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Bíblia
Rio, 30/6/2008
 

Quem tirou as ataduras de Lázaro? (João 11:14)

Bispo Josué Adam Lazier


 


“O morto saiu, com os pés e as mãos enfaixadas e o rosto recoberto com um sudário. Desatai-o e deixai-o ir-se” (Bíblia de Jerusalém)

“E o morto saiu. Os seus pés e as suas mãos estavam enfaixados com tiras de pano, e o seu rosto estava enrolado com um pano. Então Jesus disse: - Desenrolem as faixas e deixem que ele vá” (Bíblia na Linguagem de Hoje)

“Saiu aquele que morto na sepultura lá estava, seus pés e mãos bem ligados, com pano próprio que atava; e tinha ainda seu rosto, num lenço todo enrolado. Então Jesus ordenou: Deixai-o ir libertado” (Bíblia em Versos)

O episódio envolvendo Lázaro, um morador da aldeia de Betânia, suscita várias reflexões. Entre elas está a pergunta: quem tirou as ataduras de Lázaro? Segundo o registro do evangelista João, Lázaro saiu da gruta onde fora sepultado, mas estava com os pés e mãos atadas e com um véu sobre o rosto.

Havia espanto entre as pessoas presentes na casa de Lázaro, pois já se completava o quarto dia em que ele fora sepultado. As manifestações eram de que se Jesus tivesse chegado a tempo Ele teria curado Lázaro, considerado amigo do mestre. Mas quatro dias depois do sepultamento?

“Para o povo da Bíblia o quarto dia depois da morte representa o fim de todas as esperanças de vida, pois o cadáver iniciava a decomposição. Estamos, portanto, diante da morte irreversível”.[1]

O espanto era geral, tanto que quando Lázaro aparece na porta da gruta ninguém toma a iniciativa de desatar as ataduras que cobriam o seu corpo e impediam-no de andar. Jesus disse: “desatai-o e deixai-o ir”. Quem tirou as ataduras que o cobriam?

Antes de tentar responder esta pergunta vale a pena refletir sobre o ocorrido. Talvez entre os presentes ninguém pensasse na possibilidade da ressurreição. Havia pranto e dor pela morte de Lázaro. A surpresa da ressurreição tornou os presentes inertes ante a manifestação da graça de Deus. Deus ressuscitou Lázaro, mas alguém precisava tirar as ataduras para que ele se movesse. É comum as pessoas esperarem que Deus faça aquilo que elas deveriam fazer. Não deveria ser assim, pois os “milagres” na vida acontecem quando há efetiva participação de Deus e das pessoas. Por certo, ainda hoje vamos encontrar quem espere que Deus faça o que nós devemos fazer, da mesma forma que vamos encontrar quem pense ser deus.

São dois pensamentos que distorcem o sentido da fé e da esperança. Esperar em Deus é também atuar como protagonista da história que se vive. Deus, pela graça e misericórdia, age em nossas vidas, mas não faz o que devemos fazer. Esta é a nossa parte. Também pensar ser deus e, portanto, não necessitar da ação da graça de Deus é outro desvio na espiritualidade, ou pensar que por causa da experiência cristã a pessoa pode fazer o que bem entender, se constitui num dos grandes equívocos que a religião pode sacramentar.

Assim, Deus ressuscitou Lázaro, mas alguém precisou ir até a gruta e tirar as ataduras e o véu para que ele andasse, estendesse a mão, enxergasse, falasse e seguisse o seu caminho. Então, quem fez isto?

Teria sido uma das irmãs, Marta ou Maria? Um dos parentes que foi de Jerusalém para consolar as irmãs enlutadas? Um dos vizinhos que morava próximo da família e acompanhara de perto a doença de Lázaro? Um dos amigos que se juntou aos demais para o funeral e luto? Um dos discípulos de Jesus que presenciou a cena e atendeu à ordem do mestre? Teria sido Pedro, sempre pronto a assumir a liderança entre os discípulos? Não sabemos ao certo quem libertou Lázaro das ataduras, mas fica a lição de que devemos fazer a nossa parte e não esperar que Deus a faça. Fica a lição também de que podemos ajudar uns aos outros, pois sozinho não dá para tirar as ataduras que nos impedem de caminhar e de viver em liberdade.

A pergunta que se coloca é: quem vai tirar as ataduras que se colocam na vida de todos nós? Deus, pela sua graça, haverá de renovar a vida, e nós faremos o que? A ressurreição de Lázaro é o sétimo sinal realizado por Jesus segundo o Evangelho de João. O sétimo é o maior de todos. Ao convidar os presentes para desatarem a Lázaro, Jesus está assinalando que o sinal da ressurreição e da vida pode ser realizado pelos que confiam na ação libertadora de Jesus.

“A ação libertadora de Jesus implica em nossa prática libertadora: desamarrar as pessoas de todos os laços que as prendem a uma situação de morte. Assim agindo, estaremos continuando o que Jesus fez, a fim de que todos tenham vida em abundância”.[2]

Portanto, este é uns dos grandes desafios da vida.


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[1] BORTOLINI, José. Como ler o Evangelho de João. São Paulo, SP: Editora Paulus. 1994, pg 111.

[2] BORTOLINI, José. Como ler o Evangelho de João. São Paulo, SP: Editora Paulus. 1994, pg 113.


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http://josue.lazier.blog.uol.com.br

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