IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 8/5/2008
 

A Igreja Metodista Autônoma - 2 de setembro de 1930 (Paul Eugene Buyers)

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I - Os primeiros passos na organização autônoma.

O espírito nacionalista manifestou-se muito entre os anos de 1920 e 1930. O primeiro jubileu do trabalho metodista brasileiro foi celebrado em 1927. O rev. J. L. Kennedy foi encarregado de escrever a história do Metodismo no Brasil. A obra "Cinqüenta Anos de Metodismo no Brasil" foi publicada em 1928. Não foi possível sair do prelo mais cedo por diversas razões, mas em todas as igrejas, nas três regiões, realizaram-se programas apropriados para a celebração dessa data.

Também a Junta de Missões, em conjunto com as três Conferências Anuais, tomou os passos necessários para organizar uma Igreja autônoma no Brasil. Organizaram-se comissões, tanto da Junta Geral de Missões como das Conferências Anuais, para apurar os dados e fatos informativos a respeito da conveniência de conceder autonomia ao trabalho no Brasil. Depois de colher todas as informações possíveis sobre a questão, resolveu-se conceder autonomia ao Metodismo brasileiro.

O memorial que as Conferências Anuais brasileiras enviaram para a Conferência geral da Igreja Metodista Episcopal do Sul, em 1929, pedindo que as três Conferências Anuais do Brasil fossem organizadas em Igreja Autônoma, foi aceito e uma comissão especial foi nomeada para efetuar a organização da nova Igreja.

II - A organização, eleição de bispos e outros dados.

Tendo sido dados todos os passos necessários, tanto pela Igreja-mãe como pelas três Conferências Anuais, convocou-se uma reunião dos membros da comissão da Igreja Metodista Episcopal do Sul e dos representantes das três Conferências anuais brasileiras, para os dias 28, 29 e 30 de agosto de 1930 e, logo em seguida, aos 2 de setembro, na igreja Central de São Paulo, a comissão e os delegados brasileiros reunidos para organizar a Igreja Metodista do Brasil fizeram a seguinte proclamação:

"Proclamação da Autonomia da Igreja Metodista do Brasil:

Considerando que a Comissão Conjunta deu todos os passos necessários para a convocação do Concílio Geral da Igreja Metodista do Brasil e convocou o mesmo para a cidade de São Paulo em 2 de setembro do ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1930.

Os membros da Comissão Conjunta, rendendo graças a Deus por sua direção e pelo espírito de cooperação que reinou em nossas deliberações, declaramos aberto o primeiro Concílio Geral da Igreja Metodista do Brasil, e declaramos que os membros e ministros da Igreja Metodista Episcopal do Sul, no Brasil, passam por este ato a ser membros e ministros da Igreja Metodista do Brasil; que a Igreja Metodista Episcopal do Sul deixa de existir no Brasil, e que a Igreja Autônoma por esta proclamação fica constituída.

Cidade de são Paulo, 2 de setembro de 1930.
(assinam)
Edwin D. Mouzon, Bispo
Ester Case
W. Erskine Williams J. L. Clark
F. S. Love
W. H. Moore
César Dacorso Filho
Epaminondas Moura
Otilia Chaves
Oswaldo Lindenberg
W. B. Lee
Guaraci Silveira
Oswaldo Luiz da Silva
Elias Escobar Junior
Francisca Ferreira de Carvalho
G. D. Parker
A. M. Ungaretti
J. I. Cerilhanes
Eunice F. Andrew
Ephraim Wagner".

"Considerando que a Conferência Central da Igreja Metodista do Sul na República do Brasil, reunida na cidade de São Paulo, no mês de agosto do ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1929, aprovou e enviou à Conferência Geral da Igreja Metodista Episcopal do Sul um memorial, pedindo que as três Conferências Anuais do Brasil fossem organizadas em Igreja Autônoma para que, tendo plena liberdade de se desenvolver como instituição, continuasse, contudo, em união íntima com a Igreja Metodista Episcopal do Sul;

“Considerando que a Conferência Geral da Igreja Metodista Episcopal do Sul, reunida na cidade de Dallas, Texas, Estados Unidos da América do Norte, no mês de maio do ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1930, estudou cuidadosamente e com oração o memorial apresentado pelos delegados do Brasil e decretou as disposições seguintes:

1°) Que a Conferência Geral providencie a nomeação de uma comissão composta de cinco membros, que será chamada Comissão sobre a Igreja Metodista do Brasil, e que esta comissão seja autorizada a ir ao Brasil para conferir com uma comissão idêntica composta de quinze membros, sendo cinco de cada uma das três Conferências Anuais do Brasil.

2°) Que esta Comissão unida de vinte tenha poderes para estabelecer a Igreja Metodista do Brasil com o grau de relação orgânica com a Igreja Metodista Episcopal do Sul que a comissão determinar, porém que esta comissão não tenha poderes para estabelecer uma Conferência Central da Igreja Metodista Episcopal do Sul com autoridade para eleger os seus bispos, mas tenha poderes para organizar uma Igreja Autônoma.

3º) Que esta comissão seja instruída para preparar a base da organização da Igreja Metodista do Brasil, prover relação contínua entre a Igreja Metodista do Brasil e a Igreja Metodista Episcopal do Sul.

4°) Caso seja estabelecida uma Igreja Autônoma, esta comissão convocará uma reunião do corpo governante (Conferência Geral) e, logo que esta esteja legalmente funcionando, elegerá um bispo e os demais oficiais conforme o plano preparado pela comissão.

5°) Que dos fundos da Conferência Geral se paguem as despesas que houver com a organização da Igreja Metodista do Brasil.

6°) A título de precaução no estabelecimento da Igreja Metodista do Brasil, recomendamos que a comissão organizadora tenha cuidado de não violar as limitações constitucionais da Igreja Metodista Episcopal do Sul; recomendamos, outrossim, que a mesma comissão tenha também o cuidado de seguir os termos destas recomendações, procurando executar especialmente o seu espírito, e recomendamos ainda que a mesma comissão use de toda a discrição necessária, dentro das limitações constitucionais, no estabelecer a Igreja Autônoma do Brasil.

“Considerando que, a Conferência Geral da Igreja Metodista Episcopal do Sul, de acordo com o memorial que recebeu da Conferência Central do Brasil, decretou mais as seguintes disposições, estabelecendo os meios de continuar a união com a Igreja Metodista do Brasil, a saber:

"Em campos missionários, onde existe uma igreja Autônoma ou independente que é filiada organicamente ou de outra forma à Igreja Metodista Episcopal do Sul e à Junta de Missões, organizar-se-á um Conselho Central composto de membros nacionais da Igreja Metodista Autônoma ou independente e missionários que trabalham nesse campo, o qual Conselho substituirá as Missões.

“Uma comissão unida da Igreja Metodista Nacional e da Missão elaborará uma constituição para dirigir o funcionamento do Conselho Central, a qual será submetida à aprovação da Junta Geral de Missões.

“Nos campos missionários, onde existe um Conselho Central em vez de uma missão, tem ele dois representantes clérigos, um missionário e um nacional na Conferência Geral, os quais terão os direitos e privilégios de delegados, menos o direito de voto".


“Considerando que a Conferência Geral da Igreja Metodista Episcopal do Sul elegeu uma comissão para estabelecer Igreja Autônoma no Brasil, cujo certificado de eleição assim reza:
"Dallas, Estado de Texas, 27 de maio de 1930. A quem interessar: Certifico que no sábado, 17 de maio de 1930, a Conferência Geral da Igreja Metodista Episcopal do Sul, em sessão quadrienal, devidamente reunida na cidade de Dallas, Texas, por uma proposta formal, apoiada, elegeu as seguintes pessoas para constituírem a comissão para estabelecer a Igreja Autônoma no Brasil:
- Bispo Edwin D. Mouzon,
- Charlotte, N. C.,
- d. Esther Case, Nashville, Tenn.,
- Juiz W. Erskine Williams, Fort Worth, Texas,
- rev. J. L. Clark, Danville, Kentucky,
- rev. F. S. Love, Raleigh, N. C.,

O documento é assinado por L. H. Este, secretário da Conferência Geral".

“Considerando que, em obediência às instruções acima mencionadas, a referida comissão veio ao Brasil e apresentou o plano da autonomia às três Conferências Anuais Brasileiras que foram convocadas em sessões regulares pelo bispo James Cannon Junior, bispo encarregado do trabalho no Brasil;

“Considerando que as três Conferências Anuais do Brasil, a saber: a Conferência Anual Brasileira, reunida na cidade de Petrópolis, de 7 a 9 de agosto, a Conferência Anual Central Brasileira, reunida na cidade de São Paulo, de 13 a 15 de agosto, e a Conferência Anual Sul Brasileira, reunida na cidade de Passo Fundo, de 21 a 22 de agosto, todas no ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1930, unanimemente aprovaram o plano de autonomia adotado pela Conferência Geral na cidade de Dallas, Texas, e que cada uma delas elegeu cinco delegados, a saber:

A Conferência Anual Brasileira:
- W. H. Moore,
- César Dacorso Filho,
- Epaminondas Moura,
- d. Otília Chaves e
- Oswaldo Lindenberg.

A Conferência Anual Central Brasileira:
- Guaraci Silveira,
- Oswaldo L. da Silva,
- W. B. Lee,
- Elias Escobar Junior e
- d. Francisca de Carvalho.

A Conferência Anual Sul Brasileira:
- G. D. Parker,
- A. M. Ungaretti,
- João I. Cerilhanes,
- Miss Eunice Andrew e
- Epraim Wagner.

“Considerando que a Comissão Conjunta, composta das pessoas supra mencionadas, se reuniu na cidade de São Paulo, na Igreja Metodista Central, nos dias 28, 29 e 30 de agosto e 2 de setembro de 1930, elaborou a seguinte constituição, devidamente assinada pelo presidente e secretários da dita comissão".


Logo em seguida à proclamação da Autonomia, reuniu-se, no mesmo local, o primeiro Concílio Geral da Igreja Metodista do Brasil.

O Concilio Geral adotou os mesmos Artigos de Religião, as mesmas Regras Gerais e o Ritual da Igreja Metodista Episcopal do Sul. Estabeleceu sua Constituição, seus Cânones e elegeu os secretários e membros das Juntas Gerais. Constituiu só três Juntas Gerais, a saber:
- Junta Geral de Missões,
- Junta Geral de Educação Cristã;
- Junta Geral de Ação Social.

Também elegeu o redator do Expositor Cristão e o tesoureiro geral.

O dr. John William Tarboux foi eleito bispo. Estava nos Estados Unidos, quando foi eleito. Depois de consultado, aceitou a incumbência e foi consagrado na igreja do Catete, no Rio de Janeiro, aos 12 de outubro de 1930.

Serviu no primeiro quadriênio com muito sacrifício, pois a sua família ficou nos Estados Unidos e ele tinha de viajar muito e passar a maior parte do seu tempo fora do lar. Além de tudo isso estava avançado em idade. Findo o primeiro mandato de quatro anos, foi reeleito pelo Concílio Geral que se realizou na cidade de Porto Alegre de 4 a 19 de janeiro de 1934, mas seu estado de saúde não permitia que prestasse serviço ativo. Voltou para os Estados Unidos e morreu em Miami, na Flórida, aos 2 de maio de 1940, com 82 anos de idade, cheio de fé no seu Salvador Jesus Cristo.

O rev. César Dacorso Filho, pastor e superintendente distrital de Carangola, região do Norte, foi eleito bispo na mesma ocasião (1934). Sobre ele caiu toda a responsabilidade da Igreja, pois o bispo Tarboux, como já foi dito, não estava em condições de prestar qualquer serviço ativo na administração da Igreja. Foi tão boa a administração do Bispo César que foi reeleito em 1938. Há pouco tempo, na última reunião do Concílio Geral, que se realizou na cidade de Piracicaba, SP, em fevereiro de 1942, foi eleito pela terceira vez.

Na mesma ocasião foram eleitas as seguintes pessoas para os lugares de maior responsabilidade no trabalho da Igreja:
- José de Azevedo Guerra, redator-chefe do "Expositor Cristão", órgão oficial da Igreja Metodista do Brasil;
- Augusto Schwab, secretário da Junta Geral de Missões;
- James E. Ellis, secretário da Junta Geral de Educação Cristã;
- H. C. Tucker, secretário da Junta Geral de Ação Social;
- Walter W. Moore, reitor da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista do Brasil;
- Adolfo Schlottfeldt, tesoureiro geral;
- dr. Nelson de Araújo, missionário médico, representante da Igreja Metodista do Brasil na missão Caioá, em Mato Grosso.


Apesar das dificuldades, a Igreja Metodista do Brasil tem prosperado desde o dia da sua Autonomia e seu futuro é promissor. Tanto na evangelização como no campo da educação tem progredido. A Igreja deu passo acertado quando resolveu unificar o programa do preparo ministerial, decidindo que houvesse uma só Faculdade de Teologia. A Faculdade de Teologia do Granbery e a Faculdade de Teologia do Rio Grande do Sul, fundidas numa só, foram transferidas para a cidade de São Paulo, por determinação do Concílio Geral, na sua sessão regular realizada em Juiz de Fora, MG, em fevereiro de 1938. A nova Faculdade tomou o nome de "Faculdade de Teologia da Igreja Metodista do Brasil" e está instalada em prédios próprios, com quatro residências para professores, num lote de terreno de quase três alqueires, à beira da "Via Anchieta" estrada que vai de São Paulo a Santos. O terreno custou Cr$ 107.708,00 e os prédios mencionados custaram mais de Cr$ 620.000,00.

No fim do exercício eclesiástico de 1941 a estatística demonstrou o seguinte:

Ministros em atividade 94
Ministros em disponibilidade 15
Leigos provisionados 79
Ministros aposentados 5
Ministros jubilados 12
Missionários leigos 30
Membros da Igreja 30.066
Alunos na Escola Dominical 27.532
Sócias da Sociedade M. de Senhoras 5.912
Sócios da Sociedade M. de Homens 1.217
Sócios da Sociedade M. de Jovens 3.683
Sócios da Sociedade M. de Crianças 4.354
Número de escolas para moços 5
Número de escolas para moças 3
Número de institutos de Ação Social 3
Faculdade de Teologia 1
Número de Igrejas ou templos 225
Número de residências pastorais 56
Sustento Ministerial Cr$ 536.866,00
Orçamentos Cr$ 364.921,00
Total por todos os outros fins Cr$ 3.587.956,00
Valor das propriedades Cr$ 16.558.401,00


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(*) Texto extraído das páginas 428 a 436 do livro História do Metodismo, de Paul Eugene Buyers, publicado pela saudosa Imprensa Metodista em 1945.

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