IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

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Metodismo
Rio, 28/4/2008
 

O metodismo norte-americano dividido e a guerra civil norte-americana da Secessão de 1861 a 1865 (Paul Eugene Buyers)

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A ORGANIZAÇÃO DA IGREJA METODISTA EPISCOPAL DO SUL

A Conferência Geral de 1844 terminou à meia-noite do dia 18 de junho. No dia seguinte os delegados do sul se reuniram e tomaram as deliberações que julgaram necessárias para enfrentarem os problemas que a nova situação lhes criara. Havia muita perturbação nas suas deliberações. Os delegados fizeram um relatório de tudo o que se fez na Conferência Geral a respeito da escravidão e do plano de Separação, apelando ao povo para que não ficasse excitado e não tomasse deliberações precipitadamente, mas que esperasse até que houvesse uma reunião geral em que se podiam tomar decisões precisas. Recomendaram que cada Conferência Anual elegesse delegados para uma convenção que se reuniria em 1º de maio de 1845 na cidade de Louisville, no Kentucky.

Por ocasião das Conferências Anuais foi apresentado o "Plano de Separação" e todas as Conferências do sul o aprovaram.

Em 1º de maio de 1845 a convenção de delegados das Conferências Anuais dos estados onde existiam escravos, reuniu-se em Louisville, no Kentucky. Durou essa reunião vinte dias.

Uma comissão de organização foi nomeada para examinar as atas das Conferências Anuais, para considerar a conveniência e a necessidade de uma organização no sul, de acordo com o "Plano de Separação" e também inquirir se tinha acontecido durante o ano qualquer coisa que pudesse conservar a unidade do Metodismo sob uma Conferência Geral, sem prejudicar o Metodismo do sul.

Em 15 de maio a comissão relatou o seguinte:
"Que a Conferência Geral de 1844 deu plena e completa liberdade às Conferências Anuais dos estados onde existem escravos para decidirem sobre a necessidade de organizar uma corporação eclesiástica e separada no sul, que dezesseis das tais Conferências estão aqui representadas, que é evidente que o ministério e os membros no sul, quase quinhentos mil, na razão de noventa e cinco por cento deram seu parecer que uma divisão é indispensável, que se isto não for realizado, cerca de um milhão de escravos, que ouvem agora dos ministros o Evangelho se retirarão do nosso cuidado e que, tomando esta posição, as Conferências do sul estão, de boa vontade, prontas a tratar com a divisão do norte da Igreja em qualquer tempo, com o fim de ajustar as dificuldades desta controvérsia nas condições e princípios que sejam satisfatórios a ambos.”

“E então esses delegados solenemente declararam dissolvida a jurisdição, até então exercitada pela Conferência Geral da Igreja Metodista Episcopal sobre as Conferências Anuais representadas na convenção e que as ditas Conferências Anuais ficavam constituídas em uma corporação eclesiástica, separada, baseada sobre a Disciplina da Igreja Metodista Episcopal, abrangendo as doutrinas e todas as regras e regulamentos morais, eclesiásticos e ecumênicos da dita Disciplina, exceto as alterações verbais que sejam necessárias para ser conhecido pelo estilo e título da Igreja Metodista Episcopal do Sul" (McTyeire, p. 642).

A primeira Conferência Geral da Igreja Metodista Episcopal do Sul se realizou em 1º de maio de 1846, na cidade de Petersburg, estado de Virgínia, de acordo com o "Plano de Separação". O rev. João Early presidiu a Conferência até que o bispo Andrews chegasse.

No segundo dia da Conferência o bispo Josué Soule, o bispo mais velho da Igreja, filiou-se à Igreja Metodista Episcopal do Sul. É interessante notar que o bispo Soule, que era do norte, se tenha filiado à Igreja do sul. Chegou a hora, como declarou, para ele manifestar-se, pois a Igreja já, estava organizada de acordo com o "Plano de Separação". Foi unanimemente recebido pelos oitenta e sete delegados.

A Conferência tratou de diversas coisas de interesse geral da Igreja. Resolveu fundar uma Casa Publicadora, com três pontos para depósito de livros — Richmond, Charleston e Louisville. Mas houve uma modificação desde plano logo depois, sendo Nashville escolhido como centro da Imprensa Metodista. Foram eleitos redatores de jornais e revistas; constituiram-se comissões, de acordo com o "Plano de Separação"; e dois bispos foram eleitos, Guilherme Capers e Roberto Paine. Houve poucas alterações na Disciplina, ficando como estava a lei sobre a escravatura.

No dia 23, último da Conferência, se tomou a seguinte resolução:
"Que todos fiquem de pé e seja, por este ato, nomeado o dr. Lovick Pierce delegado à Conferência Geral da Igreja Metodista Episcopal, que se realizará em Pittsburg, em 1º de maio de 1848, para apresentar os cumprimentos cristãos e as saudações fraternais da Conferência Geral da Igreja Metodista Episcopal do Sul".

O "Plano de Separação" foi aceito quase que unanimemente pelas Conferências Anuais do sul; mas as Conferências Anuais do norte levantaram muitas objeções.

O "Plano de Separação" recebeu ali a maioria de votos, mas, por falta de dois terços de votos, não foi aprovado. Isto criou a maior confusão entre os irmãos do norte. Surgiram críticas de todos os lados, não somente entre si mesmos, mas também aos irmãos do sul. Quando chegou a hora de eleger os delegados à Conferência Geral de 1848 poucos dos que foram delegados à Conferência Geral de 1844 foram reeleitos.

A Conferência Geral da Igreja Metodista Episcopal de 1848 era composta, em conseqüência, de homens radicais e revoltados no seu espírito. Não gostavam do "Plano de Separação" e julgavam os irmãos do sul cismáticos e precipitados em dividir a Igreja. O estado de espírito dos delegados não favorecia uma legislação moderada e ponderada. Podiam esperar-se desde logo medidas radicais e exageradas.

Quando a Comissão de Finanças, nomeada pela Conferência Geral da Igreja Metodista Episcopal do Sul, apareceu à Conferência Geral da Igreja Metodista Episcopal para entender-se com uma comissão igual, não pode realizar nada de acordo com o "Plano de Separação" porque as Conferências Anuais não tinham aprovado o "Plano de Separação" da Conferência Geral. A comissão da Igreja Metodista Episcopal não tinha autoridade para agir e foi então que o ambiente enegreceu. Não podendo ser atendida, a comissão da Igreja Metodista Episcopal do Sul não tinha outro recurso senão “apelar para César”. Apelou para o tribunal civil. Levou alguns anos e ganhou a questão. A Igreja Metodista Episcopal pagou a quota da imprensa (Book Concern) que tocava a Igreja do Sul.

Se as Conferências Anuais do norte tivessem aprovado o "Plano de Separação", como as Conferências Anuais do sul fizeram, não teria havido tantas discussões exacerbadas. De ambos os lados eram as faltas que se cometeram, de modo que nenhum tinha direito de censurar o outro: os dois tinham culpa.

Quando o dr. Lovick Pierce se apresentou à Conferência Geral, em 1848, não foi recebido como delegado fraterno da Igreja Metodista Episcopal do Sul. Convidaram-no, como indivíduo, a tomar assento na Conferência; mas ele recusou o convite, alegando que era na qualidade de representante da sua Igreja que veio e não como indivíduo.

O dr. Pierce, logo que chegou à Conferência, comunicou por escrito o motivo da sua visita. Dois dias depois, recebeu a seguinte comunicação: "Visto que há questões e dificuldades sérias entre as duas corporações, fica resolvido que, embora receba o dr. Pierce pessoalmente com toda a distinção, ele é convidado a assistir as reuniões desta Conferência Geral, não julga, entretanto, conveniente entrar agora em relações fraternais com a Igreja Metodista Episcopal do Sul". (McTyeire, p. 647).


O dr. Pierce respondeu, por escrito, agradecendo o convite pessoal para tomar assento na Conferência e acrescentando:

"Dentro dos limites da Conferência somente posso ser reconhecido na qualidade do meu ofício. Vós, portanto, podeis considerar esta comunicação final, da parte da Igreja Metodista Episcopal do Sul. Ela não pode jamais renovar a oferta de relações fraternais entre as duas corporações do Metodismo Wesleyano nos Estados Unidos. Mas o convite pode ser renovado em qualquer tempo, agora, ou mais tarde, pela Igreja Metodista Episcopal. Se for feito na base do "Plano de Separação", como foi aprovado pela Conferência Geral de 1844, a Igreja do sul cordialmente o receberá" (McTyeire, p. 647).

A AÇÃO DO METODISMO DURANTE A GUERRA CIVIL

A escravidão não somente provocou atritos entre o povo chamado metodista, mas também entre o povo americano em geral. Se a escravidão se tivesse generalizado por toda a parte do país, provavelmente não teria havido tantas contendas. Como a questão da escravidão contribuiu para dividir a Igreja Metodista Episcopal, serviu também para dividir a nação e provocar uma guerra civil que durou quatro anos.

Durante o período da Guerra Civil (1865-1880) o Metodismo sofreu revezes, tanto no norte como no sul. Entre os anos de 1860 e 1864 a Igreja do Norte perdeu mais de sessenta e oito mil membros e a do Sul, mais de cem mil membros. Além disso, a Igreja do Sul perdeu muitas das suas propriedades, igrejas, colégios, escolas e outros estabelecimentos.

O trabalho missionário no estrangeiro ficou paralisado. Os missionários da China, drs. Young J. Allen e J. W. Lambuth, ficaram sem auxílio da Igreja. Tiveram de arranjar !trabalho entre o povo chinês para manter-se. O dr. Allen conseguiu um bom serviço como tradutor do governo chinês. Desta forma veio a estreitar relações com a alta camada da sociedade chinesa. Tornou-se grande propagandista por meio de livros e j ornais.

A Igreja Metodista Episcopal do Sul não pode realizar a sua Conferência Geral, em 1862, por causa da guerra, mas em 1866 realizou-se a Conferência na cidade de Nova Orleans.

A Igreja Metodista Episcopal acompanhou as conquistas das armas do norte e ocupou o território conquistado, tomando, às vezes, conta de igrejas e outras propriedades. As propriedades adquiridas desta maneira criaram grande empecilho na reconciliação posterior das duas igrejas.

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(*) Texto extraído das páginas 262 a 267 do livro História do Metodismo, de Paul Eugene Buyers, publicado pela saudosa Imprensa Metodista em 1945.

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