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Rio, 15/7/2008
 

João Batista – Profeta e Testemunha (Jo 1.15-34)

Bispo Paulo Lockmann


 


JOÃO BATISTA, O PROFETA PRECURSOR

Sem dúvida o surgimento de João Batista teve uma relevância e significado especial para as comunidades cristãs primitivas: como prova disto lembramos que ele é o personagem histórico mais citado nos Evangelhos, depois de Jesus e Pedro. Em todos eles o ministério de João Batista cumpre o papel de precursor do ministério do Messias Jesus. E com unanimidade ele é figura-chave em todos os Evangelhos, tendo por certo, peculiaridades em cada um. A questão que deve ser considerada e comentada é: Que nível de consciência tinham as comunidades cristãs primitivas da doutrina rabínica do Profeta Precursor, especialmente a comunidade de João?

A doutrina do Profeta Precursor, como um novo Elias, mencionada no interior do Evangelho de passagem (Jo 1.6-7, 15, 27, 30; 3.28), baseava-se numa convergência de expectativas sobre a vinda do Messias, conforme ensinada pelos Rabis (Mt 11.10). Em diferentes comentários os rabinos mencionavam as profecias de Ml 3.1; Ml 4.5-6 e Is 40.3, e usando estas profecias ensinavam que a vinda do Messias dependia do arrependimento e conversão. Era indispensável que viessem homens-profetas que pudessem realizar a conversão e pusessem todas as coisas em ordem.

Entre as diversas tradições está a tradição do Profeta Precursor, mensageiro, preparador de um novo caminho de Deus em meio ao seu povo. Esta tradição foi também apropriada pela comunidade de João, e João Batista é apresentado como este profeta; vemos que o próprio Jesus nos Evangelhos Sinóticos dá testemunho disto claramente: “Mas os discípulos o interrogaram: Por que dizem, pois, os escribas ser necessário que Elias venha primeiro? Então Jesus respondeu: De fato, Elias virá e restaurará todas as coisas”. (Mt 17.10-11). No caso do Evangelho de João, a leitura é feita, basicamente, a partir de Is 40.3; este texto era visto como o abrir de um caminho de redenção, retorno do exílio e da opressão, o caminho à Terra da Promessa, enfim, o caminho da libertação. Deus, como no êxodo, marcharia com seu povo para abrir caminho até a Terra Prometida.


QUEM ERA JOÃO BATISTA?

Nós, que vivemos num país de forte influência católica romana, temos João Batista afetado por esta cultura religiosa, muito pouco de quem ele foi e de seu testemunho foi ensinado. O que se vê é o santo mártir, sendo adorado como aquele que por sua fidelidade a Deus fora assassinado, decapitado por ordem de Herodes. (Mc 6.16).

Mas, na verdade, João Batista era sem dúvida o último dos profetas ao estilo do Antigo Testamento, suas semelhanças com Elias são notórias e reconhecidas (Lc 1.17), mas sua história de nascimento tem semelhança com Sansão (Jz 13.2-25), mas também com Samuel, pois tanto um como o outro nasceu de uma mulher estéril, o que aponta o nascimento como um propósito de Deus, um milagre. (ISm 1.5-28; Lc 1.5-25).

João Batista nasce cheio do Espírito Santo, e por orientação divina foi consagrado a Deus. Seu pai que havia ficado mudo, por sua incredulidade, volta a falar quando do seu nascimento. (Lc 1.62-64).

A figura de João Batista, ao iniciar seu ministério, impressionava, barbudo, pois fizera, certamente voto de Nazireu, vestido de peles de camelo, alimentando-se de mel silvestre, era magro e musculoso devido as longas caminhadas pelo deserto, onde vivera até se manifestar a Israel (Lc 1.80). Com certeza não era o padrão de profeta e o homem de Deus que nós temos. Se entrasse, hoje, em uma de nossas igrejas, certamente antes que abrisse a boca, seria posto para fora, como mendigo.

No entanto, antes de vermos o seu testemunho, vejamos o que Jesus disse dele: “Então, em partindo eles, passou Jesus a dizer ao povo a respeito de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Sim, que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas? Ora, os que vestem roupas finas assistem nos palácios reais. Mas para que saístes? Para ver um profeta? Sim, eu vos digo, e muito mais que o profeta. Este é de quem está escrito: Eis aí eu envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti. Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele.” (Mt 11.7-11). O que João, o autor do Evangelho, disse? “Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João. Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele.” (Jo 1.6-7). A aparente fragilidade física de João Batista, era na verdade a sua força, pois indicava sua total dependência de Deus.


O TESTEMUNHO DE JOÃO

“... o que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mim...” (Jo 1.15)

Sem dúvida Jesus é o primogênito de toda a criação, sendo Ele o primeiro, tendo a primazia, pede um reconhecimento disto por cada um de nós.

Vivemos numa sociedade onde todos querem ter a primazia, querem ser os primeiros, reivindicam tratamento diferenciado, em tudo se investe nesta idéia, anúncios de toda ordem querem fazer de você alguém especial, merecedor de tratamento diferenciado, enfim, todos querem estar no centro. Isto no Brasil é tão sério, que quando a seleção brasileira de futebol tira segundo lugar, como na França em 1998, é como se tivesse tirado o último. Todos queremos a primazia.

Aqui entra o Evangelho, nele nós devemos nos colocar no segundo plano, e Jesus deve ocupar a primazia, isto pede reorganização dos nossos valores, pede que contrariemos nossos interesses pessoais, e a tendência que nos cerca. Com certeza não é algo que se faz somente com uma disposição mental, ou esforço humano, precisamos ser afetados pelo Espírito, ou seja nascer da água e do Espírito, conforme ensina Jesus mais tarde. (Jo 3.5).

O anúncio de João Batista, além de colocar Jesus como prioridade, como o primeiro, nos apresenta a graça de Deus: “...temos recebido da sua plenitude graça sobre graça...” (Jo 1.16).

Isto deve ter soado entre os judeus comuns como verdadeira “boa nova”, e para os religiosos da sinagoga e do templo como uma grande heresia, por isso as embaixadas religiosas que se seguiram incumbidas de confrontar João Batista (Jo 1.1-19).

O judaísmo, como religião, era pesado. Jesus afirmou isto ao se referir aos mestres de Israel: “Atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros dos homens, entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los.” (Mt 23.4). Uma religião sem graça, pura disciplina religiosa e ritual sem vida.

O apóstolo Paulo, grande anunciador da graça, conseguiu mostrar o contraste entre a religião judaica e a mensagem de Jesus Cristo, já introduzida pelo testemunho de João Batista. Ele dizia que a lei é como uma dama de companhia, ou como se dizia antigamente um “aio”, aquele ou aquela que conduz a noiva ao noivo, diante do noivo se encerra a função da dama de companhia, neste caso Cristo é o noivo. A lei, do mesmo modo, vem ao nosso encontro e denuncia que somos pecadores, e que estamos debaixo da maldição, já que biblicamente pecado é maldição, a desobediência à lei de Deus traz maldição e morte, conforme a lei revelada na Torah (Dt 27.26). Junto a isto Paulo ensinando a Igreja na Galácia disse: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro), para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido.

Por tudo isto, é que quando pelo Espírito, João Batista anuncia a vinda da graça sobre graça inaugura o Novo Testamento, a nova aliança de Deus com os seres humanos, o sacrifício de Jesus, o seu sangue, anula a sentença de morte e maldição que estava lançada sobre todos nós transgressores da lei de Deus, pecadores e destituídos da glória-graça de Deus (Rm 3.23; Rm 6.23). Paulo chega a dizer que, segundo a mente, ele era escravo da lei, mas segundo a carne do pecado, e dá um gemido: “... quem me livrará do corpo desta morte? (Rm 7.24). A seguir ele anuncia a graça do Espírito e da vida em Cristo Jesus: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.” (Rm 8.1-2).

Finalizando esta parte do primeiro momento do testemunho de João, a melhor ilustração da diferença da religião dos mestres de Israel, e a religião ou fé anunciada por João Batista e vivida e ensinada por Jesus é o episódio narrado no próprio Evangelho de João, no capítulo 8, a cena da mulher apanhada em adultério. Leia com calma, pedindo o discernimento do Espírito Santo, você fica estarrecido com o contraste entre a religião judaica e a fé ensinada por Jesus. Uma queria montar armadilha para Jesus, astúcia, engano e traição, estratégias malignas. Além disto alimentava-se do sangue dos pecadores e pecadoras apanhados, queriam ver um apedrejamento, algo cruel, e já traziam as pedras. A outra, a de Jesus, era mansa, sem malícia, ou maldade. Nos enxerga conforme somos: pecadores. Não como gostaríamos de ser vistos, por nossas belas roupas, títulos, cursos, sim, olha para nós e diz: “... quem não tiver pecado atire a primeira pedra.” (Jo 8.7). Em seguida rompe com o machismo patriarcal judeu, que dirige a palavra a mulher, coisa proibida. Um homem adulto não podia dirigir a palavra a uma mulher que não fosse sua esposa, ou filha, em público. “Nem eu tampouco te condeno, vai e não peques mais.” (Jo 8.11). Com esta atitude Jesus vive a religião da graça sobre graça, anunciada e testemunhada por João Batista. Que lição aprendemos, Jesus investiu na misericórdia, na restauração do pecador.


A DELEGAÇÃO DE JERUSALÉM

O contraste da mensagem de João Batista relida pelo Apóstolo João e sua comunidade, representava uma ruptura com o judaísmo oficial, fosse o das sinagogas da Ásia Menor, ou no caso do relato do texto do templo em Jerusalém. Por isso não é de se estranhar o envio da liderança do templo para interrogar João Batista. Sacerdotes e Levitas eram a liderança religiosa, mas também política de Israel, no templo governava o Sinédrio, presidido pelo Sumo Sacerdote, e por deferência do Imperador Romano, administrava as questões religiosas e os conflitos do cotidiano dos judeus. Jesus, os Apóstolos e Paulo compareceram perante o Sinédrio. (Lc 22.66; At 4.5-7).

Começava o julgamento de João, a testemunha. Pois, o estilo do interrogatório correspondia ao de um julgamento. Na verdade o que incomodava as autoridades do templo, não era a pregação de João, mas o que João representava para o povo. As multidões vinham para ouvi-lo e batizar-se por João. Tais multidões não se dirigiam ao templo a Judá, mas inicialmente ao deserto de Judá onde João começou sua pregação, e em seguida junto ao Jordão, um pouco ao norte de onde o Jordão deságua no mar Morto. Ali o povo se quebrantava, e arrependido passava pelas águas do batismo, marca da nova aliança com Deus.

Para o povo era notória a presença do Espírito Santo de Deus naquele lugar, e sobre a vida de João Batista. Aquele homem, cuja aparência era o oposto dos religiosos de Jerusalém, deve ter representado um contraste chocante. Um vestido de pele de camelo, cabelos longos, barba imensa, outros com vestes religiosas, cabelos e barba aparadas. Se fosse hoje, as multidões se inclinariam a quem? Há muita higiene e perfume nos religiosos, tele-evangelistas, o que em si não é ruim, se fosse acompanhado de muita unção de Deus, como sobre João Batista. Precisamos hoje de homens e mulheres, pastores e pastoras, que como João Batista estejam desesperados por Deus, buscando a unção, a virtude do Espírito Santo. Hoje nos impressionamos mais com a aparência, com tecnologias de som e de instrumentos, os pregadores são acompanhados por um verdadeiro show. Com todo o respeito aos que pensam diferente, não é isto que vai mudar o Brasil.

Gastamos muito tempo e dinheiro na Igreja Evangélica com o que não é importante. Ainda dividimos o Corpo de Cristo por causa de cismas doutrinárias. Enquanto isto o mundo, oprimido pelo diabo, segue sua triste marcha para o inferno, vidas destruídas pelo vício, prostituição, sobrecarregadas do pecado, morrem sem Cristo.

QUEM ÉS TU?

A esta pergunta dirigida a João Batista, ele respondeu: “Eu não sou o Cristo.” (Jo 1.20).

Na verdade havia uma intenção maliciosa na pergunta, como de sorte era comum nos acercamentos dos sacerdotes e mestres de Israel, maiormente os fariseus tidos como mestres da lei.

A intenção era a de ver João Batista se auto-proclamando o Cristo, o Messias esperado por todo o Israel, com isto o acusariam de usurpação, pois quem teria que reconhecer isto, segundo o ensino rabínico era a religião oficial, ou seja, sacerdotes e os mestres da lei em Israel, que ministravam nas Sinagogas.

Nesta armadilha tentavam explorar a vaidade da natureza humana, diante de toda a multidão que reconhecia em João Batista um enviado de Deus, dada a autoridade espiritual e unção de Deus. Não seria difícil o povo crer que ele era o Messias, pois isto era o mais desejado pelo povo. Mas, como todos sabemos, ele respondeu: “Não, eu não o sou!” A outra alternativa dada foi se ele era o profeta precursor, ele mesmo o sendo, esperou ser declarado nesta posição por Jesus (Mt 17.10-13), ele mesmo não assumiu esta outra importante posição no judaísmo, senão mais tarde (Jo 3.25-30).

O que aprendemos, aqui, com João Batista? Acima de tudo humildade, dependência de Deus, e a espera em Deus, não se exaltando. Hoje, em todas as igrejas locais, há, em algum momento, conflito causado por irmãos, ou irmãs, que lutam por reconhecimento, por posição no Corpo de Cristo. Essas lutas causam muito dano ao testemunho da Igreja do Senhor. Tenho repartido com pastores, diáconos, evangelistas: Não lute por ocupar posição no corpo, siga o ensino de Jesus na parábola que fala dos primeiros lugares no banquete (Lc 4.7-14). Deixemos Deus nos colocar nos lugares que Ele quer. Gosto da frase do próprio João Batista, quando quiseram colocá-lo contra Jesus (Jo 3.25-30), ele disse: “...convém que ele cresça, e que eu diminua...” Quantos estamos dispostos a abrir espaço para que lideranças novas e ungidas cresçam? “Servos se humilham e esperam que Deus os exaltem.” (1)

Como desenvolvemos este despojamento, esta posição quebrantada e humilde no Corpo de Cristo? Agindo como João Batista, buscando ser cheio do Espírito Santo, sensíveis ao mandar de Deus, sujeitos as autoridades espirituais que Deus colocou sobre nós.

“No meio de vós está quem vós não conheceis...” Esta afirmação de João, em resposta as autoridades judaicas, demonstra uma trágica situação, esses líderes da religião judaica presidiam o culto e o sacrifício no templo, as reuniões nas sinagogas, sabiam de memória a lei e os profetas. No entanto, não eram capazes de reconhecer um homem de Deus como João Batista, e muito menos de identificar o filho de Deus, o messias Jesus, pelo contrário, hostilizaram e o mataram.

Isto não foi um erro grave apenas do judaísmo, nós também temos incorrido em tal equívoco. Paulo, além de discípulo de Gamaliel, estava se preparando para ser Rabi. No entanto, pegou carta junto ao Sumo Sacerdote para ir e prender os cristãos, conhecidos como os do caminho. (At 9.1-2). Temos dado o púlpito e microfone a pessoas que possuindo carismas pessoais, nos convencem a dar espaço e honra a elas, cedo ou tarde, nos decepcionamos ao descobrir que tais pessoas não se faziam acompanhar de uma vida santa a qual confirmasse que conheciam a Jesus de fato. Há muita religiosidade em nosso meio, precisamos de mais unção de Deus, presença verdadeira de Jesus, poderoso e libertador entre nós.

Uma das passagens do Apocalipse que me chama atenção são as cartas às igrejas da Ásia Menor, especialmente a carta à igreja de Laodicéia, quando diz: “Eis que eu estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo.” (Ap 3.20). Como Igreja temos lido este texto e usado no sentido do apelo a conversão e salvação individual, o que não está necessariamente errado, mas tal leitura não faz justiça ao sentido mais amplo do texto, visto ser esta uma mensagem ao pastor e ao povo de Deus em Laodicéia, e não uma mensagem aos incrédulos. Quem está sendo acusado de celebrar cultos, ou seja, realizar cerimônias religiosas sem a presença de Jesus era a igreja em Laodicéia; sim, Jesus estava batendo à porta da igreja. Incrível, mas é verdade. Deus nos livre desta sentença, de celebrarmos e não darmos espaço ao Senhor Jesus.

Em resumo, isto estava acontecendo com os Judeus, Sacerdotes Levitas, Rabis, realizavam suas cerimônias e não davam lugar para Jesus, o Messias. Como disse João, não o conheciam!


“EIS O CORDEIRO DE DEUS!”

Este anúncio de João é importante e faz a ponte entre o Antigo e o Novo Testamento. Como sabemos a Páscoa Judaica era o grande evento, e a maior festa religiosa de Israel. O cordeiro seu grande símbolo, comer o cordeiro da páscoa era uma ordenança da religião de Israel (Ex 12.1-14). Tratava-se de um memorial da libertação do Egito, por isso no decorrer da história de Israel, a páscoa tornou-se o momento histórico onde manifestações sobrenaturais de Deus eram esperada, a semelhança do que ocorrera na primeira páscoa.

Assim quando João Batista vê a Jesus, e o proclama como o cordeiro de Deus, está falando numa linguagem muito próxima da crença do povo, ou seja está com um pé no Antigo Testamento, conforme vemos no texto de Êxodo sobre a instituição da páscoa, mas ele anuncia também a mensagem central do Novo Testamento: Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Neste sentido é que o Evangelho de João, se diferencia dos demais, Jesus desde o início é o Cordeiro de Deus, seu discurso sobre que a sua carne era a verdadeira comida, e o seu sangue verdadeira bebida, soou como escândalo para os judeus que o ouviam, muitos que o estavam seguindo o deixaram, Jesus pergunta aos doze se eles também não queriam ir embora, é quando Pedro fala as significativas palavras: “...mestre para onde iremos? Tu tens as palavras de vida eterna.” (Jo 6.68).

Assim o testemunho de João deixa claro, tudo que da parte de Deus precisava ser feito para salvação da humanidade, foi feito com a vinda do filho de Deus ao mundo, com a sua morte e ressurreição. Cabe nos a resposta, aceitá-lo como Senhor e Salvador, e crer nele, aliás esta é a principal razão pela qual o Evangelho de João foi escrito (Jo 20. 30-31). Se você já recebeu esta mensagem e creu nela, você está comprometido, a ser testemunha desta mensagem.

Nada me dá mais alegria do que falar de Jesus para as pessoas, dou glórias a Deus, quando tenho a oportunidade de ser usado por Deus para levar uma pessoa a Jesus, a mudança no semblante da pessoa, a alegria e o entusiasmo que tomou conta da pessoa me fazem valorizar mais e mais o ministério dos Evangelistas. Tenho sido pastor e bispo da Igreja Metodista, mas acima de tudo Evangelista, nestes 31 anos de ministério ordenado, as maiores alegrias foram sem dúvida as conversões que presenciei, vidas transformadas e discipuladas em Cristo, verdadeiros milagres do poder de Deus, não é à toa que Jesus diz da festa que há no céu por cada pecador que se arrepende (Lc 15.10). João Batista, foi um festeiro do céu, os pecadores faziam filas arrependidos, vamos prosseguir neste ministério abençoado.

Deixe-me contar uma das muitas experiências em que vi isto ocorrer, graças a Deus foram muitas vezes. Há alguns anos atrás eu retornava de visita as igrejas na região de Cabo Frio, ao passar no posto da polícia rodoviária em Iguaba, havia um policial militar pedindo carona, parei e lhe ofereci carona. Ele entrou e de imediato puxou conversa no estilo conversa de homem do mundo. Passávamos em frente um bar e restaurante e ele disse: “Tá vendo aquela morena, um espetáculo de mulher”! E acrescentou comentários. Eu virei para ele e perguntei: “Você é casado?” Ele respondeu: “Sou, por que?” Obvio que ele ficou surpreso com a pergunta, era o que ele menos esperava. Eu respondi: “porque isto é adultério, e você está em pecado.” Ele olhou para mim visivelmente espantado e perguntou: “Você é crente?” Eu respondi: “Sou crente e sou pastor, graças a Deus!” Ele admirado disse: “Isto é coisa da minha mulher!” Aí quem ficou surpreso fui eu, e perguntei: “Por que você diz isto?” Ele me disse: “Porque minha mulher é crente, e vive orando por mim para que eu me converta, e eu pego uma carona de um pastor”.

Bem vou resumir, fomos conversando sobre a vida, família, dei meu testemunho, do que Deus fizera por mim, e continuava fazendo. Ao chegarmos próximo de Niterói onde devia ficar. Parei o carro e perguntei: “Você gostaria de receber a Jesus como seu Senhor e Salvador?” Ele já com um semblante alegre, disse: “Sim, é o que eu mais preciso.” Ali mesmo orou recebendo a Cristo, em seguida eu orei por ele, pelas lutas do seu difícil trabalho de policial. Foi um momento especial de visitação de Deus. Cerca de três meses depois, tive a alegria de receber sua visita em meu escritório, para agradecer e contar transbordante de alegria que havia sido batizado.

Preste atenção em seu cotidiano, como João Batista você pode ser usado para dar testemunho do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, e assim abençoar outros com a benção que você já recebeu.

...ESSE É O QUE BATIZA COM O ESPÍRITO SANTO

O testemunho de João Batista não se encerra com o anúncio da salvação em Cristo Jesus. Pois, tão importante quanto a obra de salvação que Jesus veio realizar, é a obra de capacitação da Igreja para a vida no Espírito Santo e a obra missionária. A continuidade da obra de Jesus na vida do seu povo é a de batizar-nos com o Espírito Santo, dar-nos do seu Espírito, confirmando a promessa anunciada pelo profeta Joel (Jl 2.28-32).

João Batista limita-se anunciar que a promessa estava prestes a se realizar, através de Jesus. E o Senhor Jesus a assume e declara após sua ressurreição, dizendo aos discípulos: “Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.”

Este anúncio realizado no dia de Pentecostes (Atos 2), teve vital importância na vida da Igreja Primitiva, e continuou a ter no decorrer da história da Igreja, foram onda do derramar do Espírito Santo na vida da Igreja que a mantiveram viva.

Hoje, vivemos dias de avivamento espiritual, ainda não o temos, porque falta nos santificar (Js 3.5), falta orar mais (Jr 29. 12-13). Mas ele virá, estamos como nação por experimentar uma visitação do Espírito Santo como nunca vista em nosso país.

Muito poucas Igrejas Evangélicas no Brasil, não reconhecem como parte inerente ao ministério de Jesus, além de trazer a salvação, a de capacitação, através da experiência com Espírito Santo de Deus, o que tradicionalmente chamamos de Batismo com o Espírito Santo.

João Batista, fez diferença porque era cheio do Espírito Santo desde o ventre materno, Jesus o Filho de Deus, recebeu a visitação notória do Espírito de Deus, em forma corpórea de uma pomba, e o testemunho dos céus: “este é o meu filho amado, em ti me comprazo” (Mc 1,11). Na sinagoga de Nazaré, declarou que o Espírito do Senhor estava sobre Ele (Lc 4.16-20). Aponto isto para que reconheçamos se João e Jesus, o filho de Deus, dependeram do Espírito Santo para vencer as tentações e realizar a missão do Reino de Deus, o anúncio do Evangelho. Que dirá nós, Igreja do Senhor, Deus nos livre, de não dependermos desta obra maravilhosa do Espírito Santo na nossa vida. Não esqueça do ensino de Jesus a este respeito. (Lc 11.13).


“POIS EU, DE FATO VI...”

A essência do testemunho de João Batista foi falar do que ele havia visto, ou seja, o filho de Deus. Mas é interessante dizer que muitas outras pessoas estavam perto de João Batista e de Jesus, inclusive os líderes religiosos judaicos, ainda assim não perceberam, não viram o filho de Deus. Perderam esta bênção.

O que faltava a estas pessoas, e o que havia em João Batista? A presença do Espírito, a capacidade de ver no nível da fé, na dimensão do Espírito de Deus. Quantos de nós tem perdido bênçãos de Deus, porque nossos olhos só vêem o terreno, nosso coração está só nos cuidados deste mundo, não há tempo para as coisas de Deus, para a visão da fé.

Sem visão espiritual, não vemos as operações de Deus, não enxergamos o caminho de Deus para a nossa vida, e sem vermos não teremos muita coisa para testemunhar. Afinal, como disse o cego, no capítulo 9 de João: “Eu só sei que eu era cego e agora vejo.” Este tinha o que testemunhar, havia visto a manifestação do poder de Deus.

E você, meu irmão, minha irmã?

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