IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

Boulevard Vinte e Oito de Setembro, 400
Vila Isabel - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20551–031     Tel.: 2576–7832


Igreja da Vila

Aniversariantes

Metodismo

Missão

Artigos e Publicações

Galeria de Fotos

Links


Igreja
Rio, 8/11/2006
 

POR UMA IGREJA VIVA E MISSIONÁRIA

Bispo Paulo Lockmann


 

Na primeira parte desta reflexão falamos do Avivamento Espiritual, no sentido positivo, na base bíblica e histórica que ele de fato tem. Com isso, definimos os contornos bíblico-doutrinários que ele precisa ter. Reconhecendo que ficam diversas dúvidas que surgem na vida cotidiana das igrejas locais, nós esperamos, sinceramente, no decorrer deste novo período, poder colocar um pouco mais de ordem doutrinária em nossa grande casa, que é o Metodismo no Brasil, e mais objetivamente na 1ª Região Eclesiástica, que é de fato nossa responsabilidade primeira. Como o Apóstolo Paulo, estamos interessados que nossos irmãos e irmãs, deixem de ser como meninos e meninas, agitados por todo vento de doutrina; para isso precisamos desenvolver nosso planejamento de forma integrada e em máxima unidade de objetivos nos diversos seguimentos da Igreja na Região e nas Igrejas locais.

Para isso, tomando por base o Planejamento Nacional, queremos propusemos algumas prioridades para a 1ª Região neste último biênio:

1 - Dimensão-sócio-política - Conhecendo o lugar da Missão.
A realidade brasileira e latino-americana é de injustiça, exploração, miséria da grande maioria, fome enfermidade, analfabetismo, violência, morte. Isto supõe um grande desafio para os cristãos metodistas no Brasil, em especial no grande Rio de Janeiro.

Esta situação de injustiça e exploração, em que vive a maioria do nosso povo, é protegida por uma política que responde aos interesses econômicos das grandes potências e especialmente de empresas multinacionais, isto em cumplicidade com as elites econômicas e políticas nacionais. A divida externa tem sido usada para tirar o trabalho, a saúde, a educação e a alimentação dos brasileiros, sob este pretexto pratica-se uma política econômica recessiva, de salários baixos e inflação crescente.

O que tem a ver tudo isto com a nossa obra missionária? Tudo. Pois Jesus foi absolutamente sensível a necessidade do povo, e não desconheceu os poderes econômicos que imperavam em sua época. Sua luta contra os Saduceus Fariseus aponta um conflito contra os que usando a religião e queriam assegurar os privilégios que em acordos iníquos com Roma haviam acertado. Deste modo a ação missionária de Jesus anuncia o Reino de Deus, uma nova ordem a que todos deviam se converter, e que se opunham ao Reino de César e do Sinédrio. A conversão que Jesus convidava implicava não apenas em uma mudança interior, mas a uma mudança que afetava a vida social. Como já vimos Wesley viu a missão deste modo.

Assim, nossa missão começa na terra que temos debaixo dos nossos pés - Brasil - e a cunjuntura histórica que temos diante de nossos olhos - miséria e morte. Sem ser alarmista, digo que não chegaremos a lugar nenhum se não sabemos de onde estamos partindo.

2 - Dimensão da Renovação da Experiência Religiosa
Não vou falar muito, pois na primeira parte já sublinhamos a importância do despertamento religioso e a herança que temos neste campo.

Neste assunto o Planejamento Nacional, aprovado pelo XV Concílio Geral da Igreja Metodista, diz: "Exercitar, como padrão de espiritualidade, um estilo de vida, pessoal e comunitário, que revele fé em ação, e apresente as marcas da santidade que se expressa em adoração e serviço".

Entendemos que uma ação missionária historicamente relevante e potencializada ao máximo quando sentimos renovada diariamente a nossa experiência com Deus. A unção do Espírito Santo é esperada, e deve ser estimulada por nós na vida de todos os crentes Metodistas do Rio de Janeiro. Para isto devemos promover vigílias, reuniões de oração no templo e nos lares.Estes momentos podem e devem ser iluminados pelo Estudo Bíblico e pela reflexão sobre a situação que o povo vive, para que o fervor da fé gere missão ao povo.

3 - Dimensão da Conexionalidade e Unidade
Estamos conscientes que o mundo atual fortalece cada vez mais os laços de inter-dependência. Todos os seres humanos, a ciência, as comunicações, as guerras, o comércio, os movimentos culturais, o armamentismo ou a luta pela paz, pela ecologia em todos os sentidos a uma conexionalidade, até dramática, na comunidade mundial.

O mal está organizado, atua articuladamente. A política que oprime os países endividados, está articulada conexionalmente através de instituições como o Banco Mundial. Até os bandidos no Rio de Janeiro têm a conexionalidade; a Falange Vermelha é um exemplo disto.

Nós Metodistas, não podemos cair no congregacionalismo: somos conexionais, teremos muito maior força se nos organizarmos e compartilharmos recursos, e integrarmos nossa ação. Certamente se vivermos a conexionalidade da vida do Reino de Deus venceremos a conexionalidade da morte. Pois Deus está conosco.

João Wesley se preocupou em dar ao povo Metodista uma base de unidade para a missão. Apenas uma atitude de abertura para a verdade bíblica e o diálogo pode sustentar continuamente esta unidade. A conexionalidade é mais que um sistema político administrativo, é uma opção de trabalho pela unidade na missão. A Igreja Metodista tem um compromisso vivo com a verdade do Evangelho e pela experiência pessoal e comunitária do Espírito Santo, exerce seu testemunho e prática o evangelho do reino com força libertadora de Deus entre nós.

Essa base conexional da missão da Igreja Metodista é uma realidade que se alimenta na vida, ministério, sacrifício, morte e ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo. É Deus quem dá ao sacrifício de Jesus a força libertadora, da vida. Nele afirmamos que há vitória da cruz da vida sobre a conexionalidade da morte. É o poder da cruz com o qual os cristãos se identificam. A santidade bíblica, tal como a praticou Wesley, se traduz em conexionalidade a partir de Cristo, e se traduz em amor a Deus e amor ao próximo, de tal forma que um condiciona o outro (Jo 2:9-11; Mt 22:37-40).

A conexionalidade para a vida em Jesus Cristo é experiência de seu senhorio no Reino de Deus. o Reino de Deus pregado e vivido por Jesus se identifica com nenhuma conformação histórica ou ideológica. Mas, por outro lado, o Reino de Deus seria fictício se não se encarnasse a realidade, de algum forma, entre os seres humanos, e na determinação final da criação e da história. O Reino está entre nós, muitos aguardam sua plena manifestação. Por isto, a conexionalidade para a vida, é a encarnação missionária, evangelizadora, libertadora, na perspectiva do Reino de Deus.

No contexto da conexionalidade para o mal, pelo qual nossos povos sofrem mais do que vivem, uma conexionalidade para a vida é uma opção crucial para as Igrejas Metodistas do mundo, pois emerge a cruz de Cristo. Isto implica em uma união de missão, e no compromisso com esta missão, como questão inicial. É assumir neste momento em nossos paises, o nosso trabalho na missão. A busca constante da verdade e a unidade, são elementos vitais para Reino de Deus em missão: para que o juízo do evangelho não se volte contra nós mesmos. "Um reino dividido contra si mesmo, não pode subsistir (Mc 3:24).

4 - Dimensão da Igreja a Serviço do Povo.
Como é do conhecimento de todos o nosso lema tem sido IGREJA: COMUNIDADE MISSIONÁRIA A SERVIÇO DO POVO.

Como objetivar este tema? Certamente, pondo em prática as dimensões já enunciadas e mais as propostas básicas que seguem: faltando aqui estabelecer o modo de operação destes objetivos. São necessários projetos e programas para operacionalizar tais objetivos.
1 - Recolocar a Igreja local como elemento básico da ação missionária da Igreja.

2 - Aprofundar a reorganização das igrejas locais, com base nos Dons e Ministérios, a partir dos documentos produzidos pela Igreja Metodista, inclusive o Plano para a Vida e Missão da Igreja.

3 - Tomar conhecimento das necessidades do grupamento humano onde se localiza a Igreja local.

4 - Esquematizar, com base nessas necessidades, os serviços que pode realizar, aproveitando para isto os dons e os recursos que possui.

5 - Avaliar seu potencial, identificando os recursos disponíveis ou que possam ser conseguidos, tanto interna como externamente, junto a grupos cujo interesse pela defesa da vida condiga com a proposta do Evangelho.

6 - Selecionar e priorizar os serviços de acordo com os recursos disponíveis.

7 - Organizar a comunidade, internamente, de acordo com os serviços a serem executados.

8 - Prover a instrução e a disciplina, de modo que todos os participantes sejam coesos, edificados, efetivamente companheiros da missão.

9 - Cada Igreja local instruirá pelo menos um ponto missionário novo, a cada ano, visando a alcançar, no mais breve tempo possível, o estágio de congregação e o da Igreja local.

10 - Adotar, como princípio missionário, a partilha dos dons, bens, sentimentos, ministérios, palavras, mesa, etc, priorizando, nesse processo, os pobres e as situações de "exposição à morte" (miséria, injustiça, aprisionamento, abandono, doença, tristezas, fome, etc.).

11 - Renovar a organização sistemática de estudos bíblicos, como prática regular de todos os ministérios, numa perspectiva de "missionária", de modo que a Bíblia, se torne, de fato, a fonte e espiritualidade e vida e referência fundamental de toda a vida da Igreja, sobretudo na organização e exercício do próprio ministério docente.

12 - O projeto docente da Região deve estar integralmente voltado para a missão a participação do povo metodista na construção do Reino de Deus, assumindo, no seu nível uma mudança de uma Igreja de ministérios, bem como o compromisso de mudança da realidade brasileira, organizando ações que ultrapassem a capacidade de atuação da Igreja local, sobretudo na forma de pronunciamento público e campanhas.

13 - Adotar, na preparação de pastores/as e formação do laicato, e no permanente processo de atualização de pastores/as, o processo de "capacitar pastores/as, evangelistas e demais leigos/as para capacitar os ministérios da Igreja local". Avaliar permanentemente, por este critério, os programas de capacitação do lacaito desenvolvidos pela Igreja.

14 - Prestar acompanhamento avaliativo do desempenho ministerial das Igrejas, a fim de conseguir aprimoramento máximo à luz das linhas gerais do Plano para a vida e Missão da Igreja e do Planejamento Nacional Regional.

15 - Adotar, decididamente, o princípio da Igreja Conciliar e Conexional, da administração regulada pelos Concílios e da mutualidade dos recursos.
A Dimensão da Igreja como Comunidade Missionária a Serviço do Povo
(Bispo Paulo Lockmann)

"Igreja Comunidade Missionária a Serviço do Povo" é o lema que tem animado e orientado nosso trabalho como Igreja Metodista no Brasil pelo menos nos últimos três anos. É um tema rico que nos coloca no mínimo diante de dois grandes objetivos, a saber:

1 - O primeiro é o de nos empenharmos em superar os conflitos internos da Igreja a tal ponto que, unidos no Senhor, sejamos dentro do possível um "coração e uma só alma", e no fundamental pensemos concordemente. Deste modo, UNIDADE é o nosso primeiro grande objetivo;

2 - O segundo grande objetivo é o de promovermos de todos os modos, ações que levem as nossas igrejas locais à um serviço missionário, fora de suas quatro paredes. Assim, o nosso segundo objetivo é a EXPANSÃO MISSIONÁRIA (seja pela abertura de Pontos Missionários ou de serviços comunitários) e o conseqüente crescimento em número e em serviço ao povo que sofre.

Deste modo, para alcançar estes dois grandes objetivos necessitamos caminhar sobre algumas ênfases que devem nos direcionar na realização destes objetivos:

1 - Da ênfase na comunhão, conexionalidade e unidade:
É clara a visão de que nosso tema nos convida a sermos uma comunidade de fé no Brasil de hoje, principalmente uma comunidade do Reino de Deus, em constante alerta, cuidados e serviço ao povo, e isto não é tarefa fácil. Tudo ao nosso redor conspira contra a comunhão e o serviço à vida. A sociedade, em geral, está centrada em projetos extremamente individualistas. Os políticos buscam os votos com promessas ao povo que nunca irão cumprir, visto serem seus projetos pessoais e individualistas.

Ser comunidade cristã é, antes de tudo, a grande ênfase e tarefa. Devemos mostrar que é possível construir uma comunidade fraterna e voltada para o apoio mútuo. Não podemos ser uma comunidade onde irmãos e irmãs competem selvagemente e se destroem e se devoram mutuamente (Gl 5:15), isto é um escândalo para o Evangelho. Temos que tomar em consideração e exemplo a vivência expressa pela Comunidade Cristã primitiva: o testemunho de Atos 2:42-47 nos mostra uma comunidade onde as dores, as alegrias, as refeições, as necessidades, enfim tudo, era compartilhado. Eram, de fato, um família de fé, unidos pelo amor. Esta ênfase põe, à luz do dia, a necessidade de ligação, de conhecimento e de relacionamento solidário entre os passos da comunidade.

Conexidade é o nome que damos a este relacionamento que é necessário haver entre os membros de uma comunidade, para que alcancem a UNIDADE (Fp 1:9). Vamos refletir um pouco mais sobre a conexidade.

Estamos conscientes que o mundo atual fortalece cada vez mais os laços de inter-dependência. Todos os seres humanos, as ciências, as comunicações, as guerras, o comércio, os movimentos culturais, o armamentismo ou a luta pela paz e pela ecologia, buscam alianças, estarem juntos a outros iguais.

O mal está organizado e atua articuladamente. A política que oprime os países pobres e endividados está articulada conexionalmente através de instituições como o Banco Mundial. Até os bandidos no Rio de Janeiro têm conexionalidade: a Falange Vermelha é um exemplo disto.

Com o povo de Deus, em todos os sentidos, deve haver a conexionalidade, sermos muitos membros de um só Corpo.

Nós Metodistas, não podemos ser indiferentes a isso e nos permitirmos cair no congregacionalismo: somos conexionais, teremos força muito maior se nos organizarmos e compartilharmos recursos e integrarmos nossa ação. Certamente se vivermos a conexionalidade da vida do Reino de Deus venceremos a conexionalidade da morte. Pois Deus está conosco.

João Wesley se preocupou em dar ao povo Metodista uma base de unidade para a missão. Apenas uma atitude de abertura para a verdade bíblica e o diálogo pode sustentar continuamente esta unidade. A conexionalidade é mais que um sistema político administrativo, é uma opção de trabalho pela unidade na missão. A Igreja Metodista tem um compromisso vivo com a verdade do Evangelho e pela experiência pessoal e comunitária do Espírito Santo; exerce seu testemunho e prática o evangelho do reino com força libertadora de Deus entre nós.

Essa base conexional da missão da Igreja Metodista é uma realidade que se alimenta na vida, ministério, sacrifício, morte e ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo. É Deus quem dá ao sacrifício de Jesus a força libertadora, força de vida. Nele afirmamos que há vitória da cruz ( e da vida) sobre a conexionalidade da morte. É o poder da cruz com o qual os cristãos se identificam.

A santidade bíblica, tal como Wesley a praticou se traduz em conexionalidade a partir de Cristo, e se traduz em amor a Deus e amor ao próximo, de tal forma que um condiciona o outro (João 2:9-11; Mateus 22:37-40).

A conexionalidade para a vida em Jesus Cristo é experiência de seu senhorio no Reino de Deus. O Reino de Deus pregado e vivido por Jesus não se identifica com nenhuma conformação histórica ou ideológica. Mas, por outro lado, o Reino de Deus seria fictício se não se encarnasse e realizasse de alguma forma entre os seres humanos, e na determinação final da criação e da história. O Reino está entre nós, muitos aguardam sua plena manifestação. Por isto, a conexionalidade para a vida, é a encarnação missionária, evangelizadora, libertadora, na perspectiva do Reino de Deus.

No contexto da conexionalidade para o mal, pelo qual nossos povos sofrem mais do que vivem, uma conexionalidade para a vida é uma opção crucial para as Igrejas Metodistas do mundo, pois emerge da cruz de Cristo. Isto implica em uma união na missão, e no compromisso com esta missão, como questão inicial. É assumir neste momento em nossos paises, o nosso trabalho na missão. A busca constante da verdade e a unidade são elementos vitais para Reino de Deus em missão: para que o juízo do evangelho não se volte contra nós mesmos. "Um Reino dividido contra si mesmo, não pode subsistir (Marcos 3:24).


2 - Da ênfase nos Dons e Ministérios para a Unidade
Enfatizo a necessidade de sermos uma Igreja de Dons e Ministérios. Dons e Ministérios não é apenas um programa em moda atualmente. É na verdade um movimento. Um movimento fruto da ação do Espírito Santo no interior da Igreja. Na verdade um movimento nascido a partir do Pentecostes no seio da Igreja primitiva. Há, deste modo, uma compulsão do Espírito e outra da Escritura para que prossigamos nesta caminhada. Pois, este movimento representa o caráter ministerial de toda a Igreja, onde todos(as), pastores(as) e irmãos e irmãs participam do ministério total da Igreja. Reconhecemos estar apenas começando esta caminhada, e que ainda temos alguns dos velhos entraves de uma Igreja de cargos, mas estamos no caminho, e cabe a cada Metodista, atento ao que o Espírito está indicando a Igreja, abrir-se para a dimensão de crescimento, renovação e serviço que a caminhada de Dons e Ministérios propicia. Este caminho se inscreve no núcleo da tradição protestante, na doutrina do Sacerdócio Universal de todos os crentes. É o que nos dizem as Escrituras em 1 Pedro 2:5 - "...vós mesmos, como, pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo".

Enfatizo, também, a diversidade dos ministérios. Conforme o ensino de Paulo, "o Espírito é o mesmo, mas os dons são diversos" (Rm 12:6; 1Co 12:4). Há, em uma Igreja de Dons e Ministérios, a necessidade de manter viva três ênfases bíblicas muito claras, que são:
a - Unidade de Dons e Ministérios,
b - Diversidade de Dons e Ministérios,
c - Conexionalidade e mutualidade dos Dons e Ministérios.

Quando Paulo escreve orientando sobre os dons espirituais, ele começa pela ênfase na unidade já que o debate sobre os dons estava dividindo a Igreja em Corinto. Paulo vai mostrar que, mesmo sendo os dons diferentes entre si, eles procediam do mesmo Espírito, por isso não poderiam se opor um ao outro. E mais, Paulo apresenta uma estrutura trinitária para a origem e prática dos Dons e Ministérios, ele diz: "... os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços (ministérios), mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos..." (1Co 12:4-6). Com isto Paulo está demonstrando que onde estão os dons e serviços do Espírito não pode ocorrer divisão. A obra do Espírito deve unir! Os nossos sentimentos de vaidade, cobiça e outros é que promovem divisão, intrigas e separação. A seguir, Paulo usando a imagem de um corpo para simbolizar a Igreja, segue enfatizando a unidade (1Co 12:12-13). Paulo vai mostrar que como em um corpo são muitos os membros, na Igreja também há muitos membros e devem ser muitos os ministérios, e nem um deles pode existir sozinho. "O pé não pode dizer para o olho: 'não preciso de ti'". Mesmo que ele pense não ser parte de um Corpo, ele é parte do Corpo e tem compromissos com este Corpo, que é a Igreja.

É preciso se ter muito cuidado com os ditos "ministérios independentes". Temos tido dificuldade com os irmãos e irmãs que desenvolvem seu ministério tão independente, tão insubmissos ao princípio de unidade e dependência ao Corpo de Cristo, que acabam se separando da Igreja. Não nos esqueçamos que, como não há vida em um pé desligado do corpo, não pode haver bênçãos, sucesso e aprovação de Deus para um ministério desvinculado da Igreja. Desligado do Corpo ele não subsistirá muito tempo. Muitas vezes o Corpo (a Igreja) pode parecer pesado, pouco ágil, mas segue sendo o Corpo de Cristo. A Igreja é de Cristo e Cristo a preservará até a plenitude dos tempos. Devemos trabalhar em submissão ao Cabeça deste Corpo, que é o Senhor e Salvador Jesus Cristo, e comunhão com os outros membros deste Corpo, se é que queremos ser Igreja, Corpo de Cristo.

Cabe ainda enfatizar que muitos ministros(as) tendem a ver somente o compromisso que outros ministérios têm para com os seus respectivos ministérios, sem se darem conta do serviço que eles(as) têm de prestar no e para o resto do Corpo. Esta questão nos traz a importância da terceira ênfase, que é a da conexionalidade e mutualidade dos ministérios no Corpo. Paulo demonstra isto dizendo: "Não podem os olhos dizer à mão: não precisamos de ti, nem ainda a cabeça aos pés: não preciso de ti, nem ainda a cabeça aos pés: não preciso de vós (1Co 12:21). Há uma relação vital entre os membros e órgãos de um corpo: quando um está doente, o corpo fica enfermo. Esta relação de inter-dependência estabelece um princípio de igual importância e mútuo serviço entre os órgãos no corpo e entre os ministérios na Igreja.

Por mais diferente que seja um ministério do outro, todos são importantes para a Igreja, se de fato o Espírito o levantou e a comunidade (o Corpo) o reconhece como procedendo do Espírito Santo. A diversidade, a unidade e a mutualidade dos ministérios têm sido um desafio para as nossas Igrejas locais, e mesmo para o ministério pastoral. Verificamos a tendência de aceitarmos aos ministérios iguais ao nosso, não abrindo espaço para aqueles que têm ênfases ministeriais diferentes do nosso. A conexionalidade fundamental aos ministérios, um amando e servindo ao outro, por mais diferentes que sejam entre si. E todos servindo a Igreja e ao propósito de Deus de pregar e ensinar as Boas Novas ao mundo. Assim, há lugar para o irmão ou irmã que ensina, bem como para o(a) que evangeliza, que por sua vez valoriza à(o) que trabalha na ação social, exercendo o socorro e misericórdia.

3 - Da ênfase na Renovação da Experiência Cristã:
"Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará" (Ef 5:14). Sim, exatamente o que Paulo estava recomendando à Igreja em Éfeso é o que estamos necessitando: unção espiritual, disposição para dar a vida pelo Evangelho. Estas são marcas do Metodismo.

Neste assunto, o Planejamento Nacional da Igreja Metodista, aprovado em julho de 1988 pelo XV Concílio Geral da Igreja Metodista, diz: "Exercitar, como padrão de espiritualidade, um estilo de vida pessoal e comunitário, que revele fé em ação, e apresente as marcas da santidade que se expressa em adoração e serviço".

Não há dúvida que somos herdeiros do Avivamento que a Igreja Cristã experimentou na era post-reforma protestante. Tal afirmação procede dos grandes historiadores Metodistas e também não-metodistas.

O Avivamento de Deus na Inglaterra do tempo de João Wesley mudou a vida daquele país. Quando este avivamento começou a Inglaterra estava mergulhada em injustiça social comparável a que temos no Brasil de hoje. Uma nobreza minoritária controlava totalmente as riquezas da nação; o povo vivia na mais absoluta miséria e ignorância. A religião era foco de frieza espiritual e foco de escândalos imorais; os clérigos eram, em sua maioria, de uma profunda indiferença para com a vida do povo. Era uma igreja de ricos donde o povo era excluído, certamente por isso não tinha interesse pela fé.

Do solo da Inglaterra, do clima alterado pelo Metodismo, cresceu a colheita humanitária que seria a sua glória. Citando Green: "o resultado mais nobre do reavivamento metodista foi a tentativa constante, que nunca cessou, desde aquele dia até hoje para remediar a culpa, a ignorância, o sofrimento físico, a degradação social dos perdidos e dos pobres... Produziu uma nova filantropia que reformou nossas prisões, infundiu clemência e sabedoria às nossas leis penais, aboliu o tráfico de escravos e deu o primeiro impulso à educação popular.

A melhor evidência do modo como João Wesley modificou o clima espiritual da Inglaterra é a mudança operada na atitude de seus patrícios para com o próprio evangelista. No diário de Wesley temos um registro de quatro visitas bem espaçadas que ele fez ao velho porto marítimo de Falmouth, Cornwall. Elas refletem a influência moderadora do reavivamento naquele lugar.

A primeira visita de Wesley ao referido porto foi em 4 de julho de 1745, quando seu movimento estava apenas começando. Wesley havia cavalgado até a cidade para visitar uma mulher doente, quando uma multidão formada principalmente por marinheiros reuniu-se do lado de fora casa ordenando-lhe aos gritos que fosse embora. Visto que Wesley não os atendeu, atiraram-se contra a casa e tiraram a porta dos gonzos (dobradiças). Embora Wesley julgasse que sua vida não estaria valendo nada naquele momento, enfrentou a multidão com sua calma habitual, obtendo uma chance para falar. Wesley os conteve até que algumas pessoas da classe alta o socorreram levando-o em segurança para bordo de um navio. Terminara a visita.

Sua segunda visita foi dez anos depois, em 2 de setembro de 1755. Não houve motim desta vez, nem necessidade de escapar para salvar a pele. A Sociedade Metodista havia construído um edifício por essa época naquele lugar e Wesley escrevendo sobre isso registrou que pregou a Palavra a uma congregação "profundamente atenciosa".

Foi a Falmouth pela terceira vez quinze anos depois, em 30 de agosto de 1770. Desta vez ele não pregou no edifício Metodista, mas perto da Igreja Anglicana. Ele registra que falou ao maior número de pessoas que já viu, com exceção do populacho, há 25 anos atrás.

Sua última visita foi em 18 de agosto de 1789. No seu diário aquele dia ficou registrado assim:
"À tarde, como não pudéssemos passar pela estrada comum, procuramos passar por alguns campos e chegamos a Falmouth em boa hora. ...cerca de quarenta anos atrás, fui aprisionado por uma imensa multidão que rugia como leões. Mas como as coisas estão diferentes agora! Grandes e pequenos alinham-se na rua de uma extremidade a outra da cidade, em amor a bondade, clamando uns, admirados alguns outros, como se o rei estivesse passando. À tarde preguei no topo da montanha, a pequena distância do mar, à maior congregação que já vi em Cornwall, exceto em Redrath, ou perto desta cidade. E não tenho presenciado tal acontecimento desde que voltei da Holanda. Deus trabalhou maravilhosamente nos corações das pessoas, de modo que todos parecem conhecer o dia de sua visitação".

Tenho certeza de que essa experiência em Falmouth só foi possível por causa da renovação da experiência de fé de Wesley. Wesley era até 24 de maio de 1738 um bom cristão, pastor e missionário, mas a experiência do "Coração Aquecido" fez a grande diferença, a qual todo metodista necessita.

Este movimento do Espírito Santo na vida de João Wesley, reavivando a vida e a fé do povo inglês é nosso maior e o mais legítimo parâmetro. Quando Wesley morreu havia 70.000 metodistas só na Inglaterra (o historiador de nome Ensley pressupõe que outros 70.000 tenham morrido na fé durante a vida de Wesley), sem falar que nos Estados Unidos da América do Norte já havia perto de 65.000 no final do século XVIII.

Nós, hoje, estamos devendo uma contribuição de igual impacto social e evangelístico no nosso Brasil. Cremos que somente um legítimo Avivamento Bíblico e Metodista pode suscitar forças, coragem e visão missionária para tanto.

4 - Ênfase na Expansão Missionária e no Crescimento
O XV Concílio Geral e o Planejamento Nacional deixaram claro que a Igreja local é onde ocorre a missão por excelência. Por isso é que devemos enfatizar as ações missionárias que ocorrem dentro da mesma, pois ela é a base missionária. Nossas Federações, Ministérios Regionais e Instituições devem ser órgãos de apoio a dinamização da missão na igreja local. Não devemos esquecer que foi a partir de uma igreja local ( a de Jerusalém) onde tudo começou! Ali, os primeiros cristãos, ungidos pelo Espírito Santo, passaram a assumir diferentes desafios.

Ser Igreja Missionária importa assumir hoje, com intensidade, a nossa "Jerusalém". Onde fica nossa "Jerusalém"? Nossa "Jerusalém" é o primeiro limite missionário em que está colocada a nossa Igreja local. É o nosso bairro ou nossa vila, é onde moramos e trabalhamos. Onde as pessoas nos conhecem muito bem e podem conferir, pela convivência, qual o efeito prático do evangelho em nossa vida. Se somos amorosos e ternos com nosso cônjuge (esposa ou esposa) e que tipo de família nós formamos. Se somos honestos e justos em nossos negócios, se somos verdadeiros em nosso falar, se demonstramos concretamente amor às pessoas.

4.A) Assumir nossa "Jerusalém"
Nossa "Jerusalém" é também o limite onde, como Igreja local, nós atuamos. Ali o povo do nosso bairro, vila ou cidade precisa ver e sentir o amor gerar serviços que o Espírito nos impulsiona a realizar em favor dos que sofrem, sejam eles meninos e meninas de rua, encarcerados, enfermos, índios, jovens drogados, aidéticos ou outros doentes terminais, seja na luta pela saúde, terra, moradia, educação ou pela ética na política e na administração pública. Não importa qual a prioridade que o lugar histórico impõe, e o conseqüente ministério que o Espírito nos fará desenvolver aí. Importa que a Igreja, como "embaixadora" de Deus, assuma algum desafio, algum serviço ao nosso Povo.

O Planejamento94/95 da nossa Igreja no Estado do Rio, aprovado no último Concílio Regional em dezembro de 1994, onde estiveram presentes todos os pastores e pastoras, e delegados e delegadas de todas as igrejas do Estado do Rio, determina que cada Igreja local deve assumir uma frente missionária. Aliás, deve abrir uma nova frente missionária a cada novo ano. Não importa qual seja a realidade em que cada Igreja está inserida. Importa, sim que tenhamos nossa frente missionária. Que pastores, pastoras e todos os irmãos e irmãs de cada igreja local reafirmemos ou redescubramos a nossa verdadeira vocação como Igreja de Jesus: a evangelização. Assim, certamente experimentaremos tal qual a Igreja Primitiva, um grande crescimento em graça, poder e também numérico. Teremos também a alegria de ver, a cada dia, pela graça de Deus e a partir do nosso anúncio e serviço ao nosso povo, sermos acrescidos daqueles que se encontrarão com Jesus e aceitarão seu senhorio e salvação.

4.B) A paixão evangelizadora:
A experiência da graça, através do Espírito Santo, torna-se a força vital de propagação do crescimento do Reino de Deus, da Igreja de Jesus e também da experiência Metodista. As experiências de testemunho interno do Espírito (Rm 8:12-17) vitalizam todo o ser, na relação com Deus, com o próximo e consigo mesmo. É um incontável poder de comunicação que tirou e continuará tirando sempre a Igreja das quatro paredes dos templos, da preguiça, da frieza espiritual e missionária, levando-a às comunidades próximas, às distantes comunidades, às portas das fábricas e às bocas das minas, aos guetos e favelas, à todas as classes sociais e ao marginalizados, bem como às praças públicas e todos os lugares e situações onde hajam pessoas, de qualquer idade e condição social. Pois é através da missão que criamos as oportunidades para que as pessoas e comunidades, onde quer que estejam, tenham condições de aceitar, pela fé, a Jesus Cristo, e transformar essa fé em vida de fraternidade, justiça e santidade, bem como no que designamos como obras de misericórdia.

"No poder do Espírito santo, através do testemunho e do serviço prestado pela Igreja ao mundo em nome de Deus, da maneira mais abrangente e persuasiva possível, os Metodistas procuram anunciar a Cristo como Senhor e Salvador (1Co 9:16; Fp 1:12-14; At 7:55-58) é o que nos orienta o Plano para a Vida e a Missão da Igreja.

4.C) Dar prioridade ao crescimento da Igreja.
"Cresçamos em tudo naquele que é o Cabeça, Cristo..." (Ef 4:15). Como Igreja Metodista reafirmamos a prerrogativa e exigência missionária do crescimento da Igreja. Para isto necessitamos seguir a trilha que o Apóstolo Paulo nos dá na carta aos Efésios, onde ele trata dos níveis de crescimento integrados que a Igreja precisa ter, a saber, dos crescimentos qualitativo, orgânico e quantitativo. Rejeitamos a idéia de não ser preciso quantidade tanto quanto a de que não precisamos de qualidade e organicidade. Falemos um pouco agora dos conceitos bíblicos e paulinos desse crescimento integrado tão necessário à vida da igreja:

4.C.1) Crescimento qualitativo
"...com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do Corpo de Cristo, até que todos cheguemos a unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, a perfeita varonilidade, a medida da estrutura da plenitude de Cristo"(Ef 4:12-13).

Entendemos como crescimento qualitativo aquele onde o cristão, homem ou mulher, tendo alcançado uma experiência cristã progressiva, tem sido edificado e equipado com um dom, estando por isso, envolvido e participando em um ministério da Igreja, tendo assim um testemunho favorável da Comunidade de Fé, que reconhece nele os frutos de uma vida ministerial madura. Com isso ele caminha aceleradamente para ter a estatura de Cristo, não sendo mais presa fácil a modismos ideológicos e teológicos, não sendo mais "menino levado por todo vento de doutrinas".

A qualidade está na vida espiritual, missionária e relacional da comunidade cristã local. Não há "donos de Igreja", mas povo em missão. Não há ódios, intrigas e fofocas, mas comunhão e santificação. Não há medo da renovação advinda da presença renovadora do Espírito, mas quebrantamento e fidelidade. Não há senhores e servos, mas irmãos e irmãs, que se amam, que se cuidam, que se ajudam mutuamente e que mutuamente intercedem pela comunidade e pelo mundo em sua volta.

4.C.2) Crescimento orgânico
"... de quem todo o Corpo, bem ajustado e consolidado, pelo auxílio de toda a junta, segundo a justa cooperação de cada parte"(Ef 4:16).

Entendemos como crescimento orgânico aquele que é alcançado nos laços da comunhão, do amor e da solidariedade cristã entre irmãos e irmãs. É o crescimento onde somos capazes de amar e dar, a nossa vida pelos irmãos e irmãs, estando firmes um só espírito, com uma só alma; lutando juntos pela fé cristã evangélica, nos respeitando e reconhecendo o valor dos ministérios diferentes do nosso ministério. Uma comunhão que encontra parâmetro na vivência da comunidade cristã primitiva (At 2:42-47) e da vivência das bases do Metodismo Primitivo. O crescimento orgânico nos levará ao amadurecimento conexional (como corpo de Cristo), fraternal (como comunidade de irmãos e irmãs) e missionário (como discípulos e testemunhas da Boa Nova do Reino) entre outros.


4.C.3) Crescimento quantitativo
"... efetua o seu próprio aumento para edificação de si mesmo em amor" (Ef 44:16).

Este crescimento é um alvo, mas só acontece de fato e de verdade como conseqüência da vida madura dos ministros(as), que na comunhão e no serviço atraem outros para conhecer a Cristo e se integrarem na vida da comunidade missionária. E foi isso que ocorreu com a Igreja de Jerusalém: "...e cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos" (At 4:7).

Voltar


 

Copyright 2006® todos os direitos reservados.