IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Avivamento
Rio, 30/6/2008
 

Princípios bíblicos de um avivamento

Bispo Paulo Lockmann


 


1) Do Pentecostes cristão ao Pentecostes metodista

Aproveito o momento de celebrações que deram início ao período de Pentecostes, assim como o coincidir das celebrações do coração aquecido do Metodismo Histórico, ambos neste mês de maio.

O Pentecostes foi o cumprimento da profecia de Joel 2.28-29, conforme o entendimento da Igreja Primitiva. Pedro deixa isso muito claro em seu sermão (cf. Atos 2.16): “Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel”. E qual é a promessa? “E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne...” (Jl 2.28). Esse acontecimento incendiou a Igreja, e a tirou de dentro das quatro paredes, transformou um pescador em pregador, 3000 pessoas se converteram e foram batizadas, a Igreja perseverou na oração, doutrina, comunhão, e muitos prodígios e sinais eram feitos através dos apóstolos. Toda a cidade de Jerusalém foi impactada. ISSO É AVIVAMENTO!
Por outro lado, nós, metodistas, nascemos pelo ministério de João Wesley, e seus companheiros num evidente Pentecostes, ou seja, uma tremenda visitação do Espírito Santo. Ele mesmo relata em seu diário: “Segunda feira, 1 de janeiro de 1739. Os Srs. Hall, Kinchin, Ingham, Whitifield, Hutchins e o meu irmão Charles estiveram presentes a nossa festa de confraternização em Fetter–Lane, com cerca de 60 de nossos irmãos. Às três da manhã, aproximadamente, enquanto continuávamos em oração, o poder de Deus, veio poderosamente sobre nós, a ponto de muitos clamarem por júbilo e outros tantos caírem no chão. Tão logo nos recobramos um pouco desse temor e surpresa com a presença de Sua Majestade, o Senhor, falamos todos juntos: te louvamos, ó Deus, reconhecemos que tu és o Senhor.”

É reconhecido que, a partir de 24 de maio de 1738, e dessa experiência de 1 de janeiro de 1739, Wesley e seus companheiros passaram a pregar com extraordinária unção, gerando profunda convicção de pecados no coração de significativa parcela da sociedade inglesa, o que introduziu um processo de mudança social na vida do povo inglês, processo que todos conhecemos. ISSO É AVIVAMENTO!

2) E hoje? O que falta para um Avivamento?

Primeiro, devemos admitir que existam sinais de Avivamento no mundo. Os que assistiram ao vídeo sobre Fidji, o mover da oração, a transformação naquele país, reconhecem isso.

No Brasil, temos muito movimento religioso, mas pouco avivamento, segundo minha avaliação. Deixem descrever elementos bíblicos e práticos sobre o avivamento que desejamos ver em nosso meio. Antes, no entanto, preciso reconhecer que há entre nós igrejas locais buscando e já experimentando sinais de avivamento.

O texto base sobre a vinda do Espírito Santo e seu ministério entre nos, é, sem dúvida, Jo 16.7-11 “Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei. Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais; do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.” Aqui está dito, fundamentalmente, o que acontece com a vinda do Espírito Santo, o Consolador. Gesswein, em belo estudo sobre este texto, salienta o seguinte: “...devo confessar ....passei por cima da palavra vós. Entretanto, é a palavra chave, e não pode ser ignorada.”

No estudo de Gesswein, fica claro que a vinda do Espírito é sobre os discípulos (vós), com quem Jesus dialogava naquele momento. Jesus falava: “quando eu enviar do meu Espírito sobre vós, ou seja, primeiramente, para o meu povo, a minha Igreja, vocês meus discípulos e discípulas, então, Eu (através de vocês) convencerei o mundo (os não-cristãos) do pecado, da justiça e do juízo...”

Quando nós, Igreja, nos incluímos, acaba a distância entre nós e o Espírito Santo, e aumenta nossa responsabilidade. O Avivamento que é a presença do Espírito Santo em nós, seu fogo, seu vento, seu poder, começa a atuar e gerar, nos não-cristãos, o que antes gerara em nós, por exemplo:

a) O Espírito Santo traz convicção de pecados para os não-cristãos do mesmo modo que trouxe a nós, cristãos; se em nossas igrejas não houver um clima de quebrantamento e arrependimento, o Espírito Santo não está se movendo.

b) Os não-convertidos sentem necessidade de salvação, quando, em primeiro lugar, os cristãos sentem paixão, e compaixão pelas vidas não salvas, por elas choram, oram e buscam.

c) Quando os cristãos sentem profunda sede do Espírito Santo em suas próprias vidas, os não-cristãos também sentirão sua necessidade de Cristo. O Espírito Santo em nós é contagiante. Recordo da conversão da irmã Lurdes em Cuba: tendo saído de uma manhã de busca da presença de Deus, de seu Espírito em um culto de três horas, após o culto a primeira pessoa não-cristã que encontrei, em poucos segundos de conversa, se desmanchou em prantos, e aceitou a Jesus como Senhor e Salvador; havia um clima poderoso em torno de nós: era o Espírito Santo.

d) A Igreja deve sentir compaixão pelo mundo, orar e chorar pela conversão das pessoas no mundo sem Cristo; isso fará com que o mundo perceba a Igreja, e sinta necessidade de Cristo em sua vida.

e) Os pecadores orarão e buscarão ao Senhor, quando os cristãos fizerem isso antes por eles.

Muitas outras comparações são feitas no estudo de Armin Gesswein; as que usei adaptei para nossa linguagem.

Em resumo, o Avivamento, além de produzir profundas transformação na vida da Igreja e do povo, sempre produzirá, como fez em Jerusalém, uma nova ordem social: “Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.” (Atos 2.45). No caso do Avivamento Metodista, muitas coisas foram mudadas pela vida e pregação dos metodistas. Uma delas foi a escravidão; ouçam um trecho da carta de Wesley a Samuel Hoare: “Há uma ou duas semanas, recebi uma carta do Sr. Clarkson, informando sobre seu propósito cristão de procurar, se possível, uma Ata do Parlamento, para abolição da escravidão em nossas fazendas...”

Tais breves referências só nos recordam que a transformação, a conversão humana, se faz acompanhar de mudança nas relações familiares, do trabalho, e nas demais dimensões da sociedade. Isso é o que o Espírito Santo faz, quando vem e se derrama sobre nós. Por isso, estamos precisando orar urgentemente: “Vem Espírito Santo, e faz de novo o que fizeste em Jerusalém, e em tantos outros lugares.” Amém, Amém.


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