IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

Boulevard Vinte e Oito de Setembro, 400
Vila Isabel - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20551–031     Tel.: 2576–7832


Igreja da Vila

Aniversariantes

Metodismo

Missão

Artigos e Publicações

Galeria de Fotos

Links


Discipulado
Rio, 11/8/2008
 

Por uma Igreja Saudável, Santa e Missionária da Missão

Bispo Paulo Lockmann


 

1) Uma igreja de discípulos e discípulas.
Todos são sabedores de como tenho me afadigado, para transformar nossa igreja na Primeira Região de uma igreja de membros numa Igreja de discípulos e discípulas, de uma igreja de manutenção, numa igreja missionária, de uma igreja que não cresce, numa igreja que cresce à semelhança da igreja de Jerusalém (At 2.41), ou do metodismo histórico ontem e hoje; por isso, oramos, e Deus nos deu uma visão, e uma meta para o cumprimento da missão da Igreja Metodista. A visão é: uma igreja em cada bairro, um grupo pequeno em cada rua, e cada metodista um discípulo e discipulador. Com vista à meta de ganhar e fazer “um milhão de discípulos e discípulas, até 2014”. Nesta breve reflexão, quero agregar mais uma estratégia que Deus esta dando, a qual é uma extensão do discipulado, que nos ajuda a cuidar de alguns problemas no ministério pastoral, potencializando-a para dar cumprimento a nossa missão, visão e meta, todos aprovados nos concílios geral e regional.

2) Vidas santas que impactam o mundo.
Antes de entrar na estratégia propriamente dita, deixe-me firmar as bases bíblicas que nos levam a ela.

O fundamento é a pastoral discipuladora de Paulo junto a Timóteo (cf. 1Tm 4.11-16). Fica claro desde que Deus através de Paulo chamou Timóteo para o ministério pastoral; este teve Paulo como seu pastor e discipulador; as duas cartas pastorais a Timóteo confirmam isto; ademais das indicações de outros textos (cf. Fl 2.19-20; At 16.1-3). Isto nos permite afirmar que ninguém subsiste na fé cristã de modo saudável e santo, sem ser pastoreado e discipulado; isso vale, inclusive, especialmente, para os pastores e pastoras. Honestamente, precisamos reconhecer que muitos de nós estamos sem pastor e discipulador; digo isto, reconhecendo humildemente minha incapacidade de atender a todos. Procuro, sim, imprimir, através do que escrevo, e também dos nossos retiros, um nível de espiritualidade e ensino bíblico, que sei ter ajudado a muitos. No entanto, sei que a demanda é diária, assim como os desafios e tentações.

2.1) Timóteo enfrentava em Éfeso:
a) “...fabulas e genealogias...” (1Tm 1.4)
Trata-se de lideres envolvidos ou por mitos do paganismo gnóstico, ou de mitos judaicos, lendas taumudicas contadas por Rabis.
b) “...loquacidade frívola...” (1Tm 1.6)
Gente que fala muito e não produz nada para o Reino, tem opinião sobre tudo, nenhuma ação e compromisso.
c) “...mas para transgressores e rebeldes [...] pecadores, impuros, sodomitas [...] mentirosos...” (1Tm 1.9-10).
d) “...a ordem do culto” (1Tm 2.8-15).
e) “...a integridade dos ministros...” (1Tm 3.1-13).
f) “...o Espírito afirma expressamente que nos últimos tempos alguns apostataram da fé...” (1Tm 4.1).

E vários outros problemas éticos e doutrinários.

2.2) O que recomendava Paulo a Timóteo para que este tivesse um ministério frutífero, saudável e Santo?
a) “este é o dever de que te encarrego, ó filho Timóteo [...]: Combate, firmado nelas, o bom combate, mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé. E dentre esses se contam Emeneu e Alexandre...”(1Tm 1.18-20).
A boa consciência é não ter nada que testemunhe contra o seu ministério; ser irrepreensível em toda a obra do ministério.
b) “antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de suplicas, orações, intercessões, ações de graças...” (1Tm 2.1).
c) “expondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina [...] rejeita as fabulas profanas [...] exercita-te pessoalmente na piedade...” (1Tm 4.6-7).
d) “Ordena e ensina estas coisa.” (1Tm 4.11).
e) “...tornar-te padrão dos fieis, na Palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza.” (1Tm 4.12).
f) “Não te faças negligente para com o dom que há em ti, o qual te foi concedido mediante profecia, com a imposição das mãos do presbitério.” (1Tm 4.14).
Esta observação pede comentário, visto que os outros pela clareza são auto-explicativos. A negligência do dom é a falta de prática, até o ponto do Espírito se retirar de nós, levando o dom que é Dele. Ou não afirmamos que o dom é do Espírito? Isto tem ocorrido entre nós por preguiça, cansaço, estresse físico e emocional, e outros, nos levam a negligência e a crise ministerial.
g) “Medita estas coisas e nelas sê diligente, para que o teu progresso a todos seja manifesto.” (1Tm 4.15).

h) “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres, porque, fazendo assim, salvaras tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes.” (1Tm 4.16).
Cabe aqui comentar que hoje também estamos cercados de doutrinas estranhas, algumas de grande aceitação popular evangélica. Como a doutrina da prosperidade, a qual afirma que crente não fica enfermo e não pode ser pobre. Tal heresia, que mais enriquece os pregadores do que o povo, é mais uma ideologia capitalista do que mensagem bíblica. Vejam a experiência de Jesus: “...mais o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça...” (Mt 8.20). A experiência dos discípulos: “...Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre nos vossos cintos...” (Mt 10.9). Ou ainda Paulo: “...em trabalhos e fadigas, em vigílias muitas vezes; em fome e sede, em jejuns muitas vezes, em frio e nudez.” (2Co 11.27).

Tais modismos arrastam a nós e nossas lideranças, pois quem não quer ficar rico, ter seu próprio negocio, carro novo? Por isso, a advertência “cuida de ti mesmo”. Sabemos que se cuidarmos de nós mesmos de acordo com o roteiro aqui posto, a palavra e o Espírito nos preservará do erro doutrinário do pecado e da morte. Atenção, nós Metodistas cremos que Deus supre, e nos abençoa em todas as nossas necessidades espirituais, emocionais e também materiais, mas não nos termos que anunciam certos líderes evangélicos hoje em dia. O grande conselho final sobre o tema é Paulo quem dá: “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.” (1Tm 6.7-10).

3) Pastoreio de pastores e pastoras, uma continuidade do Discipulado.
Bem, aqui entra nossa estratégia para alcançar uma Igreja, Santa, Saudável e Missionária. Visto que muitos de nós, realmente em dadas situações, nos sentimos sós, com uma sensação de abandono e não ter a quem recorrer, especialmente, porque as situações são emergenciais, e vão além de nossas forças, nos desanimamos, as vezes perdemos o vigor, a paixão e quando não, a própria visão espiritual.
Para responder a isso, começando com o mesmo ministério de Paulo junto ao pastor Timóteo, lembramos que Paulo semeou muitos conselhos e advertências, visando ao progresso ministerial de Timóteo, mas não ficou só nisto; teve o pastoreio, a mentoria. Observem outros versos:
3.1) “Escrevo-te estas coisas, esperando ver-te em breve.” (1Tm 3.14). Ou ainda “...para que se eu tardar, fique ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte.” (1Tm 3.15).
3.2) “Tu, porem tem seguido de perto o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança...” (2Tm 3.10).
3.3) “Tu, porem, permanece naquilo que aprendeste e fostes inteirado, sabendo de quem aprendeste...” (2Tm 3.14).
3.4) “Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições...” (2Tm 4.5).
3.5) “Procura vir ter comigo depressa” (2Tm 4.9).

Nestes textos, fica claro que Timóteo tinha em Paulo um pastor e mentor, alguém que estava perto dele, seja por carta ou pessoalmente, alguém que o ouvia, que se preocupava com ele, orava por ele, e o aconselhava, indo ao encontro da realidade pastoral que Timóteo vivia, dando conselho, ensino, de modo a habilitar Timóteo para um pastoreio frutífero, edificando uma igreja saudável. A expressão “esperando ver-te” inclui este momento de prestação de contas, no bom sentido, saber se Timóteo estava colocando em prática o ensino de Paulo e da igreja. Também inspirador neste pastoreio de pastores entre Paulo e Timóteo é que Paulo conclui a segunda carta, pedindo o pastoreio de Timóteo: o grande apóstolo, humildemente, faz o apelo para que Timóteo fosse urgente até ele, e, em função da situação difícil por que passava - a decepção com outros - fazia dele alguém em busca de apoio. Se Paulo e Timóteo precisavam, quanto mais nós hoje!

Por isso, estamos estabelecendo uma parceria com a SEPAL e com o programa que eles desenvolvem chamado MAPI, que trata do tema, pastoreio de pastores e pastoras. Tendo certeza que isto nos será por benção.

Indico o livro de Davi Kornfield sobre o tema. O líder que brilha, São Paulo: Ed. SEPAL.

Voltar


 

Copyright 2006® todos os direitos reservados.