IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Metodismo
Rio, 10/5/2008
 

Metodismo: forma de governo, unidade, experiência cristã e nossa compreensão do amor de Deus (Paul Eugene Buyers)

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1. Autoridade e liberdade.

Entre "o povo chamado metodista" a maior divergência que tem havido tem sido invariavelmente a respeito da sua política ou forma de governo e não acerca da sua doutrina. A questão da autoridade e liberdade têm provocado divergências, atritos e divisões.

Quando João Wesley providenciou a organização da Igreja Metodista Episcopal na América, introduziu uma política nova e diferente de qualquer outra existente no mundo eclesiástico de então. A forma episcopal de governo que se introduziu naquela ocasião, não definia claramente a relação da autoridade com a liberdade. Foi só depois de muitas experiências que se puderam descobrir as suas virtudes e os seus defeitos. Com o correr do tempo se levantou a questão do direito ou da liberdade dos leigos e do limite da autoridade do clero e particularmente dos bispos. Só depois de longos anos, de atritos e divisões, é que se corrigiram os seus defeitos e se harmonizou a relação da autoridade para com a liberdade.

Evidencia-se, desse jeito, que a política da Igreja Metodista é prática, pois nasceu da necessidade e se desenvolveu de acordo com a experiência. Não se considera bíblica, contudo não viola nenhum princípio bíblico. Sem dúvida, não e perfeita. Se fosse, todo o povo metodista do mundo poderia hoje se unir num só corpo eclesiástico, orgânico.

O fato que três dos ramos principais do Metodismo americano se uniram, há pouco tempo, é prova de que a política atual da Igreja Metodista é mais satisfatória aos seus 8.000.000 de comungantes do que no passado. Um dos empecilhos à unificação do Metodismo já foi parcialmente removido.


2. Unidade e experiência.
Removido o empecilho da política, não existem mais motivos para dividir o povo metodista, pois há unidade quanto à sua teologia quanto à sua experiência.

Todos os metodistas acreditam na necessidade da fraternidade cristã e tem as suas sociedades ou igrejas onde ela pode ser cultivada. Todos insistem na necessidade de evangelizar e acreditam que é a vontade de Deus que todos os homens se salvem.

Todos dão ênfase à religião experimental, da conversão, do testemunho do Espírito, da certeza da salvação e da santificação que realiza pelo império do perfeito amor no coração.

A vitalidade desta experiência religiosa se mantém num mundo de mudanças e complexidades. Sejam quais forem as circunstâncias e condições da vida, este tipo de religião experimental é o ideal do Metodismo.

O Metodismo não vem de uma revolta contra um
sistema eclesiástico, nem contra qualquer sistema teológico, senão de uma revolta contra o pecado na vida humana.

João Wesley sempre se considerou membro da Igreja Anglicana e sempre achou que as doutrinas que ensinava eram as doutrinas daquela Igreja. Não tinha, pois, motivos para revoltar-se contra qualquer organização eclesiástica, nem para defender um sistema de doutrinas que se tivesse organizado durante qualquer época de controvérsias doutrinárias.

Por isto os metodistas são tolerantes: pensam e também deixam os outros pensar.


3. A unidade histórica.

A revelação, o governo e a redenção são as três relações que existem entre Deus e os homens, segundo os ensinamentos do cristianismo. Toda explicação ou interpretação do Cristianismo se resolve nestas três coisas. Um tipo qualquer de Cristianismo será determinado pela ênfase que se dê a um ou outro destes três pontos.

Com o correr dos séculos descobrimos, na história da Igreja, três tipos de cristianismo que se desenvolveram cada um no seio de um povo.

Por exemplo, os gregos, na sua teologia, deram ênfase à revelação de Deus. Os teólogos gregos ensinaram que o Cristianismo era a revelação da verdade e da vida. Segundo eles, a salvação é o conhecimento da verdade. Portanto, tinham muito que dizer acerca do “logos” ou da encarnação do Filho de Deus e de Cristo revelado ao homem por meio do Espírito Santo.

Por outro lado, o povo latino deu ênfase ao reinado de Deus ou à autoridade de Deus. A Igreja representa a soberania de Deus. Enquanto a influência de Santo Agostinho dominava os teólogos latinos, a imanência e a transcendência de Deus se equilibravam bem. Mas a idéia da soberania do império romano influiu sobre o pensamento deles e, para substituir a Jerusalém celestial, Roma foi promovida a "cidade eterna". A soberania de Deus se mede pela hierarquia que exerce a autoridade de Cristo na terra. Assim, a soberania de Deus se tornou uma coisa externa e política. A Igreja, que tomou na terra o lugar de Cristo e dos apóstolos, exerce autoridade sobre os homens. Sendo o pecado transgressão da lei, tem de ser corrigido pela autoridade da Igreja que é o representante da soberania divina na terra. Para conseguir salvação, o indivíduo tem de reconhecer a autoridade da Igreja e obedecer às suas ordens.

Tal regime escravizou o espírito dos homens E a tirania, dele decorrente, ficou tão cruel que houve revolta contra a Igreja. A liberdade pessoal firmou o seu protesto contra a usurpação da soberania de Deus pela hierarquia. Veio assim a Reforma Protestante.

O lema da Reforma era redenção e não revelação e governo. A redenção é graça de Deus, não por meio de sacramentos mágicos, mas pelos méritos de Cristo crucificado pelo pecado e ressuscitado para a justificação. A salvação é oferecida a todos e o homem é salvo mediante a fé. Não fé na ortodoxia, nem fé como submissão à autoridade da Igreja, mas fé que se expressa em confiança na misericórdia de Deus oferecida na pessoa de Cristo.

As Igrejas reformadas dão, por isso, importância à justificação pela fé e à experiência pessoal. O elemento pessoal é absolutamente essencial à salvação, porque Deus nos trata como indivíduos e pessoalmente — "Todo aquele que crê será salvo".


4. O amor de Deus.

A idéia da soberania de Deus, como Santo Agostinho ensinou, não foi eliminada dos ensinos dos reformadores. Tanto Lutero como Calvino deram importância à soberania de Deus.

A teologia dos reformadores, porém, ensinava que era possível ao indivíduo ter segurança da salvação na mesma proporção em que davam importância à soberania de Deus, deixaram de dar ênfase a segurança pessoal da salvação. A soberania de Deus representava a sua vontade.

Segundo João Calvino, a vontade de Deus é suprema na vida do homem e se cumpre na salvação dos eleitos e na condenação dos perdidos. A soberania de Deus se manifesta igualmente tanto na salvação como na perdição dos homens. A vontade de Deus se cumpre, tanto na perdição dos que foram predestinados para a perdição, como na salvação dos que foram eleitos e predestinados para a salvação desde antes da fundação do mundo.

Quando Wesley teve a sua experiência maravilhosa em 24 de maio de 1738, ficou face a face com essa doutrina, na Igreja Anglicana.

Wesley combateu o formalismo da Igreja Anglicana, ensinando o Cristianismo como religião experimental e também discordou de Calvino, ensinando o amor universal de Deus.

No ensino de Wesley o amor de Deus é que ocupa o primeiro lugar e não sua vontade ou soberania. A Soberania e a revelação de Deus foram completadas no dom inefável de Cristo. Wesley não foi teólogo, mas lógico no seu ensino, pois tornou o Novo Testamento como a certeza do seu ensino sobre o poder da graça de Deus na vida do homem e confirmando seu ensino com sua própria experiência e com a experiência dos outros. A força do seu ensino se manifestava no amor universal de Deus, revelado, na morte de Cristo na cruz — "Aquele que experimentou a morte por todos os homens".

João Wesley deu ênfase, no seu ensino, ao amor de Deus, colocando-o no ponto central da sua interpretação da natureza divina. O amor era a nota universal do Evangelho.

Dando ênfase ao amor de Deus, que influi na transformação da natureza humana, Wesley também ensinou que era pecaminosa a natureza do homem. O homem era responsável diante de Deus pelos seus atos e tinha de dar conta de si mesmo a Deus. O pecado do homem, em contraste com o amor de Deus, fazia o pecado ficar em situação ainda mais grave.

O fato que Deus ama o homem afirma que este tem valor perante Deus e pode ser salvo. O homem pode aceitar o Evangelho e as Escrituras ensinam que ele é responsável pela sua salvação ou pela sua perdição. A prova disso está no fato que muitos homens caídos no pecado se têm transformado pela operação do poder de Deus na sua vida, mediante a fé viva em Cristo.

O amor de Deus pode ser derramado no coração do homem, por meio desse amor, a sua vida é transformada. A teologia metodista se baseia sobre esta verdade.

E todas as pessoas que experimentam transformação na vida, pelo amor de Deus, têm afinidade espiritual umas com as outras. Dessa experiência de umas nasce o desejo de evangelizar outras.

Por isso o evangelismo é característico do povo metodista. Tendo estas verdades em comum, há, portanto, entre o "povo chamado metodista" uma herança espiritual e experimental que concorre para unificá-lo mais e mais.

Com esses característicos em comum dos metodistas, há atualmente, uma tendência para criar uma fraternidade universal entre todos os povos do mundo. Se há, na verdade, uma corrente que tende a unificar os povos do mundo numa fraternidade universal, o Metodismo pode trazer grande contribuição para ela e, assim, ajudar a realizar o ideal do Novo Testamento: unir todos os povos no "REINO DE DEUS".

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(*) Texto extraído das páginas 465 a 470 do livro História do Metodismo, de Paul Eugene Buyers, publicado pela saudosa Imprensa Metodista em 1945.

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