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Rio, 10/5/2008
 

Maria, uma mulher virtuosa (Heloisa Helena Stopatto da Cruz Alves)

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O estudo tem como objetivo traçar alguns aspectos essenciais da figura feminina através de fatos da história de Maria, mãe de Jesus.

Serão apresentados em quatro momentos:
• Aparição de anjo Gabriel a Maria notificando-a sobre o fato de vir a gerar um bebê, a visita a casa de Isabel, o cântico de louvor de Maria;
• O nascimento de Jesus;
• Jesus em conversa com os doutores;
• A crucificação de Jesus.


O primeiro momento: Aparição de anjo Gabriel a Maria notificando-a sobre o fato de vir a gerar um bebê, a visita a casa de Isabel, o cântico de louvor de Maria.

O fato de Jesus ter sido gerado de uma mulher sem vida sexual não significa que se pense que o ato sexual é um ato de pecado. Trata-se de que o nascimento de Jesus é um novo nascimento: ultrapassou os rituais culturais, as formas conhecidas de concepção, mas se preservou a essência de uma família: pais simples, do povo, tementes a Deus e confiantes na promessa de um Messias.

Pode-se dizer que o nascimento de Jesus antecipou os mistérios da concepção “in vitro”, mas não abandonou a fidelidade a Deus.

Fazendo uma correlação com esta história com o aqui e agora, observa-se que uma mulher sempre pode abrigar bebês mesmo sem ter a vida sexual. São “marias” que se fertilizam, pelo amor, e assim vão cuidando de sobrinhos, amigos e vão fazendo parte a história afetiva de muitas pessoas. São os mistérios do amor que não se restringem aos atos culturais, à biologia: cuidam dos “filhos do coração” tal como se fossem paridos por elas mesmas.

Um outro aspecto se trata do fato de quem acolhe Maria, durante os três meses, é Isabel, sua prima,também agraciada por Deus. Encontra-se grávida tal como Maria: uma gravidez mais adiantada, de tal maneira que dentro do ventre o bebê reage à emoção tão forte: “bem-aventurada é aquela que creu” (Lc .1:45).

Voltando-se ao momento da anunciação de anjo Gabriel, percebe-se que Maria se declara totalmente submissa à vontade de Deus. Ela cria na promessa do Messias, se sentia emocionada com o fato: “eis que todas as gerações me declararão bem-aventurada” (Lc 1: 48).

O seu canto de louvor é também uma declaração de tantos outros atos de misericórdia de Deus. O fato de receber tão grande bênção não se torna o ato principal de louvor, mas a enunciação de atos de Deus junto aos seus filhos: “dissipou os soberbos, depôs do trono poderosos, encheu de bens os famintos “ (Lc 1: 51 a 53).

O primeiro momento assinala alguns pontos principais da intervenção do Senhor: desde sua concepção o filho de Deus rompe com esquemas conhecidos e pontua assim, que de fato, é o Deus vivo e humano dentro de Maria.


O segundo momento: O nascimento de Jesus.

Os pastores chegaram diante da manjedoura e lá encontraram a criança e, com sua autoridade, reconhece-a como o Messias. Maria fica em segundo plano, tal como todas as parideiras: os bebês, ao nascerem, em geral, são os reizinhos, inda mais o Messias! “Maria guarda todas as coisas, conferindo-as no seu coração” (Lc 2: 19).
Quantas coisas nós pensamos ao nascerem nossos bebês: o que vai acontecer, serão saudáveis, poderemos dar conta de nossas responsabilidades, quando crescerem serão de bom caráter, irão nos reconhecer como boas mães, irão cuidar de nós na nossa velhice?

A realidade da maternidade e paternidade somente se finda com o falecimento das mães e pais ou dos filhos, mas se perpetua como algo que se constitui na cultura de um povo: nossa memória vai arquivando a vivência do que recebemos na infância, adolescência, adultez junto a nossos, pais transformando-se em rica herança emocional que iremos transmitindo a outra geração.

A maternidade e paternidade são, tal como foi com Maria, uma atitude de segundo plano pois, como pais, o que de fato queremos com nossa atitude afetiva, responsável, é que nosso filhos sejam felizes: eles nos movem ao futuro. Este é um ponto que a história deste segundo momento nos mostrou: “Maria guardava estas coisas no seu coração”.


O terceiro momento: Jesus em conversa com os doutores.

Jesus, para comemorar a Páscoa, volta a Nazaré, acompanhado dos pais, ainda menino: com doze anos ( Lc 2: 39 – 52). Em meio aos festejos ele se afasta dos pais por três dias.
Que aflição, que problema para os pais, para Maria: se descuidara do filho? Onde estaria ele? Alimentara-se? Com quem andaria este tempo todo?

Maria revela ao filho seu estado: “por que fizeste assim conosco?” Apesar de encontrá-lo no templo, em meio aos doutores, isto não eliminou o fato de que, como mãe, humana, estivera muito aflita. Seu filho, embora de condição humana, era Jesus: filho de Deus vivo. Ele tinha que priorizar seu ministério.

A resposta de Jesus ao mesmo tempo em que acalma a sua progenitora, enfatiza o fato de que ele é filho de Deus: “não sabeis que me convém estar tratando dos negócios de meu Pai?”

Depois que Jesus, tão jovem, senta pela primeira vez junto aos doutores da lei e ali se situa com sua responsabilidade de se fazer conhecer como o que veio para fazer uma nova aliança, onde todos deverão se submeter, ele volta-se a se submeter a sua condição de humano: retorna a sua casa acompanhado de seus pais. O humano e o divino se entrecruzam: “crescia em sabedoria, e estatura e em graça para com Deus e os homens”.

Este terceiro momento situa a consistência humana e divina da pessoa de Jesus que era “guardada no coração“ por Maria. É um ensino para todos nós: outras “marias “ e outros “josés”. Quantas vezes, em nossos ministérios, queremos nortear os caminhos de Deus, prevemos coisas como se fossemos “deuses”? Como é difícil guardarmos no coração, esperar o tempo Dele? Somos nós sempre humanos, Maria o era, mesmo sendo sua mãe.

Quando nos submetemos ao senhorio de Deus podemos fazer e agir de tal maneira que nos surpreendemos mesmo.

O quarto momento: A crucificação de Jesus.

Em João ( 19:25) encontra-se o registro de Maria, junto a suas amigas, acompanhando de perto o processo doloroso da crucificação de Jesus.
De novo, surge entrelaçado o aspecto humano ao divino de Jesus: Ele se submete á crucificação, embora pudesse interrompê-la, mas se preocupa com a proteção e consolo à dor de sua mãe. E em meio à multidão, apresenta-lhe, seu discípulo amado, João, com o outro filho, que a irá proteger: “Mulher, eis ai o seu filho”.

A ordem de proteção dada em meio à grande dor mostra que sempre Jesus amou intensamente as pessoas, as compreendia como humanas: Maria era sua mãe que estava vendo agonizar o filho e em breve este morreria.

João ouve de Jesus esta orientação: “Eis aí tua mãe”. E obedece: “desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa “ (Lc 19: 27).

A mulher agraciada, virtuosa, temente a Deus, se submeteu sempre aos desejos do Senhor: não há registros de que ela se revoltou, ela sofreu intensamente. Até o final Jesus a reconhecia como sua mãe, ao mesmo tempo se fazia presente como o Filho de Deus.

Este tempo aponta o processo de crucificação e o início do mistério da ressurreição.
Faz-nos refletir que a virtuosidade se encontra diretamente ligada à simplicidade de atitudes, de firmeza de caráter, de acima de tudo, submissão á vontade do Pai.

ORIENTAÇÕES DE ESTUDO:
Foram utilizados para estudos prévios: os Evangelhos ( Bíblia Sagrada), pesquisa Google ( Internet), o livro Vocabulário Bíblico na sessão “nomes próprios – Maria”( ALLMEN, J.J., Aster, SP. 1972).


Heloisa Helena Stopatto da Cruz Alves
Membro da Igreja Metodista de Vila Isabel

Rio, 8/5/2008

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