IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

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Metodismo
Rio, 6/5/2008
 

A chegada no século XVIII do Metodismo na Irlanda e em alguns países da Europa (Paul Eugene Buyers)

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O METODISMO NA IRLANDA

As verdades evangélicas foram ignoradas quase completamente pelo povo irlandês até a invasão da Irlanda pelos metodistas em 1747. Desde os dias de são Patrício os irlandeses têm sido dominados pelo Catolicismo. Os ingleses, por motivos políticos, procuraram introduzir o Protestantismo na Irlanda. Mas os irlandeses plebeus resistiram às tentativas dos ingleses para evangelizá-los por meio da Igreja Anglicana, representada por párocos seculares, incompetentes e, na sua maioria mundanos.

Na primeira vez que Wesley visitou a Irlanda, convenceu-se do erro que os ingleses estavam cometendo para conquistá-la para Cristo. Notou que noventa e nove em cem dos irlandeses continuavam na religião dos seus pais e que os protestantes residentes em Dublin e em outras partes vieram, quase todos, da Inglaterra ou da Escócia. E conclui:
"Não é de admirar que quase todos os que nascem papistas, vivem e morram como tais, enquanto os protestantes não acharem um meio melhor para convertê-los do que leis penais e atos de parlamento" (Townsend et al, Vol. II, p. 4).

O Romanismo conservou o povo na ignorância e na superstição. As condições morais e sociais na época em que lá os metodistas iniciaram seu trabalho eram péssimas. Imoralidade, brutalidade e indolência caracterizavam a vida do povo. Além disso, a situação política era triste, os irlandeses estavam divididos, e a autoridade inglesa prevalecia na ilha. O deismo e o ateísmo eram propagados com a intenção de acabar com a fé cristã e a Bíblia. Por conseguinte, o meio em que os metodistas foram trabalhar era difícil, embora a necessidade do povo fosse grande. O povo estava em trevas espirituais, explorado religiosa e politicamente. O campo, como Samaria no tempo de Cristo, estava "branco para a ceifa".

Como já falamos do trabalho metodista na Irlanda em outro lugar, não queremos repetir as mesmas coisas aqui, contudo acrescentaremos algo que nos parece importante.

Guilherme Morgan, irlandês, colega de Wesley na Universidade de Oxford, foi o primeiro metodista a pregar na Irlanda. Visitou-a pela primeira vez, para pregar o Evangelho, em 1747. Por algumas semanas trabalhou com êxito, em Dublin. Relatou a Wesley o que fizera. Wesley resolveu visitar a ilha e, em agosto, chegou a Dublin, onde ficou por algumas semanas, pregando e assistindo às classes metodistas. Ficou bem impressionado com o trabalho. Logo depois, Carlos Wesley e Carlos Perronet visitaram a Irlanda, onde também pregaram e fizeram bom trabalho. O povo, de princípio, apreciou o trabalho metodista e muitos se converteram e entraram nas sociedades. Mas em pouco tempo os párocos anglicanos e os padres católicos levantaram perseguição contra os metodistas. Tumultos e motins explodiram em Dublin e noutras cidades, especialmente em Cork. Os metodistas sofreram perseguições e injustiças por algum tempo, mas finalmente conseguiram implantar o Evangelho na Irlanda.

Apesar de sofrer perseguições e oposições, brutalidade e injustiças, o trabalho progrediu. Os itinerantes o estenderam em todas as direções, para o sul, para o oeste e para o norte. Ao termo de quarenta anos havia 65 pregadores, 82 casas de oração e 1.400 membros. Em quase todas as cidades, vilas e arraiais se encontravam grupos metodistas. Muita gente dentre os católicos se converteu a Cristo. Alguns dos obreiros mais notáveis nos anais da história metodista foram irlandeses, tais como Tomaz Welch, Guilherme Lull, Tomaz Jones, Samuel Simpson, Adão Clarke, Guilherme Thompson, Henrique Moore e James McDonald. João Wesley testificou que “não conhecia benfeitores iguais aos metodistas irlandeses".

Durante a vida de João Wesley houve major contato entre os metodistas ingleses e os irlandeses. Mas depois da sua morte, estas comunicações diminuíram e, quando o dr. Coke faleceu, elas cessaram quase por completo. Era desejo de alguns que houvesse intercâmbio de pregadores entre ingleses e irlandeses, mas, por falta de recursos para custear despesas de mudanças, isso não foi realizado. Sem dúvida, teria sido boa política, se fosse feito.

Houve uma divisão entre os metodistas da Irlanda acerca dos sacramentos e da representação dos leigos nas Conferências distritais e mais de trinta membros foram excluídos. A Nova Igreja Metodista em 1799 reconheceu e assumiu este grupo, que subira a mais de duzentos membros. Em 1825 se estabeleceu uma missão na Irlanda. Mas em 1903 a Igreja Metodista da Irlanda fez uma combinação com a Nova Igreja Metodista para se unirem. A Nova Igreja Metodista recebeu quatro mil libras pelas propriedades que possuía na Irlanda. Desde essa data existe uma só Igreja Metodista na ilha, exceto poucas sociedades da Igreja Metodista Primitiva.

No princípio o método do trabalho era missionário, logo mais era missionário e pastoral e agora é pastoral e missionário. Tem agora sustento próprio e os pastores fazem seu trabalho e ainda levantam fundos para o trabalho missionário. Havia, na Irlanda, lugares atrasados e abandonados, quando os metodistas entraram. Wesley soube de um lugar abandonado no condado de Douegal.e mandou cinco libras para Mateus Stewart iniciar o trabalho naquele local. Stewart começou logo a obra, mas teve de enfrentar lutas formidáveis. Dependia da hospitalidade do povo, quanto à sua hospedagem. Ficava contente, quando achava, no fim do dia, onde podia repousar a cabeça

Assim descreve ele sua experiência:
"Ao chegar, encontrei no fundo da casa a toca da bigorna e o fole. Faltava parte do teto. Não havia espaço nem cama. Só achei dois ou três tamboretes. A mulher da casa, que se apresentava suja, enxugou um prato com as fraldas do vestido, foi a um caixote preto, tomou um bocado de fubá, botou-o no prato, despejou leite de um jarro rachado sobre ele e mo deu. A congregação, quando se reuniu, não sabia se devia ajoelhar ou ficar em pé. Enquanto eu orava, alguns conversavam na língua irlandesa e a maior parte tagarelava. Parecia-me que não entenderam coisa alguma do que eu dissera. Quando anunciei meu texto — "Eis o Cordeiro de Deus, etc." — os ouvintes julgaram que eu mesmo fosse o "Cordeiro de Deus" e combinaram matar-me antes de eu deixar a sua terra" (Townsed et al, Vol. II, p. 13).

Mas, apesar de tais condições e dificuldades muitas almas foram salvas e a causa de Cristo triunfou entre os irlandeses. O número de membros aumentava gradualmente, mas grande número de irlandeses também emigraram para a América e entre eles não poucos metodistas.

Em 1816 a Conferência Anual resolveu permitir aos pregadores administrar os sacramentos nas sociedades metodistas. Esta ação causou divisão entre os metodistas irlandeses e mais de 7.000 membros se retiraram da Igreja. Levantou-se logo a questão das propriedades, pois os dois grupos reclamavam direito a elas. Entraram em litígio e o tribunal decidiu a favor da Conferência Anual. Esta divisão continuou por cerca de sessenta anos, quando, em 1878, os dois partidos entraram em acordo e o Metodismo irlandês ficou unido sob o mesmo pendão.

O Metodismo na Irlanda chegou ao apogeu em 1844. Nesse ano havia 50.000 membros nos dois ramos do Metodismo, o maior número que já se alcançou. Nessa época apareceu nas batatas uma praga que foi um desastre para o país. Milhares de irlandeses emigraram para outros países. A população da ilha, que era de 8.250.000 habitantes em 1841 estava reduzida a 4.500.000 em 1901. A metade do povo deixou o país e, entre os emigrantes, estava grande número de metodistas. Em vez de 50.000 membros, em 1860 havia mais ou menos a metade. Em 1908 a estatística acusava: 18.883 membros, 246 ministros, 697 pregadores locais, 1.107 oficiais e propriedades no valor de Cr$ 59.447.340,00.

O desenvolvimento da constituição da Igreja Metodista Irlandesa foi gradual, como se deu em outras partes. A primeira Conferência Anual realizou-se em 1752, na cidade de Limerick. Wesley presidiu-a, como fez, depois, por muitos anos, até que comissionou o dr. Coke para presidi-la. Nos dias de Wesley as nomeações dos pregadores eram feitas por ele e, depois dele, eram feitas pela Conferência Anual, por meio de uma comissão. Cada distrito nomeava um membro como seu representante para fazer parte da comissão de nomeações. Dois dias antes da reunião da Conferência Anual essa comissão de nomeações se reunia e fazia um plano de nomeações dos pregadores para o novo ano, para ser aprovado ou emendado pela Conferência Anual.

Os leigos não tiveram parte na administração da Igreja até 1812, quando este privilégio lhes foi concedido.

As finanças receberam atenção da Conferência desde o princípio. Os pregadores eram pagos, de acordo com uma tabela estabelecida e alterada de tempos em tempos. Como os irlandeses não podiam sustentar todos os seus pregadores, os ingleses os ajudaram por alguns anos, até que pudessem assumir essa responsabilidade. Fez-se provisão para os filhos e para as viúvas dos pregadores. Também se estabeleceu um fundo para auxiliar os pregadores jubilados e aposentados.

Campanhas financeiras especiais têm sido feitas no correr dos anos para ajudar a manter e estender o trabalho. No princípio do século XX se levantaram coletas especiais que renderam mais de Cr$ 4.734.000,00. Foi a oferta mais liberal que os metodistas irlandeses já fizeram, considerando seu número e suas posses.

A Igreja Metodista Irlandesa não deixou de empregar outros meios, além da pregação para desenvolver e estender seu trabalho dentro e fora do país.

A escola dominical tem tomado importância vital na obra do Metodismo da Irlanda. Samuel Bates organizou a primeira escola dominical em 1776. Em 1794 as escolas dominicais foram organizadas em toda parte onde foi possível. A Sociedade de Escolas Dominicais da Irlanda vem funcionando há mais de cem anos. É considerada o departamento mais importante no trabalho da Igreja. Em 1908 havia 352 escolas dominicais, com 2.587 professores e 25.864 alunos.

As sociedades de jovens foram organizadas em 1896.Todo o trabalho feito entre crianças e jovens da Igreja esta sob a direção de uma comissão chamada "Comissão Unida".

O movimento de temperança foi e tem sido francamente promovido pela Igreja desde a sua organização, em 1829. A Conferência Anual de 1830 aprovou uma resolução proibindo "a compra e venda de bebidas alcoólicas, senão em caso de extrema necessidade".

Em 1876 foi nomeada uma "Comissão de Temperança", composta de clérigos e leigos, "para ajudar na supressão do alcoolismo, e desmoralizador da intemperança". Recomendou-se que os pregadores pregassem sermões sobre o assunto. Os metodistas têm combatido fortemente a intemperança nestes últimos anos. Homens como Tomaz Walsh e Jorge Ousely, levantaram a sua voz contra os vícios do povo.

Os missionários, quando visitavam os lugares mais abandonados para levar a mensagem de vida aqueles que jaziam nas trevas, enfrentavam toda a espécie de privações. Tiveram experiências, e sentiram a obrigação de repartir o pão da vida com seus patrícios famintos. Eis um dos segredos do bom êxito do seu trabalho.

A Igreja Metodista Irlandesa tem feito o que pode para socorrer os pobres, especialmente as vítimas indigentes. Também organizou uma sociedade chamada Sociedade Amiga dos Estranhos. Milhares de pessoas têm sido ajudadas por esta Sociedade. Tem escolas para os órfãos e orfanatos para as crianças desamparadas. Já há muitos anos tem se interessado neste trabalho.

Quanto à educação, tem feito alguma coisa. Mantém três tipos de escolas: escolas primárias, escolas secundárias e seminários teológicos. As suas escolas se comparam favoravelmente com quaisquer outras escolas dos mesmos tipos em todo o Reino Unido.

A influência do Metodismo irlandês está fora de proporção com a sua força numérica. Quando nos lembramos do grande número de seus membros que têm emigrado para outras terras e dos homens importantes que trabalharam na Inglaterra nos primeiros tempos do Metodismo e verificamos que a influência indireta e direta que ele tem exercido sobre o povo irlandês, ficamos admirados com a sua missão no mundo.

Logo nos primeiros dias do Metodismo na Irlanda pessoas come Filipe Embury, Bárbara Heck e Roberto Strawbridge, deixaram o país em busca de terras mais favoráveis, onde pudessem ganhar o pão de cada dia. Sabemos da influência destas três pessoas e de outras na implantação do Metodismo na América do Norte. Também homens, como Lawrence Coughlan, João Stretton, João McGreary, Samuel McDowell, João Remmington e Guilherme Ellis, que introduziram o Metodismo na Terra Nova. Foram irlandeses que introduziram o Metodismo no Canadá.

A influência do Metodismo sobre as outras Igrejas evangélicas da Irlanda tem sido salutar. Os presbiterianos receberam dele um novo impulso espiritual, logo que João Wesley e seus ajudantes iniciaram seu trabalho no país. As igrejas presbiterianas abriram suas portas a João Wesley, Carlos Wesley, Jorge Whitefield e outros. Muitas pessoas que se converteram ficaram na Igreja Presbiteriana e muitos que já eram membros tiveram novas experiências. Os metodistas foram, pois, uma bênção para a Igreja Presbiteriana da Irlanda. O terreno lá, estava suficientemente preparado, quando os evangelistas, Moody e Sankey realizaram suas campanhas evangelísticas em 1869.

O trabalho missionário não foi desprezado. Bem cedo na sua vida a Igreja Metodista Irlandesa se lançou na obra missionária. Em 1783 alguns emigrantes irlandeses chegaram à ilha da Antígua e, sob a direcao de dr. Baxter, trabalharam ali entre os negros.

Quando o dr. Coke visitou essa ilha, em 1786, achou mais de dois mil membros nas sociedades metodistas. Temos irlandeses enviados missionários para a África, Ceilão e Austrália.

O METODISMO NA EUROPA

1. O metodismo na França.

O Metodismo entrou na França por meio das ilhas do Canal, Jersey e Guemesey. João Wesley se interessou na evangelização dos franceses e mandou Roberto Carr Breckenbury e Adäo Clarke trabalhar nessas ilhas, em 1783. Não podia ter encontrado dois homens mais capazes para tal trabalho naquela época.

Um negociante, João Angel, encontrou um grupo de protestantes nas vizinhanças de Caen, em 1790, e contou-lhes a sua experiência da graça divina. Uma mulher que o ouvia, disse:
"Por quarenta anos venho sendo perseguida por causa da minha religião, mas eu não sabia, até hoje, qual era a natureza da verdadeira religião" (Townsend et al, Vol. II, p. 41).

A afirmação dessa mulher revelou a falta de compreensão da religião experimental. O Protestantismo oficial da França também precisava de avivamento espiritual.

Vários esforços, de vez em quando, se faziam para implantar o Metodismo na França, dirigidos por homens bons, tanto ingleses como franceses.

Em 1784 a Conferência nomeou Guilherme Mahy, pregador local da ilha de Guernesey para administrar aos protestantes da Normandia. Logo depois o dr. Coke e Jean de Quettevalle tentaram abrir trabalho em Paris, mas quase nada conseguiram. Acharam "que os franceses estavam enamorados demais com a revolução e iluminados demais pela nova filosofia para se incomodarem com as verdades do Cristianismo ou com a salvação das suas almas" (Townsend et al, Vol. II, ps. 41-42).

Guilherme Mahy tinha mais de oitocentos protestantes sob seus cuidados e o dr. Coke o ordenou para a obra do ministério, antes de voltar para a Inglaterra. Mahy trabalhou desde 1791 até 1808, como missionário na França. Não pode voltar à sua terra durante esse tempo por causa da guerra. Sofreu muito às mãos dos protestantes mundanos e dos oficiais públicos, porque suspeitaram que ele fosse um espião.

Muitas pessoas fugiram da França, no tempo da Revolução Francesa, e entre elas um súdito britânico, da nobreza, M. du Pontavice, que viajou com o dr. Coke. Converteu-se e voltou em 1802 para ajudar Guilherme Mahy. Trabalhou na Normandia até 1810, quando faleceu apenas com quarenta anos de idade. Nesse tempo os metodistas trabalhavam entre os prisioneiros franceses de Medway e Portsmouth, na Inglaterra. Dois pregadores locais e um católico romano que se converteu, trabalhavam entre eles e, quando terminou a guerra, com a derrota de Napoleão em Waterloo, passaram para a França e lá continuaram seu trabalho entre o povo francês.

Outros obreiros foram enviados, de tempos em tempos, para continuarem o trabalho na França. Entre eles mencionaremos os seguintes: Carlos Cook, João Lelive, J. Boston e Guilherme Gibson.

Carlos Cook foi enviado pela Conferência Anual, em 1818. Por meio dele mais do que por meio de qualquer outro Deus conseguiu difundir as boas novas na França daquela época. Ele sabia guiar os homens. Assim os ingleses como os franceses o reconheciam como o seu chefe em tudo. Era cristão, culto, jeitoso em administrar e aconselhar. Hoje em dia os netos e bisnetos dos seus cooperadores são ministros e diretores do trabalho metodista na França. O grande historiador Merle d'Aubigne disse:
"A obra que João Wesley fez na Grã-bretanha foi como a obra de Carlos Cook no continente, mas em escala menor. (Twnsend et al, Vol. II, p. 42).

João Leliève se criou no romanismo, no condado da Normandia. Serviu no exército de Napoleão. Terminada a guerra, voltou para a sua terra, onde se converteu. Entrou no ministério e nele trabalhou por trinta anos. Muitas almas foram convertidas sob o seu ministério e um dos seus filhos espirituais escreveu em francês a Vida de Wesley; que serviu para popularizar o Metodismo na França.

J. Rostan por mais de vinte e cinco anos pregou entre a população que habitava a zona dos Alpes. Viajou e sofreu muito para poder pregar nas choupanas dos camponeses e nas igrejas dos protestantes. Realizou grande número 'e pregações religiosas.

Guilherme Gibson, ministro do governo inglês em Paris, ajudou muito o trabalho metodista na França. Deu sua fortuna para se abrirem salas de cultos em diversas cidades da França. Essas salas se abriram nos subúrbios das grandes cidades para atender às necessidades dos operários e dos pobres.

A Conferência da França abriu trabalho no norte da África, entre os "Kabilers", a raça descendente de Tertuliano e de Agostinho.

Foi difícil enfrentar as despesas do trabalho, pois o povo francês não tinha muito dinheiro e não sentia necessidade de dar, porque por muitos anos o governo sustentava os ministros com o produto de impostos.


A Igreja Metodista Episcopal da América do Norte abriu trabalho em 1906, nas cidades de Lyons, Marseilles e outras do sul da França. Os resultados têm sido salutares na vida religiosa do povo.

Os metodistas levaram nova vida para a velha e histórica Igreja dos huguenotes. Os huguenotes estavam dominados pelo racionalismo, mas o espírito evangelístico tem modificado muito a atmosfera espiritual deles, nestes últimos tempos. Este grupo de protestantes deixou de ser passivo e se tornou muito ativo na vida cristã, social, educativa e política. Por meio das pequenas missões dos metodistas foram introduzidas as escolas dominicais, a Associação Cristã de Moços iniciou seu trabalho, sociedades de temperança e sociedades de jovens se criaram na França. Os metodistas são considerados como elemento agressivo (muito ativo) do Protestantismo na França e a Igreja Evangélica os considera como irmãos. Todas as Igrejas Evangélicas estão trabalhando juntas para livrar o país da ignorância e da superstição.

2. O Metodismo na Itália.

A Itália ficou fora do programa do Metodismo até ao triunfo de Garibaldi, em 1870. Antes do triunfo de Garibaldi, da unificação da Itália e da extinção do poder temporal do papa, os metodistas não podiam abrir trabalho na Itália. Logo depois de 1870 o trabalho metodista começou. Alguns dos ex-soldados de Garibaldi tornaram-se os primeiros ministros metodistas.

Depois da derrota da França, causada pelos alemães, em 1870, a cidade de Roma se abriu para o Metodismo. Ocupou-se um hall no princípio, mas em 1877 construiu-se uma igreja bonita, em estilo gótico, com anexos para ministros, loja de Bíblias e cômodos para os soldados italianos. Os prédios metodistas ocupam um quarteirão com lojas e apartamentos que são rendimento para a conservação do trabalho. Também em Nápoles há casa de culto metodista e pregação. Há trabalho em Florença e Palermo. Em cada uma destas cidades existem capelas boas, o povo assiste aos cultos.

Em Spezzia há uma escola freqüentada por mais de trezentos alunos. É muito apreciada pelo governo à vista do alto padrão de excelência que mantém. Também há um orfanato em Pádua. Faz-se trabalho nas vilas e cidades pequenas. Nas Apúlias há uma zona que tem vinte e quatro pontos de pregação.

Existe uma igreja dos militares em Roma, fundada por um ministro metodista, mas é interdenominacional. Soldados jovens que se convertem ali são mais tarde enviados para vilas e zonas rurais, onde começam o trabalho de evangelização. Desta maneira o trabalho se faz em diversos pontos da Itália.

Os metodistas têm sido perseguidos. Os padres levantam oposição forte contra eles. Mas a lei civil da Itália tem sido muito justa na proteção dos obreiros metodistas, quando eles apelam para os tribunais italianos. Além da oposição, a falta de casas de oração em muitos lugares tem dificultado a propaganda do Evangelho Também, nem sempre os obreiros e o pessoal empregado tem sido dos melhores. Tem havido crítica a esse respeito, e com proveito, pois a crítica construtiva traz benefícios.

Com o auxílio de Deus o Evangelho tem sido pregado na terra dos antigos Césares e do papa, desde os Alpes até ao Mediterrâneo.

A influência do Metodismo sobre a Itália tem sido maior, porque não é sustentado pelo Estado. Os valdenses conservaram a fé evangélica na Itália, mas se concentraram mais na zona do Piemonte Superior. Depois que os metodistas, tanto da América do Norte como da Inglaterra, iniciaram e estenderam seu trabalho por toda a Itália, os valdenses seguiram a mesma política. Portanto, foram estimulados a maior atividade do que, teriam sido se os metodistas não entrassem no país.

As Igrejas protestantes têm trazido boa contribuição ao espírito liberal do povo. O povo italiano tem mais interesse em resolver os seus problemas sociais agora do que antes. Concorrerão para libertar povo da superstição e da tirania eclesiástica do papado.


3. O Metodismo na Alemanha.

Pareceria desnecessário mandar missionários para a Alemanha. Mas, quando se lembra que a Igreja Luterana é mantida pelo governo ou Estado, que seu clero exerce autoridade civil e oficial mais rigorosa que o clero da Igreja Anglicana e que a tendência é, por isso, para a intolerância para o racionalismo, se vê a necessidade de uma influência que contrabalance tudo isso. A Igreja Metodista tem servido para estimular a vida espiritual do povo. E, por isso mesmo, o clero luterano, na sua maioria, tem levantado oposição aos metodistas.

A origem dos metodistas da Alemanha deu-se entre os emigrantes alemães, na Irlanda e na América do Norte. Asbury interessou-se na evangelização dos emigrantes alemães, na América do Norte, em 1789. Em 1808 havia mais de seiscentos pregadores e sessenta mil membros, na América. Uma vez ou outra, alguns destes metodistas voltavam para a Alemanha e assim contribuíram para aumentar o número de metodistas nesse país.

O primeiro missionário enviado para a Alemanha foi o alemão Jacoby. A Igreja Metodista Wesleyana o mandou em 1831 para abrir trabalho na cidade de Wurtemberg. Ele foi sucedido por J. C. Barratt, em 1865. O trabalho na Alemanha estendeu-se para Baviera e Viena.

Os metodistas americanos iniciaram trabalho na Alemanha em 1849 e trabalharam até 1897, quando se uniram com os metodistas wesleyanos. Em 1906, incluindo todos os metodistas dos diversos grupos, havia 5.800 membros, 408 ministros e 313 capelas.

Há uma coisa que distingue o trabalho metodista na Alemanha. É o trabalho das diaconisas. Há mais de setecentas. Elas prestam serviço incalculável nos hospitais, e nas casas particulares. A sua contribuição para a vida religiosa é grande e valiosa. Serviço dessa natureza ao lado do trabalho ministerial, mas livre de todo o contacto com o governo, faz impressão salutar na mentalidade do povo, por que vê que é serviço voluntário e desinteressado.

Há mais uma justificação para manter trabalho missionário nos paises europeus: é estimular o espírito missionário, para que os povos não-cristãos não fiquem esquecidos pelas nações fortes que têm a responsabilidade de evangelizar o mundo. E há ainda outra justificação: é influenciar a mocidade desses paises, para que o materialismo e o racionalismo não venham a dominar a mente e o espírito do povo. Por isso os povos latinos necessitam da influência do Protestantismo, se querem quebrar a tirania religiosa e política de que sofrem. E, finalmente, a missão nos países europeus é para cumprir a grande comissão do Mestre, que disse: "Ide e pregai o Evangelho a toda a criatura" no mundo.

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(*) Texto extraído das páginas 365 a 378 do livro História do Metodismo, de Paul Eugene Buyers, publicado pela saudosa Imprensa Metodista em 1945.

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