IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 8/5/2008
 

Pitts, Spaulding e Kidder: o trabalho missionário Metodista chega ao Brasil em 1835 (Paul Eugene Buyers)

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1. O trabalho de Fountain E. Pitts.

Não é nossa intenção historiar detalhadamente todos os fatos acerca do Metodismo no Brasil. Devemos semente dar-lhe esboço, visto que este capítulo apenas faz parte da história geral do Metodismo.

Já notamos o espírito missionário que se manifestou no Metodismo americano, quando da organização da Sociedade Missionária em 1819 e do interesse na evangelização dos escravos e índios.

Em 1832 a Conferência Geral da Igreja Metodista dos EUA considerou a possibilidade de abrir trabalho missionário na América do Sul. Os metodistas americanos sabiam que os países latino-americanos, desde a sua fundação, eram dominados pela religião apostólica romana e que a intolerância dela para com os protestantes não era menos cruel do que o seu tratamento em privar os indígenas da sua liberdade e independência. Depois de conquistarem independência de Portugal e Espanha, havia um espírito mais liberal e tolerante. Por isso mesmo o tempo era propício para neles se propagar uma forma mais pura do Cristianismo. Sentiram, pois, a obrigação de introduzir as suas instituições nestes países.

A Conferência Geral autorizou os bispos a estudarem junto com a Sociedade de Missões a situação mais apuradamente, mandando alguém para investigar in loco a possibilidade de abrir algum trabalho.

Logo depois do encerramento da Conferência Geral foi recebida uma carta de Buenos Aires. O autor tinha passado alguns anos em Buenos Aires e era membro da Igreja Metodista Episcopal. Como já organizara uma classe e achava que o tempo era oportuno para abrir trabalho naquele país, pedia que a Igreja cuidasse do assunto. Esta carta foi estudada pela Sociedade de Missões, que pediu aos bispos que nomeassem alguém para fazer a viagem de investigação na América do Sul, visitando o Rio de Janeiro e Buenos Aires.

Em conseqüência disso o bispo James O. Andrews nomeou o rev. Fountain E. Pitts, da Conferência Anual de Tennessee, para essa importante missão. Logo em seguida o rev. Pitts pôs mãos à obra. Visitou diversos pontos dos Estados Unidos, realizando reuniões missionárias e levantando coletas para custear as despesas de viagem.

"No dia 28 de junho de 1835 partiu da cidade de Baltimore para o Brasil e no dia 19 de agosto desembarcou no Rio de Janeiro. Encetou logo seus trabalhos ministeriais naquela cidade, pregando em casas particulares. Assim foi iniciada a pregação do Evangelho pelo primeiro ministro metodista que implantou o Reino de Deus nesta região do Novo Mundo. Ali organizou uma sociedade metodista. Depois embarcou para Montevidéu, onde pregou por algumas semanas, organizando também ali uma igreja. Então, a bordo de um navio, atravessou o estuário do rio da Prata, viajando 150 milhas até a cidade de Buenos Aires — objetivo ,especial do seu trabalho. Nessa cidade começou o seu trabalho regular sob perspectivas animadoras, sendo muito abençoado por um gracioso derramamento do Espírito Santo, que resultou na conversão de várias pessoas. Organizou uma respeitável igreja que se compunha dos melhores elementos da cidade e tomou medidas preliminares para se levantar uma Casa de oração, o que depois se tornou em realidade.”

O rev. Pitts voltou para os Estados Unidos, ali chegando na primavera de 1836.

"Segundo o bispo Wilson, no livro intitulado "Missions of lhe M. E. Church, South (1882), o rev. Pitts visitou o Rio de Janeiro, Buenos Aires e outros lugares, recomendando que se estabelecessem missões nas duas cidades supramencionadas. Mesmo naquele tempo tão remoto disse que aquela gente estava sendo influenciada pela convivência com estrangeiros e tinha o coração aberto para o Evangelho. Em conseqüência do seu relatório deixou profundamente enraizada nas mentes e nos corações dos "líderes" da nossa Igreja a convicção de que do Brasil tinha vindo um real grito macedônico — "Passa ao Brasil e ajuda-nos" e a Igreja-mãe atendeu imediatamente a essa voz, com o propósito firme de entrar nesse campo para colher frutos para os celeiros do Senhor" (Kennedy, p. 13-14).


2. O trabalho de Justin Spaulding e Daniel Kidder.

Sendo o relatório do rev. Pitts favorável ao estabelecimento de trabalho missionário no Brasil, o rev. Justin Spaulding, da Conferência Anual da Nova Inglaterra, foi nomeado para trabalhar aqui, e embarcou em Nova York aos 22 de março de 1836.

Spaulding, no Rio, iniciou seu trabalho entre ingleses e americanos e em pouco tempo organizou uma congregação de quarenta pessoas e uma escola dominical. Distribuiu entre o povo muitos exemplares das Escrituras Sagradas na língua portuguesa, fornecidos generosamente pela Sociedade Bíblica Americana. Além disso, distribuiu outros livros e folhetos religiosos. Encontrou o povo bem disposto para seu trabalho, apesar dos preconceitos herdados desde o berço.

O trabalho ia bem e o rev. Spaulding pediu que outros obreiros fossem enviados para o ajudar. Em resposta ao seu pedido a Sociedade de Missões mandou mais três pessoas: Daniel P. Kidder e R. M. Murdy e esposa. Embarcaram em Boston, aos 12 de novembro de 1837, e chegaram bem ao Rio de Janeiro. Kidder, membro da Conferência Anual de Tennessee, dedicou-se ao estudo do português, e à distribuição das Escrituras. Sua esposa, d. Cynthia Harris Kidder, faleceu em 1840 e foi sepultada no "Cemitério dos Ingleses", no bairro da Saúde. Deixando ela uma criancinha, o pai teve de voltar para a sua terra, levando seu filhinho nos braços. Kidder no período que esteve no Brasil viajou extensamente por todo o país e escreveu um livro sobre as suas viagens e observações. Hoje é livro clássico sobre a vida, costumes e condições daquela época Foi traduzido para o português há pouco tempo. É considerado jóia nas páginas da história do Brasil.

R. M. Murdy e esposa dedicaram-se ao ensino. Abriram uma escola que prosperou por algum tempo, mas, não satisfazendo à sua finalidade foi fechada.

Justin Spaulding organizou algumas classes e uma escola dominical. Pregou aos estrangeiros e aos marinheiros a bordo dos navios americanos e ingleses que entravam no porto. Mas encontrou muita oposição da parte dos padres. O povo apreciava as verdades evangélicas que ele pregava, porém os preconceitos religiosos contra os protestantes e a oposição do clero romano dificultaram grandemente suas atividades.

J. L. Kennedy, no seu livro "Cinqüenta anos do Metodismo no Brasil" (p. 15), sobre este ponto diz:
"De 1837 a 1839 o padre (depois monge) Luiz Gonçalves dos Santos, autor das "Memórias para a História do Reino do Brasil", publicou vários volumes contra esta propaganda, que verberou em termos vigorosos e grosseiros. Numa delas dizia que o Protestantismo era o reino do diabo. Admirava-se e explicava: "Como é possível que na Corte do Império da Terra de Santa Cruz, à face de seu Imperador, e de todas as autoridades eclesiásticas e seculares, se apresentem homens leigos, casados, com filhos, denominados missionários do Rio de Janeiro, enviados de Nova York por outros tais como eles, protestantes calvinistas, para pregar Jesus Cristo aos Fluminenses?!”

“Coisa incrível! Mas desgraçadamente certíssima. Estes intitulados missionários estão há perto de dois anos entre nós procurando com atividades dos demônios perverter os católicos, abalando a fé, com pregações públicas na sua casa, com escolas semanárias e dominicais, espalhando Bíblias truncadas e sem notas, em fim convidando a uns e a outros para o Protestantismo e muito especialmente para abraçar a seita dos metodistas, de todos os protestantes, os mais turbulentos, os mais relaxados, fanáticos, hipócritas e ignorantes.”

Justin Spaulding ficou no Brasil até o ano de 1841, quando voltou para sua terra. Não sabemos com segurança quais foram os motivos da sua retirada e da dos demais obreiros, mas sem dúvida o estado perturbado em que se achava a Igreja-mãe, sobre a questão da escravidão, que a dividiu em 1844, foi a principal razão.

Com a retirada dele cessou a obra metodista por cerca de vinte e cinco anos, mas boa semente ficou lançada no solo fértil do Brasil para ser despertada e cultivada mais tarde.

A tentativa não foi uma derrota completa: a interrupção era tréguas, para se renovar o trabalho no futuro com mais vigor e força

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(*) Texto extraído das páginas 407 a 411 do livro História do Metodismo, de Paul Eugene Buyers, publicado pela saudosa Imprensa Metodista em 1945.

OBS:
Depois da retirada dos missionários norte-americanos do Brasil por causa da guerra civil nos EUA, permaneceram no Brasil alguns poucos leigos metodistas. Entre eles está Mary Walker, a heroína do metodismo Brasileiro. Mary (Martha) Walker é o elo perdido entre as duas fases da história do Metodismo no Brasil. Interrompeu-se a missão, não o trabalho, que certamente continuou vivo na casa de Martha (Mary) Walker.

Ela ficou com a tarefa de entregar ao novo pastor uma Bíblia de Almeida, em português, que ela recebera do Rev. Kidder para entregar ao pastor que viesse substituí-lo. Quando Junius Newman chegou ao Brasil em 1867, mais de um quarto de século depois Mary finalmente pôde cumprir a sua tarefa e entregou a Bíblia ao seu novo pastor.

Leia sobre essa história na biografia "MARY WALKER – A HEROÍNA BRASILEIRA", escrito pelo historiador João Wesley Dornellas.

O texto pode ser lido neste site, no seguinte endereço: http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaobiografias.asp?Numero=608.


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