IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Vida Cristã
Rio, 28/7/2008
 

Caminho sobremodo excelente? (Sérgio Duarte)

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As observâncias da conduta cristã, também conhecidas como disciplina pessoal, variam na razão direta do número de denominações existentes. As exigências e ênfases são delineadas de acordo com a orientação doutrinária que o cristão recebe da tradição ou, no caso das formadas mais recentemente, da liderança de sua igreja. Podemos, com alguma facilidade, distinguir esta ou aquela igreja quase que exclusivamente por estes aspectos, e não somente isso, podemos qualificá-las como tradicionais, carismáticas, de convicções liberais ou mesmo não encontrarmos nelas qualquer parâmetro de qualificação. Mas será que por estas coisas que se define o crente em Jesus Cristo? Se é mesmo assim, como avaliaríamos as pessoas que não estão ligadas a uma determinada igreja e que servem a Deus segundo regras próprias? Sem querer tomar partido de uma ou outra doutrina, muito menos exaltar qualquer característica ou forma de culto, o que aqui se pretende é retomar a pergunta feita por Pilatos há vinte séculos, mas que ainda está vigente e desafiadora nos dias de hoje: Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo?

Antes de ensaiarmos qualquer reação, devemos recorrer à fonte de toda a doutrina e fé cristãs, os evangelhos. É neles que vamos encontrar o ponto de partida, pois neles estão narrados todos os indícios do que o que realmente Jesus veio fazer aqui. Salvar o mundo, pode ser uma resposta que justifique a sua paixão, morte e ressurreição, mas não especificamente o seu ministério. Sim, o confronto vitorioso e definitivo contra o mal se deu concretamente na cruz, mas foi nos caminhos da Judéia e Galiléia onde exaustivamente praticou o bem e anunciou a chegada da boa nova do Reino de Deus. Logicamente que a obra fundamental de Cristo foi a sua vitória contra o mal, mas não devemos nos esquecer de que este confronto se deu exclusivamente pela sua pregação libertadora e pelo seu ministério que mostrava ser possível e imprescindível se estabelecer uma nova ordem social baseada não no direito ou no poder, mas na justiça. Caso aceitemos este isto como fato, qual a postura de fé no Salvador deveríamos priorizar? Dedicação de um amor incondicional, a incessante prática da oração ou louvor perene? Mesmo que não gostemos da palavra Teologia, temos que admitir que Jesus foi o teólogo do Reino de Deus. Essa era não somente a tônica, mas quase que exclusivamente vocação do seu ministério. Se houveram umas poucas exortações e algumas cobranças no cotidiano com seus discípulos, a razão disto vislumbrava unicamente o Reino. Quem me ama, segue os meus mandamentos (que priorizam o Reino). Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me (no caminho do Reino). O fato curioso, que contraditoriamente às ênfases dadas nos cultos cristãos de hoje, Jesus, em momento algum, chamou para si a centralidade do louvor e da adoração. Em uma das frases mais contundentes da sua pregação, ele se apresentou como caminho e não como lugar de chegada que leva ao Reino e, conseqüentemente, a Deus. Seria demais concluir que confissões de fé, manifestações de fidelidade, juras de amor eterno e exaltação acima de todas as coisas, tendem a cair no vazio se não forem precedidas de ações concretas em favor do Reino que Jesus veio anunciar e pelo qual foi crucifixado? Precedida é a palavra chave, porque segundo ele próprio, devemos buscar antes de tudo o Reino de Deus e a justiça inerente a este Reino, que as demais necessidades e expectativas virão a reboque.

Coexistem entre nós dois tipos de ética. A dos ativistas sociais e a da moral cristã. Enquanto que uns têm dedicado suas vidas ao combate dos problemas globais, outros têm se esmerado em serem melhores pessoas. Nada de errado com isso, aliás, são faces opostas da mesma moeda. A questão é que enquanto os ativistas, que são possuidores de um elevado censo de responsabilidade social, levam vidas que em nada valorizam a conduta pessoal. Por outro lado, os que buscam a perfeição moral, a honestidade, o caráter elevado, não têm outra preocupação além da sua excelência como indivíduo. É muito difícil encontramos alguém empenhado no propósito de juntar ambas as faces. Rigorosamente equilibrado entre elas, até hoje, neste mundo, só mesmo Jesus, chamado Cristo. Contudo, podemos destacar uma pessoa cuja sensibilidade a esses dois aspectos foi bastante elevada. John Wesley foi um dos poucos que conseguiu juntar na prática as duas faces destas moeda. A doutrina da Perfeição Cristã, que foi o principal tema da sua obstinada pregação, era algo que transcendia a excelência moral ou mesmo a voluntariedade ativista, era a prática de um tipo de amor cristão tão eficaz que acompanhava de perto o grito contra a injustiça. Ao verificarmos sua história, veremos que este conceito não lhe chegou nada fácil. Foi através das mais árduas práticas de ação social e de penosas experiências na busca da perfeição moral que o equilíbrio entre piedade e misericórdia foi finalmente alcançado. Contudo, não se deve atribuir a estes fatores os méritos pela sua mudança de vida, mas sim por entender profundamente que: “o cristão é o mais livre de todos os senhores, e não está sujeito a ninguém; o cristão é o mais submisso de todos os servos, e está sujeito a todos os homens”. Esta frase de Lutero caiu como uma luva ao que se pôde extrair da experiência de Aldersgate. Wesley entendeu que após experimentar em sua vida a imensidão do amor de Deus, o seu compromisso com ele se daria através do serviço ao seu Reino. Doravante, exigiria dele o máximo empenho na piedade cristã, no sentido de exclusivamente só pregar o Evangelho para salvar almas, e o extremado zelo na misericórdia cristã, no sentido de somente trabalhar para a transformação de vidas pela aplicação do Evangelho na prática. Em certa ocasião, quando questionado a cerca da eficácia do movimento Metodista,respondeu: “Os que bebiam, não bebem mais. Os que roubavam, ao roubam mais. Os que batiam nas suas mulheres, são agora bons maridos”. Não temos apenas este seu testemunho como prova, José Migues Bonino escreveu: “as propriedades metodistas imediatamente transformaram-se em um verdadeiro celeiro de projetos — casa de misericórdia para viúvas, escola para meninos de rua, bolsa de trabalho e agência de empregos, cooperativa de crédito e agência de empréstimos, sala de leitura e igreja”. O mundo jamais viu um movimento que empenhasse a totalidade dos seus recursos com esta abrangência: menores abandonados, idosos solitários, desempregados, subempregados, profissionais liberais falidos, trabalhadores qualificados e desqualificados, cultura e fé. Podemos até dizer que alguém amou a Jesus tanto quanto Wesley. Dizer, contudo, que alguém demonstrou na prática esse amor pela fidelidade aos seus mandamentos, vai ficar difícil.

Durante escassos períodos da sua longa existência a igreja conseguiu ser fiel a estes princípios. Estranhamente, ao que se pode observar, foi justamente neles que a igreja atravessou a sua maior escassez de recursos, mas foi quando experimentou também o seu maior crescimento qualitativo e numérico. Foi justamente quando a igreja não tinha ouro nem prata que ela pôde viver e compartilhar o que de mais precioso possuía, o Evangelho que efetivamente vence o mal, a opressão e a injustiça. Guardadas as proporções populacionais de suas épocas, a Igreja Primitiva dos séculos I e II e o Movimento Metodista do século XVII, são sem contestação as mais expressivas e transformadoras campanhas evangelísticas de toda a história cristã. A razão única é que entenderam a lógica do Evangelho: o Reino é pleno, é para todos e abrange os mais intrincados aspectos da vida humana ou não é de Deus.

Com podemos com eficácia expressar este amor a Cristo que hoje é tão propagado em verso, prosa manifestações de sentimento íntimo? Segundo o profeta Isaías, podemos multiplicar os cultos e as orações. Podemos promover mais e maiores encontros evangelísticos e festivais de louvor. Podemos até mesmo elevar a arrecadação de dízimos e contribuições. Se isso não for acompanhado de ações objetivas e eficazes orientadas pela perspectiva única da vinda breve do Reino de Deus, cairemos todos no antigo e profundo abismo das atitudes bem intencionadas. Paulo, após dissecar toda a hierarquia cristã juntamente com seus dons e prodígios, disse: “Agora vamos falar sério. Vou lhes mostrar um caminho que ultrapassa a todos. Se eu fizer tudo isso e muito mais e não colocar o amor a Jesus na prática, vou estar única e simplesmente jogando conversa fora.”

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