IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

Boulevard Vinte e Oito de Setembro, 400
Vila Isabel - Rio de Janeiro - RJ
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Metodismo
Rio, 5/5/2008
 

As igrejas metodistas independentes e a Igreja Metodista Primitiva surgidas logo após a morte de João Wesley (Paul Eugene Buyers)

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1 - AS IGREJAS METODISTAS INDEPENDENTES

Alem dos três partidos (*) que se manifestaram na Igreja Metodista Wesleyana logo após a morte de Wesley, havia mais um elemento entre os metodistas que era comum a todos os partidos e conhecido como "revivalism" ou espírito de avivamento. Esse é o termo conhecido e usado entre os metodistas, não para designar um partido, mas para definir o temperamento e a tendência encontrados no sentimento emocional e agressivo do Metodismo no princípio do século dezenove.

Em certos pontos da Inglaterra esse espírito de avivamento se manifestou mais do que em outros. Isto se deu nas cidades de Sheffield, Halifax, Leeds e Manchester.

Em Manchester) em 1806, havia um grupo de crentes chamado "Band-Room Methodist", metodistas que realizavam cultos em casas particulares. Esse grupo não quis submeter-se à autoridade dos pregadores metodistas e fazer parte do movimento geral. Por isso as autoridades tomaram a seguinte resolução:
"Por alguns anos alguns dos nossos membros e diversas sociedades têm revelado a disposição de assumir o nome de "revivalistas ou "revificadores", mas o desejo de conservar a união dos metodistas nos leva a impedir, com cuidado, todas as distinções que tendam a desenvolver entre nós o espírito partidário" (Townsend et al, Vol. I, p. 556).

Sem dúvida os "revificadores" eram zelosos, mas revelavam espírito independente, crÍtico e censura.

Aqui se manifestam duas forcas, ambas trabalhando para o bem-estar da Igreja: a autoridade, procurando dirigir a boa ordem e a unidade da Igreja e a força dinâmica e vital da Igreja, lutando pela liberdade de ação. Para os "revificadores" a salvação de almas vale mais do que a boa ordem da Igreja. As duas coisas são necessárias; um movimento sem ordem e disciplina não pode ter bom êxito final.

Mas esse espírito de avivamento encerrava germe da vida. Os "revificadores". conservaram o espírito de evangelismo entre o povo: apareceram diversos grupos dos quais alguns permaneceram. Ao menos duas Igrejas metodistas devem a sua origem aos "revificadores", os Metodistas Independentes e os Metodistas Primitivos.

Em 1796 existia na cidade de Warrington uma sociedade metodista. Esta sociedade ficou separada das outras por sua situação geográfica. Os pastores não podiam visitá-la regularmente, por isso os membros assumiram a direção do trabalho e não se queixavam do seu isolamento. Os cultos eram realizados em casas particulares e o foram por muito tempo. Em 1796 as autoridades da Igreja Metodista Wesleyana lhe ofereceram auxílio, prometendo enviar-lhe um pregador. Mas não quiseram aceitá-lo. Passaram-se mais quinze anos sem que se mandasse um pregador para lá. Proibiu-se que os cultos continuassem em casas particulares. Um grupo recusou obedecer à ordem e foi excluído da sociedade. Mas continuou com seus cultos, cuidando de si mesmo.

Nessa época apareceu entre esse grupo um homem chamado Pedro Phillips (1778-1853), que se tornou seu chefe.

Pedro Phillips era homem piedoso e exercia a profissão de marceneiro, em Warrington. Desde os dezessete anos de idade se dedicava ao estudo da Bíblia. Estudou o Novo Testamento e chegou à conclusão que os pregadores não deviam receber ordenados, mas trabalhar como os demais membros. Esta idéia ainda prevalece na Igreja Metodista Independente. Phillips pregou o seu primeiro sermão em 1801 e por mais de cinqüenta anos continuou a pregar o Evangelho, tendo viajado mais de quarenta mil quilômetros nas suas viagens pastorais.

Os quaqueres filiaram-se aos metodistas independentes nessa região. E o povo os taxou de "metodistas quaqueres" e "quaqueres cantores". Mas o nome "metodistas quaqueres" foi o que vingou.

Como havia mais grupos.de metodistas independentes e isolados, sentiam a necessidade de se filiarem uns aos outros. Consultaram entre si e chegaram à conclusão que seria bom tentar uma federação. Convocou-se uma Conferência em 1806. Diversos grupos, incluindo o de Warrington, tomaram parte na Conferência. O nome de metodistas independentes foi adotado para sua federação. Esse nome continuou até 1833, quando tentaram mudá-lo para "Igrejas de Cristo Unidas", e até 1841, quando de novo tentaram mudá-lo para "Igrejas Evangélicas Livres e Unidas". O nome Igrejas Metodistas Independentes permaneceu. Em 1898, tinham 9.614 membros e foi reconhecida como um dos ramos do metodismo ecumênico. Possuem uma casa publicadora, editam seus jornais e têm missões na Índia.


2 - A IGREJA METODISTA PRIMITIVA.

A Igreja Metodista Primitiva é um dos ramos florescentes do Metodismo britânico. Fundou-se em 1811 pela fusão dos metodistas do culto de acampamento com os metodistas clowesitas. Ambos os grupos eram fruto dos '‘revificadores" que persistiram dirigindo cultos em casas particulares e na promoção de cultos de acampamento. Mas no fundo tanto os cultos em casas particulares como os cultos de acampamento eram, por sua vez, fruto do desejo de liberdade em adorar a Deus e usar métodos e modos variáveis.

A história da Igreja Metodista Primitiva divide-se em cinco períodos:
1° período de formação (1800-1811);
2° período de missões nacionais (1811-1843);
3° período de transição (1843-1853);
4° período de distrito e consolidação (1853-1885);
5° período em que uma federação se tornou numa Igreja (1885-1908).


1.° Período de formação (1800-1811).

Em 1800, um carpinteiro, Hugh Bourne, fixou residência em Mow Chop, lugar sem religião e sem moralidade, para trabalhar em sua profissão. Nasceu em 1772 e se convertera, lendo bons livros. Tímido por natureza, mas persistente adotou o método dos "revificadores" e falava pessoalmente com outros acerca da sua salvação. Lembrou-se do seu primo, o mineiro Daniel Shubotham, e falou com ele sobre religião usando o texto do Evangelho de São João 14:21 como base da sua palestra. Terminando sua conversa, deixou com ele por escrito a história da sua conversão. Em pouco tempo seu primo também se converteu, e em seguida se converteu outro mineiro. Estes três tornaram-se evangelistas "revificadores" e muitas almas, por eles, se converteram ao Senhor. E deu-se um despertamento em Mow Chop.

A pregação por meio de conversações e cultos religiosos realizados em casas particulares foi o método mais usado. Os cultos não podiam durar mais de hora e meia. Às vezes o povo queria que o tempo dos cultos fosse prolongado, mas o guia Shubotham sempre se recusava a isso, dizendo que havia de realizar-se um culto de um dia inteiro, no morro de Mow Chop, quando então todos poderiam orar até tanto quanto quisessem.

Shubotham ofereceu um lote de terreno no canto do seu jardim para a construção de uma capela. Bourne começou logo a construir a capela. Custou muito sacrifício completá-la. Organizaram-se classes. Bourne tornou-se pregador e o trabalho se desenvolveu. Entrou mais um obreiro, Guilherme Clowes. Clowes era oleiro e antes da sua conversão entregara-se aos prazeres do mundo. Mas, quando se converteu, tornou-se cristão fervoroso. Pagou as suas dívidas, corrigiu seus defeitos e tornou-se um grande evangelista.

O trabalho estendeu-se até Harriseahead. Um dia apareceu na Inglaterra um metodista americano, Lorenzo Dow. Pedro Phillips, em 1805, ouviu Lorenzo Dow pregar em Liverpool. Gostou da pregação e o convidou para visitá-lo em Warrington. Ele aceitou o convite, foi e contou muita coisa a respeito do avivamento na América, promovido por meio dos cultos de acampamento. Tais cultos, na Inglaterra, eram novidade.

Lorenzo Dow era homem esquisito. Pálido, cabelo comprido, de fala estranha e de costumes diferentes do dos ingleses. Era um dos itinerantes que iam aonde queriam e quando queriam. Viajou muito nos Estados Unidos, no Canadá, na Inglaterra e na Irlanda. Foi por meio dele que os cultos de acampamento se introduziram na Inglaterra. Por onde passava, falava a respeito dos cultos de acampamento que se originaram e se praticavam nos Estados Unidos, em 1799. Deixou com os metodistas de Harriseahead um folheto — "Defesa dos Cultos de Acampamento". Esse fato se deu em abril de 1807 e em maio os ingleses realizaram seu primeiro culto de acampamento. Em 1818, quando Lorenzo Dow visitou outra vez a Inglaterra, escreveu no seu Diário o seguinte: "

“Quando eu estive da outra vez neste país, falava-se da realização de um culto no morro de Mow Chop e eu me senti inspirado a falar acerca da origem, do progresso e dos resultados dos cultos de acampamento na América. Isto calou na mente do povo que queria um avivamento e, de acordo com as combinações já feitas, resolveu-se passar um domingo inteiro em oração, pedindo o derramamento do Espírito Santo, o que antes se tinha procurado fazer, mas não fora possível". (Townsend et al, Vol. I, p. 565).

O primeiro culto de acampamento foi realizado em 31 de maio de 1807, no morro de Mow Chop. Assim o povo teve a satisfação de passar um dia em oração. Foi tão satisfatório que resolveu promover outro em Harriseahead. Mas houve muita oposição da parte dos oficiais civis, que alegaram que era contra a lei. Porém essa dificuldade foi finalmente removida e mais cultos de acampamento se realizaram com bons resultados. O trabalho cresceu, o número de membros aumentou e sentiu-se a necessidade de casas de cultos.


2.° Período de Missões Nacionais (1811-1843).

Foi nesse período que o movimento tomou o nome de Metodistas Primitivos. O trabalho se desenvolvia gradualmente. Havia entre os guias de classe duas opiniões quanto ao plano de desenvolvimento. Alguns achavam que deveriam ir devagar e consolidar bem o trabalho no território já conquistado, enquanto que outros achavam que deveriam avançar e conquistar mais territórios e consolidar o trabalho depois. A segunda opinião prevaleceu e a campanha para estender o território foi chefiada por Hugh Bourne. Os obstáculos e as dificuldades de dentro e de fora dos seus arraiais foram vencidos e o trabalho prosperou. Novos centros foram organizados; novas zonas, ocupadas; novos membros arrolados; e novas casas de oração, construídas.

Os missionários sofreram perseguições, porém a causa avançou e o trabalho progrediu. Fundou-se uma casa publicadora. Publicaram-se livros e revistas. O trabalho chegou em seu desenvolvimento a tal ponto que se organizou uma Conferência. Realizou-se a primeira Conferência em 1820. Compunha-se de delegados eleitos pela Conferência distrital, sendo dois delegados leigos para cada pregador. Tomaram-se as medidas necessárias para legalizar suas propriedades e a sua constituição.

Outras zonas, como a de Hull, foram depois organizadas. O progresso alcançado correspondeu ao esforço despendido pelos trabalhadores, orientados pela sabedoria do seu trabalho árduo.

Os anos de 1825 a 1828 são conhecidos como anos de crise. O trabalho tinha se desenvolvido bem até essa data. Então começou a parar. Poucos membros novos foram conquistados durante esse período. Uma das causas principais de tudo isso foi a falta de coordenação de esforços. A independência e a liberdade das igrejas locais prejudicavam a administração geral. Algumas zonas ficaram endividadas e não havia cooperação nas coisas vitais e de interesse geral. Custou a corrigir esses defeitos. Mas, depois de centralizar mais a autoridade nas mãos dos que zelavam dos interesses gerais, começou o trabalho a progredir de novo e a crise passou.

As mulheres trabalhavam como evangelistas e pregadoras. Elas conseguiram abrir trabalho onde os homens não poderiam ter feito, por causa das perseguições. As mulheres pregadoras eram mais respeitadas pelos motins do que os homens. Maria Porteous e Elizabeth Smith podem ser comparadas com qualquer homem do tempo pela eficiência, pela habilidade e pelos resultados do seu trabalho.


3.° Período de' transição (1843-1853).

Em 1842 Bourne e Clowes, os dois dos guias principais, foram aposentados e outros tomaram seus lugares. O trabalho tinha se desenvolvido a tal ponto em que exigia alterações. João Flesher, que sucedeu a Bourne, como editor, resolveu mudar a casa publicadora de Potteries para Londres. Também organizou a Comissão Geral de Missões. Tudo que recomendou a respeito dessas alterações, foi aprovado pela Conferência de 1843. Tomaram-se outras medidas para centralizar a administração geral da Igreja. Gradualmente os interesses locais foram harmonizados com a fiscalização da Conferência distrital. Por experiência a Igreja descobriu a política mais acertada para a sua administração.

Foi nessa época que a obra missionária se estendeu para países estrangeiros. Foram enviados missionários para a Austrália e para a Nova Zelândia. Essa obra foi iniciada para atender aos pedidos de metodistas ingleses que tinham emigrado para estes lugares. O espírito missionário é tão largo como o mundo e o universo.


4.° Período do distrito e consolidação (1853-1885).

A morte de Clowes e de Hugh Bourne deixaram buracos nas fileiras ministeriais da Igreja. João Flesher, depois de consolidar as atas e publicar o novo hinário, aposentou-se. Apareceram no cenário novos guias para continuarem o trabalho. Havia necessidade de modificar a política da Igreja quanto aos distritos. Em 1824 havia quatro distritos, a saber, de Tunstall, Nottingham, Hull e Sunderland. Em 1842 havia mais três distritos, de Norwick, Manchester e Brinkworth. Foram depois criados mais três, o distrito de Leeds (1845), o de Bristol (1848) e o de Londres (1853). Havia, portanto, no começo deste período, dez distritos.

No princípio deste período os distritos eram os centros vitais da administração da Igreja. Cada distrito zelava dos interesses que estavam dentro dos seus limites, nomeava os pastores dentro do seu território e leigos e clérigos podiam tomar parte nos seus trabalhos. Havia mais interesse no que se fazia na Conferência distrital do que na Conferência Anual. Mas essa política prejudicava os interesses gerais da Igreja.

Às vezes um distrito grande, forte e de recursos passava muito bem, enquanto outro distrito pequeno e fraco, lutava com grandes dificuldades.

Havia necessidade de consolidar os interesses da Igreja na Conferência Anual. Neste período os distritos cederam certas funções e interesses à Conferência Anual. A Conferência Anual podia zelar dos interesses de toda a Igreja e, por ela, o forte podia ajudar o fraco e os pastores eram distribuídos com mais sabedoria pelos lugares onde podiam trazer a maior contribuição ou prestar melhor serviço. A unidade foi melhorada pelas mudanças que se deram nas funções dos distritos. Em 1879 passou uma lei de divisão dos distritos e alteração do número de representantes, de modo que nenhum distrito pudesse ter preponderância na Conferência Anual.


5.° Período em que a federação se tornou uma Igreja (1885-1908).

Durante esse período a federação ou a conexão tomou feição de Igreja. A terminologia foi igualmente mudada. Onde se podia mudar um termo para pô-lo de acordo com a linguagem eclesiástica, isso se fazia. Realmente, a tendência das coisas neste período era para a simplificação e unidade. A Igreja Metodista Primitiva cessou de ser uma federação de grupos independentes e tornou-se uma Igreja solidificada.

O trabalho missionário aumentou, a obra de ação social cresceu e a educação ministerial intensificou-se. No fim desta época se promoveu uma campanha financeira destinada a ajudar o trabalho geral da Igreja.

Convém mencionar aqui um fato que se deu no Metodismo britânico, em 1932. Por alguns anos tinha havido tendência para a unificação de todas as Igrejas metodistas da Inglaterra. O primeiro resultado prático dessa tendência se deu em 1907, quando três Igrejas, a Igreja Nova Metodista, a Igreja Metodista Cristã e as Igrejas Metodistas Livres e Unidas se fundiram na Igreja Metodista Unida.

Depois da unificação dessas três igrejas ficavam ainda três para se fundirem numa, a saber, a Igreja Metodista Wesleyana, a Igreja Metodista Primitiva e a própria Igreja Metodista Unida. O homem que trabalhou mais do que qualquer outro para este fim, foi um leigo, o sr. Henrique Lunn. A primeira guerra mundial estorvou o movimento de unificação por alguns anos, mas em 1926, 1927 e 1929 medidas unificadoras foram tornadas pelas três Igrejas, as quais foram reconhecidas pelo governo inglês. Em 1932, no Albert Hall, em Londres, foi proclamada, a unificação de todas as Igrejas metodistas britânicas numa só Igreja, que tomou o nome de A IGREJA METODISTA UNIDA. Assim o povo que se chama metodista ficou unido mais uma vez, como o fundador desejava que sempre fosse.


(*) Sobre isso ver texto nesse site em http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaocolunas.asp?Numero=1275

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(*) Texto extraído das páginas 355 a 364 do livro História do Metodismo, de Paul Eugene Buyers, publicado pela saudosa Imprensa Metodista em 1945.

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