IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

Boulevard Vinte e Oito de Setembro, 400
Vila Isabel - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20551–031     Tel.: 2576–7832


Igreja da Vila

Aniversariantes

Metodismo

Missão

Artigos e Publicações

Galeria de Fotos

Links


Metodismo
Rio, 29/4/2008
 

O Metodismo britânico de 1791 a 1849, logo após a morte de João Wesley, seu fundador (Paul Eugene Buyers)

ZZ Outros Colaboradores ZZ


 

A CONDIÇÃO DAS SOCIEDADES UNIDAS NA OCASIÃO DA MORTE DE WESLEY

Antes de morrer, tomou Wesley todas as precauções possíveis para que o povo chamado metodista não ficasse dividido e espalhado. Havia grande número de pregadores, homens, mulheres e crianças que olhavam para Wesley como seu guia e conselheiro espiritual. Para protegê-los Wesley tomou os passos que julgava necessários.

Quanto às propriedades, ao governo e a direção das sociedades, deixou o "Título de Declaração". Quanto à vida espiritual religiosa, deixou grande número de tratados e livros. E quanto ao espírito em que seus pregadores deveriam trabalhar, deixou a carta de Chester, em que exorta os membros da Conferência dos Cem a não se mostrarem superiores aos demais irmãos, para que todas as coisas feitas entre os irmãos fossem feitas como ele as fazia quando estava com eles, e que fizessem as alterações que as circunstâncias exigissem.

Em outras palavras, Wesley queria que a Conferência Anual do metodismo inglês o substituísse e que o trabalho dela fosse feito no mesmo espírito com que ele tinha dirigido o movimento. Havia três coisas sobre que Wesley sempre insistia e que ele desejava que continuassem em vigor nas sociedades:
a) que a Conferência se reunisse regularmente;
b) que as doutrinas não fossem alteradas;
c) que a Conferência dos Cem tornasse a autoridade suprema das sociedades.

Mas havia lacunas que Wesley não preencheu. Não disse nada acerca da relação dos leigos com a administração da Igreja. Como considerava os seus pregadores simples leigos, com poucas exceções, provavelmente não se lembrou de mencioná-los. Deixou poucos dos seus pregadores ordenados e, depois da sua morte, a situação deles ficou grandemente alterada. Qual seria a sua relação com a Igreja Anglicana? Aqui estava uma lacuna: providenciar o que era necessário para terem uma vida eclesiástica completa. E também não disse nada a respeito dos sacramentos. Onde tomariam a santa ceia os membros das sociedades metodistas? Havia divergência de opiniões sobre esse ponto. Tornou-se um dos problemas mais sérios na Igreja.

UMA CRISE NOS ARRAIAIS METODISTAS

A história da humanidade está cheia de crises. Não se pode fugir a elas. Tanto na vida individual como na vida coletiva há crises. Nosso Mestre e Salvador, Jesus Cristo, não as evitou. No fim do segundo ano do seu ministério quando recusou ser rei, "muitos dos seus discípulos se retiraram e não andavam mais com ele". O profeta Isaías conta-nos a visão que teve de Deus e do estado moral e espiritual de seu povo, no ano em que o rei Uzias morreu. Muitas vezes, quando o chefe de um povo morre, vem uma crise política ou social sobre a nação. Isso se deu na ocasião da morte de Alexandre Magno e de César. Há muitos casos tais que se poderiam mencionar, tirados das páginas da história.

Estudando a história do Metodismo na Grã-Bretanha, entre os anos de 1791 e 1797, encontramos uma época de grande crise. Há diversos fatores que concorreram para provocar tal estado de coisas. Mencionaremos alguns deles:


1. A morte de João Wesley.

Por um período de cinqüenta e dois anos João Wesley tinha feito "a obra de um evangelista" no Reino Unido da Grã-Bretanha e tinha organizado 108 paróquias e alistado 326 pregadores sob suas ordens. Havia na Inglaterra 78.993 membros nas sociedades metodistas, contando-se os metodistas da América e dos campos missionários, chegavam eles a um total de 158.345.

Quando o chefe tombou na luta contra o mal, todos ficaram abalados. Então surge o problema da direção. Os que eram guiados tornaram-se guias, mas a questão prática era: "Quem será o chefe de todos"? Aqui aparece um dos fatores da crise daquela época

No dia 9 de março, quando o corpo de Wesley foi levado ao cemitério, de madrugada, para evitar o aperto das multidões, havia, em Londres e em outros lugares, muitos profetas, antevendo o fim do metodismo na Inglaterra. E havia grande perigo disso e os mais sensatos exortavam os outros a se entregarem à oração.

Um dos pregadores mais sensatos daquela época, quando recebeu a notícia da morte de Wesley, disse:
"Minha alma estremece pela Arca de Deus. Há em nosso meio homens de opiniões tão diversas e que julgam ter tanta autoridade como os demais, especialmente como os pregadores mais idosos, que tenho receio de que surjam divisões entre nós. Ó Senhor, derrama sobre nós o espírito de unidade, paz e paciência, de maneira que os malvados não venham a triunfar".

Os pastores assistiram à Conferência seguinte sob uma pressão de espírito que não podia ter sido mais deprimente do que se tivessem feito o sepultamento do próprio Metodismo

2. A Revolução Francesa.

A morte de Wesley não podia ter acontecido em uma época menos auspiciosa do que aquela em que deixou as fileiras metodistas, pois foi justamente nesse tempo que rebentou a Revolução Francesa, uma época em que tudo o que existia na vida política, econômica, social e religiosa foi posto à prova. Tinha raiado um novo dia para o mundo, segundo as idéias dos franceses, que tinham testemunhado o bom êxito da Revolução Americana, pela independência. Isto estimulou a França a tentar coisa semelhante, sendo pouco melhor. Toda a Europa, desde a Escandinávia até a Calábria, sentiu o terremoto social que então abalou até aos alicerces o mundo civilizado. O trono da França tinha caído e o rei Luiz XVI fora guilhotinado. Não havia coisa alguma considerada sagrada demais para não ser posta à prova. As igrejas foram confiscadas, o calendário mudado, a Razão constituída em um novo deus e os direitos dos homens defendidos. A França se banhou em sangue.

3. Perturbação política na Inglaterra.

Se a Revolução Francesa tivesse vindo cinqüenta anos mais cedo, a Inglaterra teria seguido o mesmo caminho que a França tomou. Mas felizmente o movimento metodista tinha conseguido influenciar o sentimento do povo inglês e criar uma nova visão da vida espiritual a tal ponto que o movimento revolucionário da França não encontrou ali uma aceitação França e expansiva. Mas nem por isso deixou a Inglaterra de ser grandemente perturbada.

Tomas Paine, um americano, deista e inimigo de todas as religiões (menos a religião da Razão), contribuiu mais do que qualquer outro para semear as idéias da Revolução Francesa na Inglaterra. Publicou um panfleto intitulado "Os Direitos do Homem", que foi espalhado a mãos cheias na Inglaterra e provocou uma perturbação tal que o governo teve de expulsá-lo. Mas é admirável notar que alguns dos homens mais destacados na política, na vida literária e no ministério abraçaram essas idéias e pugnaram por elas.

As fileiras metodistas não deixaram de sentir o reflexo desse movimento subversivo. O historiador Abel Stevens afirma que os escritos de Tomas Paine concorreram mais para corromper os sentimentos morais e políticos do povo da Inglaterra e da América do que quaisquer outros na última parte do século dezoito.

Adão Clarke afirma que alguns pregadores metodistas ficaram contaminados com as idéias da época, mas a maioria deles ficaram com as suas idéias firmes nos princípios evangélicos.

Assim se achavam a Inglaterra e a Europa na ocasião da morte de João Wesley. A crise que sobreveio ao movimento metodista foi muito forte, porém ele saiu dela mais forte e mais unido do que nunca.

ALGUNS PROBLEMAS QUE A CRISE PROVOCOU

A crise provocou alguns problemas e entre eles podemos mencionar os seguintes:

1. O espírito divisionista e partidário.

A época em que João Wesley faleceu, estava contaminada de discussões e contendas, não somente na vida pública, mas também nos arraiais metodistas. Era um período de panfletos. Era esse o meio mais popular e eficiente de propagar, idéias novas. O ar estava cheio de idéias novas. Havia, portanto, discussões entre os metodistas, nas suas reuniões públicas, nas Conferências trimensais e Anuais. Publicaram-se panfletos sobre diversos problemas das sociedades metodistas. Os homens mais sérios e leais ficavam perplexos e atribulados, receosos quanto aos resultados desse estado de coisas.

A primeira reunião da Conferência Anual que se realizou depois da morte de Wesley foi cheia de apreensões e receios.

Enviou-se uma carta circular a cada um dos pregadores. Essa carta tratava dos problemas mais importantes na Igreja. Fez-se um apelo para que os princípios que Wesley estabelecera no "Titulo de Declaração" ("Deed of Declaration'”), fossem respeitados.

Esta carta provocou reações nas sociedades metodistas em todo o Reino Unido. E, quando se reuniu a Conferência Anual, a situação estava já esclarecida de maneira positiva. Estava se manifestando três correntes entre os pregadores e membros. Havia um grupo, conservador, que queria que as sociedades fossem, a todo custo, conservadas no Estabelecimento (ou seja, na Igreja Anglicana); havia outro grupo, extremista, que queria fazer muitas alterações radicais e separar-se completamente da Igreja Anglicana; e havia, ainda, um grupo maior que ocupava o termo médio, que não queria ser nem conservador, nem radical demais.

Durante os quatro meses que se seguiram à morte de João Wesley e que precederam à reunião da Conferência Anual, houve muitas discussões entre esses três grupos, nas sociedades metodistas.

Logo no princípio dessas discussões apareceu um homem de grande energia, destinado a ser o fundador de um novo Metodismo na Inglaterra. Era Alexandre Kilham. Nasceu na cidade de Epworth, em 10 de julho de 1762, de família metodista. Era homem de gênio forte e na mocidade se entregou ao pecado, mas, finalmente, depois de muitos lapsos, converteu-se e tornou-se pregador. Em companhia de um leigo rico e fervoroso abriu trabalho metodista nas Ilhas de Canais. Foi muitas vezes atacado em motins, mas não tinha medo, pois era consagrado a Deus. Foi nessas circunstâncias que afirmou:
"Eu podia sinceramente dizer: O Senhor é meu o prazer, o Senhor é meu escudo, meu Deus em quem confio. Eu sou teu, Senhor. Faze com teu servo o que quiseres, faze que eu seja inteiramente teu para o tempo e para a eternidade. Purifica a minha alma e guarda-me do pecado para que ele não venha entristecer-me e para que eu seja teu para sempre".

Kilham era o chefe dos extremistas. Queria uma separação imediata e completa da Igreja Anglicana. Disse: "Dê-se-nos a liberdade de homens ingleses e dê-se a ceia do Senhor às sociedades". Ele estava saturado do espírito revolucionário do tempo e queria, a todo custo, implantar as suas idéias no meio metodista.

2. Os sacramentos ou a separação da Igreja Anglicana.

A ministração do batismo e a celebração da santa ceia nas sociedades metodistas foram motivos de divergência entre os metodistas muito antes da morte de Wesley.

Por longos anos Wesley hesitou em ordenar alguém para administrar os sacramentos nas sociedades. O trabalho na América chegou a tal ponto que ou ele tinha de tomar providências nesse sentido ou os próprios pregadores, que estavam na América, o fariam.

Os metodistas da América estavam sem ministério ordenado e, depois da guerra da Independência-norte americana, os párocos da Igreja Anglicana tinham as suas dificuldades. Além disso, não queriam atender às necessidades dos metodistas. Foi nessa época que Wesley se convenceu de que devia agir de maneira prática e eficiente. Resolveu, pois, o problema, ordenando Tomaz Coke como superintendente e Richard Whatcoat e Tornaz Vasey como presbíteros para atender às necessidades do trabalho na América.

Esse ato não agradou a seus pregadores na Inglaterra. Seu irmão Carlos ficou muito desgostoso por causa disso. O próprio João Wesley sentiu os mesmos receios do seu irmão, mas pesava sobre ele uma responsabilidade que não pesava sobre seu irmão.

Havia, nas sociedades metodistas da Inglaterra uma corrente forte que preconizava a separação, mesmo antes da morte de Wesley, mas ele, enquanto vivo, conseguiu conservar as sociedades na Igreja Anglicana. Como Carlos faleceu antes de João, é natural que o elemento descontente com tal estado de coisas, que existia no tempo de Wesley, se rebelasse logo que ele morresse.

A força centralizadora já desaparecera e tudo restava sem segurança. A crise chegou a seu auge e a obra de meio século corria o perigo de se desfazer.

A CRISE VENCIDA

No meio da confusão e da incerteza, o elemento conservador e o receio da parte de outros concorreram para estabilizar as coisas até que certas medidas pudessem ser tomadas, para assegurar o trabalho.


1. Espírito de moderação manifestado pelos guias.

Em todos os três grupos em que se dividiam os metodistas, havia apreensão. E por isso entre todos havia precaução e moderação na maneira em que se expressavam e agiam. Todos se entregavam à oração. Diz o historiador Abel Stevens, na sua História do Metodismo:
"O espírito devoto da Conferência de 1791 assinalou todas as suas deliberações. Os membros sentiam demais o peso da sua responsabilidade para permitir que suas paixões profanas afetassem os seus atos, ou dominassem as suas línguas com palavras de exasperação".

A quadragésima oitava Conferência realizou-se na cidade de Manchester, em 26 de julho de 1791. Alguns dos membros chegaram poucos dias antes e se entregaram à oração, à pregação, aos negócios para a abertura da Conferência. Um dos pregadores mais distintos, o rev. Benson, pregou um poderoso sermão na capela de Olham Street, no dia 24 de julho, sobre o texto: "Lembrai-vos dos que vos governam, os quais vos falaram a Palavra de Deus, e contemplando o fim do seu procedimento, imitai a sua fé" (Hb 13:7). O sermão causou boa impressão sobre a grande assembléia que enchia a capela.

Mais de trezentos pregadores assistiram à Conferência Geral, número que, havia já alguns anos, não se alcançava. Foi o espírito religioso que se manifestou entre eles que salvou a Conferência de um grande desastre. A sessão se prolongou até o dia 8 de agosto e, durante todo esse tempo, um espírito de prudência e de respeito caracterizou todas as deliberações. O sr. Attmore, assim descreve esta sessão:
"Tinha sido profetizado por algum tempo pelos nossos adversários e temido pelos nossos amigos que haveria divisão entre nós. Ainda que nós nos achássemos em circunstâncias especiais, tendo de adotar uma nova forma de governo, e os pregadores e o povo muito divididos quanto aos seus sentimentos em relação à Igreja Anglicana, tal foi o grande amor de Deus que "a unidade do espírito" se conservou entre nós e a esperança dos nossos adversários e os terríveis pressentimentos dos nossos amigos foram vãos".

Adão Clarke corroborou esta afirmação, dizendo:
“Tenho assistido às diversas Conferências, mas nunca assisti a uma em que a unidade do espírito, do amor e do bom senso prevaleceram tão uniformemente. Eu gostaria que esta informação fosse proclamada desde Dan até Berseba e que o mundo soubesse que as últimas palavras do nosso reverendo pai se tem cumprido: "O melhor de tudo é que Deus esta conosco".

Guilherme Thompson foi eleito presidente e o dr. Adão Clarke secretário.

Foi apresentada à Conferência uma carta de João Wesley, por seu companheiro de viagem, rev. Jose Bradford. Essa carta foi considerada o último testamento de Wesley aos seus pregadores. Era dirigida à Conferência dos Cem (Legal Hundredd) e rezava o seguinte:

"Rogo-vos, pela mercê de Deus, que nunca aproveiteis do "Título de Declaração" para assumir qualquer superioridade sobre vossos irmãos. Deixai todas as cousas continuarem entre os itinerantes que quiserem continuar juntos, exatamente como quando eu estava convosco, tanto quanto as circunstâncias permitirem. Em particular eu vos rogo, se me tendes amado e amais a Deus e os vossos irmãos, que não façais acepção de pessoas na nomeação dos pregadores, na escolha de crianças para a escola de Kingswood, na distribuição das contribuições anuais do fundo dos pregadores e de qualquer outro dinheiro. Fazei todas as coisas visando à glória de Deus, como eu tenho feito desde o princípio. Assim prossegui, fazendo tudo sem preconceitos e parcialidade e Deus estará convosco até o fim".

E a Conferência procedeu, cedendo a cada pregador todos os direitos e privilégios que os membros da Conferência tinham, de acordo com o "Título de Declaração". Assim terminou a primeira Conferência Geral que se realizou depois da morte de Wesley, sem haver separação entre o povo chamado metodista. Mas as divergências entre os pregadores e leigos não foram removidas. O perigo de um cisma foi evitado, porém não foi encontrada uma solução final para ele. Os mesmos problemas ainda estavam de pé e por muito tempo haviam de surgir de vez em quando, ameaçando a paz e a prosperidade do povo de Deus.

Logo depois de se encerrar a Conferência, começou de novo a perturbar o espírito do povo a celebração dos sacramentos nas sociedades. Alguns interpretavam as deliberações da Conferência de uma maneira e outros, de outra. O partido conservador insistia em seguir o conselho de Wesley, que era para ficar na Igreja Anglicana e, portanto, em negar o direito de administrar os sacramentos nas sociedades.

O partido extremista dizia: "Seguir a Wesley é obedecer a direção da providência divina e alterar ou corrigir o plano de acordo com as exigências da época". Assim se levantou de novo a questão. Começaram a circular entre o povo cartas circulares e panfletos. Alguns pregadores, que foram ordenados por Wesley para administrarem os sacramentos, julgaram que deviam fazê-lo onde as sociedades quisessem. Mas, fazendo isto, nalgumas sociedades grande número de membros que se retiraria das sociedades, se achava ofendido.

O rev. Kilham, que era dos extremistas, entrou no conflito e de novo escreveu alguns panfletos que ofenderam diversas pessoas, tanto leigos como clérigos.

Quando a Conferência Anual se reuniu em Londres, em 31 de julho de 1792, a atmosfera estava saturada de maus pressentimentos.

O rev. Kilham foi censurado pela Conferência por ter usado expressões ofensivas nas suas publicações. Ele deu explicação perante a Conferência e prometeu ser mais moderado no futuro.

Então, depois de tratar de outros negócios, se levantou a questão dos sacramentos, que foi discutida por muito tempo, mas os presentes estavam divididos sobre o problema e, como não se podia decidir a questão se deveriam proibir a celebração dos sacramentos para o ano seguinte ou se deveriam celebrá-los, resolveram decidi-la por sorte.

O modo escolhido de decidir a questão pode ser um pouco esquisito, mas o ato de lançar a sorte foi solene. Enquanto todos estavam ajoelhados, quatro membros oravam e, ao terminarem as orações, o dr. Clake tirou a sorte e anunciou: "Vós não administrareis os sacramentos este ano". Todos ficaram satisfeitos com o resultado e o amor e a harmonia voltaram de novo ao grêmio.

A Conferência publicou um artigo sobre as resoluções tomadas para serem divulgadas entre o povo. Na hora de se encerrar a sessão, o que aconteceu à meia noite, todos se ajoelharam e se consagraram de novo ao serviço do Mestre. A questão dos sacramentos foi resolvida por mais um ano, mas não definitivamente.

No correr do ano muitos descobriram que não era possível conformar-se para sempre com a decisão que foi tomada sobre os sacramentos Em alguns lugares as sociedades dividiram-se e logo a questão estava sendo discutida entre alguns pastores e párocos da Igreja Anglicana.

Por ocasião da Conferência anual que se realizou na cidade de Leeds, em 29 de julho de 1793, a questão foi discutida francamente entre os membros. Chegaram afinal à conclusão que a melhor solução era administrar os sacramentos às sociedades que o quisessem e deixar de administrá-los às que não o quisessem. O resultado da votação foi 86 em favor e 48 contra. O dr. Adão Clarke, dando sua impressão dessa Conferência, disse:
"Desde nossa existência como povo, nunca tivemos Conferência como esta. O céu e a terra uniram-se, prevaleceram harmonia e unidade. Nossos negócios foram resolvidos da maneira mais satisfatória, creio eu, para ambos os partidos".

Resolveu-se na Conferência que nenhum dos pregadores usasse batina na celebração dos sacramentos, nem usasse o titulo de “reverendo".

A Conferência publicou a seguinte comunicação às sociedades: "Algumas das nossas sociedades têm nos importunado repetidamente para que lhes concedamos a liberdade de receber a ceia do Senhor dos seus pastores. Mas, desejosos de aderir o mais estritamente possível ao plano que Wesley nos deixou, temos muitas vezes recusado atender-lhes. O assunto chegou agora ao seu clímax. Compreendemos que não temos outra alternativa, sendo atender ao seu pedido ou correr o perigo de perdê-las. Oh! irmãos, não queremos excluir ninguém, especialmente aqueles que são membros do corpo místico de Cristo e nossos irmãos amados, cujo único erro, se é erro, é da cabeça e não do coração. Não podemos permitir que estes abandonem os seus fiéis pastores e corram talvez o perigo de ser devorados por lobos vorazes, visto que o ponto da divergência não é considerado essencial à salvação".

Evitou-se assim, outra vez, uma divisão. O rev. Pawson, presidente da Conferência, assim narra o resultado dessa sessão:
"Corremos grande perigo de nos dividir. Muitos esperavam e trabalharam neste sentido, porém mais uma vez foram felizmente desapontados".

Os pregadores voltaram para seus campos confortados e animados. Entretanto o rev. Kilham, que não assistiu à Conferência, quando ouviu o que fora resolvido, levantou sua voz em protesto contra aquilo que foi decidido acerca dos sacramentos.

Mas a decisão que a Conferência tomou em 1793 serviu de base para solução final do problema.

Durante os anos que vão 1793 a 1797 a questão dos sacramentos continuou a perturbar o espírito das sociedades, mas a experiência e a paciência dos servos de Deus concorreram para ajudar aos membros da Conferência Anual a assentar os princípios fundamentais da Igreja Wesleyana.

O rev. Kilham, homem impulsivo e arrojado, não tinha paciência para se conformar com a moderação com que a Igreja procurava resolver os seus problemas. Publicou muitos panfletos em que atacava alguns dos pregadores e até Wesley. Chegou a tal ponto que foi necessário promover um processo contra ele e, por unanimidade de votos, foi excluído da sociedade.

Mas era teimoso. Começou a fomentar discórdia entre os membros das sociedades e conseguiu levar após si cinco mil membros, com os quais organizou uma nova Igreja Metodista.

Considerando tudo, o perigo de divisão foi realmente evitado. O elemento que acompanhou o rev. Kilham era desidioso e, uma vez fora do seio das sociedades, o espírito de contenda desapareceu delas.

2. O trabalho de evangelização que se desenvolveu na época

Uma das coisas que contribuíram mais do que qualquer outra para evitar divisão entre as sociedades foi o trabalho de evangelização. Páginas interessantes poderiam ser escritas sobre este aspecto do trabalho, naquele período.

Com exceção de poucos casos, os pregadores abstinham-se da política e questões políticas e entregavam-se à pregação do Evangelho. Lutaram gigantescamente contra as idéias e doutrinas de Tomas Paine, o deista. E assim o metodismo espalhou-se por novos campos.

Grande número de leigos contribuíram muito para implantar o Metodismo na Inglaterra e em outros países do mundo. Os nomes do capitão Webb, de Hester Ann Rodgers, de Ann Cutler, de Seth e Dinah Evans e de Samuel Hick sdo dignos de ser inscritos indelevelmente nas paginas da história do Metodismo. Caráteres como estes, com grande número de pregadores que näo se destacam tanto pelo saber como pela piedade, deram estabilidade ao movimento metodista durante estes anos de crise.

Depois desta terrível crise na história do Metodismo da Grã-Bretanha e mesmo durante ela ninguém influenciou as sociedades tanto como Adäo Clarke, Richard Watson, Jabez Bunting e Roberto Newton. Vamos deixar o historiador Abel Stevens dar-nos sua apreciação sobre estes quatro homens:
"Com o advento providencial de homens como Watson, Bunting, Newton e Clarke nas sociedades no período da sua maior prova, o Metodismo não podia deixar de assumir novas atitudes de poder e esperanças. De então em diante o Metodismo havia de progredir e vencer. Não somente os grandes talentos dos seus guias, mas também a sua profunda piedade, deram nova confiança à corporação Metodista. Nestes quatro homens e em muitos outros, com os mesmos característicos, que os cercavam, podia ver-se que o espírito primitivo do movimento havia de ressurgir, com novas habilidades e novas adaptações, pelas quais havia de atingir classes da sociedade que não tinham sido atingidas antes, e assim o Metodismo tomaria seu lugar no destino do Protestantismo, no país, e projetaria seu poder até aos confins da terra".

"Adão Clarke, Richard Watson, Jabez Bunting e Roberto Newton haviam de ser os expoentes do Metodismo britânico durante a primeira parte do século dezenove. Seus talentos e sua piedade podiam ter sido grande perigo para a nova Igreja. A sua organização peculiar, a eleição anual do seu presidente, as mudanças dos pastores, dando isso tudo oportunidade para os talentos populares se manifestarem, e as suas questões e empreendimentos novos ofereciam oportunidades perigosas para a ambição e para a rivalidade".

“Quais teriam sido as conseqüências, pergunta o biógrafo de um destes grandes homens, se esses homens tivessem sido competidores partidários? Mas eles eram modelos para todos os guias eclesiásticos. Com exceção de uma discussão passageira entre Clarke e Watson sobre uma questão teológica, a “filiação eterna”, que não era uma discórdia pessoal, mas uma divergência de opinião, não houve qualquer outro exemplo de desinteligência entre eles, perante o público. Amavam o Metodismo como amavam as suas próprias almas, porque ele era a expressão mais pura do próprio Evangelho; viam a necessidade do amor fraternal entre si para mantê-lo entre os irmãos e o povo, viam que seria terrível pecado brigarem entre si, quando neles estavam postos os olhos de milhões.”

"Não havia outros homens nas sociedades que viajassem, pregassem ou trabalhassem mais do que eles, em prol da causa comum. Eles, mais de que quaisquer outros, traçaram o rumo da grande missão daquela causa. Eles fundaram uma organização missionária moderna e deixaram a maior instituição desse gênero no mundo protestante. Fundaram quase todas as suas instituições metodistas educativas. Levantavam a maior parte dos fundos para a manutenção aos pregadores, para a construção de capelas e para socorro dos pobres. Trabalhavam juntos nestes empreendimentos, como se fossem um só homem. A biografia de cada um deles tem sido escrita e cada uma é quase a dos outros três. Estes quatro homens caminharam de mãos dadas em cada grande prova e em cada grande vitória do Metodismo durante longos anos de vida. Muitas vezes foram vistos no mesmo palco, trabalhando em prol das missões, desde Londres a Edinburgo. O seu bom senso os levou a optarem pelas mesmas medidas, nas comissões ou na Conferência, especialmente quando viam probabilidade de discórdia entre os irmãos, se eles mesmos ficassem divididos".

"Na sua superioridade dominante eram homens modestos, porque a modéstia e o mérito não somente formam uma boa aliteração, mas também expressam qualidades inseparavelmente relacionadas. O mais popular dos quatro, Roberto Newton, recusou as honras mais altas que a Conferência podia dar-lhe e, quando foi eleito presidente, os seus colegas tiveram de arrastá-lo para a cadeira da frente. Depois da morte de Clarke e Watson, ficaram Newton e Bunting e foram os homens principais, mas não chefes de rivalidade do Metodismo britânico. Se tivessem mostrado ciúme um do outro, ambições à presidências, à chefias de partidos, teriam sido derrotados na sua influência sobre o.ministério e sobre o povo. Mas o contrario é o que se deu. Jabez Bunting e Roberto Newton foram como Davi e Jônatas; não há dois homens em todo o Metodismo Wesleyano que fossem mais amigos e não havia outras duas famílias mais íntimas nas suas relações sociais do que as deles".

Estes homens eminentes, modelos de fraternidade, trabalhadores enérgicos em prol da causa, tinham dons diferentes que são dignos de serem imitados pelos seus sucessores: Bunting interessou-se especialmente em aconselhar e seus irmãos reconheceram o seu bom êxito neste sentido; Newton considerou-se homem de ação e tornou-se o maior evangelista desde Wesley e Watson. Bunting e Newton, infatigáveis em outros labores, devotaram-se a produzir literatura cristã, um na exegese bíblica, outro em teologia; enquanto que ambos se entregavam continuamente aos serviços públicos pelo bem comum.

"Não há outra coisa mais característica destes homens do que sua piedade pessoal. Bunting era grande e poderoso na oração. As suas orações públicas são lembradas na Inglaterra, ainda hoje, mais do que os seus sermões. Newton era irresistível no seu poder espiritual. Watson era até severo na sua piedade pessoal, "crucificado" para o mundo. Clarke era uma criança na sua simplicidade; .sua alegria religiosa envolvia-o como um halo de luz; nunca houve homem que amasse tanto o Metodismo como ele; ter-se-ia entregado satisfeito ao martírio pela sua Igreja. Que impressão seu talento e seu exemplo tem causado ao Metodismo e até ao mundo britânico! Que seria essa impressão, se eles tivessem brigado entre si, se tivessem buscado os seus próprios interesses, se tivessem sido conspiradores ou contra conspiradores? Teriam desmoralizado a sua causa, deixado um escândalo eclesiástico na sua terra!"

Assim o Metodismo na Grã-Bretanha passou por uma das suas maiores crises sob a proteção de Deus manifestada no bom senso, na dedicação e na consagração dos seus ministros.

ALGUNS DOS VULTOS MAIS NOTÁVEIS DA ÉPOCA

Quando Wesley morreu, deixou um grande número de discípulos, homens e mulheres. A piedade e a fidelidade dessas pessoas garantiram a estabilidade do movimento metodista na Inglaterra. Alguns nomes dos contemporâneos de Wesley já foram mencionados. Grande número podia ser mencionado, mas nos limitaremos porém, a poucos nomes.

Os nomes de Tomaz Coke, Adäo Clarke, Richard Watson, Jabez Buhting e Roberto Newton já foram mencionados e o espaço não permite mencionar os nomes de milhares de homens e mulheres que deram o seu testemunho e realizaram sua obra no seu tempo, deixando a sua contribuição à causa de Cristo. Contudo, mencionaremos mais alguns nomes.

Guilherme Thompson
foi o primeiro eleito presidente da Conferência, depois da morte de Wesley. Tinha o dom da palavra e era também homem prudente, resoluto e "de grande Tragou para o governo as linhas que influirarn no seu tempo e influem até hoje na política da Igreja. Faleceu em 1799.

Alexander Marther
foi o segundo eleito presidente da Conferência e trabalhou muito na mocidade. Gozava de boa saúde e tinha grande capacidade para o trabalho. Tinha o dom de evangelista. Wesley respeitava seus dons e muitas vezes o comissionou para tratar de trabalhos difíceis. há sinais de que Wesley pensava nele para seu sucessor. Morreu em 1800.

João Pawson
também foi eleito duas vezes presidente da Conferência. Recebeu melhor instrução do que muitos dos pregadores wesleyanos. Não tinha mais inteligência do que os outros, mas era homem prático, útil e prestimoso à causa. A sua influência pesou muito na balança para plasmar o trabalho em moldes wesleyanos, depois da morte do fundador. Era hábil escritor.

James Wood
faleceu em 1840. Era calmo, piedoso e seu ministério foi frutífero. Dizem que perdia a calma, quando defendia seus irmãos de acusações maliciosas.

Jose Taylor
prestou bom serviço à causa, mas pouco se sabe das suas atividades. Foi homem piedoso, santo, alegre, brando e trabalhador. Mesmo na velhice não deixou de trabalhar e desempenhar tarefas pesadas e duras.

Henrique Moore
era literato e escreveu uma biografia de Wesley. Trabalhou tanto na Irlanda como na Inglaterra e sofreu fadigas e privações por causa do Evangelho. Foi um dos pregadores que Wesley ordenou para administrar os sacramentos. Teve muita influência na questão dos sacramentos, que abalou tanto as sociedades depois da morte de Wesley. Chefiava o partido que queria a administração dos sacramentos nas sociedades.

Há muitos outros, cujos nomes poderiam ser mencionados; que deixaram a sua contribuição para à causa de Cristo na Inglaterra.

ALém da longa lista de pregadores, há ainda uma lista maior de leigos, tanto mulheres como homens.

Dos leigos foi grande a contribuição na extensão do trabalho na Inglaterra. Já falamos de Roberto Carr Brackenbury e Guilherme Carvosso, homens cujo maior prazer era trabalhar na vinha do Senhor.

Samuel Drew
era literato e filósofo. Como disse alguém, foi entre os leigos o que Adão Clarke foi entre os pregadores. Escreveu obras de metafísica classificadas entre as melhores do seu tempo. No meio de todos os seus trabalhos e lutas, viveu vida humilde e cristã.

Tomaz Thompson e Jose Butterworth
foram dois leigos que ocuparam posições altas na sociedade e na política do país. Ambos eram membros do parlamento inglês. Butterworth era banqueiro, o que lhe dava mais prestígio na sociedade. Era membro fiel da Igreja Metodista e contribuía com bons artigos para as revistas metodistas. Serviu como guia de classe por muitos anos e tinha o máximo prazer nesse serviço.

Os dois homens deram bom testemunho da sua fé e gozavam da estima e da confiança do público.

Já mencionamos os nomes de Mary Fletcher e Elizabeth Evans. Mary Fletcher muitas vezes menciona, em seus escritos, o nome de Bessy Ritchie de Otley, como sendo mulher exemplar entre os metodistas. Casou-se com o sr. Mortimer e por muitos anos foi guia de classe na capela de City Road. Escreveu sobre a sua experiência cristã um livro que revela como mantinha comunhão íntima e constante com Deus.

Hester Ann Rodgers
escreveu um livro, narrando a sua experiência, e diversas cartas espirituais que eram consideradas um Manual de Santificação Completa (Entre Santification). Grande número de pessoas lia suas cartas com grande proveito. O misticismo de Ann Rodgers era superior ao de Madame Guyon, porque tem uma nota mais positiva e mais real.

Lady Maxwell
exemplificou na vida como alguém pode andar ocupado com as coisas sociais e ao mesmo tempo conservar o espírito em comunhão com Deus. "As suas mãos estavam aqui na terra, seu coração estava com Deus".

Havia milhares de outras pessoas que faziam parte da Igreja Metodista e que muito contribuíram para o desenvolvimento da obra de Cristo na terra.

"O essencial era a sua experiência de Deus, sua espiritualidade profunda e dominante, tão real e ardente nos estadistas; como Thompson, nos administradores, como Marther, nos literatos como Clarke, Hamby, Baker e Story" (Townsend et al, vol. I, p. 393).

CONFLITOS E CISMAS

Qualquer coletividade corre o perigo de sofrer conflitos e divisões. No começo do século dezenove houve diversos conflitos e alguns cismas no metodismo inglês.

O conflito que se deu entre as autoridades da Igreja e Jose Rayner Stephens ilustra a atitude do Metodismo para com os partidos na Igreja e para com outras igrejas. Stephens era correspondente do jornal “Christian Advocate", publicado pelo seu irmão.

O jornal gastava a maior parte da sua energia atacando a Igreja Anglicana e o Metodismo. Bunting era o alvo predileto de Stephens. Segundo ele, Bunting não era nada mais do que um ambicioso, procurando colocações na Igreja e exercendo autoridade tiranicamente. Acontece que Stephens foi nomeado secretário correspondente da Sociedade Separatista da Igreja. Introduziu sua política de atacar outros no seu púlpito e nos seus cultos. Foi chamado à ordem pela Conferência. Não quis atender às ordens da Conferência. Foi cassado seu mandato de secretário da Sociedade Separatista da Igreja. Pediu, então, a sua retirada da itinerância, o que lhe foi concedido. Tornou-se mais tarde o chefe dos "carlistas".

A Igreja Metodista Primitiva organizou-se em virtude de um cisma que se deu em 1811. No condado de Cornwall houve um despertamento entre o povo. Hugh Bourne chefiava o movimento. Jovem e cheio de zelo, julgava que tinha direito de pregar onde podia achar ouvintes. Sob a influência de Lorenzo Dow, Bourne iniciou os cultos de acampamento na Inglaterra. Isto provocou reações e oposições da parte dos metodistas wesleyanos, que resultaram, finalmente, na organização da Igreja Metodista Primitiva. Em outro lugar daremos mais informações sobre este ramo do Metodismo.

Em 1815 mais uma seita se formou entre os metodistas. Guilherme O'Bryan tinha grande interesse no estado espiritual do povo que morava na comunidade de Devon. Trabalhou entre esse povo com bom êxito. Mas seu procedimento não agradava às autoridades da igreja e foi censurado por ter entrado em território destinado às suas atividades. Não gostou de certas regras novas que foram adotadas nas sociedades. Seu nome foi eliminado do plano da sociedade e ele julgou que não era mais membro da sociedade. Passou para outra zona, onde foi licenciado pregador local. Mas a sua tendência de trabalhar onde queria lhe trouxe novas complicações, que resultaram na fundação de uma nova seita — Os CristãoS da Bíblia.

Em 1827, a Igreja Metodista Livre foi fundada como resultado de uma contenda entre uma igreja local e a Conferência distrital. A junta de depositários da capela de Brunswick queria instalar um órgão na capela. Ouviram-se protestos de todos os lados, por que havia preconceitos contra tal inovação. Mas a verdadeira razão era outra. Os líderes da igreja, pregadores locais e alguns oficiais julgaram que seus direitos estavam sendo invadidos pela junta de depositários. Portanto alegaram que seria necessário ter a aprovação da Conferência distrital para instalar o órgão. A Conferência distrital não concordou com a tal instalação. A junta de depositários apelou para a Conferência Anual. A Conferência Anual anulou o que a Conferência distrital tinha feito, alegando que ela não tinha jurisdição sobre a igreja local, a não ser o dever de fiscalizar os seus atos e ver se estavam em ordem. A decisão da Conferência Anual provocou na igreja local uma forte contenda que resultou na retirada de grande número de membros que, finalmente, fizeram parte da nova Igreja — A Igreja Metodista Livre.

O ponto principal em tudo isso não foi a instalação do órgão na capela, mas o espírito congregacionalista em conflito com o sistema itinerante (ou conexionalismo).

Houve outro conflito em 1834, provocado por um membro da Conferência, Samuel Warren. O incidente que provocou o conflito foi coisa sem importância. A Conferência fundou um "instituto teológico". Warren, a princípio, aprovou o plano, mas não gostou do título da instituição; queria que se mudasse o título "instituto" para "colégio" (college). Julgou que, se mudasse o nome da instituição, mudar-se-ia a sua natureza. Sua idéia não foi aceita, por isso, ficou desgostoso. Jabez Bunting foi nomeado presidente honorário do instituto, sem emolumentos, e contra a sua vontade. Na ocasião da Conferência de 1834 Warren apresentou uma proposta que praticamente anulava o plano de se fundar tal instituição. E, como era advogado e homem eloqüente, fez longo discurso em que atacou muito o presidente honorário, acusando-o de ambição pessoal. Logo depois da Conferência publicou seu discurso em forma de panfleto. As autoridades da Igreja conversaram com ele sobre o assunto. Publicou segunda edição, ampliada, propondo alterações nos estatutos. Declarou que o presidente da Conferência não tinha autoridade sobre sua paróquia. Numa sessão especial da Conferência distrital Warren foi suspenso das suas funções pastorais. Mas não ligou importância a tal ato. A junta de depositários da capela de Manchester não o deixou ocupar o púlpito e as outras igrejas da sua paróquia fizeram o mesmo. Isto provocou uma denúncia perante o tribunal civil. O resultado do processo foi uma decisão em favor da Igreja. Tornou-se uma grande benção para a Igreja Metodista Wesleyana, porque revelou que o "Titulo de Declaração" era bom e estava seguramente feito. O "Título de Declaração" nunca foi contestado até hoje.

Warren, derrotado perante o tribunal civil, provocou uma revolta entre os membros da Igreja e conseguiu levar um grupo consigo. Aliando-se aos reformadores wesleyanos, fundou a Igreja Metodista Unida e Livre.

O prejuízo causado à Igreja Metodista Wesleyana foi pouco, mas serviu para definir melhor as atribuições da Conferência distrital e o direito que a conferência distrital e o membro individualmente tem, de recorrer à Conferência anual.

Houve ainda, outros conflitos menores, provocados pela imprensa e por publicações de livros e panfletos.

Celebrou-se o primeiro centenário do metodismo em 1839. A Igreja Metodista Wesleyana realizou reuniões especiais em todas as suas igrejas e capelas. Levantaram-se nessa ocasião coletas especiais que renderam mais ou menos vinte e dois mil cruzeiros. Esse dinheiro foi aplicado na construção de prédios e na fundação de seminários teológicos e escolas. Os preconceitos contra o ministério educado (com formação acadêmica) estavam desaparecendo.


______________________________________________________
(*) Texto extraído das páginas 295 a 317 do livro História do Metodismo, de Paul Eugene Buyers, publicado pela saudosa Imprensa Metodista em 1945.

Voltar


 

Copyright 2006® todos os direitos reservados.