videira é uma imagem simbólica de vida, visto ser uma cultura cujo cultivo era extremamente antigo, desde a tomada da terra de Canaã, e um dos alimentos básicos do povo.

Deus é o agricultor, Jesus a videira e nós os ramos. Figura que soma partes indissociáveis. Deus cuida da sua videira(Jesus), inclusive cortando os ramos secos.

Deus planta neste mundo a videira (Jesus) e esta produz ramos (os salvos, a Igreja) e os ramos não sobrevivem sem estarem ligados entre si (UNIDADE), sem estarem ligados à videira e nem sem os cuidados do agricultor (Deus). São laços de Unidade que preservam e fazem crescer a Igreja.


3) UNIDADE COMO PROPÓSITO DE JESUS PARA SEUS DISCÍPULOS: A ORAÇÃO DE JESUS PELA UNIDADE (JO 17).
3.a) A Palavra de Jesus deveria uni-los na submissão e na fé (Jo 17.1-8)
Conforme podemos observar, a oração de Jesus é uma confissão e aspiração sobre a vida da comunidade dos discípulos. A Unidade tem por base uma confissão de fé, declinada por Jesus da seguinte maneira:

3.a.1) Deus é Senhor de toda glória e toda Autoridade e Poder (versículo 1).

3.a.2) Jesus é o Seu Filho enviado segundo seu propósito, e que procede de Deus, e é Deus, e veio manifestar a glória de Deus entre os homens e mulheres (vs. 2 e 3 ).

3.a.3) A glória de Deus é manifesta através de Jesus na realização da obra que o Pai lhe confiou, isto se evidenciou com os sinais e prodígios realizados por Jesus (v. 4 ).

3.a.4) O maior sinal da glória e poder de Deus é a vida eterna, entendida como salvação ao alcance de todos e para todos que crerem em Jesus, e a ser experimentada aqui como uma nova vida, em uma nova ordem de justiça, amor e igualdade para todos a qual é dada como sinal gratuito do amor do Pai, que se dá a conhecer em Jesus (v. 3 ).

Deste modo, afirmando sua fé na Palavra de Jesus, os discípulos foram desafiados a guardarem (cumprir), esta palavra de confissão missionária, onde fica claro que a obra de Jesus foi realizada, mas pede continuidade. Assim não há Unidade sem confissão, e sem Missão. Porque confessamos uma mesma fé, herdamos uma mesma missão.

3.b) Jesus orou pela Unidade (Jo 17:9-21).
A Unidade entre os discípulos era um anseio de Jesus, e cremos continua sendo. E a principal razão é que a união entre os discípulos glorifica o nome de Deus (v.10 ). Assim toda e qualquer divisão é um escândalo que conspira contra Deus e sua Igreja.

Quanto maior a Unidade e o amor entre os discípulos, maior credibilidade adquire nossa pregação. Podemos dizer que a Unidade é um meio de Evangelização, pois assim previu Jesus: "a fim de que todos sejam um, para que o mundo creia que tu me enviaste" (v. 22).

Nossas comunidades locais perdem o respeito da vizinhança, quando nossas diferenças e partidarismo ganham as ruas, levadas por nós mesmos, num verdadeiro suicídio da fé e da obra da Evangelização. Nunca, sobre qualquer motivo, podemos permitir que nossas diferenças sejam usadas pelo Diabo, para envergonhar o Evangelho e desacreditar a obra da igreja de que participamos. Não esqueçamos que a Unidade é um anseio de Jesus, expresso seguidas vezes em sua oração.

3.c) A Unidade só é obtida pelo amor - característica principal da união entre o Pai e o Filho: João 15:9-13, João 17:3-26
Não há unidade onde não há amor. Todos nós sabemos que se um homem e uma mulher decidem casar, é porque se amam, ou pelo menos deveria ser assim. Sem amor é impossível viver juntos.

Jesus sabia disto, pois em sua oração de apelo à Unidade, deixou claro que estava unido ao Pai pelos laços do amor, e o mesmo em relação aos discípulos, e que o seu desejo era ver este amor presente neles: "... a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles esteja" (Jo 17.26 ).

Onde Jesus está presente há amor, porque Ele é o amor (1Jo 4.8). Na base de todos os nossos conflitos internos há uma raiz de falta de amor. Sempre que amamos nossas idéias, nosso modo de ser, nossa proposta de Igreja, do que os irmãos que pensam diferente de nós, estamos conspirando contra a Unidade, somos adoradores de nós mesmos e não de Deus, pois não há idéia por mais santa que seja, que mereça mais amor do que o irmão, por quem Jesus morreu na cruz do Calvário.

Assim, para preservar a Unidade, devemos colocar à frente de qualquer projeto, o amor com que devemos nos amar uns aos outros. Lembrando que Jesus se fez servo de todos, não calou sua boca, não deixou de proclamar a verdade, mas amou e amou até a morte, e morte de cruz:"... por isso Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo o nome, para que se curve todo joelho nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai" (Fl 2.9-11 ).

4) A UNIDADE COMO CARACTERÍSTICA DA IGREJA CORPO DE CRISTO:

4.a) Todos os símbolos eclesiológicos são símbolos de Unidade:
4.a.1) A videira (Jo 15 ).
4.a.2) O Pastor e as Ovelhas (Jo 10:11-16 ).
4.a.3) A Pedra de alicerce e os tijolos (Ef 2:19-22 ).
4.a.4) O marido e a mulher (Ef 5:22s ).
4.a.5) O Corpo (Ef 1:22-23, 1Co 12, etc )

4.b) Unidade como experiência vivida desde o Pentecostes: Atos 2.1-13
O relato da descida do Espírito no dia de Pentecostes é acompanhado pela afirmação de que todos estavam reunidos, unânimes na espera que havia sido determinada por Jesus. Esta unidade é refletida ainda na experiência que se segue: todos são cheios do Espírito Santo, todos passam a anunciar as grandezas de Deus. A experiência das línguas torna-se outro símbolo de Unidade, pois quebra as separações que havia entre judeus e prosélitos de judeus, todos, se entendem, num fenômeno que produz o efeito contrário a Babel, onde, ao invés de as línguas dividirem o povo, passam a uni-los no conhecimento das grandezas de Deus.

4.c) A Unidade como experiência de celebração da fé e da tradição da Igreja de Atos dos Apóstolos: Atos 2:42-46.
A Igreja nascida do propósito de Deus e na unção do Espírito Santo desenvolveu características que são indissociáveis de seu modo de ser. A isto chamamos tradição, ou seja um conjunto de experiências e práticas que designam quem somos, e tornam-se símbolos da Unidade da Igreja. Quais são? Não é possível declinar todos, mas sublinhamos aqui as que se encontram em Atos 2:42-46.

4.c.1) "... doutrina dos apóstolos."
Isto significa o ensino de Jesus, a permanência da Palavra no meio da comunidade, ou o que alguns exegetas afirmam ser, o círculo sinagogal cristão, ou seja um espaço docente onde a fé dos apóstolos era compartilhada e ensinada.

4.c.2) "... na comunhão, no partir do pão..."
Havia a conseqüente celebração da fé, ou seja o culto propriamente dito. Onde há comunidade cristã tem que haver uma expressão de adoração e serviço a Deus. Junto a esta celebração era parte permanente a ceia como expressão de profunda comunhão e unidade, era celebrada na forma de uma refeição singela. Esta refeição é também, uma denúncia, num mundo que tira as pessoas da mesa da refeição.

4.c.3) "... e nas orações..."
Ao lado da catequese e do culto estava o movimento de oração na Igreja .Assim como não existe Igreja sem ensino ou sem culto, não existe Igreja sem oração incessante diante de Deus. Quando Pedro foi preso o texto de Atos 12.5 diz que havia oração incessante em favor dele.

4.c.4) "...Em cada alma havia temor, e muitos prodígios e sinais eram feitos..."
Como parte da tradição catequética, cúltica e de oração, estava a ação sobrenatural que o Espírito Santo operava através dos apóstolos. São experiências fundamentais da tradição cristã, será sempre uma quebra da Unidade e da tradição querer resumir a natureza da Igreja a um destes momentos, ou mesmo excluir um deles.

Hoje, alguns, sobre o pretexto de fugir de uma teologia intelectual, fria e formal, abandonam a reflexão e o ensino, e assim, esquecem a importância da catequese ou discipulado, aí temos uma Igreja sem profundidade bíblica, crentes entusiastas, mas sem maturidade espiritual, vulnerável a todo o vento de doutrina.

Por outro lado, há crentes que resumem a natureza da Igreja a uma concordância com um determinado número de afirmações doutrinárias, negando toda e qualquer manifestação sobrenatural. Entre uma e outra expressão de radicalidade, andam os partidarismos, que conspiram contra a Unidade da Igreja, conforme dada pelo Espírito a partir do Pentecostes.

4.c.5) "... os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum...distribuíam entre todos à medida que tinham necessidades..."
A conseqüência inevitável do compartilhar a fé, o pão e as experiências, era um compromisso com os que tinham menos, e mais ainda com os que nada tinham. Ao repartir os bens, o dar é uma exigência da natureza da Igreja nascida no Pentecostes. É também o ensino de Jesus... "mais bem-aventurado é dar do que receber..." (At 20:35).

Vivemos numa sociedade perversa e anti-cristã: não se dá ou quando se dá é para receber muito mais, expropriar o outro, o Estado, a Sociedade. Isto vimos com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do "P.C.", ou com a C.P.I do Congresso Nacional sobre Corrupção na Comissão do Orçamento.

Não há Unidade na desigualdade, na relação injusta de trabalho, na falta de habitação, saúde e trabalho com salário justo. É um desafio para a unidade da Igreja o repartir justo dos recursos.

4.d) Unidade como testemunho para o crescimento da Igreja: Atos 2:47.
A vida da Igreja de Atos dos Apóstolos causou um impacto muito forte em Jerusalém, e a razão é o que descrevemos na letra c, ou seja o modo de ser da Igreja, que transmitia reverência, comunhão, amor, solidariedade e o poder de Deus.

O resultado natural deste testemunho da vida comunitária foi: "... louvando a Deus, e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos" (At 2:47 ).

4.e) Unidade: um apelo de Paulo às igrejas (Rm 15:5-6, 1Co 1:10, Ef 4:3).
Paulo exerceu pelo menos dois grandes ministérios: o primeiro foi o ministério da Evangelização e anúncio do Reino, no qual ia reunindo os convertidos e os organizando em Igrejas. O segundo foi o de preservar e manter estas igrejas unidas, através do Ministério de Supervisor - Episkopos (Bispo), o qual ele realiza por cartas, pessoalmente ou através de auxiliares (Timóteo, Tito e Epafrodito).

Creio que o mais difícil era o de manter o rebanho unido. Seu zelo pela Unidade era tão grande, que ele desde a prisão dá um clamor veemente: "...esforçando-vos diligentemente por preservar a Unidade do Espírito no vínculo da paz" (Ef 4:3). Paulo sabia que a falta de Unidade enfraquece a Igreja, por isso seu apelo constante a todas as Igrejas.

III - Conclusão:
O que se pode dizer depois de ouvir a Palavra de Deus falar de tantas maneiras acerca da Unidade?

Pode-se ainda dizer que nós não fizemos ainda tudo o que podemos em favor da Unidade. Prova disto é que existem facções entre nós. A questão grave nisto tudo é que propagamos uma heresia quando dizemos que fomos guiados pelo Espírito, a esta ou aquela posição, a qual tem como conseqüência, e ainda usamos a Bíblia e o Espírito Santo como pretexto. O Espírito não nos separa, pois seu fruto é o amor, quem nos separa são as nossas idéias e projetos pessoais. Porque se fôssemos realmente guiados pelo Espírito Santo e tivéssemos o amor como prioridade, nós não viraríamos as costas para os que pensam diferente de nós.

No fundo o grande problema da nossa falta de Unidade é a incredulidade! Sim, porque se crêssemos de verdade que nossas idéias e projetos procedem de Deus, nós não precisaríamos brigar com os irmãos(ãs), mas orar por eles.

Nossos partidarismos são conseqüência de nosso empenho de convencermos à força os que pensam diferente de nós, e quando não conseguimos, viramos as costas para eles. Temos medo de perdermos nossas idéias e assim perdermos o controle do meio ambiente onde vivemos, e pior ainda, sermos controlados pelas idéias dos outros.

Na verdade o que existe em nós é uma necessidade de dominarmos e dirigirmos os outros, fruto da sociedade em que vivemos onde há uma batalha diária entre as pessoas.

Finalmente, vocês perguntariam: Onde está a falta de fé? "Quando nós verdadeiramente cremos que a transformação interior é obra de Deus e não nossa, podemos dar descanso a nossa paixão por endireitar a vida e idéias dos outros" ( FOSTER, R. - Celebração da Disciplina - Editora Vida, 1990 - SP). Sem essa paixão nosso partidarismo se transforma em civilizado respeito às opiniões alheias, e passamos a conseguir amar estes irmãos, e orarmos por eles. E, quando oramos pelos que pensam diferentemente de nós, três coisas podem ocorrer:

1) Primeiramente, Deus pode mudar os irmãos que pensam diferente de nós, aproximando-nos;

2) Em segundo lugar, Deus pode mudar a nós mesmo mostrando que nossas idéias não eram tão santas e perfeitas como pensávamos;

3) Em terceiro lugar, Deus pode mudar ambas as partes, pois quando buscamos a Deus, Ele por seu Espírito, põe amor em nosso coração pelas pessoas, e nos tornamos mais flexíveis e abertos às idéias e opiniões alheias e, como resultado: mais próximos e unidos.

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