IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Metodismo
Rio, 29/4/2008
 

A I Guerra Mundial e a sua influência sobre a Igreja Metodista norte-americana (Paul Eugene Buyers)

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A ATITUDE DA IGREJA PARA COM A GUERRA

Não falamos aqui de guerras nacionais ou continentais, mas em guerras mundiais. Em 1910, por ocasião da Conferência Mundial de Missões, que se realizou em Edinburgo, na Escócia, o mundo parecia estar calmo, sossegado e em paz. As Igrejas protestantes européias e americanas tinham semeado nas terras estrangeiras e distantes a Palavra de Deus e agora voltavam "com júbilo, trazendo os seus feixes". Milhares de almas foram arrebanhadas ao aprisco do Senhor. Aquele foi um dos concílios notáveis na história do Cristianismo. A opinião da Conferência era de que nos dez anos seguintes sem dúvida haveria um ponto decisivo na história da humanidade.

Mas em menos de quatro anos o mundo explodiu numa guerra mundial, que veio a envolver vinte e três nações, em quatro continentes. A metade da riqueza do mundo foi consumida. Algumas nações ficaram tão endividadas que faliram, outras ficaram submersas em dívidas que levarão mais de sessenta anos para serem pagas, se é que serão pagas.

No meio de um mundo arruinado pela guerra, qual será o papel da Igreja? O dr. Luccock, falando sobre isto, disse:
"O mundo não se pode recuperar desta guerra. A Igreja, como uma instituição no mundo, daqui em diante tem de aplicar a maior parte das suas energias para descobrir um ministério que possa atender às necessidades das nações rasgadas, quebradas e cheias de ódio, que agora estão tateando e tropeçando à procura de alguma luz. "Quando se apaga", diz Bossuet, "é porque se vai recomeçar a escrever". A Igreja deve estar alerta para reconhecer a nova escrita e a Igreja Metodista junto com as demais Igrejas" (Luccock, p. 483).

Quando arrebentou a Guerra Mundial a Igreja Metodista estava próspera, mas não preparada para ela. A nação americana também não estava preparada. Por muitos anos se fazia propaganda de paz em todo o mundo e as igrejas participaram dessa propaganda. Mas, quando o governo entrou na guerra, a Igreja Metodista cooperou com o governo na sua política. O presidente Wilson, nos seus discursos eloqüentes, declarava que os Estados Unidos entravam "na guerra para acabar com a guerra" e "para tornar o mundo seguro para a democracia". Em tudo isso havia idealismo que cativava o coração do povo americano. A Igreja Metodista ficou influenciada por tal política e, depois que Wilson anunciou os seus "Quatorze Pontos", não houve mais hesitação por parte dela. A Igreja acreditou que o país e os países aliados estavam participando de uma cruzada para libertar a humanidade da tirania e liberdade espiritual.

O plano da Igreja para celebrar o primeiro centenário da sua obra missionária, em 1919, estava preparado antes de entrarem os Estados Unidos na guerra. Quando a guerra terminou, as Igrejas Metodistas, do norte e do sul, lançaram apelo ao seu povo para levantar cento e trinta e cinco milhões de dólares (Cr$ 2.700.000.000,00). O povo estava inspirado e entusiasmado com o idealismo que se tinha produzido durante a guerra. Assumiu compromisso de pagá-los no prazo de cinco anos. Mas, antes de terminar o prazo de cinco anos, veio a reação provocada pela guerra e ele não pode resgatar os seus compromissos. Mais da metade resgatou. A idéia que inspirou muitas almas para tomarem parte nessa grande e gloriosa campanha, era a convicção de que os problemas do mundo não podem ser resolvidos pela força das armas, mas somente por Jesus Cristo. Realmente, a Igreja de Cristo, é a única instituição no mundo que visa a unificação da humanidade em uma fraternidade universal. E as armas, que a Igreja de Cristo pretende usar são armas espirituais. Não será pela espada, nem ela força que o mundo será conquistado, mas pelo Espírito de Cristo.

LIBERALISMO

A Igreja Metodista não se destaca como causadora de heresias. A atitude da Igreja, quanto à crença dos seus membros, manifesta-se nas expressões de Wesley, no preâmbulo das Regras Gerais, onde diz:
"Há só uma condição previamente exigida daqueles que buscam admissão nestas sociedades – "o desejo de fugirem da ira vindoura e de serem salvos dos seus pecados" (Discipline 1940, § 104).

E também em sua declaração, feita quando era velho, que é a seguinte:
"Eles (os metodistas) não impõem, para serem admitidos, quaisquer opiniões. Podem ter as opiniões da redenção particular ou geral, dos decretos absolutos ou condicionais, podem ser anglicanos ou dissidentes, presbiterianos independentes ou congregacionais, não importa. Podem escolher qualquer modo de batismo; não será empecilho à sua admissão. Os presbiterianos podem ser ainda presbiterianos; os independentes (congregacionais e os batistas) podem continuar seu modo de culto. Igualmente os quaqueres. Ninguém contenderá com eles sobre isso. Os metodistas pensam e deixam pensar". (Sweet, p. 389).

Há, portanto, muita liberdade de pensamento e de opinião no metodismo. Nunca houve numa Igreja Metodista exigência rigorosa sobre doutrinas. Temos suas doutrinas e seu padrão de doutrinas, mas há muita liberdade pessoal quanto às opiniões pessoais. Uma pessoa pode ter opiniões diferentes de outra e não será perturbada, se não começar a perturbar outras com a ventilação das suas.

De cinqüenta anos para cá tem havido perturbações sobre idéias liberais que alguns ministros têm pregado. Não há dúvida que há duas correntes de pensamento no mundo teológico atual; a corrente fundamentalista e a corrente liberal — o Fundamentalismo e o Liberalismo.

A primeira controvérsia deu-se em 1895, quando o dr. H. G. Mitchell, professor do Antigo Testamento na Universidade de Boston, foi acusado de adotar as conclusões da crítica histórica e, depois de examinado pelas autoridades, foi exonerado. Alguns anos depois foi atacado outra vez, mas nunca chegou a ser condenado.

O dr. B. P. Bowne, professor da Universidade de Boston, defendeu a posição do dr. Mitchell e por isso tornou-se suspeito e sofreu também acusações de heresia.

Os fundamentalistas publicaram uma série de livrinhos chamados — "Fundamentais: Um Testemunho à Verdade". As despesas da publicação desses livros foram pagas por ofertas de leigos abastados. Um exemplar era remetido a cada pastor, evangelista missionário e leigos das diversas Igrejas. Provocava discussões sobre as doutrinas chamadas fundamentais. Esta campanha refletiu-se na Igreja Metodista. O Curso de Estudos foi reorganizado como resultado dessa controvérsia, porém com poucas alterações.

Em 1925 uma liga, chamada "Liga Metodista pela Fé e Vida" foi organizada para "reafirmar as verdades vitais da religião cristã, tais como a inspiração das Escrituras, divindade de Jesus, seu nascimento da Virgem, etc". Publicou-se um jornal por algum tempo, porém finalmente cessou. Há sem sombra de dúvida uma corrente liberal na Igreja Metodista.


A UNIFICAÇÃO DO METODISMO NA AMÉRICA DO NORTE

O movimento de unificação do Metodismo americano tem sido muito lento. Começou depois da Guerra Civil, mas encontrou obstáculos. A Igreja Metodista Episcopal, a Igreja Metodista Episcopal do Sul e a Igreja Metodista Protestante consumaram sua unificação em 10 de maio de 1939, na cidade de Kansas, estado de Missouri.

Não trataremos das demoradas negociações que se deram no decorrer de setenta anos ou mais. Custou chegarem as três Igrejas a um acordo, mas, pela graça de Deus e pela boa vontade da parte de todos, a união foi consumada com grande regozijo em toda a parte da Igreja. Houve muito pouco descontentamento entre os metodistas por causa desse grande acontecimento.

Queremos incluir aqui o documento histórico deste importante acontecimento.


"A DE CLARACAO DE UNIÃO"
Considerando que a Igreja Metodista Episcopal, a Igreja Metodista Episcopal do Sul e a Igreja Metodista Protestante, pelas suas respectivas Conferências Gerais nomearam Comissões de Relações Interdenominacionais e União da Igreja;

Considerando que essas Comissões, agindo juntas, produziram, propuseram e apresentaram às três Igrejas um plano de união;


Considerando que três Igrejas, cada uma agindo separadamente, por si mesma e para si mesma, aprovaram e adotaram esse plano de união por uma maioria superior à constitucional, de acordo com as suas respectivas constituições e disciplinas, e efetuaram a consumação, completa da união de acordo com o plano de união;

Considerando que estas três Igrejas ao adotarem esse plano de união conferiram a esta Conferência Unificadora certos poderes e obrigações como consta no referido plano;

e Considerando que a Conferência Unificadora plenamente autorizada e legalmente constituída de acordo com o plano de união está agora em sessão na cidade de Kansas, no Missouri:

Nós, membros da Conferência Unificadora, representantes legais e autorizados da Igreja Metodista Episcopal, da Igreja Metodista Episcopal do Sul e da Igreja Metodista Protestante, ora reunidos em sessão, neste dia 10 de maio de 1839, solenemente declaramos na presença de Deus e perante toda a gente que fazemos e publicamos a seguinte declaração de fato e de princípio:

I. A Igreja Metodista Episcopal, a Igreja Metodista Episcopal do Sul e a Igreja Metodista Protestante são e serão unidas em uma Igreja.

II. O plano de união, como foi adotado, é e será a constituição desta Igreja unida e dos seus três corpos constituintes.

III. A Igreja Metodista Episcopal, a Igreja Metodista Episcopal do Sul e a Igreja Metodista Protestante tiveram a sua origem comum na organização da Igreja Metodista Episcopal, na América, em 1784, A.D., e sempre têm afirmado e conservado uma crença, um espírito e um propósito em comum, como se expressam nos Artigos de Religião.

IV. A Igreja Metodista Episcopal, a Igreja Metodista Episcopal do Sul e a Igreja Metodista Protestante ao adotarem o nome "IGREJA METODISTA" para a Igreja unida, não cedem nem cederão qualquer direito ou interesse ou título que pertencem aos respectivos nomes, que, pelo longo e honrado uso e associação, se tem tornado sagrados ao ministério e aos membros das três igrejas que se unem e que se conservam guardados na sua história e nos seus fichários.

V. A Igreja Metodista é a sucessora legal eclesiástica das três Igrejas que se unem e por ela as três Igrejas como uma Igreja unida continuarão a viver e a ter existência. Ela continuará com as suas instituições e possuirá suas propriedades, usará dos seus títulos, de acordo com o plano de união e com a Disciplina da Igreja Unida. Tais títulos e pessoas jurídicas, como existem nas Igrejas constituintes, continuarão, enquanto for legalmente necessário.

VI. À Igreja Metodista, como agora fica estabelecida, nós solenemente declaramos a nossa lealdade e sobre toda a sua vida e serviço reverentemente invocamos as bênçãos do Deus Onipotente. Amém".

(Unanimemente adotado pela Conferência Unificadora, na cidade de Kansas, Missouri, a 10 de maio de 1939)." (Disciplina 1940, ps. 11-14).

Como diz o dr. W. W. Sweet, no fim do seu livro "Methodism in American History":
"Assim os dois grandes cismas do Metodismo americano foram sarados e, como resultado, criou-se o maior corpo Protestante da América, com aproximadamente oito milhões de membros. O que significa este fato para o reino de Deus ninguém pode saber, mas do seu potencial para o bem, neste mundo necessitado, ninguém pode duvidar" (Sweet, 2ª Edição, p. 398).

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(*) Texto extraído das páginas 285 a 291 do livro História do Metodismo, de Paul Eugene Buyers, publicado pela saudosa Imprensa Metodista em 1945.


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