IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

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Metodismo
Rio, 6/5/2008
 

A chegada no século XVIII do Metodismo no Canadá, na Austrália e na África do Sul (Paul Eugene Buyers)

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1. O METODISMO NO CANADÁ.

Já falamos da introdução do Metodismo no Canadá. Falamos de Filipe Embury e Bárbara Heck, que mudaram para lá depois de iniciarem o trabalho metodista em Nova York. Também falamos da nomeação de Freeborn Garrettson e James O. Cromwell, em 1784, para o trabalho na Nova Escócia. A população do Canadá, em 1791, regulava 125.000 habitantes, sendo a maior parte composta de ingleses e o resto de franceses e índios. Os habitantes representavam todas as classes e profissões e estavam espalhados sobre grande área de território.

É interessante notar que o Metodismo no Canadá foi introduzido por leigos, como se deu nos Estados Unidos. Os leigos que iniciaram a obra foram Congham, na Terra Nova, Black na Nova Escócia, Tuffey, Neal, Lyons e McCarty, no Canadá. Estes homens davam seu testemunho entre os vizinhos e às vezes provocavam a ira dos malvados contra si. McCarty foi preso e lançado numa prisão, mas foi solto pouco depois, tendo apresentado fiador. Nunca foi processado legalmente. Quatro desalmados por fim o pegaram e levaram num barco pelo rio são Lourenço abaixo e nunca mais se soube noticia dele. Não demorou a receberem eles a justa retribuição do seu crime. Um morreu poucos dias depois; outro, poucas semanas mais tarde; o terceiro confessou, por escrito, que maltratara um inocente e enlouqueceu.

As condições morais e religiosas do povo eram deploráveis Havia ali só três ou quatro pregadores presbiterianos e mais ou menos o mesmo número de ministros anglicanos. A vida moral deles não nos recomendava.

Guilherme Lossee foi o primeiro pregador dos Estados Unidos que entrou no Canadá. O povo gostava dele e mandou um pedido ao bispo Asbury para que o nomeasse para aquela região. O bispo atendeu ao pedido e Lossee foi nomeado para lá abrir uma zona de itinerância. Em 1796 Lossee relatou à Conferência Anual que tinha recebido 165 membros e pediu que fosse nomeado um pregador ordenado para aquele trabalho. Foi atendido e Dário Dunham foi nomeado. Em 15 de setembro de 1792 a primeira Conferência trimensal se realizou no Canadá. Os crentes canadenses receberam a santa ceia pela primeira vez. Todos estavam contentes com os pastores e o progresso do trabalho. Mais tarde, em 1796, dois jovens foram nomeados para esse trabalho. Chamavam-se Ezequias C. Wooster e Daniel Coote. Com a chegada deles, que eram dois homens consagrados, o trabalho tomou novo impulso.

No Canadá Superior, em 1801, havia dez itinerantes e 1.159 membros. Os pregadores eram homens heróicos e entre eles se encontrava Natã Bangs.

Bangs nasceu na Nova Inglaterra, mas, quando tinha treze anos de idade, ele com sua família, mudou para o estado de Nova York. Eram aqui visitados pesos itinerantes e durante uma série de Conferências de avivamento quase todos se converteram, mas ele não quis aceitar o Evangelho. Quando tinha quase vinte anos de idade, acompanhou sua irmã e o marido dela para a região do Niágara, no Canadá, e lá fixaram residência. Bangs escorçou-se por arranjar emprego de agrimensor, mas não conseguiu tal emprego. Então passou a ensinar numa escola. Deus tinha outro serviço para ele. Ele sentiu o peso dos seus pecados, buscou a Deus, converteu-se, sentindo aquecer-se-lhe o coração. Começou a falar de casa em casa, exortando a todos que se arrependessem e fossem salvos. Logo depois teve uma experiência ainda mais profunda da graça de Deus e testificou que Deus o santificara no corpo, na alma e no espírito. Nunca voltou atrás. Dedicou-se inteiramente ao trabalho de Deus. Jose Swayer, superintendente da zona, notando os dons de Bangs, o convidou a entrar na itinerância. Nomeou Bangs para a zona de Niágara, que abrangia uma região de cinqüenta quilômetros por cento e vinte e cinco quilômetros. Ele trabalhou em outras zonas também e sofreu grandes privações. Ficou doente, com febre tifóide, e quase morreu. Prestou serviços importantes à Igreja. Escreveu em quatro volumes a História da Igreja Metodista Episcopal.

Natã Bangs foi obreiro típico do seu tempo. Homens como Wooster, Dário Dunham, Lorenzo Dow e muitos outros trabalharam com dedicação e abnegação.

O trabalho na Nova Escócia desenvolveu-se regularmente. Novos obreiros, de tempos em tempos, entravam nas fileiras e o trabalho ia adiante. Em 1786 se realizou a primeira Conferência. Nessa ocasião havia seis pregadores. Em 1788 Wesley nomeou James Wray, pregador inglês, para superintender o trabalho. Alguns dos pregadores estiveram presentes à Conferência em Filadélfia, para serem ordenados pelo bispo Asbury. O trabalho na Nova Escócia, Terra Nova e New Brunswick, continuou a desenvolver-se e em 1874 os metodistas de leste uniram-se com os do oeste para formar a Igreja Metodista do Canadá.

A história do Metodismo canadense se caracteriza pelas unificações que houve no seu desenvolvimento. Em 1808 havia dois distritos no Canadá, o Distrito do Canadá Superior e o Distrito do Canadá Inferior. Por causa da política civil o metodismo canadense sofreu alterações que mudaram o rumo de seu desenvolvimento. Em 1812, quando rebentou a guerra entre a Inglaterra e os Estados Unidos, todo o trabalho metodista do Canadá estava sob a direção da Conferência Anual de Guernesee, no estado de Nova York. A guerra interrompeu o trabalho de administração, no Canadá. Ao mesmo tempo a Igreja Metodista Wesleyana mandou obreiros para o Canadá. Estes queriam manter a sua relação com a Igreja-mãe e influir na administração do Metodismo canadense. Em 1814 dois missionários metodistas ingleses foram nomeados para trabalhar em Quebec e Montreal.

Quando terminou a guerra, em 1815, os pregadores metodistas americanos reencetaram seu trabalho no Canadá, mas acharam outros homens no campo ocupando as casas de oração. Isto causou confusão e atritos. Se os wesleyanos tivessem combinado a respeito, antes de enviarem homens para ocupar o território, teriam evitado lutas desnecessárias. Tudo isso levou o bispo Asbury a comunicar-se com os irmãos ingleses para chegarem a um acordo no trabalho.

A Conferência Geral de 1820 que se reuniu na cidade de Baltimore, estudou bem a questão do Metodismo no Canadá. Chegou à conclusão que não devia deixar o trabalho canadense. Ao mesmo tempo tomou medidas necessárias para repartir o trabalho com os ingleses, se eles quisessem. Os delegados americanos entenderam-se com os ingleses e resolveram deixá-los ficar em paz, com o distrito do Canadá Superior, ficando aos americanos com o distrito do Canadá Inferior. E assim foi decidida a questão. Mas no correr de poucos anos os metodistas canadenses ficaram descontentes, porque eram taxados de desleais ao seu país. Logo se levantou a questão da separação da Igreja Metodista Episcopal. Em 1824, Ryan, grande propagandista da separação, não podendo influir sobre a Conferência Anual do Canadá para acompanhá-lo, se retirou da Conferência. Conseguiu persuadir cem membros a acompanhá-lo e com esse número organizou a Igreja Canadense Wesleyana.

A Conferência Anual de 1828, realizada na cidade de Pittsburg, atendeu ao pedido de separação dos metodistas canadenses. De acordo com a combinação em outubro de 1828 o bispo Hedding presidiu a Conferência especial para organizar. a nova Igreja canadense, que tomou o nome de Igreja Metodista Episcopal do Canadá. Natã Bangs e Wilbur Fisk recusaram-se a aceitar a eleição para o bispado da nova Igreja.

Surgiram depois complicações entre a nova Igreja e a Conferência Anual da Inglaterra. Atritos e choques pareciam inevitáveis. Mas entre os mais piedosos e refletidos se levantou a idéia da unificação. Provocou interesse e discussões e finalmente a nova Igreja se uniu com os britânicos, em 1833.

Houve uma legislação acerca dos pregadores locais que os desagradou. Também a politicagem de alguns provocava descontentamentos. Tudo isso resultou num rompimento entre os metodistas canadenses e os metodistas britânicos, em 1840. A divisão, contudo, foi sanada ao fim de sete anos. Dois ou três anos depois da divisão, alguns começaram a discutir particularmente a possibilidade de estreitar os laços de fraternidade, entre as duas partes. Mas só em 1847 é que as duas igrejas conseguiram reatar os laços quebrados em 1840. Assim, o rompimento de relações entre os metodistas canadenses e britânicos desapareceu e a unidade metodista canadense, voltou a imperar.

Havia, na Inglaterra, três ramos do Metodismo: a Nova Igreja Metodista, os metodistas Cristãos da Bíblia e a Igreja Metodista Primitiva, além da Igreja Metodista Wesleyana, que tinham trabalho e interesses no desenvolvimento do Metodismo do Canadá.

A Nova Igreja Metodista, fundada na Inglaterra em 1797 abriu trabalho no Canadá em 1837 e encarregou João Adslyman de começar o trabalho. Adslyman, visitando o oeste do Canadá, encontrou-se com Henrique Ryan. Ryan, já havia oito anos, tinha-se afastado da Igreja Metodista Episcopal e fundado a Igreja Metodista Canadense Wesleyana. Como as doutrinas e a política das duas Igrejas eram quase iguais, Addyman lhe fez proposta de união e a união se efetuou em 1841. Em 1846, por ocasião da Conferência Anual, se adotou o nome da Igreja assim unida como sendo a Nova Igreja Metodista do Canadá.

A Igreja progrediu sob a liderança de homens como Addyman, Guilherme McClure e João H. Robinson. Em 1872 constam, no relatório apresentado, 117 pregadores itinerantes, 8.312 membros e propriedades no valor de Cr$.5.766.800,00.

Os Metodistas Cristãos da Bíblia, que apareceram na Inglaterra em 1815, enviaram, em 1832, dois missionários para abrirem trabalho no Canadá. Francisco Metheral abriu trabalho na ilha de Príncipe Eduardo e João H. Eynon iniciou trabalho em Cobourg, em 1833. Outros missionários vieram depois e o trabalho cresceu. A primeira Conferência realizou-se em 1855. João H. Eynon e sua esposa, que era excelente evangelista, foram realmente os fundadores deste ramo do Metodismo no Canadá. Em 1883 constavam, no relatório 181 igrejas, 55 casas pastorais no valor de Cr$ 8.000.000,00, 80 ministros e 7.400 membros.

A Igreja Metodista Primitiva foi fundada no condado de Straffordshire, na Inglaterra, de 1800 a 1811. Em 1822 Guilherme Lawsen, por ter assistido a um culto ao ar livre dos metodistas primitivos foi expulso da Igreja Metodista Wesleyana. Nesta Igreja tinha sido pregador local e guia de classe. Recusou-se posteriormente a voltar para a Igreja Metodista Wesleyana. Poucos anos depois (1829) emigrou para o Canadá, onde se encontrou com Roberto Walker e Tomas Thompson, que eram membros da Igreja Metodista Primitiva. Os três organizaram uma classe. Mais tarde foram enviados missionários como missionários da Igreja Metodista Primitiva da Inglaterra e o trabalho prosperou. Em 1854 se organizou a primeira Conferência Anual dessa Igreja no Canadá. Em 1883 constam, no relatório, 98 pregadores itinerantes, 8.000 membros e propriedades no valor de Cr$ 8.066.930,00.

Em 1872 surgiu a idéia da unificação da Nova Igreja Metodista do Canadá com a Conferência Anual da Igreja Metodista Wesleyana. Tendo-se tornado todas as medidas necessárias, em setembro de 1874 se reuniu a Conferência Geral na igreja metropolitana, em Toronto, para tratar da unificação. Nessa Conferência se consumou a unificação da Igreja Metodista Wesleyana, Nova Igreja Metodista do Canadá e Conferências do leste da América Britânica. A nova organização tomou o nome de Igreja Metodista do Canadá.

O primeiro quadriênio, depois dessa união, foi próspero. O aumento liqüido foi, em ministros, 134; em membros, 20.659; em escolas dominicais, 221; e em alunos, 19.754.

Nove anos depois, em 1883, se realizou a unificação de todos os ramos de Metodismo existentes no Canadá. Desde esse dia tem havido só uma Igreja Metodista no Canadá.

O espírito missionário manifestou-se no Metodismo dali, como se fez na Inglaterra. Os primeiros pontos onde ele foi implantado tornaram-se centros de irradiação e propaganda. O Evangelho, que significava tanto para os brancos espalhados através das florestas, foi poderoso também para melhorar a vida dos índios. Há escolas profissionais em Ontário, Manitoba, Keewatin, Alberta, e Colômbia Britânica, onde grande número de índios estudam. Há mais de cinco mil índios no rol de comungantes.

A Igreja Metodista do Canadá não faz distinção entre missões nacionais e estrangeiras. Tem procurado atender às necessidades no próprio país e nos outros países. Em 1858 foi iniciado o trabalho na Colômbia Britânica. Os primeiros missionários enviados para lá foram o dr. Wood, superintendente da missão, Efraim Evans, Eduardo White, Ebnezer Robsin e Artur Browing. A população era esparsa,
pelo que o progresso do trabalho foi lento. Mas em 1908 o relatório estatístico acusava 86 ministros, 22 aspirantes ao ministério, 8 distritos, 133 zonas e sedes, 8.320 membros e 10.575 alunos na escola dominical.

Foram ocupados outros lugares, onde tem havido progresso. Mas o povo mais difícil de evangelizar tem sido o francês, na província de Quebec. Os metodistas têm feito alguma coisa entre eles, porém o número de comungantes é pequeno. Há alguns membros que mantém a sua fé, apesar de todas as oposições e dificuldades da parte dos católicos romanos. O povo católico ali é agressivo contra o que considera heresia. Em Montreal há um importante instituto. O cristianismo evangélico está ganhando terreno e o futuro promete mais progresso ainda.

A missão no Japão foi iniciada em 1873, quando foram enviados para lá Jorge Cockrane e Davidson Macdanal (médico). Naturalmente a obra foi difícil, mas dentro de quinze anos se organizou a primeira Conferência. No princípio do século XX os metodistas japoneses manifestaram o desejo de ser autônomos. As três igrejas metodistas que mantinham trabalho no Japão resolveram unir-se numa só Igreja Metodista do Japão. Este grande ideal realizou-se em maio de 1907, na cidade de Tóquio. Os seguintes representantes das igrejas metodistas estavam presentes na ocasião da Conferência Geral japonesa, quando se deu a unificação: os bispos Cranston e Leonard, da Igreja Metodista Episcopal; bispo Wilson e o Lambuth, da Igreja Metodista Episcopal do Sul; os bispos Sutherland e Carman, da Igreja Metodista do Canadá. A nova igreja é chamada Igreja Metodista do Japão.

A obra missionária na China começou em 1892, quando a Junta de Missões resolveu abrir trabalho no interior da China, na província de SZ'Ghuan, perto do Tibet. Jorge E. Hartwell, O. L. Kilborn (médico) e D. W. Stevenson. (médico), chefiados por V. C. Herat, que tinha trabalhado por conta da Igreja Metodista Episcopal na China Central, trabalharam três anos para fundar a missão. Duas vezes a missão foi interrompida, mas, quando as coisas se acalmavam, os missionários voltavam a continuar seu trabalho. A obra foi afinal estabelecida e então as portas começaram a abrir-se por todos os lados. Em 1908 a missão tinha mais de cem missionários, homens e mulheres, trabalhando nas províncias de SZ'Chuan e Kweichan.

As mulheres e os jovens da Igreja têm mostrado grande interesse na obra missionária e isto explica o entusiasmo pelas missões que se nota na Igreja Metodista do Canadá. O tema das suas organizações é: "Orar, estudar, contribuir". Também os leigos têm tomado a sério a sua parte na obra missionária da Igreja e organizaram o Movimento Missionário dos Leigos. O alvo que a Igreja tem para missões é de um milhão de dólares por ano, ou seja, Cr$ 20.000.000,00.

A Igreja Metodista do Canadá, numericamente, é a maior Igreja Protestante do país. Durante muitos anos tem enfrentado oposições da parte dos formalistas, dos clérigos da Igreja mantida pelo Estado e de obstáculos legais, mas a providência divina a tem protegido e guiado até agora e o seu desenvolvimento, com vista ao futuro, é promissor.

Tem escolas, faculdades de teologia e universidades. Tem ainda, escolas industriais ou profissionais.

Como já notamos, a Igreja Metodista do Canadá tinha entusiasmo pela unificação de todas as forças metodistas do país. Nestes últimos anos tem-se falado da união dela com Igrejas não metodistas. Por alguns tempos o assunto foi discutido e estudado.

O espírito de unificação que se tinha manifestado entre os metodistas no último quartel do século XIX manifestou-se mais no primeiro quartel do século XX, pois em 10 de junho de 1925 a Igreja Metodista do Canadá se uniu com a Igreja Presbiteriana e a Igreja Congregacional.

A nova união tomou o nome de Igreja Unida. Não existe agora nem Igreja Metodista nem Igreja Congregacional no Canadá. Há ainda uma pequena Igreja Presbiteriana, porque um pequeno grupo de presbiterianos não quis fazer parte da Igreja Unida. Sem dúvida, se o fundador do Metodismo fosse vivo, ficaria contente com a unificação que se processa das Igrejas evangélicas.

2. O METODISMO NA AUSTRÁLIA

A Austrália entrou para o domínio da Inglaterra em 21 de agosto de 1770, quando o capitão James Cook alçou a bandeira britânica nas costas orientais da Nova Gales do Sul. Doze anos mais tarde a Inglaterra perdeu as colônias americanas. Naturalmente a sua atenção se voltou para aquela ilha continental e logo a Austrália se tornou uma possessão importante na política da Grã-Bretanha. Até 1782 o sul das colônias americanas era lugar para onde eram levados os criminosos condenados a trabalhos forçados, mas, com a independência das colônias, não podia os ingleses continuar a desterrar os seus criminosos para o solo americano. O.governo inglês lembrou-se da Austrália e passou a levar para lá os seus criminosos. Levava mais de quinhentos criminosos por ano para a Austrália. Em 1783 o parlamento decretou uma lei, autorizando a deportação de criminosos para a Nova Gales do Sul, na Austrália. A primeira leva de criminosos foi para lá em 1787, constando de 550 homens e 200 mulheres. No mesmo navio que os transportava, se encontravam também 208 marinheiros, 40 mulheres, além da tripulação. Um total, pois de 1.100 pessoas. A frota de que fazia parte esse navio, sob o comando do capitão Filipe, partiu em 13 de maio de 1787 e chegou a Sydney Cove em 26 de janeiro de 1788. Foi assim fundada a cidade de Sydney.

Junto com esse grupo foi enviado um capelão, o rev. Richard Johnson, a pedido de Wilberforce. O rev. Johnson dirigiu o primeiro culto na Austrália, em 27 de janeiro de 1788, debaixo de uma árvore. Esta árvore serviu como lugar de culto por sete anos, até 1795, quando se construiu a primeira igreja. Voltando o rev. Johnson para a Inglaterra em 1800, o rev. Samuel Marsden tomou o seu lugar. Marsden pertencia a uma família metodista de Horsforth, perto de Leeds. Estudou na Universidade de Cambridge e foi ordenado na Igreja Anglicana.

Em viagem para a Austrália, o navio parou em Brading, na ilha de Wight, e ele pregou na capela de, que era pastor o rev. Leigh Richmond. Nessa ocasião, não somente uma moça, Elizabeth Wallbridge, foi despertada, mas também o pároco Richmond, autor do livro "A Filha do Leiteiro", achou paz com Deus.

O rev. Marsden já estava na Austrália seis anos antes da retirada do capelão Johnson. Quando Marsden chegou ao porto de Jackson, as condições morais e sociais que ali reinavam não podiam ser piores. Embriaguez, imoralidade, brigas e violências estavam na ordem do dia. Marsden era homem enérgico e pregou com severidade contra os vícios do povo. Queria bem ao povo, mas seu método não agradava a todos.

Apareceu um metodista, o professor Tomaz Bowden, diretor do "Great Queen Street Charity School" em Londres. Bowden era guia de classe metodista e zeloso no trabalho da igreja. Chegou em janeiro de 1812 e em julho conseguiu organizar duas classes, uma sob sua direção e a outra sob a direção do seu maior amigo João Hosking. Havia mais uma classe, em Sydney, sob a direção de Edward Eagar. Eagar era um advogado irlandês. Converteu-se na cidade de Cork, ouvindo pregação dos metodistas.

Tomaz Bowden ficou incomodado com a condição moral do povo. Organizou em 6 de março de 1812 uma classe na sua casa. Ficou abismado com a situação do povo. Combinou com seu colega Kosking apelarem eles para a Sociedade Metodista de Missões da Inglaterra para mandar-lhes um missionário, munido de livros e roupa, sendo responsável pelo seu sustento o povo da Austrália. O apelo foi acolhido com simpatia e a Conferência Anual, reunida em Bristol, em 1814, aprovou o plano de mandar dois obreiros, em vez de um.

Samuel Leigh era um dos dois. Embarcou em 28 de fevereiro de 1815 para a Austrália e lá chegou em 10 de agosto. Os oficiais da Igreja, na Inglaterra, não souberam disso até janeiro de 1817. Essa época não era de telégrafos nem de aeroplanos. Leigh nasceu em 1785, foi admitido na Conferência em 1812, serviu com eficiência por dois ou três anos, antes de ser nomeado para trabalho missionário. Tinha trinta anos de idade, quando começou seu trabalho na Austrália. Foi numa época em que muita gente emigrava para a Austrália. A população tinha aumentado. Era de mais de 20.000 habitantes (sem contar os nativos), 1.000 soldados, 2.000 criminosos. Havia duas vezes mais homens do que mulheres. Foram descobertas jazidas de carvão de pedra, a criação de ovelhas tornou-se lucrativa e a administração do governo era boa. Tudo prometia prosperidade. Somente o estado moral e religioso do povo era ruim. Havia só quatro chapelões para cuidar desse povo imoral e pervertido.

Essa era a condição sob a qual Samuel Leigh iniciou seu trabalho. Foi bem recebido pelo governador e pelos capelães. Começou logo a organizar as classes que foram reduzidas a seis. Organizou classes em Sydney, Panamata, Windsor e Castlereagh, com um total de quarenta e quatro membros. Também organizou quatro escolas dominicais, arranjou quinze lugares de pregação e comprou um cavalo chamado "Velho Viajador". Percorria a zona de quatorze em quatorze dias.

Em 7 de setembro de 1817 inaugurou na Austrália, em Castlereagh, a primeira capela metodista. A capela era feita de madeira e media cinco metros por nove. João Lees, soldado reformado, deu o dinheiro para construí-la.

Iniciou-se o trabalho em outros lugares. Em 1º de maio de 1818 chegou mais um obreiro, Walter Lawry. O trabalho progrediu rapidamente. Novas capelas, maiores e mais sólidas, foram construídas.

Mas a saúde de Leigh se abalou e ele resolveu fazer, por isso, uma viagem à Nova Zelândia, junto com o rev. Marsden, que sempre foi bom amigo dos metodistas. Melhorou um pouco. Porém o serviço que prestou a alguns metodistas que estavam sob a direção de um soldado, em New Castle, lugar distante cem quilômetros de Sydney, o prostrou. Voltou para a Inglaterra em 1820, para tratar da saúde. Apresentou seu relatório à Sociedade Missionária e rogou que ela mandasse novos obreiros para a Austrália e para as colônias de Hobart e Dalrymple, na ilha da Tasmânia. Também pediu que mandasse missionários para a Nova Zelândia e um para trabalhar entre os indígenas. O resultado desse pedido consta nas atas da Conferência Anual de 1820. É o seguinte:
"29. Sydney, Panamata e Windsor: Jorge Erskine, Ralph Masfield. Dois para serem enviados, um dos quais dará todo o seu tempo ao trabalho entre os negros nativos. 30. Van Deneris Land: Benjamin Corvosso. 31. Nova Zelândia: Samuel Leigh. um para ser enviado. 32. Friendly Islands: Walter Lawry. um para ser enviado. 33. Mais dois para serem enviados para os mares do sul, cuja nomeação não foi determinada" (Townsend et Al, Vol. II, p. 242).

Em 1803 os ingleses tomaram posse da ilha da Tasmânia e uma colônia foi fundada em Derwant e outra, em Hobart. Os colonos consistiam de criminosos e livres. A população aumentou rapidamente, pois em 1820 havia mais de 8.000 habitantes.

Os metodistas não demoraram a aparecer entre esta gente que precisava tanto do pão espiritual como do pão material. O fundador do Metodismo nesta ilha foi o cabo Jorge Waddy, descendente de uma, família notável. Principiou seu trabalho com uma classe de seis pessoas em 29 de outubro de 1820. Logo em seguida iniciou cultos e pregação na casa do sr. Donn, descendente do grande mártir e notável bispo Cramner. Apesar dos motins e das oposições, a congregação chegou a mais de trezentas pessoas. Outros obreiros trabalhavam em outros pontos da ilha.

O trabalho progrediu. Jorge Waddy, promovido a sargento, foi removido para Macquire Habour, escolhido em 1821 para guardar os criminosos incorrigíveis. Waddy conseguiu organizar uma classe metodista entre esses criminosos naquele lugar, chamado "inferno na terra".

Em 1827 Guilherme Schofield foi nomeado para o lugar, a pedido do governador Artur. Os resultados do seu trabalho, escreveu mais tarde o professor Jenks, justificaram a expectativa do governador e Macquire Harbour deixou de ser um lugar de desespero. O trabalho nessa ilha desenvolveu-se gradualmente e, com o correr do tempo, ela se tornou mais ordeira e próspera.

Os metodistas iniciaram seu trabalho em Nova Zelândia à pedido de Leigh, que passou alguns meses na ilha tratando da sua saúde e ficou impressionado com a possibilidade de pregar o Evangelho aos indígenas maaris. A Sociedade Missionária nomeou Leigh para abrir trabalho entre o povo dessa ilha e ele chegou ali em 1º de janeiro de 1822. Logo depois iniciou o trabalho, passando alguns meses na missão da Igreja Anglicana em Kille-kille, quando foi mais para o interior e tentou abrir trabalho entre os indígenas. Foi acompanhado por sua esposa e por James Slack. Mais tarde chegaram Guilherme White e Natanael Turner e esposa e, ainda, um voluntário, por nome Hobbs. Começaram o trabalho enfrentando mil dificuldades. Em pouco tempo a saúde de Leigh se abalou de novo e ele teve de voltar para Sidney. White e Turner ficaram à testa do trabalho. Trabalharam e construíram duas capelas, porém o povo não aceitava o Evangelho. As tribos daquela região estavam em guerra e não se importavam com os missionários. White voltou para a Inglaterra em 1825. Os nativos destruíram as capelas e Turner e seus colegas voltaram para Sydney, em 1827. Mas renovaram os seus esforços e, com o auxílio de novos missionários, abriram em outros pontos um trabalho que vingou e gradualmente progrediu.

Leigh, cujo coração era mais forte do que o corpo queria evangelizar os nativos da Austrália e escreveu para a Sociedade de Missões, pedindo um homem especialmente qualificado para tal trabalho. Precisava de um homem "zeloso, santo, paciente e perseverante" para trabalhar entre os indígenas. Foi atendido e Guilherme Walker foi enviado em 1821. Logo que este chegou, começou a estudar a situação dos indígenas e chegou à conclusão de que o único meio de evangelizar aquele povo seria por meio da educação das crianças Alugou uma casa e começou a ensinar a seis crianças. No ano seguinte, porém, Walker pediu demissão do seu cargo e foi sucedido por João Harper, mas, depois de algum tempo, não tendo o apoio do governo nos seus planos, desanimou e abandonou o trabalho.

Nessa fase do trabalho houve muita confusão e atritos no trabalho. O progresso foi muito lento. Alguns dos obreiros deixaram o campo, outros ficaram doentes e a causa pereceu. Richard Watson disse que o trabalho foi uma desgraça. A primeira Conferência distrital realizou-se em janeiro de 1826 e a primeira pessoa admitida foi João Hutchinson. Entre 1820 e 1830 o aumento de membros foi só de trinta pessoas.

Nova época começou com a chegada de Jose Orton, em dezembro de 1831. Era ele homem de peso, de bom senso e habilidade como administrador. Começou logo a reorganizar e ordenar a obra. Trabalhou quatro anos na Austrália depois passou para a ilha da Tasmânia, onde organizou um novo distrito, deixando, como seu sucessor, João McKenney, homem hábil e eficiente no trabalho. Em dez anos foram organizadas novas zonas em Bathurst, Hunter River e Lower Hawsbury, na Nova Gales do Sul, e em Ross Launceston e Porto Artur, na Tasmânia. O Metodismo foi implantado em Melbourne, Adelaide e na Austrália Ocidental. Em dez anos o número de membros aumentou de 159 para 1019 e o número de missionários, de cinco para dezenove. Deu-se especial atenção ao trabalho da escola dominical. Celebrou-se o primeiro centenário do Metodismo em 1839, levantando-se uma coleta especial. A coleta só em Sydney montou a mil cento e cinqüenta libras, ou seja, Cr$ 103.500,00.

O trabalho de Robinson, cujo apelo foi "conciliador", merece especial menção. Os indígenas da ilha da Tasmânia davam muito incômodo aos brancos. O governo resolveu prender todos e soltá-los noutra ilha e assim ficar livre de incômodos com eles de vez. Mandou uma escolta de soldados passar pela ilha e apanhá-los todos. Fez a tentativa e o resultado foi que só dois nativos caíram na rede. Custou isso ao governo trinta mil libras ou sejam Cr$ 1.800.000,00.

Robinson, que era bom metodista e que tinha trabalho entre eles, prontificou-se a ajuntar todos os habitantes indígenas sem dar uma pancada neles. Foi aceita a sua proposta. Em 1835 conseguiu, sem auxílio de qualquer soldado, persuadi-los a serem transportados para outra ilha. Foram levados para a ilha de Flinders, onde tudo de que precisavam se lhes forneceu. O último membro dessa raça morreu em 1877.

Sob a administração de Turner e outros o trabalho prosperou em toda a parte. O trabalho estendeu-se para o sul e para o oeste da Austrália.

Em 1845 W. B. Boyce foi nomeado superintendente geral, com o fim de visitar e organizar a Conferência Anual da Austrália. Orton deixou Melbourne e foi sucedido por Samuel Wilhinson. Na viagem para a sua terra, morreu a bordo do navio, quando dobrava o Cabo Hewn, em 30 de abril de 1842. Alguns outros obreiros antigos morreram nessa época e novos tomaram seus lugares para continuarem a obra.

A única nota desagradável nesta fase do trabalho foi o fracasso da missão entre os indígenas. Tuckfield trabalhou com dedicação e zelo em Bunntingdale até 1848, quando a propriedade da missão foi vendida e a missão se fechou.

Repetiu-se na Austrália o que se deu no Canadá: os metodistas da Igreja, Primitiva e os Metodistas Livres e Unidos abriram trabalho ali. Todos esses ramos do Metodismo progrediram e trabalharam separadamente até que se deu a sua unificação.

O descobrimento de ouro e cobre na Austrália atraiu grande número de emigrantes para o país. Isso provocou em alguns lugares perturbação que causou o enfraquecimento do trabalho. Mas, quando veio a crise na mineração de cobre, a situação ficou mais séria ainda para muita gente. Contudo, o trabalho progrediu e se desenvolveu em todos os lugares aonde tinha chegado o povo.

Em 1853 a Conferência Anual da Inglaterra resolveu mandar Roberto Young e João Kirk para visitarem os metodistas da Austrália e estudarem a possibilidade de organizar uma Conferência Geral ali, como se fizera na Irlanda, no Canadá e na França.

Depois de um naufrágio, João Kirk perdeu coragem e não prosseguiu na viagem da visitação de todos os pontos de atividades na Austrália, mas Roberto Young prosseguiu e visitou o trabalho em Adelaide, Melbourne, Sydney, Nova Zelândia e as missões nas ilhas, sobretudo na ilha da Tasmânia. Quando voltou para a Inglaterra relatou à Igreja o que viu, dando sua opinião do trabalho.

A Conferência Anual resolveu dar autonomia aos metodistas da Austrália como já havia dado aos canadenses. A autonomia foi cedida com a condição que os metodistas australianos conservassem as doutrinas wesleyana e o sistema wesleyano, de acordo com a disciplina como se encontra nas atas da Conferência (Minutes of lhe Conference). Também deviam sustentar os pregadores e fazer o que pudessem para manter a obra missionária nas ilhas da Nova Zelândia, Friendly e Fiji.

A primeira Conferência Anual realizou-se em 18 de janeiro de 1855. W. B. Boyce foi eleito presidente e João A. Morton secretário. Quarenta pregadores estiveram presentes. Os australianos aceitaram o plano da Conferência britânica, pedindo o privilégio de eleger o presidente da sua Conferência, o que lhes foi concedido.

Depois da emancipação da nova Igreja, a população da Austrália aumentou rapidamente e o número de membros da Igreja aumentou também. O trabalho prosperou em todos os sentidos. Foi nesse período que Guilherme Taylor, o grande evangelista e missionário, visitou a Austrália. Pregou em diversos lugares e houve grande avivamento, com a conversão de muitas almas. Jose Ware continuou o trabalho de avivamento, depois da partida de Taylor.

O primeiro jubileu foi celebrado em 1864. Levantaram-se dezoito mil libras ou seja Cr$ 1.620.000,00. Com esse dinheiro fundou-se um seminário teológico, abriram-se novas missões e atendeu-se a outros interesses.

Em 1873 se resolveu dividir a administração da Igreja em quatro Conferências Anuais: Nova Gales do Sul, Vitória, Austrália Meridional e Nova Zelândia, sob o jurisdição de uma Conferência Geral, que se reuniria de três em três anos. A primeira Conferência Geral realizou-se em 1875. Nessa ocasião havia 1.888 igrejas e lugares de culto, 287 ministros itinerantes e 1.476 pregadores locais, 26.267 membros, 75.296 alunos na escola dominical e 190.005 pessoas que freqüentavam as igrejas.

Nas grandes cidades da Austrália aconteceu a mesma coisa que se deu na Inglaterra. As capelas e os templos do centro das cidades ficaram quase abandonados, porque a população mudou para os subúrbios.

Muita gente morava ao redor dessas capelas, mas não tinha qualquer ligação com a Igreja Puseram-se as capelas a baixo e construíram-se halls, onde diversos programas pudessem ser realizados de acordo com a necessidade da classe de gente que morava na vizinhança. Acertou-se melhor com a solução do problema de evangelização dos centros das grandes cidades. Também a Conferência de 1890 mudou o limite do pastorado: o pastor podia ficar cinco anos na mesma paróquia, sendo observadas todas as restrições existentes a respeito.

Os metodistas australianos realizaram também, no princípio do século XX, uma grande campanha financeira. Foi para constituir o chamado Fundo Século XX. Arrecadou-se nessa ocasião muito dinheiro que foi aplicado em fortalecer a obra educativa, missionária e de unificação.

O que se dera em outros países, repetiu-se na Austrália, quanto à unificação do Metodismo. O movimento de unificação começou em 1888. Antônio Foster trabalhou mais do que qualquer outra pessoa para conseguir a união do Metodismo na Austrália.

A Conferência Geral de 1894 aprovou as bases de unificação que foi apresentada e aprovada pelas Conferências Anuais de Vitória e Tasmânia, excetuando-se o acréscimo de uma comissão de nomeação. Essa comissão tinha de ter em todas as suas reuniões um número igual de leigos e clérigos, sendo os leigos eleitos na primeira sessão da Conferência posterior à união. Concedeu-se autoridade a cada Conferência Anual para efetuar, nessa base, união com qualquer das Igrejas metodistas ou com todas elas e obter direitos legais O nome das Igrejas reunidas havia de ser, no princípio, Igreja Metodista Wesleyana da Austrália, mas, depois da união, tomou o nome de "Igreja Metodista da Austrália" (Townsend et al, V. II, p. 264).

A primeira Conferência Geral da Igreja Metodista da Austrália realizou-se em 1904, na capela Wesley, em Melbourne, e o dr. Fitchett foi eleito presidente. A estatística apresentada na ocasião revela em algarismos redondos: 1.000 ministros e missionários, 100.000 membros (incluindo os jovens), 555.000 aderentes e 200.000 alunos na escola dominical. As propriedades constituíam de 11 colégios (colleges), 2.567 igrejas e mais de 600 casas pastorais. A população metodista da Austrália é de doze por cento.

O sistema itinerante tem facilitado o trabalho metodista na Austrália, devido facilidade de ajustar-se às condições e necessidades de cada lugar. E, acima de tudo, está a deliberação de pregar a verdade evangélica com autoridade e com liberdade, proclamando a salvação pela fé e o batismo do Espírito Santo para a santificação da vida.

3. O METODISMO NA ÁFRICA DO SUL.

A União da África do Sul tem uma área de 472,317 milhas quadradas, e em 1921 apresentava uma população de 6.928.580. O Metodismo foi ali introduzido em 1806 por meio de um soldado inglês chamado Jorge Middlemiss. Tomou parte na conquista de Capetown, quando foi capturada e ocupada pelos ingleses chefiados pelo general Baird.

Middlemiss pregou aos seus camaradas de armas e conseguiu reunir quarenta deles numa classe.

Quando foi transferido para outra parte, deixou o trabalho sob os cuidados do sargento Kendrick. Kendrick continuou o trabalho de evangelização e conseguiu a conversão de cento e vinte dos soldados. Por muitos anos se realizaram as reuniões debaixo de árvores, mas em 1812 o sargento Kendrick mandou um pedido urgente à comissão de missões, em Londres, para que mandasse um ministro para dirigir o trabalho.

Foi para isso nomeado o rev. J. McKenney, mas, quando chegou a Capetown, o governador Lord Charles Sumerset, não o deixou pregar ao povo, alegando que ofenderia os holandeses. Não podendo trabalhar na África do Sul, seguiu viagem para Ceilão.

Fez-se uma segunda tentativa em 14 de abril de 1816, quando Barnabé Shaw chegou a Table Bay. Encontrou a mesma dificuldade, mas não respeitou o desejo do governador e pregou ao povo e aos soldados. Sendo limitado nas suas atividades, resolveu acompanhar o rev. H. Schmelen, missionário da Sociedade de Londres, que trabalhava entre os nativos em "Great Namaqualand".

Schmelen visitou Capetown e, encontrando-se com Shaw, informou-o do seu trabalho em Namaqua. Shaw resolveu ir com ele e trabalhar entre os nativos. Quando Schmelen voltou para o interior, Shaw, e sua esposa o acompanharam. A viagem de duzentas milhas foi feita em carro de bois. Shaw abriu trabalho entre os indígenas em Namaqua e fundou uma missão em Lilyfontein.

Devido às secas, tão comuns naquela região, os namaquas se tornaram nômades. Tinham de procurar água e alimento onde pudessem achá-los. Seus hábitos nômades dificultaram a sua evangelização, mas mesmo assim, diversos dentre eles aceitaram o Evangelho e tornaram-se cristãos. Por meio dessa tribo os missionários chegaram a pregar o Evangelho aos pigmeus bosquímanos Bushmen. Alguns missionários, tentando abrir trabalho entre outras tribos, foram mais para o norte e acabaram assassinados pelos indígenas ferozes que lá habitavam em lugares desertos.

Em 1820 o rev. E. Edwards, um dos colegas de Shaw, deixou Lilyfontein e foi para Capetown, a fim de trabalhar entre os soldados. Pregou por algum tempo no sótão dos estábulos. Conseguiu a edificação de uma capela que serviu até 1831, quando construiu uma igreja bonita, na rua Burg. Esta igreja serviu por mais de cinqüenta anos: A missão pregou aos escravos dos holandeses e teve pontos de pregação em Stellenbosch, Robertson, Wynberg e Somerset West. As pregações faziam-se na língua holandesa. Os africanos foram beneficiados pela mensagem do Evangelho, porém os efeitos da escravidão os prejudicou mais. Aqui se encontra uma ironia da vida: favorecidos de um lado e prejudicados de outro. A civilização sempre prejudica os povos selvagens, porque eles aceitam mais os vícios do que as suas virtudes que ela encerra.

A cidade de Capetown desenvolveu-se. Em 1879 tinha mais de oitenta mil habitantes. A igreja da rua Burg foi substituída pela Igreja Metropolitana, em Green Market Square, uma das igrejas mais importantes da cidade. Foi instalada nessa igreja o órgão mais importante de toda a África do Sul e grande número de pessoas afluíam para apreciar os concertos musicais nela realizados. Muitas outras igrejas construíram-se na cidade e nas suas cercanias. Em 1890 construiu-se para os soldados e marinheiros uma casa que tem servido como verdadeiro lar para a classe militar.

Também nessa cidade existe um orfanato. Em 1901 Guilherme Marsh, negociante de Capetown, deixou duzentas mil libras ou sejam Cr$ 18.000.000,00 para fundar um orfanato que deveria ter como administrador seu filho rev. T. E. Marsh enquanto fosse vivo e, depois, a Conferência da Igreja Metodista. Diversas casas foram construídas para acomodar órfãos. Adotou-se sistema familiar no orfanato e cada casa esta sob a direção de uma senhora.

Em 1820 o governo britânico enviou 4.000 emigrantes, gente escolhida, para fundar um estabelecimento a leste da colônia do Cabo, no condado de Albany e Bathurst. Guilherme Shaw ficou como capelão do estabelecimento. Era homem bom, enérgico e interessado no povo. Shaw visitou os diversos acampamentos de colonos. Não havia estradas, nem outros confortos da vida civilizada. Muitas vezes teve de passar a noite na floresta, acomodando-se no alto de uma arvore para proteger-se das feras. Mas seu trabalho progrediu e produziu bons frutos. O Metodismo foi implantado naquela região mais firmemente do que em qualquer outro ponto da África do Sul. Grashamstown, centro comercial da colônia, foi chamada "a cidade dos santos", porque o povo dali era, temente a Deus. O povo construiu uma igreja comemorativa, em louvor a Deus pelas bênçãos derramadas sobre a colônia desde a sua fundação. A pedra fundamental foi colocada pela senhora Shaw em 1845, mas devido a guerra entre os indígenas, não foi concluída senão em 24 de novembro de 1850.

Grahamstown serviu como centro de irradiação na propaganda do Evangelho em toda aquela redondeza. Abriu-se trabalho em Fort-Beaufort, King-Williamstown, East London, Queenstown, Molteno, Barkley East, Somerset East, Cradock Middleburg, Aber-Deen, Graaff Reinet, Outshoorn, Jansenville, Uittenhage e Port Elizabeth. O povo foi evangelizado e interessado no desenvolvimento de todos os interesses de uma cidade civilizada. Quando se descobriu ouro em Kimberley, os metodistas estavam lá para trabalhar na evangelização da gente que afluía para trabalhar nas minas. Porque Cecil Rhodes encampou as minas e reuniu grande número de africanos, os metodistas aproveitaram a oportunidade para pregar-lhes o Evangelho. Muitos deles ficaram conhecendo a verdade e, quando voltavam para suas casas, levavam o Evangelho aos seus amigos. Desde modo conseguiram espalhar o conhecimento do Cristo em toda a parte.

Em 1883 o rev. J. Walton organizou um ginásio para moças, chamado "Ginásio Wesleyano para Moças", na cidade de Grahamstown.

Em 1894 se criou o Colégio Kingswood para moços. Ambas as escolas estão bem colocadas, com muito terreno para recreio e esporte.

O espírito missionário se manifestou na nova Igreja e organizou-se uma Sociedade Missionária em 1885. As igrejas metodistas arrecadavam mais de dez mil libras por anos para a obra missionária. Fez-se trabalho missionário entre os habitantes dos distritos de Cape, Grahamstown, Wueenstown, Clarkebury, Bloomfontein e Natal. O Metodismo Africano sustenta trabalho missionário nesses lugares. A Igreja-mãe promove obra missionária nos condados de Transvaal e Rodésia. Desde que a Conferência Anual da África assumiu a responsabilidade do trabalho, a Igreja foi estimulada a maior esforço.

Em 1823 W. Shaw deixou de trabalhar em Grahamstown para trabalhar entre as tribos Bantus, que ficam da banda leste das florestas. Fundou seis estâncias, ou pontos de evangelização, fazendo uma corrente de estações missionárias desde a colônia até aos limites do Transvaal. Diversos missionários o ajudaram neste serviço: alguns perderam a vida as mãos dos africanos e outros, por doenças. O trabalho prosperou e em 1908 havia 66.000 membros comungantes, 29.000 candidatos a profissão de fé e 23.000 jovens nas classes. O Novo Testamento foi traduzido em 1846 para a língua das tribos alcançadas. O governo tem cooperado com a Igreja na manutenção de escolas profissionais entre os africanos.

O trabalho nos estados do Norte foi iniciado em 1833. O primeiro estado ocupado foi a colônia do rio Orange. O rev. Barlong começou o trabalho em Thabanchu. O trabalho não progrediu muito, por alguns anos, devido aos imigrantes holandeses que tinham trabalho missionário na mesma região. Em 1851, se abriu em Blommfontein um trabalho que foi estendido mais tarde para Fauresmith e Kroonstand. Até 1890 os seguintes lugares tinham sido ocupados: Bethlehem, Lindley, Winburg, Frankport, Jagersfontein e Lady-brand.

Em 1842 os metodistas abriram trabalho no estado de Natal. O rev. J. Archbell e família iniciaram trabalho em Port Natal. Depois foram outros missionários e o trabalho desenvolveu-se, tendo sido ocupados outros lugares. As igrejas e congregações adotaram o sistema de levantar coleta para missões em todas as reuniões, tanto da noite como do dia. A vida social e econômica ficou muito alterada com a ida de operários da Índia. Mais de 50.000 hindus foram levados para a África. Tentou-se trabalho missionário entre esses imigrantes, porém deu pouco resultado.

O trabalho no estado do Transvaal foi iniciado por um nativo que lutou sozinho por alguns anos. Chamava-se Davi Magatta. Mais tarde missionários se juntaram a ele e levaram avante a obra. Só depois da guerra de 1881 é que ela tomou impulso. O rev. O. Watkins foi nomeado superintendente e, por dez anos, viajou por toda a parte, em carro de bois, visitando diversos lugares e lançando alicerces sólidos para o desenvolvimento do trabalho, no futuro.

Depois da guerra com os boers, de 1899 a 1902, os ingleses têm dominado essa região e os missionários ingleses têm gozado mais liberdade para desenvolver seu trabalho. Muitos missionários novos foram enviados e mais obreiros entre os nativos apareceram. Por isso o trabalho progrediu mais depressa. Havia, em 1908, 20.000 membros e as ofertas subiram nesse ano a quarenta mil libras, ou seja, a Cr$ 1.800.000,00.

Ha alguma coisa nos cultos e nos hinos metodistas, que apela para o coração africano.

O estado de Rodésia foi ocupado por missionários em 1891. Cecil Rhodes ofereceu-se para ajudar as missões sob condições por ele estabelecidas, as quais facilitaram o desenvolvimento da obra. Foram enviados missionários, o Novo Testamento e hinos foram traduzidos para a língua do povo e o progresso tem sido satisfatório. É a obra mais nova na África do Sul, mas promete muito para o futuro.

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(*) Texto extraído das páginas 379 a 403 do livro História do Metodismo, de Paul Eugene Buyers, publicado pela saudosa Imprensa Metodista em 1945.

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