IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

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Rio, 5/5/2008
 

Metodismo Wesleyano e britânico desde 1849 até 1908 (Paul Eugene Buyers)

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A EXTENSÃO DO TRABALHO E O FORTALECIMENTO DA ORGANIZAÇÃO DA IGREJA

A Igreja Metodista Wesleyana sofreu muita agitação nos meados do século XIX. As convulsões foram provocadas por causa da escolha errada de métodos para atender às reclamações dos leigos e alterar o sistema de relações entre ministros e leigos. Essa questão provocou discussões fortes e ásperas, cuja linguagem revela malícia e ressentimentos.

A dificuldade residia em dois pontos de vistas que podiam ter sido harmonizados, se tivesse havido mais paciência de parte a parte. Não conseguindo fazê-los calar, a Conferência excluiu da comunhão três dos seus membros. Isso causou grande barulho e comoção na Igreja. Muitos membros retiraram-se da Igreja e filiaram-se a outros ramos do Metodismo. Alguns passaram para outras Igrejas evangélicas.

A causa principal de tudo isso eram as falhas que havia no sistema de itinerância, as quais precisavam ser corrigidas. Mas conseguir tais alterações, quando existia desarmonia e ma vontade entre os interessados, era impossível. Só depois da tempestade é que veio a bonança. Então se fizeram as alterações possíveis. Mais de cem mil membros se retiraram e fundaram a Igreja Wesleyana Reformada.

A Igreja queria manter seu sistema de itinerância; mas havia entre o povo tendência para o sistema congregacional. A congregação local e a Conferência trimensal se ressentiam da falta de autoridade na administração da Igreja. Os pastores não podiam ficar mais do que três anos sucessivos numa paróquia, segundo o artigo 11 do "Título de Declaração". Havia, tanto da parte dos ministros como dos leigos, desejo de alterar esse artigo. Mas, para conseguir isto, tinha-se de apelar para o parlamento (Conferência Geral) e, além disso, qual seria a alteração a fazer? Podia fazer mais mal do que bem.

O embaraço de nomear um, ministro por mais de três anos sucessivos para a mesma paróquia foi removido pela nomeação formal de outro ministro, mas deixando a paróquia a cargo do antigo ministro. Essa solução não era considerada muito satisfatória, mas tinham-se mudado tanto as condições desde os dias de Wesley que alguma coisa devia ser feita para atender às necessidades do trabalho.

O problema que enfrentou a Igreja nessa época era conservar a sua unidade: se deixasse toda a autoridade com a Conferência Anual e não cedesse nada à igreja local e à Conferência distrital e se entregasse a administração da Igreja somente aos ministros e não desse nada aos leigos, ia criar descontentamento entre o povo.

Por outro lado, se entregasse tudo aos leigos e à igreja local, o sistema de itinerância estava acabado. A solução do dilema residia na harmonização dos dois interesses. E isso foi o que se procurou fazer.

Para consegui-lo, foi necessário que cada partido sacrificasse certos interesses pessoais ou locais. Cada parte teve de considerar o bem estar geral e ceder certas coisas do seu lado para ganhar vantagens do outro lado, e vice-versa.

O sistema de itinerância é baseado no interesse mútuo. É como o lar que exige abnegação e cooperação para se conseguir a harmonia.

Havia duas coisas que precisavam de solução: ceder mais autoridade à Conferência trimensal e admitir a representação leiga na administração da Igreja. Logo que se acalmou o ânimo do povo, se começou a estudar os meios pelos quais se pudessem resolver esses problemas.

Foram nomeadas comissões para estudar o grande número de memoriais em que se encontravam sugestões de modificações que deveriam ser feitas com urgência. Antes de terminar esse prolongado processo, leigos já faziam parte dessas comissões. Por ocasião da Conferência, em 1852, foi apresentado um relatório de uma comissão a respeito da autoridade da Conferência Anual. Segundo esse relatório a Conferência trimensal teria o direito de representar as opiniões dos oficiais e dos leigos ativos da paróquia, reservando-se o direito de nomear um júri de apelação, nos casos disciplinares, e o direito de se comunicar diretamente com a Conferência Anual. A comissão respeitou três princípios da autoridade externa: "A integridade do ofício pastoral, a inviolabilidade do princípio a esse ligado e a autoridade das comissões distritais".

O Metodismo de Wesley já havia reconhecido o valor e a necessidade de conservar na sua política o princípio unificador, a esse princípio tem sido seguido no correr dos anos para se consolidarem todas as suas partes a fim de conseguir cada vez maior eficiência.

A representação leiga também foi introduzida gradualmente, começando em 1861 e ultimando em 1870. É interessante notar que o mesmo problema foi discutido entre os metodistas americanos mais ou menos na mesma época. Também mais ou menos na mesma época os metodistas americanos adotavam a representação leiga.

Jabez Bunting, muitos anos antes da sua morte, em 1854, trabalhou para melhorar a organização e a eficiência da Igreja. Depois da sua morte, a mesma política continuou e os direitos dos leigos foram considerados com simpatia e interesse. O primeiro passo para se admitir o elemento leigo na administração da Igreja foi dado em 1861, quando se permitiu aos leigos fazer parte de comissões em todos os departamentos da Igreja. Em 1870 se cederam maiores privilégios permitindo a eleição de leigos como representantes nas Conferências da Igreja. Em 1877 se deu mais um passo, que colocou os leigos em igualdade com os ministros na administração dos negócios da Igreja. Os leigos passam a fazer parte das Conferências e das diversas comissões. Só não fazem parte da Conferência dos Cem (Legal Hundred) porque a lei civil não permite.

Todas essas alterações foram feitas sem grandes aborrecimentos e sem perda de qualquer membro da Igreja ou do ministério.

"Alteração de tão grande importância e de conseqüências de tão grande alcance provavelmente nunca se deram numa Igreja livre com menos atrito ou amargura. Os leigos foram admitidos com quase o mesmo grau de igualdade que os ministros por um processo que excluía um número igual de ministros; contudo, o sentimento predominante e quase universal foi de alívio e de boa vontade. Levantou-se imediatamente uma coleta para constituir um "Fundo de Gratidão", a qual rendeu cerca de CR$ 26.776.620,00. Com parte desse dinheiro foram pagas muitas dívidas. Empregou-se o resto na extensão do trabalho.”

"Com o correr dos anos a ordem primitiva das sessões, com uma reunião antecipada dos pastores, não dava bom resultados na transação rápida dos negócios. Alterações necessárias foram feitas na última sessão da Conferência Anual, antes de findar o século XIX. Experimentou-se, em New Castle-on-Tyne, em 1901, o costume, que ainda se segue, pelo qual os negócios da administração geral são atendidos antes da reunião dos pastores, para conselho mútuo. O resultado foi ótimo. "A união dos pastores e leigos, nas sessões representativas, tem sido a maior bênção da Igreja. Esse grêmio representativo tem dado provas de sabia moderação e assegurado progresso. De ano em ano sua influência e importância aumenta. Sua moderação e imparcialidade têm conquistado confiança em todos os setores da Igreja e há convicção crescente de que o futuro do Metodismo está seguro no seu cuidado, sejam quais forem os poderes confiados a ele". (Townsend et al V. I, p. 443).

O TRABALHO MISSIONÁRIO, SOCIAL E EVANGELÍSTICO

O espírito missionário é característico do Metodismo. Nasceu para atender às necessidades da humanidade. Como Cristo teve compaixão das multidões que estavam como "ovelhas sem pastor”, assim Wesley sentiu compaixão do povo inglês que estava na ignorância e no pecado. Por isso o espírito missionário se manifestou cedo entre o povo metodista. Já, falamos em Tomaz Coke e na sua obra missionária. Os seus sucessores não deixaram de atender a esse aspecto do trabalho.

A política que a Igreja Metodista Wesleyana seguiu foi iniciar trabalho nos campos onde o governo inglês dominava e ajudar os indígenas até que pudessem cuidar de si mesmos. Esse plano deu bons resultados no Canadá, no sul da África, na Austrália e nas Antilhas. Mas, nas Antilhas, por causa de tempestades, terremotos e crises comerciais, a Igreja, para salvar a situação, teve de socorrer às igrejas nascentes. Do seu trabalho nos países europeus e asiáticos e noutras partes do mundo tratar-se-á, mais adiante.

Os metodistas têm sido liberais em contribuir para missões. Mas a necessidade é sempre maior do que os recursos disponíveis.

A Igreja Metodista Wesleyana promoveu missões no estrangeiro, mas não deixou de cuidar dos seus concidadãos na Inglaterra. O bispo Coke se interessou nessa obra e a Igreja continuou o trabalho.

Houve três fases no trabalho missionário da Inglaterra.

A primeira foi o plano de levantar um fundo chamado Fundo de Contingência — que servia para suplementar os honorários dos pastores cujas paróquias não pudessem sustentá-los. Mais tarde, porém, em 1856, se adotou um plano melhor: aumentaram-se os fundos para esse trabalho, levantando coletas em todas as paróquias, e mudou-se o título dos fundos para Missões Nacionais e Fundos de Contingência . Nomearam-se se missionários para abrir trabalho nos lugares esquecidos e reabrir trabalho onde fora abandonado. Todas as pessoas aptas, clérigos e leigos, homens e mulheres, foram empregadas nesse trabalho com bons resultados. Muitas igrejas fracas reanimaram-se e iniciou-se o trabalho em lugares onde nada existia antes. Lá para o fim do século XIX, se modificou o plano; novamente o termo "Contingência" desapareceu completamente. O trabalho se unificou mais sob uma administração mais centralizada, de modo que todas as partes do trabalho teriam a mesma fiscalização e a mesma garantia de sustento.

Em tempos mais modernos, com as mudanças que sempre se dão na sociedade, a Igreja tem procurado suprir as necessidades das cidades praieiras, onde os veranistas vão no fim da semana para descanso e repouso. As capelas que existem nesses lugares, construídas nos tempos passados, não servem para o povo de agora. O problema era arranjar-se dinheiro para construir capelas nas cidades praianas. O dr. Pushon, homem talentoso, ofereceu-se para levantar fundos para esse fim. Em pouco tempo arranjou fundo suficiente para construir capelas modernas. Mas, depois de construir treze capelas modernas, apareceu o problema de como interessar o povo, mesmo os metodistas, nos cultos, pois o povo não somente vem para descansar, mas também para ficar livre dos cultos. Permanece, portanto, o problema de se fazer o culto mais atraente e proveitoso.

A Igreja Metodista não deixou de interessar-se no bem estar dos soldados. O Metodismo sempre tem mostrado interesse pelos militares. Wesley se interessou na sua evangelização e muitos soldados metodistas têm honrado o nome de cristão pelo seu bom testemunho no exército. A Igreja fez, com o governo, uma combinação para atender as necessidades espirituais dos soldados, a qual tem tido bom êxito.

Também a Igreja tem feito trabalho missionário entre os marinheiros. A Igreja tem conseguido mais de quarenta missões ou lares para marinheiros e mais de cem mil marinheiros e soldados, por ano, são nelas acomodados. São lugares onde os marinheiros podem dormir, descansar e repousar, quando não estão de serviço. Os resultados têm sido satisfatórios na melhoria da moral dos marinheiros. A Igreja reconhece que "um dos fins em vista é eliminar a guerra, mas, enquanto o meio extremo de solução para as disputas internacionais é a guerra, quanto mais se cristianizar o exército e a marinha tanto mais cedo virá o reino da paz" (Townsend et al, Vol. I, p. 453).

A Igreja não tem esquecido os órfãos. Wesley interessou-se num orfanato na sua segunda visita a New Castle. Levantou fundos para construir um prédio que depois de pronto nunca serviu para orfanato, mas para uma escola de preparar obreiros. Contudo, o desejo de proteger as crianças órfãs e as crianças abandonadas ficou na Igreja. Em 1871 o rev. T. B. Stephenson interessou-se nas crianças abandonadas da sua paróquia e em pouco tempo começaram muitos a ajudá-lo. A Conferência Anual o designou em 1871 para o trabalho de um orfanato, com tempo integral. Com o correr dos anos, conseguiu ajuntar fundos e construir prédios para acomodar as crianças desamparadas. Até aos fins do século dezenove já havia mais de duas mil crianças sob o cuidado dos diversos departamentos do orfanato.

Esse trabalho social não somente trouxe benefícios aos soldados, marinheiros e órfãos, mas também deu a muitas pessoas leigas oportunidade de prestar serviço voluntário aos necessitados. Desta maneira muitas pessoas, tendo descoberto em si dons para semelhante trabalho, têm entrado no ministério ativo.

As diaconisas ocupam lugar importante no trabalho da Igreja Wesleyana, na Inglaterra e no estrangeiro. No começo do século dezoito havia preconceitos contra pregação de uma mulher, mas os tais preconceitos estão cedendo e as mulheres, não em grande número, estão prestando bons serviços nos púlpitos, mas especialmente na categoria de diaconisas. Há lugares em Halifax e Leicester onde elas se preparam para o seu trabalho. O dr. Stephenson fundou o Instituto Wesleyano de Diaconisas na cidade de Ilkley, onde as diaconisas são preparadas para seu trabalho na Inglaterra, em Ceilão, na China, na África e na Nova Zelândia. Visitando os pobres, os doentes, os abandonados e as moças desamparadas, as diaconisas fazem um trabalho que não seria feito por ninguém, senão por elas.

O espírito de evangelismo, no último quartel do século dezenove, manifestou-se numa forma diferente daquele que tinha caracterizado o movimento evangelístico da Igreja Wesleyana. As condições sociais e econômicas tinham mudado. As cidades tornaram-se centros industriais e o povo das vilas e zonas rurais afluiu para os grandes centros, deixando as vilas e zonas rurais meio abandonadas. Tanta gente, concentrando-se nas cidades, criou novos problemas sociais e religiosos. As capelas que serviam ao povo antigamente já não serviam. O povo filiado a elas já tinha mudado para outros lugares e elas em grande parte estavam cercadas de casas comerciais ou de fábricas. O resultado foi a existência de capelas abandonadas, em silêncio, e de povo sem culto.

Alguns homens que tinham zelo pela evangelização, começaram a pensar numa solução para esse problema. Nasceu a idéia de igrejas institucionais. Começaram o trabalho de evangelização por meio de "halls". Às vezes, capelas bem situadas, nas cidades, eram adaptadas para esta qualidade de serviço. Havia salas para reuniões religiosas, sociais e recreativas; para reuniões de estudo e leitura e aulas, para clínica médica e dentária. Por esse meio as multidões podiam ser alcançadas; pois já as capelas eram desprezadas: as multidões passavam por elas sem entrar.

Carlos Garrett, em 1875 foi nomeado para abrir e dirigir a primeira missão desse tipo, na cidade de Liverpool. Seu plano era levar a mensagem do Evangelho a recantos onde ela não tinha chegado pelos métodos antigos. Era homem jeitoso para tal trabalho e o povo gostava das suas pregações. Interessou os leigos e o trabalho progrediu rapidamente. Em poucos anos o grande Hall Central foi edificado na cidade de Manchester. O trabalho entendeu-se depois para outras cidades. Vinte ou trinta anos mais tarde, mais de quarenta instituições semelhantes estavam funcionando. O mesmo espírito evangelístico que impeliu João Wesley a pregar ao ar livre às multidões, impelia os homens que faziam este trabalho. Homens, como Carlos Garrett e Hugh Price Hughs conseguiram introduzir este método de evangelismo na Igreja Metodista Wesleyana.

Hughs era homem de grandes talentos. Tinha o dom da palavra e podia conquistar o coração do povo e tinha uma mensagem de vida, uma mensagem de salvação em que ele cria e em que desejava que os outros cressem também. Pregou as mesmas verdades antigas, mas as revestiu com a linguagem do povo do seu tempo.

O afluxo das vilas e das zonas rurais para a cidade criou outro problema. As igrejas rurais ficaram fracas e desanimadas. Era difícil manter seus pastores. As autoridades da Igreja lançaram mão de dois recursos para solucionar o problema: os meios de comunicação, que naquele tempo foram melhorados e as bicicletas. Havia estradas melhores e as bicicletas podiam ser usadas, com grande facilidade e eficiência. Um pastor podia servir uma paróquia de maior área. Agruparam-se as igrejas em paróquias maiores, de modo que um homem podia atender a uma paróquia com mais igrejas e com mais facilidade.

O fato que havia grande número de pregadores locais, facilitou o trabalho pastoral também. Abriu-se uma escola para preparar pregadores locais, onde podiam eles aprender a fazer melhor seu trabalho. Arranjaram-se carros ou caminhões para transporte de grupos que faziam o trabalho de evangelização. Dessa maneira o povo ouvia a palavra e se distribuíam, entre o povo, folhetos e porções das Escrituras Sagradas. Para proteger os pregadores contra a doença e a velhice constituíram-se fundos — uma espécie de caixa de beneficência. Tem provado ser medida acertada manter a eficiência deste trabalho.

A questão da temperança foi estudada em 1873. Iniciou-se uma campanha contra a intemperança. Diversas sociedades de temperança foram organizadas. Alcançou-se algum progresso, mas em 1892 a Igreja aumentou a sua campanha contra o uso de bebidas alcoólicas, organizando sociedades de abstinência. O número destas sociedades dobrou até ao fim do século dezenove.

Há ainda outras atividades para solucionar ou remediar males sociais. A Igreja fundou em 1887 um Lar de Moças, para cuidar das donzelas infelizes. Desde essa data outras instituições têm aparecido.

O TRABALHO EDUCACIONAL

A educação entre os metodistas provocou duas correntes acerca dos princípios para ela ser adotados. Estudou-se a questão da relação do Estado com o programa educativo da Igreja. Devia haver separação ou deviam fazer em conjunto? Por alguns anos houve divergência de opinião sobre isto. Mas ambas as correntes estavam de acordo num ponto: que o programa educativo não devia deixar fora a religião. A religião certamente devia ser incluída no programa. Mas havia uma dificuldade a respeito da relação do Estado com o programa educativo da Igreja. Se as escolas da Igreja recebessem subvenções do governo, o governo quereria controlá-las. Esta questão provocou muita discussão, chegando-se finalmente à conclusão seguinte:

"As condições essenciais são três: A primeira é que uma escola cristã e não sectária deve estar situada a uma distância razoável de cada família e sua direção deve ser entregue a uma comissão que exerça autoridade sobre a zona da escola. A segunda que nenhuma apropriação financeira do governo sem o direito de fiscalizá-la. A terceira é que nenhum sistema nacional de educação exclua das escolas diárias a Bíblia e uma instrução religiosa dada pelos professores, adequada à capacidade das crianças, atendera a necessidade do país". (Townsend et al, Vol. I, p. 471).

A Igreja Metodista aceitou esses termos e está promovendo o seu programa educativo nessas condições.

Além da educação secundária, a Igreja tem escolas superiores. Depois da revogação em 1871 da lei que excluía das aulas das Universidades de Oxford e Cambridge alunos das igrejas dissidentes (dissidentes da Igreja Anglicana!), muitos moços metodistas têm estudado nessas universidades. A Igreja organizou a Escola de Leys, em Cambridge, para facilitar os estudos da mocidade metodista na Universidade de Cambridge.

A escola dominical sempre foi uma parte vital do Metodismo britânico. Em 1874 foi organizada a União das Escolas Dominicais para cuidar do seu programa educativo. Por alguns anos o número de alunos das escolas dominicais aumentou, mas no fim do século dezenove não havia tanto interesse nelas.

O programa da educação ministerial não tem sido negligenciado. O primeiro instituto teológico foi fundado em 1842, na cidade de Disdbury e no ano de 1843 se fundou outro na cidade de Richmond. Desde aquela época ambos os institutos têm sido ampliados para acomodar mais de cento e trinta alunos. O instituto de Richmond foi transformado em escola de preparo de missionários para o trabalho no estrangeiro. Mais tarde, em 1866 e 1881, fundaram-se dois novos institutos. Agora há, instalações para acomodarem mais de duzentos e cinqüenta moços. A Igreja Metodista está ciente da grande necessidade de preparar os seus ministros, pois, de outro modo, não pode manter a obra de evangelização no país e enviar homens e mulheres para os países estrangeiros, para proclamarem lá a mensagem de vida.

Depois do curso propedêutico, os alunos estudam três anos no instituto teológico. Pretende-se aumentar o curso para quatro anos. A vitalidade se manifesta no número e na qualidade dos homens que estudam para o ministério. Por esse padrão o Metodismo avança.

O METODISMO WESLEYANO NO FIM DO SÉCULO XIX

Ao findar do século dezenove o Metodismo Wesleyano tinha atingido a posição de Igreja nacional. Era uma Igreja preparada para exercer seu papel como força moral e religiosa em todas as camadas da sociedade. A sua política era ficar livre das complicações políticas da nação. O Metodismo na Inglaterra não estava unido: havia diversos ramos, independentes uns dos outros.

Em 1881 foi realizado na capela de Wesley, em Londres, a primeira Conferência Ecumênica. As igrejas metodistas da América e das colônias da Grã-Bretanha se fizeram representar. De dez em dez anos se realizam estas Conferências. A segunda realizou-se em Washington, em 1891, e a terceira, em Londres, em 1901.

No princípio do século XX se promoveu uma campanha para levantar fundos destinados a aumentar o trabalho e fortalecer a obra já iniciada. O sr. R. W. Perks interessou-se nessa campanha, que terminou em 1908. Levantaram-se Cr$ 96.641.380,00. Esse dinheiro foi empregado na consolidação do trabalho em todos os seus departamentos.

O púlpito da Igreja Wesleyana, no fim do século dezenove, foi mais forte do em qualquer época da história da Igreja. Ocupavam-no homens mais preparados do que antes. A sua teologia consistia nas doutrinas fundamentais pregadas por Wesley, com tolerância para certas opiniões diferentes.

O teólogo mais notável desta época foi o dr. W. B. Pope. Era homem leal a Cristo, "místico e racionalista", contrabalançando as duas tendências opostas, aberto para novas idéias, mas oposto às correntes modernistas.

Nota-se na Igreja a tendência de abandonar a prática das reuniões nas classes metodistas por falta de guias idôneos e por falta de interesse da parte do povo. Nota-se também a tendência de conformar mais e mais com os costumes das outras igrejas evangélicas e tomar lugar ao lado delas como uma instituição cristã.

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(*) Texto extraído das páginas 318 a 330 do livro História do Metodismo, de Paul Eugene Buyers, publicado pela saudosa Imprensa Metodista em 1945.

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