IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

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Vila Isabel - Rio de Janeiro - RJ
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Metodismo
Rio, 5/5/2008
 

Os três ramos do metodismo que formaram em 1907 a Igreja Metodista Unida na Inglaterra (Paul Eugene Buyers)

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1 - A NOVA IGREJA METODISTA (The Methodist New Connexion Founded ) - 1791-1814.

João Wesley por educação e herança deu grande importância à autoridade exterior e à boa ordem no seu trabalho e respeitou as rubricas da Igreja, mas, pela sua experiência religiosa, alcançada em 24 de maio de 1738, quando sentiu seu coração aquecer-se maravilhosamente, se tornou homem livre. E "onde há o Espírito do Senhor, ai há liberdade", como disse São Paulo. Portanto, Wesley sempre foi influenciado pelas duas forças, sempre obedeceu à autoridade exterior e à autoridade interior do Espírito. A sua aristocracia, o seu cerimonialismo e o seu conservantismo cediam ao espírito democrático, quando estava em jogo a salvação das almas: "Igreja ou não, temos de dedicar-nos à salvação das almas".

Esse mesmo espírito se manifestou nos discípulos de Wesley. "A história constitucional do Metodismo é a descrição do jogo entre a autoridade e a liberdade". O motivo que levou Wesley a fazer certas coisas, como pregar ao ar livre, ordenar seus pregadores, etc., levou alguns dos seus seguidores a romper com o ramo principal do Metodismo e a formar grupos ou Igrejas novas.

Três ramos do Metodismo Britânico romperam com a Igreja Metodista Wesleyana: A Nova Igreja Metodista (The Methodist New Conexion), a Igreja Metodista Cristã da Bíblia (Bible Christian Methodist) e as Igrejas Metodistas Livres e Unidas (United Methodists Free Churches).

Essas três Igrejas finalmente se uniram, em 1907, e formaram a Igreja Metodista Unida. Sem dúvida, o espírito da época em que, essas divisões se deram, influiu sobre o espírito daqueles que as provocaram.

A primeira divisão deu-se no tempo da Revolução Francesa, época em que o espírito de liberdade, igualdade e fraternidade se manifestou entre os homens da Europa. Mas havia outros motivos na ação dos chefes desses movimentos.

"A base fundamental de cada um desses três períodos de controvérsia na história metodista era a reclamação de direito, da comunidade local da igreja,. de participar no governo da Igreja junto com os clérigos" (Townsend et al, Vol. I, p. 487).

Antes da morte de Wesley já havia sinais de desarmonia entre os metodistas, mas não assumiram proporções ameaçadoras enquanto ele foi vivo. Como disse alguém, "era o centro de união tanto para o povo como para os pregadores". Logo que ele faleceu, os homens mais chegados a Wesley reconheceram o perigo de divisões entre o povo. Como já foi mencionado em outra parte, havia três partidos (grupos) entre os metodistas, a saber: o partido que queria seguir exatamente a política do fundador; o partido composto dos membros mais abastados que queriam que o movimento metodista permanecesse dentro da Igreja Anglicana; e o partido que queria completar a obra de separação da Igreja Anglicana. Este era o partido radical — partido que desejava separar-se completamente da Igreja Anglicana, ordenar ministros metodistas e receber das suas mãos deles o batismo e a santa ceia. Além disso desejava a liberdade de realizar cultos nas horas mais favoráveis, sem respeitar as horas de culto da Igreja Anglicana, e a cooperação dos leigos com os clérigos na administração da Igreja. Em outras palavras, queria a emancipação do metodismo, liberdade completa com o espírito democrático dominante na política da Igreja.

A situação, portanto, nos tempos que se seguiram à morte de Wesley não era muito agradável e os homens mais leais a Wesley receavam grandes perturbações nos arraiais metodistas, Havia um homem do partido radical, chamado Kilham, que tinha seis anos de itinerância e que sentia grande responsabilidade nessa hora.

Alexandre Kilham nasceu em 10 de julho de 1762, na cidade de Epworth. Seu pai era tecelão e educou seu filho em casa. Todos os da sua família eram metodistas. Seu filho Alexandre era o mais velho e gostava de ler um notável livro devocional daquele tempo: "O Descanso Eterno do Santo" (The Saint's Everlasting Rest). Durante a sua mocidade teve um companheiro bom que exercia influência salutar sobre ele. Quando chegou aos vinte anos de idade, experimentou mudança radical na sua vida. Sobre isso ele diz:
"Depois de eu lamentar e chorar por três ou quatro horas, veio uma mudança repentina a minha mente Eu não podia mais chorar, ainda que ganhasse o mundo todo. Senti grande amor por todos que me rodeavam — meu coração encheu-se de gozo inexprimível" (Towsend et al, Vol. I, p. 489).

Logo começou a contar de casa em casa, aos outros, o que o Senhor tinha feito por ele. Descobriu que tinha o dom da palavra. Em pouco tempo os pregadores insistiram com ele para que entrasse no ministério. Empregou-se com Brackenbury. Tornou-se companheiro de viagem de Brackenbury e o ajudou no mesmo sentido em que Bradford ajudava Wesley nas suas, viagens. Como era costume de Brackenbury fazer viagens de evangelização, visitou as ilhas do Canal com seu companheiro. Sofreram perigos e perseguições, mas implantaram o Metodismo naquelas ilhas. A associação com Brackenbury tornou-se muito proveitosa para o jovem Kilham. Aprendeu bastante daquele grande servo de Deus — homem culto, cristão e rico. Kilham ficou tomando conta da casa "Raithly Hall" em Lincolnshire, por um ano, enquanto o dono fazia uma viagem à Europa, em busca de saúde (1784). Kilham substituía, uma vez ou outra, pastores que ficavam doentes. Deste modo adquiriu experiência no ministério. Finalmente Wesley o nomeou pastor da zona de Grimsby e daí em diante recebeu nomeação de ano em ano até a morte de Wesley. Sofreu perseguições e privações como os demais pregadores daquela época. Dizem que seus, adversários colocaram, certa vez, meio quilo de pólvora em baixo do lugar onde Kilham tinha de ficar, numa pregação, e ligaram com a pólvora um rastilho comprido. Mas, quando chegou a hora de pregar, mudou de lugar, antes da explosão, e, assim, por um triz escapou a morte.

Kilham foi homem de idéias independentes. Sentia a influência do espírito de liberdade da época. Recusou batizar seu terceiro filho na Igreja Anglicana. Convenceu-se de que as sociedades metodistas deviam separar-se completamente da Igreja Anglicana. Havia muitos outros que sentiam a mesma coisa. Portanto, dois meses depois da morte de Wesley escreveu um folheto "O Sinal de Alarme de Hull", em que procurava justificar seu velho superintendente por ter administrado a santa ceia. Foi censurado pelos colegas perante a Conferência Anual por ter escrito o folheto. Mas não ficou calado. Escreveu novo folheto, assinado por "Áquila e Priscila". Neste folheto pugnava pelo direito de administrar a santa ceia. Empregou os argumentos mais fortes que tinham aparecido sobre o assunto. Pouco depois escreveu outro folheto sobre "O homem verdadeiro e livre" (True man and Free man) em que insistia "na união dos leigos com os pregadores na administração da zona e em que o delegado da zona devia representá-la na Conferência Anual". Alguns pregadores o censuravam por ter escrito tais coisas, mas outros o apoiavam.

Houve tentativas para harmonizar as divergências entre os pregadores. O próprio Kilham por algum tempo se mostrou disposto a harmonizar as idéias divergentes que havia entre ele e seus colegas. Mas finalmente se convenceu de que jamais conseguiria por meios suasórios aquilo por que pugnava. Escreveu então um livrinho em que expôs as suas idéias em termos claros. O título do livrinho era "O Progresso da Liberdade entre o Povo chamado Metodista". A isso acrescentava um "Esboço de uma Constituição", humildemente recomendado à consideração séria dos pregadores e do povo que estavam ligados a Wesley.

Esta obra provocou reação contra Kilham. Foi processado pela Conferência distrital e finalmente foi expulso da Igreja pela Conferência Anual.

As idéias ventiladas no livrinho serviram de base à constituição da Nova Igreja Metodista (The Methodist New Connexion Founded).

O historiador, dr. Jorge Eayrs, falando sobre isso, disse:
"Os princípios gerais foram incluídos mais tarde na constituição da Nova Igreja Metodista. Nessa obra ele se confessou autor de outros tratados e insistia em, apesar das concessões, alguma coisa ainda precisa ser feita não só para evitar que qualquer pregador proceda contrariamente aos interesses das sociedades, mas também para obrigar os pregadores a cooperar uns com os outros. Ele insistia:
1)no pronunciamento da igreja, antes da admissão ou expulsão de membros, e também quanto à nomeação dos guias de classe;
2) em que os pregadores leigos deviam ser examinados e aprovados pelo conselho dos guias e pelas Conferências distritais;
3) em qualquer pregador, como candidato a itinerância, fosse aprovado pela Conferência trimensal;
4) em que fossem nomeados delegados leigos da Conferência trimensal à Conferência distrital e da Conferência distrital à Conferência Anual dos pregadores;
5) em que os leigos trabalhassem juntos com os pregadores em todos os negócios, tanto temporais como espirituais" (Townsend et al, Vol. p. 492).


Kilham foi processado e expulso em 28 de julho de 1796. Foi um processo penoso para todos. Ele ficou consolado, quando alguns perguntaram se era Kilham ou a Conferência que estava sendo processada, e triste, quando seus amigos pronunciaram a sentença contra ele. Não havia nada contra seu caráter, só contra suas idéias.

A expulsão de Kilham causou grande perturbação em diversas sociedades. Um plano de pacificação em que eram incluídas diversas das idéias de Kilham foi apresentado à Conferência Anual. A Conferência fez algumas concessões, mas não foram suficientes para satisfazer às pessoas interessadas. O rompimento era inevitável e mais de cinco mil membros se retiraram da Igreja Metodista Wesleyana. Com esses elementos se organizou a Nova Igreja Metodista.

A separação foi triste e custosa, mas as coisas chegaram a tal ponto que era a única medida a tomar. O movimento, que resultou dessa separação, começou com a propaganda de Kilham, em 1791, ano em que Wesley morreu.

Três pregadores acompanharam Kilham no ato da separação: Guilherme Thorn, Stephen Eversfield e Alexander Cusumin. Esses quatro pregadores reuniram-se com os delegados leigos que os acompanharam na separação da Capela de Ebenezer, na cidade de Leeds, para organizar a Nova Igreja Metodista, em 9 de agosto de 1797.

Nesta primeira Conferência Guilherme Thom foi eleito presidente e Kilham ficou sendo o secretário. Os lugares atingidos pela separação foram Nottingham, Meclesfield, Aluwick, Olham e mais algumas cidades. Na cidade de Huddersfield, onde os representantes se reuniram, foram eles taxados de jacobinos e soldados cercaram a casa onde estavam reunidos. Sofreram perseguições. Os pregadores eram poucos e seis as zonas. Os pregadores tinham de viajar muito e pregar diversas vezes por semana. Kilham viajava e pregava constantemente. Mas os pregadores ajudavam no trabalho e prestavam valiosos serviços. Christophers Heaps, da cidade de Leeds, foi um dos pregadores que prestou mais serviço, não somente ajudando com suas pregações, mas também hospedando os pregadores na sua casa. O desejo de Kilham era harmonizar as doutrinas arminianas com o sistema presbiteriano e com a itinerância.

Porque Kilham e outros celebravam a santa ceia numa sala especial, foram taxadas de "sacramentários" e davam-lhes vaia nas ruas.

A segunda Conferência Anual da Nova Igreja Metodista realizou-se na cidade de Scheffield, em 1798. Estavam presentes quatorze pregadores e dezessete leigos, representantes de dez zonas. A constituição foi adotada pela Conferência. Mas, antes de ser aprovada pela Conferência Anual, já fora aprovada pelas zonas.

Os pregadores trabalharam abundantemente e seus esforços não foram em vão. Kilham, que trabalhou em Scheffield, foi bem sucedido. O povo afluía às suas pregações, havendo mais de mil e quinhentas pessoas assistindo às reuniões em dias da semana. Sendo o chefe do movimento, a presença de Kilham era desejada em todos os lugares onde havia trabalho. Mas as viagens, perseguições e fadigas concorreram para lhe minar a saúde. Numa viagem que fez a cavalo, ao País de Gales, em novembro de 1798, ficou doente. Mas em dezembro estava trabalhando outra vez. Tinha mais zelo que saúde. Sofrendo de uma hemorragia pulmonar, causada por um resfriado violento, não pode continuar seu trabalho. Dentro de poucos dias faleceu, em um 12 de dezembro de 1798, com trinta e três anos de idade. Morreu jovem, porém conseguiu na Igreja certas reformas necessárias, ainda que fossem violentas e, talvez, prematuras. Foi, entretanto, mais evangelista do que reformador. Tinha paixão pelas almas. Na hora da morte disse: "Precisamos contar a todo mundo que Jesus é precioso."

Foi homem sincero e honesto. Ninguém duvidava da sua sinceridade. Aproveitava seu tempo, trabalhando dezoito horas por dia e pregando seis ou oito vezes por semana. Escrevia bem, estilo claro e vigoroso. Casou-se duas vezes. Sua primeira esposa viveu pouco tempo depois do casamento. A segunda sobreviveu ao marido e fundou escolas para crianças pobres na Inglaterra e. na Irlanda e foi uma das primeiras missionárias na África.

Guilherme Thom era o Melanchton do movimento, enquanto Kilham era o Martinho Lutero, com sua eloqüência e seu espírito evangelístico. Thorn tivera boa instrução e fora colega de João Wesley. Wesley o honrou nomeando-o membro da Conferência dos Cem, e publicou seu retrato no Arminian Magazine. Pregava bem e com poder, apelando mais para a cabeça do que para o coração. A sua carta de despedida da Igreja Metodista wesleyana revela coragem, sinceridade e tolerância:
"Estou resolvido a não fazer do púlpito nem da imprensa veículos de abuso, mas, se for necessário falar sobre o assunto, eu o farei para sustentar, com meus argumentos, as Escrituras e os costumes primitivos da Igreja Cristã". (Townsend et al, Vol. I, p. 498).

Quando se retirou da Igreja Metodista wesleyana era superintendente do distrito de Halifax, colocação boa na Igreja. Na Nova Igreja serviu na qualidade de presidente, seis vezes e foi para todos exemplo de ordem, cultura e piedade. A sua influência ficou indelevelmente gravada na Nova Igreja Metodista. Morreu em 1811.

Entre os leigos se destacam dois: Roberto Hall (1754-1827) e Samuel Heinbottom (1757-1829). Roberto Hall era amigo pessoal de Wesley e ficou na Igreja Metodista cinqüenta anos. Hall, que era químico, descobriu um processo para alvejar renda, que lhe deu prestigio entre os cientistas do seu tempo. Ajudou Kilham no seu trabalho. Contribuía liberalmente para a causa e custeou a publicação da biografia de Kilham. Serviu como secretário da Conferência Foi o primeiro leigo a ocupar este lugar. Deu prestígio à Nova Igreja Metodista: assim as perseguições na cidade onde morava, foram mais brandas.

Samuel Heinbottom era o economista da Nova Igreja Metodista. Pela sua influencia se estabeleceu um fundo de beneficência para socorrer os ministros velhos, suas viúvas e seus órfãos. Também conseguiu estabelecer um fundo, chamado Fundo Paternal, para ajudar na educação dos filhos dos pastores. Foi homem leal, corajoso e generoso para com a causa de Cristo.

A nova política de permitir aos leigos participar da administração da Nova Igreja Metodista deu bons resultados. Havia cordialidade entre os pregadores e os leigos. Os pregadores depois de quatro anos de experiência, eram admitidos em plena conexão com a Conferência Anual e recebiam o título de reverendos. A representação dos leigos nas Conferências satisfez.

As zonas ou paróquias eram grandes, exigindo viagens longas e penosas. Os recursos eram poucos e os subsídios eram pequenos. Os primeiros pregadores recebiam por trimestre três libras e mais a comida, o que montava a mais ou menos cinqüenta cruzeiros por mês. Os pregadores casados recebiam a mesma quantia, sem qualquer adicional para as esposas e filhos. Como disse um historiador: "Poucos poderiam dizer: Dai-me uma colocação no ministério para que eu coma um pedaço de pão". Mais tarde o subsidio dos pregadores foi aumentado.

Por falta de subsidio, muitos dos pregadores deixavam de viajar. Num período de dezessete anos oitenta e quatro pregadores foram admitidos, mas, por falta de subsídio, grande número deles passou à situação de pregadores locais.

A média de serviço, na itinerância, durante os dezessete anos, ficou reduzida a seis anos. Entre os que deixaram de viajar, estava Richard Watson, o grande teólogo metodista, que voltou para a Igreja Metodista wesleyana. Prestou bom serviço nela, servindo como secretário de Missões, escritor, pregador e conselheiro.

A Nova Igreja Metodista conservou todos os característicos da família metodista original. A classe metodista era a célula vital da Igreja. À pergunta "Quais são os membros?" a Conferência respondia: "Somente aqueles que assistiam às classes". Cantavam só três hinos nas reuniões de pregação e o pregador pregava de uma para duas horas. Alguns dos sermões de Wesley foram publicados pela Nova Igreja Metodista e vendidos por um penny. Publicou-se um jornal, o Methodist Magazine.

Havia muita falta de casas de oração. O número de pessoas crentes era duas vezes maior do que o que e casas de oração podiam acomodar. A Nova Igreja Metodista sofreu não somente por falta de casas de oração, mas também por causa das dificuldades legais que existia na aquisição de propriedades.

A Nova Igreja Metodista prosperou, mas lentamente, pois tinha muitos obstáculos a vencer, muitas críticas e censuras a agüentar e oposições a enfrentar. A sua maior contribuição ao metodismo foi abrir caminho para as inovações necessárias a fim de democratizar a comunidade metodista. Com o correr dos anos serviu para unificar outros ramos do Metodismo numa só Igreja. Em 1814 tinha 8.292 membros, 207 igrejas, 44 pregadores itinerantes, 229 pregadores locais e 101 capelas.

2 - A ORIGEM DOS METODISTAS CRISTÃOS DA BÍBLIA (The Bible Christian Methodist) (1815-1826).

Os metodistas Cristãos da Bíblia são o resultado do trabalho que Guilherme O'Bryan iniciou na região negligenciada de Devon. Aconteceu que o condado de Devon era pouco visitado pelos metodistas nos dias de Wesley, e, como os meios de comunicação na Inglaterra eram deficientes, uma secção do país podia ficar quase inteiramente isolada de outra. Por isso um avivamento religioso podia dar-se numa zona sem afetar outra zona.

O povo que morava no condado de Devon era ignorante, atrasado e supersticioso, dedicado a esportes e divertimentos. Os párocos da Igreja Anglicana jogavam, bebiam pescavam e faziam tudo, menos cuidar zelosamente das suas paróquias. Sydney Smith os chamou de "varetas de espingarda e varas de pescadores" em vez de bispos, ministros e párocos. Realmente, eram homens do mundo e muitos deles não tinham sequer idoneidade moral.

Foi neste estado de coisas que Guilherme O'Bryan achou o Senhor e se tornou mensageiro da Sua Palavra.

Devon é duas vezes maior do que o condado de Cornwall, mas Cornwall tinha, em 1812, cento e vinte e duas capelas, enquanto Deven só tinha trinta e duas.

O'Bryan reconhecia esses fatos quando se converteu. Chegou a conhecer a verdade por meio de Daniel Evans, coadjutor da paróquia de Shebber Church, no norte de Dartmor, condado de Devon, e de um itinerante da Lady Huntingdon. Evans converteu-se, quando o avivamento passava por Cornwall e a oeste da Inglaterra.

O'Bryan era nasceu em de fevereiro de 1778, em Luxulyan, em Cornwall. Seu avô era irlandês e servira com Cromwell, na Irlanda, tendo fixado residência em Cornwall, depois da guerra. Seus pais eram metodistas piedosos, especialmente a sua mãe que, colocando suas mãos sobre a cabeça dele, deu-lhe a sua bênção: "Que você seja uma benção para centenas e milhares".

Realmente O'Bryan foi uma benção para muitos. Na mocidade escapou de grandes perigos, que o impressionaram. Em 1796 se converteu e, sobre isso, disse: "O Senhor me deu a paz, revelando-se como meu profeta, advogado e rei". Sendo seu pai homem de recursos, pode Guilherme educar-se melhor do que muitos rapazes do seu tempo, que não tinham tantos recursos. Quando tinha vinte e um anos de idade foi nomeado mordomo da Igreja a para zelar pelos pobres.

Logo que se converteu, começou a exortar os seus vizinhos para que também buscassem tantas bênçãos quantas ele gozava. Às vezes sentia tanto desejo de falar ao povo que falaria a todo mundo se pudesse ajuntar as nações num só lugar.

Falou em público pela em pela primeira vez, em 1801. Orava muito: suas orações ecoavam nas proximidades do lugar onde trabalhava. Alguns julgavam que ia perder seu juízo. Quando deixava de exortar os outros, ficava perplexo e desanimado. Em 1805 ouviu o dr. Coke num sermão que lhe fez muito bem. Suas agonias desapareceram e só voltaram, quando deixou de pregar. Ficou doente e, depois de sarar, resolveu dedicar-se ao trabalho de evangelização, em 1808.

Filiou-se aos metodistas e trabalhou no norte de Cornwall, onde abriu trabalho em oito das paróquias daquela região. Ele gostava de trabalhar nos lugares esquecidos ou abandonados. Seu método era pregar três vezes num lugar e, depois organizar uma classe.

Queria entrar na itinerância, mas a Conferência distrital da Igreja Metodista wesleyana, em Cornwall, não quis aceitá-lo. Continuou a trabalhar onde encontrava lugares negligenciados. Mas esse trabalho irregular foi motivo para ser ele expulso da Igreja Metodista, naquele ano. A expulsão foi irregular, porque ele não foi ouvido. Mas, por influência de seu amigo James Adgers, superintendente da zona de Bodwin, se filiou de novo a Igreja, em 1814.

Deixou outros empregos para dedicar-se à evangelização na região do norte de Devon, onde encontrou vinte paróquias sem pregadores metodistas.

Apelou para as pessoas de recursos para que o ajudassem no custeio das suas despesas. Fixou residência em são Blazey. Foi excluído da sociedade por ter deixado de assistir a classe três vezes em seguida. Havia muito rigor de disciplina nas sociedades metodistas daquela época e, por isso, O'Bryan foi excluído.

Foi homem evangelizador. Providenciando o que era necessário para sua família, saía nas suas viagens de evangelização, não sabendo quanto tempo passaria fora de casa, nem onde ia ficar. Sentiu o peso e a necessidade de evangelizar o povo que vivia sem Deus. De como se despedia da família, disse:
"Naquela hora não havia tempo para hesitar, nem eu tentava olhar para trás, enquanto não tinha a certeza de que estava fora do alcance da vista dos meus filhinhos e da minha esposa" (Townsend et al, vol. I, p. 506).

Não podendo combinar com o superintendente sobre seu trabalho missionário na Missão wesleyana de Stratton, separou-se completamente dos metodistas, ainda que os amasse de todo o coração.

Foi pena que um homem como ele, com seis anos de experiência, não fosse mantido nas fileiras metodistas. Se houvesse mais flexibilidade na administração, esse homem não teria sido perdido para o trabalho, para o qual se sentiu chamado.

Não queria dividir os metodistas e as sociedades, por isso, procurava os lugares negligenciados pelos metodistas e ajudava as pessoas com as quais convivia a buscarem a salvação. Queria que seus filhos espirituais assistissem ao culto na Igreja Anglicana.

Esboçou um plano de trabalho para o condado de Devon, que abrangia dezoito pontos de pregação para serem visitados de quatorze em quatorze dias. Também não deixou de visitar os presos. Há semelhança entre o trabalho dele e o de Wesley ao começar sua carreira de evangelização. Seu lema era pregar somente onde o Evangelho não havia sido proclamado.

Foi convidado por João Thorn, que morava em Lake Farm, Shebbeard. Aceitou o convite. Em 9 de outubro de 1815, a pedido insistente, resolveu organizar a primeira classe de vinte e dois membros. Todos os membros da classe eram membros da Igreja Anglicana e freqüentavam os cultos. As reuniões da classe sempre se realizavam fora das horas do culto da Igreja, mas as pregações dos párocos da Igreja Anglicana não eram edificantes e os membros da classe, por isso, queriam construir uma capela onde pudessem ter seu próprio culto. Foi construída a capela e, assim, esse grupo de crentes se tornou o primeiro núcleo dos Metodistas Cristãos da Bíblia.

James Thorne, filho de João Thorne, pregou na ocasião do lançamento da pedra fundamental da nova capela (1817), declarando que O'Bryan era o fundador de uma nova comunidade cristã. James Thorne filiou-se ao novo movimento, dedicando-lhe seu tempo, talentos e dinheiro. Era bem educado, professor na Igreja Anglicana e dedicou-se ao trabalho sem pensar em remuneração. O'Bryan o convidou, com o consentimento dos outros pregadores locais e membros da sociedade, para agudá-lo na evangelização do povo. Por algum tempo não teve facilidade de pregar, mas alcançou grande benção da santificação e sentiu depois, não somente facilidade em pregar, mas também grande gozo pela conversão de almas. Houve ocasiões em que pregava cinco vezes por dia, andando, para isso, sessenta quilômetros a pé. Sofreu oposições e perseguições. Abriu uma missão em Kent e conseguiu quatrocentos membros num ano.

A Conferência trimensal dos Cristãos Metodistas da Bíblia realizou-se em 1º de janeiro de 1816, na casa de O'Bryan, que tinha se mudado para Holsworthy. Nessa ocasião havia 237 membros na sociedade e, com o correr de mais quinze meses, havia já 1.112. O trabalho progrediu e tornou-se mais fácil conseguir conversões do que arrecadar dinheiro. As crianças afluíam aos cultos ao ar livre. O povo despertado passava horas e horas em oração. Perante tanto fervor toda oposição cedeu. O sr. Ratenbury, que queria proibir que O'Bryan visitasse a cidade de Milton Danesel, converteu-se e tornou-se fervoroso propagandista do Evangelho. Grande entusiasmo apoderou-se dos crentes, como se deu com São Francisco de Assis, e o trabalho espalhou-se por outros lugares.

Em poucos anos os obreiros Metodistas Cristãos da Bíblia passaram os limites do condado de Devon e começaram seu trabalho no oeste da Inglaterra, da Ilha de Wight, em Kent e em Northumberland. Outros obreiros surgiram e trabalharam em outros lugares do país. Guilherme Mason trabalhou em Bristol. Em 1823 Catarina Reed e Ann Cory atraíram grandes multidões em Londres. Maria, filha de O'Bryan, trabalhou com bom êxito como evangelista.

É interessante notar que a maior parte da obra pioneira foi feita pelas mulheres. Desde o princípio desse movimento as mulheres ocuparam lugar, em pé de igualdade, ao lado dos homens.

O'Bryan pregou sobre o assunto um sermão em que justificou este costume. Baseava-se ele nas Escrituras, na história, na razão e na experiência. Sua esposa foi pioneira nesses trabalhos e disseram que pregava melhor do que o marido.

No princípio elas não praticavam a itinerância, porém mais tarde viajavam e muitas almas foram convertidas por meio do ministério feminino. Quando um clérigo fez objeções à pregação de mulheres, Throne lembrou-lhe que uma mulher (a rainha da Inglaterra!) era a chefe da sua Igreja. Em 1819 havia trinta pregadores itinerantes, dezesseis homens e quatorze mulheres. Em 1823 havia cem mulheres pregadoras. Mencionaremos três dessas mulheres:

Joana Brook Neale foi expulsa da Igreja Anglicana onde assistia os cultos por ter contado a sua experiência de pregadora metodista. Reuniu, então, grande número de pessoas do lado de fora da igreja da qual ela fora expulsa, e pregou com grande poder. Tomou parte nas campanhas evangelísticas de O'Bryan, em 1823, e centenas de centenas de pessoas foram convertidas por ela e arroladas na igreja. Oito homens, nessa ocasião entraram no ministério. Às vezes o povo ficava tão interessado nos cultos que exigia o trabalho dela dia e noite.

Maria Toms possuía grande poder de oração. O povo afluía aos seus cultos em grande número e centenas de centenas de pessoas se convertiam. Foi ela que tomou sobre si a tarefa de evangelizar a ilha de Wight, mas só em 1823 conseguiu chegar lá. O trabalho dela, ali, foi produtivo.

Maria Ann Werrey interessou-se na evangelização das ilhas de Cicely (1821) e de Guerney (123). Conseguiu organizar uma classe metodista de cento e quarenta e uma pessoas e construir uma capela. Auxiliou-a Maria O'Bryan, que sabia pregar em francês. O povo apelidou Maria Ann Werrey de "pequena donzela”. Dali ela passou para Northumberland onde iniciou trabalho de evangelização. Mas uma coisa um tanto misteriosa se deu então com ela. Depois de pregar em Northumberland por algum tempo, começou a pregar de cidade em cidade, sofrendo, por vezes, fome e necessidades, sem casa, doente, até que um dia desapareceu. A sua última mensagem foi: "O Senhor é meu e eu sou do Senhor”.

Os Metodistas Cristãos da Bíblia pregaram as doutrinas metodistas e a experiência da santificação. O elemento emocional manifestou-se entre esse povo. Deram-se, às vezes, entre as pessoas não crentes, agitações físicas. Cessavam, quando as pessoas atacadas aceitaram a Cristo, tornando-se crentes. Davam importância aos sonhos, vozes misteriosas e visões.

Já quase não havia perseguições aos metodistas, mas o zelo também tinha cessado. Quando se manifestou o zelo deste grupo de metodistas, as perseguições começaram de novo. Em alguns lugares Os magistrados não se importavam com as perseguições promovidas pelos motins. Thorne foi impelido a queixar-se: “Oh! Inglaterra, é esta a tua liberdade de consciência?" Para ridicularizar os Metodistas Cristãos da Bíblia, os seus perseguidores os apelidaram de “bryanistas", "luzes brilhantes" e "cristãos da Bíblia", e acrescentaram mais uma palavra ao apelido que ficou: “Metodistas Cristão da Bíblia". Os “quaqueres" ou "amigos" filiaram-se a esse grupo de metodistas em alguns lugares.

O espírito missionário se manifestou cedo entre os crentes. O impulso de estender o trabalho na Inglaterra foi prova disso. Em 1821 organizou-se a primeira sociedade missionária que arrecadou noventa e duas libras (Cr$ 8.280,00). As quantias aumentavam de ano em ano até que, em 1865, as ofertas importaram em Cr$ 72.000.000,00. Isto representava muito sacrifício e abnegação. Os salários dos missionários eram muito pequenos.

A primeira Conferência Anual dos Metodistas Cristãos da Bíblia realizou-se em 17 de agosto de 1819, na cidade de Badark. Doze pregadores itinerantes estavam presentes. Guilherme O'Bryan foi eleito presidente e James Thorne foi eleito secretário. Nessa ocasião havia oito capelas com 389 membros. Resolveram aproveitar o serviço das mulheres como itinerantes. A organização que estabeleceram era quase igual a da Nova Igreja Metodista.

Mas O'Bryan queria ser reconhecido como autoridade suprema na Igreja e não aprovou a votação dos leigos na Conferência. Tomou posição arbitrária na administração da Igreja. Assim, no caso da Conferência não concordar com ele em qualquer coisa, seu voto valeria mais que todos os outros para decidir uma questão. Só dois pregadores entre oitenta e oito concordaram com isso. Essa atitude de O'Bryan causou a sua separação da Conferência, em 1829. Seis anos mais tarde reconciliou-se com a Conferência (ou seja, com os Metodistas Cristãos da Bíblia) e fez uma viagem aos Estados Unidos e Canadá, onde trabalhou por alguns anos, visitando a Inglaterra de vez em quando. Faleceu em 1868 com noventa anos de idade.

Em 1831 os Metodistas Cristãos da Bíblia adotaram uma constituição muito semelhante à da Nova Igreja Metodista. Dedicaram-se à tarefa de ganhar almas para Cristo e aperfeiçoar-se na santidade de vida e no termo de Deus.

3 - AS IGREJAS METODISTAS LIVRES E UNIDAS.

Por quase trinta anos houve controvérsias nos arraiais metodistas sobre a política da Igreja. A contenda que Kilham levantou em 1791 sobre a parte que os leigos deveriam ter no governo da Igreja continuou a perturbá-los.

Eram dois os princípios em choque: o princípio advogado pelos clérigos e o princípio defendido pelos leigos. Os clérigos insistiam em que toda autoridade na Igreja ficasse em suas mãos; os leigos queriam que ela fosse repartida entre leigos e clérigos. Havia um pequeno grupo que queria que o governo da Igreja ficasse somente nas mãos dos leigos e que os pastores fossem admitidos e despedidos pela igreja local (ou seja, defendiam o sistema congregacional). Este era o elemento extremado.

Podemos dizer em outras palavras que os clérigos queriam proteger o sistema itinerante enquanto os leigos queriam participar na administração da Igreja.

Estando toda a autoridade concentrada nas mãos dos pregadores, havia necessidade de uma reforma qualquer na Igreja. Para conseguir essa reforma houve lutas, contendas e separações.

As Igrejas Metodistas Livres e Unidas são o resultado de diversos grupos de metodistas que saíram da Igreja Metodista wesleyana por um motivo ou outro, mas principalmente devido a política da Igreja.

Os elementos componentes das Igrejas Metodistas Livres e Unidas são os seguintes: Os metodistas Protestantes (1827) e a Associação dos Metodistas wesleyanos (1835).

A origem dos Metodistas Protestantes se deve a uma contenda que se deu entre os depositários da Brunswick Wesleyan Chapel, em Leeds, e a maioria dos líderes, membros e pregadores locais da zona, a respeito da instalação de um órgão na capela. O órgão foi instalado com a aprovação da Conferência Anual, mas contra a vontade de diversos membros, leigos e clérigos. Houve muita discussão e contenda sobre a inovação e a maneira em que foi permitida a instalação do órgão. O resultado final foi que muitas pessoas se retiraram da Igreja. "O órgão de Leeds", disse alguém, custou mil libras e mil membros". Esse grupo de pessoas formou o núcleo dos Metodistas Protestantes.

A questão do órgão provocou agitações em outras partes da Igreja. Provocou discussões em toda Igreja Metodista wesleyana. E o resultado final foi que muitos membros foram expulsos da Igreja e que outros saíram e formaram um grupo que tomou o nome da Associação dos Metodistas wesleyanos. Este grupo aceitava as doutrinas, ritos e instituições metodistas, mas dava liberdade às zonas e igrejas locais e permitia representantes leigos nas Conferências.

A Associação dos Metodistas Wesleyanos desenvolveu-se rapidamente, mais pela filiação de outros grupos de metodistas descontentes do que em resultado de conversões. Em 1836 o grupo dos metodistas protestantes e os metodistas independentes de Scorbrough filiaram-se à Associação dos Metodistas Wesleyanos e, no ano seguinte, o grupo dos Metodistas Arminianos. Assim, mais de oito mil membros da Igreja Metodista wesleyana saíram para formar o grupo da Associação dos Metodistas Wesleyanos. Em 1839 esse grupo de metodistas constava de 28.000 membros com 600 capelas. Essa Associação continuou a progredir e desenvolver-se até 1857, quando se uniu às Igrejas Metodistas Livres e Unidas.

Como se efetuou a união e quais foram os seus resultados, diremos, citando o historiador Jorge Eayrs:
"Pela reunião anual de delegados e pela assembléia anual da Associação (1855) foram adotadas as bases da união e os representantes de ambas foram autorizados a completá-la. Isso se deu em Exeter Hall, em Londres, a 14 de maio de 1857. A comunidade unida realizou sua primeira assembléia na capela de Baillie Street, na cidade de Rockdale, em 29 de julho de 1857. O nome adotado foi Igrejas Metodistas Livres e Unidas. Everett foi eleito presidente e Eckett, secretário. O número completo de membros era 39.968, com 110 pregadores e 769 capelas. Dos reformadores eram 19.113 membros, 500 capelas e diversos pregadores. O processo de amalgamação e o aumento continuaram por alguns anos com um evangelismo agressivo, assinaladamente reconhecido por Deus, continuou a aumentar o número de membros. Em 1862 havia 60.880 membros, 8.229 candidatos à profissão de fé, 3.715 guias de classes, 2.871 pregadores locais, 211 pregadores itinerantes, 965 capelas, 394 casas de oração e 122.320 alunos na escola dominical. O "Título de Fundação da Associação" foi aprovado como o da Igreja Unida. Mateus Baxter foi presidente da Associação no ano anterior à união e prestou bons serviços por sua versatilidade, tática e força como editor durante aqueles anos críticos (1854-1860). Junto com Everett, Baxter reparou para as igrejas um hinário, que serviu até ao ano de 1889. Depois, como as dificuldades legais não permitissem o uso do hinário Wesleyano, foi publicado um novo hinário, preparado por uma comissão. A venda de 70.000 exemplares do novo hinário em seis meses, demonstrou a necessidade do livro e também sua excelência”.

"Paciência, tática e recursos em alto grau foram exigidos para consolidar as velhas organizações e as partes novas, espalhadas, numa construção consistente. Se em pouco tempo já não era possível distingui-los, foi porque aqueles que tinham movido a divisão se dedicaram à obra da construção. A colher do pedreiro tomou o lugar da espada. Entre tais devem ser mencionados Jose Massingham, Jose Chicpchas, Jorge Guilherme Harrison, Guilherme Gandy e Hildrett Kay. João Benson, de New Castle-on-Thyne, também ajudou muito”.

“Como Kay fosse prematuramente à eternidade chamado, sua viúva, uma mãe em Israel, continuou o serviço dele e a sua filantropia generosa, por mais uma geração. Às vezes parecia que o tempo gasto em manter o equilíbrio, o conexionalismo (connexionalism) e a independência da zona absorvia tempo e força preciosos para tarefas mais importantes. De vez em quando, nos primeiros; dias, o ministro era mencionado como agente pago e as bênçãos de Deus pedidas sobre "nosso servo, teu ministro". Foram precisos cinqüenta anos para extirpar o medo da "autocracia" da Conferência e do clero. Muitas vezes o respeito e o amor pelo ministro, como indivíduo e como homem de Deus, resultavam em reconhecimento do seu ofício, colocando-o como Primus inter pares, e era altamente apreciado em amor pelo seu trabalho. A ligação tornou-se afetiva, a Conferência Anual tinha direção real. A consolidação foi favorecida pelo fato de que a alguns ministros se permitiu ficar mais de que três anos no mesmo lugar. Nisto a Associação e o corpo unido anteciparam as modificações da itinerância que a Igreja mãe (Igreja Metodista wesleyana) efetuou mais tarde em alguns anos.”

"O estabelecimento de uma comunidade liberal de metodistas não foi o único resultado dessa agitação. O dr. Rigg acreditava que ela "ensinou à Igreja Metodista wesleyana e particularmente à Conferência, uma lição do mais alto alcance". Além disso como as guerras e brigas dos dias de Cromwell e os sofrimentos de Bunyan e Baxter finalmente conseguiram uma revolução pacífica e as liberdades firmes de 1688, assim também essas contendas estimularam interesse mais profundo na temperança, nas notícias publicadas` dos atos da Conferência e na liberdade gozada pela imprensa. Não devemos deixar de acrescentar uma palavra a este esboço a respeito das soluções e amizades produzidas no correr dos anos. Bunting sentiu que esses acontecimentos tristes nos deram sabedoria e que tais acontecimentos não serão repetidos. Na ocasião da sua Conferência Ecumênica, em Londres, em 1881, Griffith recebeu agradecimentos de alguns pelos esforços que tinha feito para introduzir reformas havia já mais de trinta anos. Ali, também, ele e Osborn encontraram-se, apertaram as mãos e derramaram lágrimas, lembrando-se de dias passados e tristes. Dunn entregou a Hugh Price Hughs, então com vinte e seis anos de idade, a tarefa de sanar o rompimento de relações. Numa crise de sua própria vida pensou em passar para uma das novas Igrejas Metodistas, com o fim de uni-las e, depois, pedir unificação com a Igreja mãe, de modo que todas fossem uma. Seu jornal semanal pugnou pela liberdade cristã e o sentimento de fraternidade entre os metodistas e a sua reunificação tornou-se o propósito da sua vida" (Townsend et al, vol. I, ps. 537-539).

4 - O DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO METODISTA DESDE 1857 ATÉ 1908.

A Nova Igreja Metodista durante cinqüenta anos, entre 1857 e 1908, se desenvolveu normalmente. Deu muita ênfase à educação ministerial. Acumularam-se fundos para esse fim. O trabalho de evangelização foi conservado. Homens, como Guilherme Booth, Lockwood e Williams, levaram avante essa parte do trabalho. Fizeram-se algumas alterações na constituição para acomodá-la às condições da atualidade. Celebrou-se o primeiro centenário da Igreja de 1897. Levantaram-se então cem mil libras (Cr$ 90.000.000,00) para fins locais e dez mil duzentos e cinqüenta libras (Cr$ 10.250.000,00) para o trabalho geral.

Os Metodistas Cristãos da Bíblia cresceram rapidamente. Sofreram oposições e perseguições, contudo continuaram a desenvolver-se. "Billy" Bray era homem típico dentre os vários obreiros, cujas palavras adornaram o Evangelho e enriqueceram a literatura metodista. Era, a princípio um mineiro, lascivo e ébrio. Lendo as "Visões" de Bunyan, ficou profundamente impressionado e tão mudado pela conversão que dizia: "Dizem que eu sou louco, mas querem dizer que sou alegre". Por quarenta anos seu corpo ágil se movimentou em Cornwall, cantando, orando, gritando, pregando o Evangelho e a proibição de bebidas alcoólicas não se incomodava com a pobreza ou dificuldade e declarou que, quando levantava um pé, parecia dizer "glória" e, quando levantava o outro, em seguida, parecia dizer "amém". Fazia como os frades: raramente tomava, nas pregações, um texto, mas as começava com o verso de um hino ou uma história. Meio milhão de exemplares da sua "Vida" foram vendidos e várias as línguas para as quais foi ela traduzida" (Townsend et al, vol. I, p. 543).
As Igrejas Metodistas Livres e Unidas têm manifestado espírito de evangelismo e dedicação à temperança e aos melhoramentos sociais. Têm dado importância à preparação de diaconisas e pregadores. Os líderes de maior destaque são Richard Chew, Marmaduke Miller, H. T. Mawson e A. J. Duckworth. O crescimento tem sido firme e progressivo.

5 - A IGREJA METODISTA UNIDA (1907).

A Igreja Metodista Unida é o resultado da fusão das três Igrejas mencionadas neste capitulo: a Nova Igreja Metodista, a Igreja dos Metodistas Cristãos da Bíblia e as Igrejas Metodistas Livres e Unidas. Como já foi narrado, todas estas três Igrejas saíram da Igreja Metodista Wesleyana, separadamente, em épocas diferentes, movidas pelos mesmos motivos. Portanto, não foi difícil concordarem elas num plano de unificação. Por quatro anos se preparou o terreno para a consumação desse ato. Todas as três Igrejas iam bem no seu trabalho; não havia outros motivos entre elas, senão desejo de unificar as suas forças e trabalhar juntas na seara do Senhor. Todos os passos civis e eclesiásticos foram tornados antes da reunião unificadora, que se deu na cidade de Londres, na capela de Wesley. A Igreja mãe convidou as três Igrejas para efetuar a reunião na igreja onde Wesley pregou por tantos anos e que era o Centro do Metodismo britânico.

A constituição que adotaram é a seguinte: Pela constituição a Conferência trimensal se compõe dos ministros, pregadores locais, oficiais da paróquia, ecônomos das igrejas e representantes das igrejas, das escolas e das associações de empresas. Em todas as ações jurídicas locais o pregador superintendente, ou seu representante, ocupará a presidência, fazendo-se provisão contra o absolutismo ministerial. A Conferência distrital consistirá dos ministros, representantes gerais residentes nos distritos, um ecônomo de cada paróquia e representantes leigos igual em número a todos os outros oficiais. A Conferência distrital elegerá delegados, clérigos e leigos, à Conferência Anual, em igual número. Esta Conferência suprema nomeará também vinte e quatro curadores, ou representantes legais, com mandatos de seis anos. Serão nomeados ministros e leigos, como curadores em número igual, tanto pela Conferência distrital como pela Conferência Anual, para formarem a comissão de nomeação de ministros. O prazo de quatro anos será o limite do pastorado, que deve ser renovado anualmente, podendo se estender esse prazo até sete anos, com a votação de dois terços da Conferência trimensal e, ainda por mais tempo, com a votação da Conferência Anual. A constituição poderá ser revista de dez em dez anos, se as alterações propostas forem aprovadas pelas Conferências trimensais e pela Conferência Anual, por dois anos consecutivos.

Para ser membro nesta Igreja, era exigida uma experiência baseada em "Arrependimento para com Deus e fé em nosso Senhor Jesus Cristo evidenciados pela vida, e pela participação da santa ceia, juntos à pratica da comunhão cristã, como está providenciada nas reuniões das classes ou meios de graça e ordenanças cristãs, que podem ser reconhecidos de tempos em tempos na Igreja Metodista Unida" (Townsend et al, vol. I, ps. 550-551).

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(*) Texto extraído das páginas 331 a 354 do livro História do Metodismo, de Paul Eugene Buyers, publicado pela saudosa Imprensa Metodista em 1945.

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